Após ouvir as palavras de Harua, Aki observou atentamente quando ele se levantou e caminhou até uma pequena sala ao lado do dojo. Momentos depois, Harua retornou segurando algo especial: uma katana verdadeira, forjada com perfeição. A lâmina refletia a luz suave do ambiente, e sua presença parecia carregar um peso muito maior do que apenas o metal.
Harua entregou a katana a Aki, que a pegou com uma mão firme, sentindo a força da lâmina enquanto examinava sua forma equilibrada. Harua voltou ao centro do dojo, sua postura tranquila, mas imponente, enquanto sentava-se no tradicional seiza, ajustando seu kimono com serenidade.
"Vou te mostrar o ápice da espada, garoto," disse Harua calmamente, mas sua voz carregava um peso que Aki não havia sentido antes.
O jovem se preparou, mas no instante em que Harua sacou a própria espada, uma mudança no ar tomou conta do ambiente. Algo invisível, mas palpável, parecia inundar o dojo. A sensação que percorreu o corpo de Aki era diferente de qualquer outra. Era como se a própria essência de Harua tivesse mudado, uma aura de morte que emanava dele, quase sufocante. Era a primeira vez que Aki sentia uma pressão tão esmagadora de alguém que não fosse Hanzo ou Shigen. Ele instintivamente soube que estava diante de um monstro.
"Este homem é ainda mais poderoso que Hanzo," pensou Aki, enquanto seu corpo permanecia imóvel por alguns segundos. "Preciso analisar isso com cuidado..."
Aki, como sempre fazia, começou a calcular as várias possibilidades em sua mente, simulando cada ataque que poderia realizar. Ele revisou 345 diferentes cenários em questão de segundos, e em todos eles, ele morria nas mãos de Harua. "Ele é insano," pensou Aki, com os olhos se estreitando, mas sem mostrar sinais de hesitação.
Finalmente, ele decidiu que era hora de atacar.
Com um movimento rápido, Aki avançou, sua katana cortando o ar em direção a Harua, tentando encontrar uma brecha no oponente calmo. No entanto, Harua desviou com uma facilidade surpreendente, movendo-se com uma graça letal. Aki mal teve tempo de reagir quando Harua contra-atacou com um corte horizontal incrivelmente preciso.
Aki conseguiu desviar por um triz, mas mesmo assim, o vento cortante gerado pelo ataque de Harua foi suficiente para abrir um corte fino no peito de Aki. Sangue escorreu pelo peito do garoto, e ele soube naquele momento: Harua, por trás daquele semblante calmo e sereno, era um guerreiro insano de forte, alguém cuja força estava em outro nível.
"Impressionante," pensou Harua, observando o corte que sua lâmina invisível havia deixado. "Mesmo após bloquear o golpe, ele se machucou apenas com a força do vento. Este garoto... tem potencial, mas ainda é jovem."
A batalha continuou. A cada troca de golpes, Aki percebia que Harua não só possuía força e técnica, mas também uma compreensão profunda da espada. Era como se ele tivesse previsto cada movimento de Aki antes mesmo que ele o executasse. Mas isso não desanimou o jovem. Na verdade, isso o motivava a encontrar uma abertura, a explorar cada pequeno detalhe do estilo de Harua.
Aki sentiu que sua mente estava no limite. Ele era empurrado a pensar em todas as variáveis possíveis enquanto bloqueava, desviava e contra-atacava. O som das espadas ecoava pelo dojo, os dois lutadores se movendo com velocidade e precisão sobre-humanas. Cada golpe era mais brutal que o anterior, suas espadas cruzando como relâmpagos.
"Ele é forte demais," pensou Aki, ofegante, seu corpo agora acumulando cansaço das várias batalhas anteriores. "Mas... eu ainda posso encontrá-lo. Há uma brecha..."
E então aconteceu. Em um momento de puro instinto, Aki percebeu uma abertura na postura de Harua. Ele avançou com uma velocidade avassaladora, realizando um corte rápido e preciso. Harua tentou bloquear, mas Aki, com uma precisão milimétrica, conseguiu cortar seu peito, deixando um rastro de sangue que escorreu pelo kimono impecável de Harua.
Por um instante, o dojo ficou em silêncio.
Harua parou, olhando para o sangue em seu peito com uma mistura de surpresa e admiração. Ele jamais esperava que Aki fosse capaz de alcançá-lo tão cedo em seu treinamento.
"Você... me acertou," disse Harua, quase como se estivesse falando consigo mesmo, sua expressão ainda calma, mas agora com um brilho de respeito em seus olhos.
No entanto, antes que Aki pudesse aproveitar sua pequena vitória, o cansaço acumulado de tantas batalhas tomou conta de seu corpo. Sua visão começou a ficar turva, e ele sentiu suas pernas fraquejarem. Num piscar de olhos, ele desabou no chão, completamente exausto.
Harua observou o corpo desacordado de Aki com uma expressão séria. Ele guardou sua espada com um movimento fluido e se aproximou do jovem, ajoelhando-se ao lado dele.
"Você é realmente algo, garoto," murmurou Harua, ainda incrédulo com o talento monstruoso de Aki. Ele olhou para a ferida em seu peito, sentindo a dor leve da lâmina de Aki. "Poucos são capazes de me tocar, mas você conseguiu."
Ele se levantou e olhou para os espadachins e membros da Yakuza ao redor, que haviam assistido à batalha em silêncio. Alguns estavam boquiabertos com o que viram.
"Dessa vez, vou deixar como um empate," disse Harua com um leve sorriso, seus olhos brilhando com orgulho e admiração por Aki. "Mas da próxima vez... ele estará ainda mais forte."
Com isso, Harua ordenou que levassem Aki para descansar. "Este garoto... ele realmente tem o potencial de se tornar um Yamazaki monstruosamente forte," pensou Harua, enquanto se afastava, deixando o dojo em silêncio, e indo ao seu quarto.
Quando Harua entrou em seu quarto, sentiu imediatamente a presença de seu pai, Shigen Yamazaki, sentado calmamente em uma poltrona perto da janela. Mesmo sendo um homem de poucas palavras, a presença de Shigen era sempre imponente. Seus olhos frios e inexpressivos encontraram os de Harua assim que ele fechou a porta. O silêncio entre eles era denso, mas carregado de entendimento mútuo.
"Pai," Harua começou, tirando a espada de sua cintura e colocando-a cuidadosamente ao lado, ainda processando os acontecimentos recentes. "Aquele garoto... Aki... ele é insano."
Shigen apenas olhou para Harua, mas o suficiente para que ele continuasse.
"Eu o subestimei por um instante. Não esperava que alguém tão jovem fosse capaz de me tocar, ainda mais depois de tantas batalhas seguidas. Ele aprendeu cada movimento como se já soubesse usá-los antes de eu sequer ensinar. E no final... ele me feriu," Harua disse, olhando para o leve corte em seu peito que Aki havia feito.
Shigen, impassível, apenas acenou com a cabeça lentamente.
"Não é surpresa que ele o tenha surpreendido. O sangue Yamazaki corre em suas veias, e esse garoto... é um prodígio que não aparece há gerações."
Harua respirou fundo, refletindo sobre o que seu pai disse. "Ele é mais que um prodígio, pai. Há algo nele que parece diferente. Como se ele não sentisse dor, não hesitasse diante de nada. Eu o testei com os melhores espadachins que temos — até os Onis Gêmeos não conseguiram arranhá-lo, e ele os destruiu. E isso... foi apenas o começo."
Shigen continuou olhando pela janela, a luz da lua iluminando seu perfil duro e imponente. "Esse garoto... Aki Yamazaki... será um dos mais fortes da nossa linhagem. Eu não tenho dúvidas. Ele não apenas carrega o sangue Yamazaki, mas também algo mais sombrio. Ele é um gênio estratégico e um guerreiro nato. Em combate, ele analisa todas as variáveis, como um verdadeiro mestre, mesmo sem ter experiência suficiente."
O silêncio caiu entre eles por um momento, mas então Shigen falou novamente, mudando o assunto para algo mais imediato.
"O Torneio Divino será daqui a um mês," disse ele, com sua voz firme. "O torneio que define os ranks de força dentro do clã. Este torneio será importante, Harua. Não apenas para o clã, mas para Aki. Ele provavelmente ainda não sabe disso, mas acredito que o top 5 de nossa hierarquia mudará drasticamente."
Harua ergueu uma sobrancelha, interessado. "Você acha que Aki está pronto para algo assim? Ele acabou de chegar ao clã."
"Ele está muito além de qualquer um que já vi," respondeu Shigen. "Seichiro, por exemplo, está em quarto lugar no ranking há algum tempo, mas agora que você voltou e que Aki está se aprimorando... acho que ele não conseguirá manter sua posição por muito tempo. Aki é um monstro em desenvolvimento, e daqui a um mês, ele terá evoluído ainda mais."
Harua ponderou as palavras de seu pai. O Torneio Divino sempre fora um evento crucial no clã Yamazaki, pois definia não só a força, mas também a influência e o respeito de cada membro. Os cinco mais fortes tinham o direito de comandar parte significativa das operações da Yakuza, além de poderem influenciar as decisões da família. Seria um teste para Aki, mas também uma oportunidade de ouro para ele mostrar a todos o que era capaz de fazer.
"E quanto a mim?" perguntou Harua, curiosidade misturada com ambição. "Eu acabei de voltar, mas sei que estou pronto para retomar minha posição no topo."
Shigen deu um leve sorriso, algo raro. "Você será o segundo mais forte da família. Seu lugar está garantido. Hanzo é formidável, mas ele nunca superará sua habilidade com a espada. No entanto, quanto ao primeiro lugar... eu ainda o mantenho."
Harua riu baixinho, sabendo que seu pai estava certo. Shigen, o Rei Demônio, era insuperável em termos de força e poder. Até mesmo Harua, com toda sua habilidade, sabia que estava longe de ser páreo para o pai. A força esmagadora de Shigen era algo que ninguém ousava desafiar abertamente.
"A questão é," Shigen continuou, agora com uma expressão mais séria, "onde Aki se encaixará. Ele é jovem, mas sua força já rivaliza com os nossos melhores. Se ele continuar nesse ritmo, não será surpresa se ele entrar no top 5 antes mesmo de completar 16 anos. Quero que você o observe de perto, Harua. Ensine-o, guie-o. Mas nunca o subestime. A chave para o futuro da nossa família pode estar nele."
Harua assentiu. Ele já havia percebido o potencial de Aki, mas ouvir isso de seu pai solidificava suas suspeitas. "Entendido. Eu o testarei e o prepararei para o torneio."
Shigen então se levantou, sua figura alta e musculosa dominando o espaço. "Não esqueça, Harua. O Torneio Divino é mais que uma simples competição de força. Ele determinará quem será capaz de liderar quando eu não estiver mais aqui. Aki será importante, mas ele não é o único. Todos os olhos estarão sobre vocês."
Com essas palavras, Shigen saiu da sala, deixando Harua sozinho em seus pensamentos.
Harua, agora sozinho, refletiu sobre tudo o que havia acontecido e sobre o futuro. Ele sentiu a cicatriz em seu peito, deixada por Aki, e sorriu para si mesmo. "Um empate dessa vez, hein?" pensou ele. "Mas da próxima... veremos o quão longe você pode ir, garoto."**
O Torneio Divino estava se aproximando rapidamente, e a excitação crescia no clã Yamazaki. Mas para Harua, havia algo mais importante: o potencial de Aki. Ele sabia que esse jovem era a chave para algo muito maior, algo que talvez nem o próprio Aki ainda entendesse completamente.
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Atualizado até capítulo 129
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