Capítulo Cinco

Dante

Estou sentado em meu escritório, olhando para Max, meu amigo e investigador particular.

Ele está me ajudando a investigar a família Rossete, um caso que tem me mantido acordado à noite.

Max está sentado do outro lado da minha mesa, folheando um arquivo cheio de documentos. Ele tem uma expressão séria no rosto, seus olhos azuis focados nos papéis à sua frente.

-A família Rossete está com problemas, Dante- ele diz, olhando para mim.

-Eles estão sendo acusados de fraude fiscal e lavagem de dinheiro. Eles estão procurando um bom advogado.

-Quão ruim é?- Eu pergunto, olhando para Max.

-Ruim ? , eles estão sendo acusados de desviar milhões de dólares. Se forem condenados, podem pegar até vinte anos de prisão. -ele diz, fechando o arquivo.

Eu rio, um som amargo que ecoa pelo escritório. Então, além de serem suspeitos de terem matado minha família no incêndio, parece que é certo que estão envolvidos com o crime organizado, o que é uma novidade para mim , já que conheço muito bem esse mundo . Embora sejam muito discretos sobre isso, os documentos que meu pai deixou indicam isso.

Eu preciso me aproximar mais dos Rossete, coletar mais provas contra eles. Eu odeio a família Rossete com todas as minhas forças e estou decidido a fazê-los pagar pelo que fizeram com minha família.

Max me diz que Dorothy e Samuel Rossete estarão em um evento beneficente à noite. Eu sorrio, um sorriso frio que não alcança meus olhos.

-Max, preciso que consiga uma entrada para mim no evento - eu digo, minha voz firme.

Max me olha por um momento, então assente.

-Eu sei onde conseguir- ele diz, se levantando.

Eu o observo sair do escritório, meu coração batendo forte no peito. Eu sei que estou entrando em um território perigoso, mas não me importo. Eu farei qualquer coisa para fazer justiça à minha família.

Eu me levanto, caminhando até a janela. Eu olho para fora, para a cidade abaixo. Eu posso ver a mansão dos Rossete ao longe, um lembrete constante do que eu perdi.

Enquanto olho para a mansão dos Rossete, um flashback me atinge como um soco no estômago.

 Eu me vejo novamente, um menino de apenas de quatorze anos, fugindo de minha mansão em chamas com minha mãe e minha irmã mais nova no colo.

Minha mãe tossia incessantemente, o som áspero e doloroso ecoando na noite fria. Ela havia inalado muita fumaça, seus olhos lacrimejando e seu rosto pálido. Minha irmã mais nova estava inconsciente em meus braços, seu pequeno corpo frágil e quente contra o meu.

Eu andava mancando sobre a neve, o frio cortante mordendo minha pele através das roupas finas. A mansão ficava em um local isolado, longe de qualquer ajuda. Eu tive que andar por muito tempo, minha mãe e irmã nos braços, até encontrar uma casa onde consegui pedir ajuda.

A ambulância foi chamada e fomos levados ao hospital. Mas era tarde demais. Minha mãe e irmã tiveram complicações devido à asma e acabaram falecendo no hospital. Naquela véspera de Natal, eu perdi tudo.

Eu também morri naquela noite. Não fisicamente, mas a parte de mim que era inocente, que acreditava na bondade do mundo, que amava o Natal... essa parte de mim morreu junto com minha família

Desde então, eu nunca mais comemorei um Natal. Na verdade, eu odeio essa data. É um lembrete constante do que eu perdi, do que foi tirado de mim.

Eu volto ao presente, minha mão apertando o peitoril da janela.

Eu fecho os olhos, deixando a raiva me consumir. Eu vou derrubar a família Rossete.

 Eu vou fazê-los pagar.

Safira

Estou em meio a um cenário caótico. Estou dentro de um carro, meu corpo inteiro doendo. O carro parece ter capotado, o metal retorcido e vidro quebrado ao meu redor.

-Papai... mamãe...- Eu murmuro, tentando alcançá-los com minhas pequenas mãos. Meu pai está no banco do motorista, sua cabeça encostada na janela, o rosto ensanguentado. Minha mãe está do lado do passageiro, caída sobre o porta-luvas do carro. Ambos estão inconscientes.

Eu ouço um barulho de sirene ao longe, vozes se aproximando. Eu tento gritar por ajuda, mas minha voz é apenas um sussurro fraco.

De repente, algo começa a sacudir violentamente meu corpo.

Eu abro os olhos, encontrando o rosto mal-humorado de Dorothy.

-Finalmente, achei que você tivesse morrido- ela diz, me segurando pela blusa. Ela me solta de repente, me fazendo bater a cabeça no chão.

Eu grito de dor, minha cabeça latejando. Eu olho para Dorothy, vendo a indiferença em seus olhos. Ela não se importa comigo. Ela nunca se importou.

Eu me levanto, sentindo minha cabeça latejar de dor. Minha cabeça está girando, um carrossel fora de controle. Eu me sinto enjoada, minha barriga revirando. Eu preciso me apoiar na parede para não cair.

-Pare de drama, vá comer alguma coisa e se arrumar que já está quase na hora de ir para o evento- Dorothy diz com indiferença, saindo do porão. O som da porta se fechando atrás dela ecoa no silêncio do porão, um lembrete cruel de minha situação.

Eu respiro fundo, lutando contra o mal-estar. Eu fecho os olhos, tentando me concentrar. Eu preciso me recompor. Eu preciso ser forte.

Eu me afasto da parede, caminhando lentamente até a pequena mesa no canto do porão. Há uma tigela de sopa fria e um pedaço de pão duro , que Dorothy deixou . Não é muito, mas é tudo que eu tenho.

Eu pego o pão, mastigando lentamente. O sabor é insípido, mas eu não me importo. Eu preciso comer. Eu preciso de força.

Eu termino minha refeição, me levantando e caminhando até o espelho rachado pendurado na parede. Eu olho para meu reflexo, vendo a palidez de minha pele, os olhos vermelhos e inchados. Eu pareço um fantasma.

Eu saio do porão, subindo as escadas até meu quarto. Eu entro no banheiro, me despindo e entrando no chuveiro. A água quente cai sobre meu corpo, aliviando a dor de ter dormido no chão frio do porão.

Eu termino meu banho, me enrolando em uma toalha e caminhando até o guarda-roupa. Eu abro as portas, olhando para a variedade de vestidos pendurados. Meus olhos se fixam em um vestido elegante, de cor vinho. O tecido é sedoso ao toque, com um caimento perfeito que realça minhas curvas. O decote é sutil. A saia longa e fluida se move graciosamente a cada passo.

Eu escolho uma sandália de salto alto prateada, com tiras finas que se entrelaçam até o tornozelo. Ela complementa perfeitamente o vestido, adicionando um brilho discreto aos meus pés.

Eu seleciono um par de brincos de pérolas, delicados e clássicos. Eles adicionam um toque de sofisticação ao meu visual. Para o colar, escolho uma corrente fina com um pingente de cristal em formato de gota, que brilha delicadamente sob a luz. Na pulseira, opto por uma peça de prata com detalhes entrelaçados, simbolizando a força e a resistência que eu carrego dentro de mim.

Eu me visto com cuidado, apreciando a sensação suave do tecido contra minha pele.

Eu não estou feliz em ir a esse evento, pois sei que meus pais farão de tudo para me vender a outro homem. Mas eu também sei que devo estar impecável, mostrando-lhes que sou mais do que apenas uma mercadoria.

Após escolher o vestido, eu me sento em frente ao espelho da penteadeira. Meus cabelos longos, castanhos claros e levemente ondulados caem sobre meus ombros. Eu decido fazer um penteado elegante e atual. Começo a separar mechas e, com habilidade, vou trançando-as em um coque baixo, deixando alguns fios soltos emoldurando meu rosto. O resultado é um penteado sofisticado, que ressalta a beleza natural dos meus cabelos.

Em seguida, passo para a maquiagem. Opto por uma aparência suave e radiante. Começo aplicando uma base leve, cobrindo qualquer imperfeição. Destaco meus olhos com uma sombra dourada brilhante, que realça a cor dos meus olhos azuis. Um delineador sutil e uma camada de máscara para cílios completam o olhar. Para os lábios, escolho um batom rosa claro, que adiciona um toque de feminilidade.

Após finalizar a maquiagem, eu me levanto e vou até o guarda-roupa, pegando uma bolsa de mão prateada. Ela é pequena e elegante, perfeita para carregar o essencial durante o evento.

Em seguida, vou até a escrivaninha e pego meu celular, que estava lá desde que fui trancada no porão. Eu desbloqueio a tela e vejo o horário: são seis da tarde. O maldito Samuel me deixou trancada naquele porão por quase um dia inteiro, sem água e nem comida. Tudo o que eu comi foi o pedaço de pão seco e a sopa que Dorothy deixou para mim. Mas não foi o suficiente para matar minha fome.

Eu respiro fundo, tentando afastar a fraqueza que ainda me assola. Eu me olho no espelho mais uma vez. Apesar de tudo, eu não vou permitir que me quebrem.

Eu saio do quarto e desço as escadas em direção à sala. Lá, encontro Dorothy e Samuel me esperando. Assim que me veem, eles me analisam da cabeça aos pés, como se eu fosse apenas um objeto a ser avaliado. Eu ignoro o olhar frio em seus olhos e me mantenho firme.

Samuel faz um sinal para que eu os siga até o carro. Eu o faço, mantendo a postura ereta e determinada. O caminho até o evento é silencioso, apenas o som do motor do carro preenche o ambiente. Eu olho pela janela, vendo as luzes da cidade passarem rapidamente. Meu coração está acelerado, mas eu me recuso a deixar transparecer qualquer sinal de fraqueza.

Chegamos ao local do evento, um salão luxuoso e imponente. Samuel abre a porta do carro para mim e eu saio, enfrentando o olhar curioso dos convidados. Eu caminho com confiança, mantendo a cabeça erguida.

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Comments

Euridice Neta

Euridice Neta

Eita que agora vai começar o jogo de Dante pra se vingar e a Safira que vai pagar por erros que nem conhece já que também é vítima dessa família maldita...

2025-02-24

0

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