Aki caminhava pelos corredores da mansão Yamazaki com passos silenciosos, explorando cada canto e observando os detalhes, buscando compreender mais sobre o que significava ser um Yamazaki. Em sua mente, ele revivia as palavras de Seichiro e o desafio implícito de se provar digno. Enquanto vagava, ele foi atraído pelo aroma suave de flores e, ao seguir o perfume, encontrou uma passagem aberta para um vasto jardim.
Ali, uma imensidão de violetas cobria o chão, como um mar roxo profundo. As flores balançavam levemente ao vento, e, no centro do jardim, uma melodia suave ecoava. Aki reconheceu o som: um violino, tocado com uma precisão e delicadeza que ele raramente presenciava. Curioso, ele avançou silenciosamente, e foi então que a viu.
Sentada entre as violetas, estava uma jovem com longos cabelos ruivos cacheados que reluziam à luz do sol. Ela tocava o violino com uma expressão serena e quase angelical, os dedos deslizando pelas cordas com uma graça natural. Ao se aproximar, Aki percebeu que seus olhos tinham cicatrizes de queimadura; ela era cega. Mesmo assim, sua música transmitia uma beleza e sensibilidade que ele nunca havia experimentado.
A música cessou por um momento, e Aurora, percebendo a presença de alguém, sorriu timidamente. "Olá... Quem está aí?"
"Aki," ele respondeu suavemente, ajoelhando-se ao lado dela. "Meu nome é Aki Yamazaki."
Ela sorriu, surpresa. "Então, você é o novo membro da família... ouvi falar sobre você. Meu nome é Aurora."
Aki inclinou a cabeça, observando-a com curiosidade. "Você toca bem. Como aprendeu a tocar assim?"
"Obrigada," respondeu Aurora, corando levemente. "É algo que me ajuda a ver o mundo. Cada som, cada nota... é como se eu pudesse 'enxergar' através deles."
Aki assentiu, ainda surpreso. "Interessante. Eu... não estou acostumado com coisas belas assim." Ele olhou ao redor. "As violetas... são lindas. Nunca havia reparado."
"Fico feliz que você tenha notado," disse Aurora com um sorriso doce. "Eu acho que todos merecem algo belo em suas vidas."
Aki ficou em silêncio por um momento, processando suas palavras. "Por que você toca aqui? Sozinha?"
"Porque aqui eu posso ser eu mesma," ela respondeu, baixando o violino. "E, honestamente, porque poucas pessoas da família realmente gostam de parar para ouvir a música. A maioria está sempre ocupada... preocupada com poder, status, combates."
Aki assentiu. "Imagino. Eu também estou tentando entender meu lugar aqui, mas... as coisas são mais complexas do que parecem."
Aurora riu suavemente. "A vida dos Yamazaki não é fácil. Mas todos nós buscamos algo. E você, Aki? O que está procurando?"
Aki pensou por um momento, então respondeu, quase sem emoção. "Acho que... estou tentando descobrir quem sou e o que significa carregar esse sobrenome."
Aurora inclinou a cabeça, pensativa. "Eu posso não enxergar o mundo como você, mas, pelo que sinto, você carrega algo especial. Algo que pode fazer a diferença, Aki."
Eles continuaram a conversar, e Aki começou a relaxar, sentindo que, de alguma forma, aquela conversa preenchia um vazio dentro dele. Pela primeira vez, ele podia falar sem pretensões, sem máscaras.
Quando o sol começou a se pôr, Aurora perguntou: "Você voltará para ouvir minha música outra vez?"
Aki sorriu, algo raro em seu rosto. "Sim. Acho que posso aprender algumas coisas com você."
Aurora sorriu em resposta, e eles ficaram ali por mais alguns momentos, imersos na simplicidade do jardim, enquanto a noite começava a envolver o céu, transformando aquela tarde numa memória preciosa para ambos.
Ao cair da noite, Aki subiu ao telhado da mansão, onde uma brisa suave soprava, levando consigo os ecos do violino de Aurora e o aroma sutil das violetas. Ele se deitou ali, com os braços cruzados atrás da cabeça e os olhos fixos nas estrelas. A quietude ao seu redor contrastava com o tumulto em sua mente.
A conversa com Aurora o deixara com uma inquietação que ele não conseguia afastar. Pela primeira vez, ele se questionava profundamente sobre si mesmo, sobre quem deveria ser. Ele refletia sobre os papéis que a vida e as circunstâncias o forçaram a desempenhar: o garoto criado para ser uma arma, o modelo que nunca entendeu a obsessão dos humanos pela beleza, o lutador frio que enfrentava inimigos sem hesitar. Mas onde estava Aki nisso tudo? Havia algo que ele desejava ser?
“Aki Yamazaki...” murmurou para si mesmo, o nome ecoando como um enigma.
Ele fechou os olhos e lembrou-se das palavras de Aurora: “Eu acho que todos merecem algo belo em suas vidas.” Aquelas palavras o atingiram com uma força que ele não esperava. Ele percebeu que, talvez, ser um Yamazaki não significasse apenas força ou disciplina, mas um propósito maior.
No entanto, uma dúvida persistia: Qual era esse propósito?
As palavras de Seichiro ressoaram em sua mente também, lembrando-o do que ele ainda precisava provar, das expectativas e das desconfianças. “Um verdadeiro Yakuza tem seus princípios...” ele dissera. Mas Aki sabia que algo o diferenciava: uma ausência de emoções claras, uma frieza que o tornava um tanto distante, mesmo no meio da família. Ainda assim, ele tinha uma escolha em suas mãos.
Por um longo tempo, Aki permaneceu ali, entre o céu estrelado e o silêncio profundo, sem respostas, mas decidido a continuar em busca delas. Ele percebeu que a busca por ser um Yamazaki poderia ser o caminho para ele definir seu próprio destino. Naquela noite, ele jurou a si mesmo que encontraria um significado que fosse só dele, uma razão que transcendesse lutas e sangue.
E assim, enquanto a lua iluminava o telhado e o jardim abaixo, Aki decidiu que ele não seria apenas mais uma arma dos Yamazaki. Ele seria algo mais.
Na manhã seguinte, Aki acordou com o propósito mais claro em sua mente, ainda incerto, mas determinado a seguir adiante. Ele desceu do telhado e entrou na mansão com uma expressão serena e resoluta.
Durante o café da manhã, o clima estava silencioso, quase reverente. A família se reunia, e o torneio que se aproximava era o tópico não falado nos olhares trocados entre eles. Shigen, impassível como sempre, observava Aki de soslaio, como se percebesse que algo havia mudado no garoto.
Após a refeição, Aki cruzou os corredores da mansão, cada passo ecoando com mais certeza. Ele parou por um momento, olhando para o jardim onde encontrara Aurora no dia anterior. A imagem dela tocando o violino permanecia gravada em sua memória, despertando uma sutil chama de algo novo em seu peito – talvez uma admiração por algo que ele não podia descrever, mas que lhe dava um sentido de paz.
De repente, ouviu passos se aproximando. Era Harua, que, com seu olhar calmo, mas intenso, parecia observar Aki com um misto de curiosidade e expectativa. Harua encostou-se em uma coluna próxima, cruzando os braços enquanto lançava um olhar avaliador para ele.
"Preparado para o torneio?" Harua perguntou, a voz carregada de um tom casual, mas com uma nota oculta de desafio.
Aki ergueu o olhar para o seu tio, seus olhos rosados brilhando com determinação. "Sim," ele respondeu calmamente. "Mas acho que o torneio é apenas uma parte do que preciso fazer aqui."
Harua arqueou uma sobrancelha, visivelmente intrigado. "Ah, e o que seria isso?"
Aki respirou fundo, escolhendo suas palavras com cuidado. "Entender o que significa ser um Yamazaki... Não apenas o poder ou a força, mas algo mais profundo." Ele hesitou, mas continuou: "Preciso provar algo, mas não só para os outros. Para mim mesmo."
Harua observou-o em silêncio por um momento antes de dar um leve sorriso, como se visse ali o embrião de uma nova chama. "Você é interessante, Aki. Um verdadeiro Yamazaki encontra seu próprio caminho, não apenas o que a família dita." Ele se aproximou, colocando uma mão no ombro de Aki. "Mostre a todos quem você realmente é."
Aki assentiu, sentindo-se mais determinado. O torneio era uma oportunidade, mas também um símbolo de sua jornada pessoal. Ele sabia que enfrentaria não apenas os desafios físicos, mas também o desafio de se entender e definir sua identidade dentro da família.
No dia seguinte, o aguardado torneio teve início.
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Atualizado até capítulo 129
Comments
Jadson Augusto
a história é bastante viciante, muito boa
2024-11-27
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