Quando Aki e Tyler chegaram ao quartel-general dos Yamazaki, os corredores estavam estranhamente silenciosos. Cada membro da Yakuza que cruzava o caminho de Aki o observava com olhares de choque. Seus trajes estavam rasgados e ensanguentados, perfurados por tiros e cortados de forma brutal, mas ele caminhava com a mesma postura firme e indiferente. Tyler, ao seu lado, carregava um olhar sério, embora estivesse igualmente coberto de poeira e sangue. Mas o que mais chocava os membros da família era o fato de Aki ter retornado em menos de quatro horas.
Haviam murmúrios pelo caminho.
"Ele já voltou?"
"Mas como ele ainda está de pé?"
"Esses ferimentos matariam qualquer um de nós..."
Os sussurros se espalhavam enquanto Aki avançava em direção ao salão onde Shigen, o chefe implacável da Yakuza, aguardava. Tyler, apesar de ser novo nesse mundo, percebeu o quão temido Aki era pelos outros membros. Ele olhava para os olhares chocados e, por um momento, se perguntou se havia feito a escolha certa ao seguir aquele homem. No entanto, a determinação em seus olhos não desapareceu.
Finalmente, as grandes portas do salão se abriram. Shigen estava sentado no centro da sala, sua postura imponente como sempre. Ao lado dele, estavam Harua e Hanzo, ambos presentes para acompanhar o relatório. Aki entrou sem hesitar, carregando consigo um peso que parecia não ser notado por ele mesmo. Tyler se manteve ao lado, observando o homem que agora chamava de mestre.
"Voltei," Aki anunciou de forma fria, jogando a cabeça de Renjiro no chão diante de Shigen. O impacto ecoou pelo salão, enquanto o líder da Yakuza observava a cabeça do antigo líder do Clã do Dragão rolar até parar aos seus pés.
Shigen ergueu uma sobrancelha, satisfeito, enquanto Harua e Hanzo observavam em silêncio, ambos surpresos com a rapidez da missão.
"Apenas quatro horas..." murmurou Harua, visivelmente impressionado.
Hanzo cruzou os braços, deixando escapar um leve sorriso. "Você não perdeu tempo."
Shigen, no entanto, não falou de imediato. Ele se levantou lentamente de sua cadeira, seus olhos escaneando Aki da cabeça aos pés, tomando nota dos buracos de bala e dos cortes profundos que marcavam o corpo de seu neto. "Relate," ele finalmente disse, a voz grave e imponente.
"O esconderijo foi destruído," Aki começou, com a mesma frieza que sempre o acompanhava. "37 homens morreram no fogo. Os restantes vieram ao meu encontro. Usei-os para praticar minha esgrima. Nenhum sobreviveu."
Shigen assentiu lentamente, um sorriso demoníaco surgindo em seu rosto. "Você recusou ajuda e ainda assim conseguiu exterminar o Clã Dragão sozinho..."
Aki apenas manteve o olhar fixo em Shigen, sem qualquer sinal de emoção. "Eles não eram páreo para mim."
"E Renjiro?" Harua perguntou, com um brilho de curiosidade nos olhos. Ele queria saber mais sobre a batalha contra um homem conhecido por ser implacável.
"Foi forte o suficiente para me forçar a lutar de verdade," Aki respondeu. "Mas o subestimei. Ele descarregou um pente inteiro no meu peito antes de morrer."
Hanzo soltou uma risada baixa. "E você ainda está aqui, de pé, como se nada tivesse acontecido."
Aki deu de ombros, como se não fosse nada. "Balas são inconvenientes, mas nada mais."
Foi nesse momento que Tyler, até então silencioso, deu um passo à frente. Ele olhou para Shigen com uma mistura de respeito e desafio. "Eu sou Tyler," ele disse, sem hesitação. "Fui escravizado por Renjiro. Aki me libertou, e agora, sirvo a ele."
Shigen observou o garoto com olhos penetrantes, medindo sua utilidade. "Você não parece muito intimidado, garoto."
"Eu já vi o inferno," respondeu Tyler. "E agora, eu busco vingança."
Shigen deu uma leve risada. "Então você é um sobrevivente. Veremos se essa vingança será alcançada sob o comando de Aki." Ele então voltou seu olhar para Aki. "Você fez bem. O Clã do Dragão não existe mais. Mas isso é apenas o começo."
Aki assentiu, concordando. Ele sabia que, para alcançar seus objetivos e dominar o submundo, este era apenas um pequeno passo. A batalha contra Renjiro havia sido intensa, mas Aki entendia que desafios muito maiores estavam por vir. O torneio dentro de um mês e sua crescente influência no clã Yamazaki seriam as chaves para o seu avanço.
"Faça como desejar, Aki," Shigen continuou, seu sorriso demoníaco ainda presente. "Você está no caminho certo. Continue assim, e você terá o mundo aos seus pés."
Com essas palavras, Aki deu meia-volta, sabendo que a sua missão estava completa. Tyler o seguiu de perto, e enquanto ambos saíam do salão, os sussurros pelos corredores aumentavam. Aki Yamazaki não era mais apenas o garoto prodígio da Yakuza, ele era uma força a ser temida.
Aki levou Tyler até seu quarto, que era surpreendentemente simples, considerando sua posição na Yakuza. As paredes eram limpas, decoradas com algumas peças de arte minimalista, mas o ambiente emanava uma aura de serenidade e controle. Tyler, mesmo com toda a confusão e o horror que havia passado, começou a se sentir um pouco mais à vontade ao lado de Aki.
Sem dizer muito, Aki apontou para o banheiro. "Venha, você precisa de um banho."
Tyler, apesar de ser orgulhoso para sua idade, sabia que não estava em posição de recusar. Ele olhou para si mesmo, coberto de poeira, sangue seco e cicatrizes. Sua vida tinha sido um inferno desde que foi vendido como escravo, e o simples gesto de Aki o banhar parecia quase irreal. Ele seguiu Aki até o banheiro, onde a água já estava preparada, morna e relaxante.
Aki, silencioso como sempre, começou a lavar os cabelos brancos de Tyler. O garoto não disse nada, mas seus olhos azuis estavam fixos no chão, claramente desconcertado com toda a situação. Enquanto Aki cuidava dele, lavando os cortes e limpando as marcas de sua dura jornada, Tyler começou a se lembrar do que Aki havia dito antes—sobre dar a ele a vingança que tanto buscava.
Após o banho, Aki ofereceu a ele um pequeno kimono, com estampas de tigre, algo que contrastava com a natureza selvagem que Tyler havia exibido em seus olhos desde o começo. O garoto o vestiu, percebendo que Aki, apesar de toda a brutalidade e indiferença em combate, também era incrivelmente cuidadoso em momentos como esse. Ele não apenas estava oferecendo a Tyler uma nova vida, mas também um respeito e dignidade que o garoto há muito não sentia.
"Você está bem?" Aki perguntou, em sua voz calma, mas cheia de autoridade.
Tyler, que até aquele momento manteve um semblante duro, respirou fundo e assentiu, ainda sem conseguir encontrar as palavras certas. Ele sabia que Aki era diferente de qualquer pessoa que já havia encontrado. O respeito pelo homem que o libertou crescia a cada segundo, mas também havia uma admiração. Para Tyler, Aki era mais do que apenas um mestre; ele era um símbolo de força, justiça e controle. E, de alguma forma, Tyler sentia que estava seguro.
Aki saiu do banheiro, deixando Tyler se secar e vestir o kimono de tigre. Em seguida, ele mesmo se preparou, tomando seu próprio banho, limpando o sangue e a sujeira que havia acumulado após a luta brutal com Renjiro. Quando Aki saiu do banho, sua aparência estava transformada. Vestia um kimono roxo, adornado com delicadas luas prateadas, que contrastavam com seu semblante firme e mortal. Ele parecia um verdadeiro príncipe da escuridão—calmo, controlado, mas emanando poder.
Tyler, agora com o kimono de tigre, olhou para Aki, e uma palavra escapou de seus lábios. "Obrigado."
Aki apenas deu um leve aceno, sem expressar muito. Mas naquele simples gesto, Tyler sentiu que havia sido reconhecido. Para ele, aquele momento não era apenas o início de uma nova vida, mas o começo de um caminho que levaria à sua vingança.
Enquanto Aki terminava de se arrumar, Tyler ficou em silêncio, sentindo um respeito profundo pelo homem diante dele. Ele sabia que Aki era seu mestre, mas mais do que isso, ele via nele alguém que talvez o compreendesse. E esse pensamento, pela primeira vez em muito tempo, deu a Tyler uma sensação de paz.
após se arrumarem aki chamou Tyler pra caminhar, Aki e Tyler caminharam pelas ruas de Tóquio, um contraste entre a aura imponente de Aki e a presença vulnerável de Tyler. O pequeno, agora vestido com um kimono de tigre, estava mais calmo, mas ainda havia um peso em seus olhos que não passava despercebido por Aki. O destino dos dois era uma sorveteria, um pequeno refúgio de normalidade em meio ao caos da vida que ambos levavam.
Quando chegaram, a atmosfera tranquila do local foi imediatamente quebrada pela entrada de Aki. Todos os olhares se voltaram para o ex-modelo. Ele era inegavelmente reconhecido pela sua beleza inumana, e sua figura vestida em um kimono roxo com luas o tornava ainda mais cativante. Sua postura e presença dominavam o ambiente, mas, ao contrário do que seria esperado, havia uma gentileza sutil em sua expressão.
Tyler, por outro lado, foi até o balcão e escolheu um sorvete, hesitante no começo, mas logo cedendo ao desejo infantil de sentir algo doce novamente. Quando ele deu a primeira lambida, sua expressão mudou. O doce sabor do sorvete o transportou para um tempo antes de todo o sofrimento, antes de sua família ser morta, antes de ser vendido como escravo. Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto, e ele não pôde conter o choro.
Aki, sentado ao lado dele, o observava em silêncio. Sua mão suave foi até os cabelos brancos de Tyler, acariciando-os lentamente. "Está tudo bem agora," disse Aki, sua voz baixa e calma. "O que aconteceu já passou. Você está seguro."
As palavras eram simples, mas carregadas de uma autoridade que tranquilizava. Tyler chorou por mais algum tempo, deixando sair a dor que ainda o consumia, enquanto Aki continuava a acariciá-lo. Para todos que observavam, Aki parecia o irmão mais velho perfeito, cuidando de seu pequeno irmãozinho com uma paciência e carinho inabaláveis.
As pessoas ao redor começaram a murmurar.
"É ele, o Aki Yamazaki..."
"Nossa, ele é ainda mais bonito pessoalmente."
"Parece uma divindade... e o garoto com ele, também é adorável."
Alguns tiravam fotos discretamente, enquanto outros apenas observavam com admiração. A beleza de Aki não era apenas algo que se via, era algo que as pessoas sentiam. Ele irradiava uma perfeição que deixava todos ao seu redor maravilhados. No entanto, Aki não se importava com os olhares ou os elogios. Ele sabia que essas reações eram comuns, mas não significavam nada para ele.
Ele continuou a sorrir gentilmente para Tyler, acariciando seus cabelos, imitando perfeitamente o comportamento de um irmão mais velho cuidando do irmão mais novo. Sua expressão não traía o fato de que, por dentro, ele não sentia nada. Aki não tinha emoções, mas sabia exatamente como reproduzir cada gesto, cada palavra que as pessoas ao seu redor esperavam. Era uma perfeição tão absoluta que ninguém jamais desconfiaria da ausência de sentimentos reais por trás daqueles gestos.
Tyler, no entanto, sentiu o conforto que Aki oferecia. Para o garoto, aquilo era mais do que um simples gesto vazio. Ele via Aki como seu protetor, alguém que, de alguma forma, entendia sua dor e prometia vingança. Aos poucos, Tyler se acalmou e continuou a comer seu sorvete, enquanto Aki o observava com um olhar que poderia ser facilmente confundido com ternura.
Os dois permaneceram ali por mais algum tempo, Aki totalmente alheio ao burburinho ao seu redor, focado apenas em cuidar de Tyler. Mesmo sem sentir, ele sabia que, de certa forma, estava moldando o futuro daquele garoto, e, no fundo, isso também fazia parte de seus planos.
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Atualizado até capítulo 129
Comments
Jadson Augusto
muito bom esse capítulo
2024-11-26
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