O dia amanheceu com uma atmosfera carregada de expectativa e eletricidade. A mansão dos Yamazaki estava mais movimentada do que nunca, com dezenas de membros da Yakuza, familiares, aliados e espectadores reunidos para prestigiar o Torneio Divino — o evento mais aguardado entre as famílias do submundo japonês. O torneio, realizado a cada cinco anos, não apenas estabelecia a hierarquia dos Yamazaki, mas também servia para demonstrar sua força e lealdade àqueles que ousavam desafiar ou buscar aliança com o clã.
A arena, construída especialmente para o torneio no terreno da mansão, era um amplo espaço circular, cercado por arquibancadas de madeira ornamentadas e cercas de ferro. No centro, o chão de pedra escura era liso e polido, mas marcado com cicatrizes de batalhas passadas. Um céu nublado lançava uma luz fria sobre o local, tornando o ambiente sombrio e imponente, perfeitamente adequado para o que estava por vir.
Diante de todos, Shigen Yamazaki, o patriarca e temido "Rei Demônio", levantou-se em seu assento especial, posicionado em um lugar de destaque. Imponente em seu kimono preto com suas tatuagens de dragão e serpentes à mostra, ele emanava uma aura de autoridade absoluta e respeito. Ao seu lado estavam seus filhos, Harua, Hanzo e Seichiro, que olhavam para a arena com olhares variados — Harua com serenidade, Hanzo com impaciência e Seichiro com uma expressão neutra e impenetrável.
Shigen deu um passo à frente, e a multidão instantaneamente silenciou. Sua voz profunda ecoou por toda a arena, cada palavra carregada de poder e determinação:
"Hoje, damos início ao Torneio Divino, onde apenas os mais fortes, destemidos e honrados terão lugar de destaque nesta família. Este não é um mero teste de habilidades; é um teste de caráter, lealdade e propósito. Aqueles que desejam provar seu valor o farão sob o olhar atento de todos nós, e cada gota de suor, sangue e sacrifício será vista e lembrada.”
Ele ergueu uma mão, apontando para o céu nublado como se desafiasse até os próprios deuses. "Este torneio definirá os pilares do nosso clã pelos próximos cinco anos. E todos vocês que se julgam dignos de carregar o nome Yamazaki... provem isso aqui!"
Shigen Yamazaki, ainda com sua voz firme ecoando pela arena, começou a explicar as regras do Torneio Divino, detalhando o que cada competidor enfrentaria para buscar seu lugar entre os melhores:
"Este torneio segue regras simples e diretas, mas exige coragem e determinação absolutas." Ele olhou para os competidores e espectadores com um olhar sério e impassível. "Cada lutador deve derrotar o adversário designado para seguir à próxima etapa, até que apenas um reste entre vocês."
Shigen fez uma pausa, e seus olhos percorreram lentamente a multidão, detendo-se por um instante em Aki antes de continuar:
"O vencedor final deste torneio terá a oportunidade de desafiar qualquer um dos cinco melhores membros do clã Yamazaki. E se conseguir derrotar o 5º lugar, terá o direito de desafiar o próximo na hierarquia, e assim por diante. Em toda a nossa história, nenhum vencedor jamais ousou desafiar mais de uma posição. A glória e o risco são altos, pois cada membro do top 5 é um guerreiro de habilidades incomparáveis. Somente quem possui uma força verdadeira pode até sonhar em tomar seu lugar."
Ao mencionar o top 5, Shigen fez um leve gesto, indicando a presença de Miku Yamazaki, a ocupante da 5ª posição do clã. Os olhares se voltaram para ela, uma figura marcante e inconfundível, mesmo no meio de uma multidão. Miku era uma mulher impressionante, que usava roupas de gala luxuosas e extravagantes, tão refinadas quanto suas habilidades de combate. Seu vestido cintilava sob a luz, mas por baixo de sua aparência elegante, ela carregava lâminas escondidas e chicotes, armas de sua especialidade, habilidosamente ocultas em seus trajes.
Com cabelos loiros, olhos verdes penetrantes e uma expressão séria, Miku observava os competidores com uma calma calculista. Sua postura e presença, elegantes e mortais, desmentiam a brutalidade que demonstrava em combate. Conhecida por sua agilidade e precisão, ela havia conquistado o 5º lugar com grande destreza, derrotando oponentes maiores e mais fortes que ela com facilidade.
"Que fique claro," Shigen continuou, "aqueles que escolherem desafiar o top 5 devem saber que não se trata apenas de habilidades; é uma questão de honra, lealdade e determinação. Estes cinco são a elite, a essência do que é ser um Yamazaki."
Miku lançou um olhar afiado para os competidores, como se desafiasse qualquer um deles a tentar tomar seu lugar. Ao notar o olhar de Aki, seus lábios esboçaram um sorriso sutil, como se ela já antecipasse o próximo oponente com uma mistura de desprezo e curiosidade.
"Que o torneio comece!" Shigen declarou, e a arena explodiu em gritos de excitação.
Uma onda de aplausos e gritos tomou conta do público, enquanto todos olhavam para a arena com expectativa. A tensão no ar era quase tangível. Aki, posicionado entre os competidores, observava a multidão e sentia o peso do momento. Ele não era o único a carregar grandes expectativas, mas sabia que, para ele, este torneio significava mais do que apenas um lugar entre os Yamazaki — significava provar a si mesmo e definir quem ele seria dali em diante.
Os primeiros competidores foram chamados, e as lutas iniciais começaram. As batalhas eram rápidas e brutais, com guerreiros e lutadores dando tudo de si para impressionar a família e o patriarca. Alguns combates terminavam em minutos, enquanto outros se prolongavam em embates ferozes de força e estratégia.
Enquanto assistia, Aki sentia nos olhos dos competidores o sangue deles ferver de excitação. Ele estava pronto. Sabia que o seu momento estava chegando, e, quando fosse sua vez, todos ali entenderiam o verdadeiro significado de ser um Yamazaki.
A arena ficou em silêncio quando o juiz do torneio, Harua Yamazaki, entrou no centro. Ele se posicionou com uma expressão firme e grave, trazendo ainda mais intensidade ao momento. Seus olhos varreram o público antes de anunciar o primeiro combatente. “Golias, o gigante!”, bradou Harua, e o som de seu nome foi seguido por aplausos intensos e gritos ansiosos.
Golias era um homem de estatura e presença imponentes. Com 2,10 metros de altura, ele parecia uma muralha humana. Cicatrizes serpenteavam por seu rosto e pescoço, cada uma carregando uma história de batalhas sangrentas. Sua pele estava marcada por anos de combates, e seus músculos se destacavam como pedras esculpidas. Golias caminhou em direção ao centro da arena, pisando pesado, como um animal feroz que havia sido libertado de sua jaula. Para ele, vencer aquele torneio era mais do que uma questão de força; era a única maneira de se provar digno e conquistar respeito entre os Yamazaki.
A multidão aguardava, o ar estava denso com expectativa, e então Harua ergueu sua mão novamente. “E agora, enfrentando o gigante… Aki Yamazaki!”
A entrada de Aki foi um contraste notável. Com passos calmos e uma postura impecável, ele parecia deslizar em vez de caminhar. A sua beleza e elegância capturaram a atenção de todos imediatamente. Seu kimono roxo, adornado com luas prateadas, flutuava levemente enquanto ele avançava. A multidão observava em silêncio, alguns até ofegando, como se estivessem diante de algo sobrenatural. Aki parecia indiferente ao ambiente, à multidão e ao oponente gigantesco que o aguardava. Ele se posicionou com a calma de quem não via aquilo como uma batalha, mas como uma dança.
Harua ergueu a mão para dar início à luta e bradou: “Que comece!”
Como um touro enfurecido, Golias avançou sobre Aki, desferindo socos e chutes poderosos. Seus movimentos eram rápidos e brutais, e cada soco parecia carregar o peso de sua determinação em destruir o adversário. Ele rugia com força a cada golpe, fazendo ecoar seu grito de guerra. Seu punho vinha de cima, como se tentasse esmagar Aki de uma vez só.
Mas Aki, surpreendentemente, fechou os olhos. Em sua mente, ele se afastou do caos da arena e voltou ao jardim de violetas onde, dias antes, ouvira a suave melodia do violino de Aurora. Ele deixou-se envolver por aquela música imaginária, sentindo cada nota vibrar em seu ser. Para ele, aquilo não era uma luta — era uma dança que ele realizava ao som daquela melodia silenciosa, onde cada passo tinha uma precisão absoluta.
Golias continuava a avançar, mas nenhum dos golpes sequer arranhava Aki. Ele desviava de cada soco com a precisão de um artista, girando levemente para os lados ou inclinando-se para trás. Cada movimento de Aki tinha uma graça e fluidez quase sobrenatural. Seus passos, mesmo evitando golpes mortais, pareciam seguir o ritmo de uma música que apenas ele podia ouvir. Para o público, era como se o som do violino ressoasse no ar; os movimentos de Aki eram tão refinados e ritmados que todos podiam quase sentir a música envolvê-los.
Aki dançava ao redor de Golias com uma leveza que deixava a multidão hipnotizada. Golias, irritado com a incapacidade de atingir seu oponente, rugiu em frustração e intensificou seus ataques, chutando e girando o corpo com violência, tentando agarrá-lo, fazer qualquer coisa para machucá-lo. Porém, Aki, ainda de olhos fechados, inclinava-se para o lado, evitava o golpe, e continuava sua “dança” ininterrupta.
Quando a música imaginária em sua mente atingiu o clímax, Aki sentiu que era o momento certo para agir. Com um movimento preciso e gracioso, ele saltou no ar. Em um instante, como uma lâmina descendo do céu, seu pé caiu sobre a nuca de Golias com uma força esmagadora. A arena ficou em silêncio quando o golpe ressoou no chão, tão poderoso que afundou a cabeça do gigante na própria arena. Golias caiu pesadamente, o corpo todo desabando com um estrondo, e a poeira se ergueu ao seu redor.
Aki aterrissou elegantemente, ajustando o kimono com uma suavidade e naturalidade que contrastavam brutalmente com a cena que acabara de presenciar. A multidão, ainda em choque, contemplava a perfeição de seus movimentos, a frieza em seu olhar, e a maneira como havia derrotado o gigante com apenas um golpe preciso. Aki virou-se e olhou para Harua, que, impressionado, caminhou até o centro da arena.
“Vitória para Aki Yamazaki!”, declarou Harua, e a multidão explodiu em aplausos e gritos.
Aki deu as costas ao corpo caído de Golias e saiu da arena com a mesma calma e elegância com que havia entrado.
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Atualizado até capítulo 129
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