Seichiro, com seus olhos de um verde intenso e cabelos negros como a noite, olhava para Aki pelo retrovisor de tempos em tempos, o desconforto crescendo dentro dele. A arrogância fria do jovem o incomodava, mas também despertava uma curiosidade que ele não queria admitir.
Finalmente, eles chegaram ao local onde Aki enfrentaria seu verdadeiro teste. Um vasto prédio tradicional japonês, escondido entre arranha-céus modernos, se ergueu à sua frente. Era como um eco do passado no meio de uma cidade que nunca dormia. O lugar exalava poder e história.
Ao entrar, Aki foi levado por corredores ornamentados até uma grande sala de tatame. Lá, ele finalmente os viu: os Yamazaki da linha principal.
Yamazaki Shigen, o líder da família e o homem que todos conheciam como o "Rei Demônio", estava sentado no centro. Com seus dois metros de altura, olhos verdes como os de uma serpente, ele era uma presença colossal. Seus cabelos negros eram longos e grossos, mas alguns fios brancos já começavam a se destacar, um sinal de sua experiência e poder. Seu corpo musculoso estava coberto por um kimono tradicional que mal escondia as tatuagens que cobriam suas pernas e braços. Em uma das pernas, Aki pôde notar uma carpa tatuada, enquanto nos braços, serpentes serpenteavam de forma detalhada, e nas costas, ele sabia que havia um dragão imponente. Seus olhos eram frios, inexpressivos, quase tão impassíveis quanto os de Aki, e ele o encarava como se estivesse lendo sua alma.
À esquerda de Shigen estava Yamazaki Hanzo, o filho do meio, seus olhos eram azuis como os céus e seus cabelos escuros como a noite, aquele homem tinha quase 2 metros assim como o pai, conhecido como o "Demônio do Punho". Hanzo era conhecido por sua raiva incontrolável e seu domínio sobre o combate corpo a corpo. Sua postura era tensa, como se estivesse sempre prestes a explodir. Seus olhos brilhavam com uma intensidade selvagem, e ele mantinha os punhos cerrados o tempo todo, pronto para lutar a qualquer momento.
À direita de Shigen estava Yamazaki Harua, o filho mais velho e o segundo mais forte da família, harua também tinha olhos azuis como os céus e cabelos longos e negros porém devidamente penteados, superado apenas por seu pai. Harua era conhecido como o "Demônio da Espada" e carregava sua katana em todos os lugares, a lâmina descansando pacientemente ao seu lado. Ele era sereno, seus olhos calmos, mas havia uma inteligência afiada por trás de sua serenidade, o que tornava claro que ele não era alguém a ser subestimado.
Shigen lançou um olhar rápido para Aki assim que ele entrou na sala. Havia algo naquele olhar, algo que fez Aki perceber imediatamente que o velho homem sabia mais do que deixava transparecer.
"Então, você é o garoto que ousa usar o nome Yamazaki," Shigen disse, sua voz profunda e ressonante preenchendo o espaço. "E você acha que é digno de carregá-lo?"
Aki permaneceu em silêncio por um momento, seus olhos encontrando os de Shigen. "Não acho," respondeu ele, finalmente. "Eu sei que sou."
A atmosfera na sala ficou tensa. Hanzo deu um passo à frente, os olhos brilhando com raiva. "Como ousa falar assim com meu pai? Você não é nada além de um moleque arrogante! Eu vou esmagá-lo!"
Harua, por outro lado, apenas observou com um olhar interessado, medindo Aki de cima a baixo. Shigen, por fim, ergueu uma mão, silenciando qualquer outro protesto. "Muito bem," ele disse. "Se você quer provar que é digno de carregar o nome Yamazaki, mostre-nos sua força. Hanzo, você lutará contra ele."
Aki encarou Hanzo, que já estava com os punhos levantados, pronto para atacar. Ele sabia que esta seria sua prova de fogo, e pela primeira vez desde que deixara o laboratório, ele sentiu algo semelhante à antecipação.
Eles se dirigem ao centro do tatame e a luta logo começa:
A primeira investida de Hanzo foi brutal. Ele avançou com a velocidade e a força de um furacão, seus punhos movendo-se como martelos. Aki conseguiu desviar por pouco do primeiro golpe, mas o impacto foi suficiente para rachar o chão de tatame onde ele havia estado. O "Demônio do Punho" fazia jus ao seu nome.
Aki respondeu com um chute rápido, mirando o torso de Hanzo, mas o homem bloqueou com o braço, quase sem esforço. O impacto reverberou pelo corpo de Aki, mas ele não cedeu. Girando, ele tentou um soco direto no queixo de Hanzo, mas o homem desviou e contra-atacou com um soco direto em suas costelas.
O som de ossos trincando encheu o ar, e Aki foi jogado para trás, caindo no chão com força. Sangue escorreu pela boca de Aki, a dor teria enlouquecido qualquer um mas como aqui não a sentia. Ele olhou para baixo, vendo o sangue pingar no tatame, e por um momento, ficou chocado. Pela primeira vez em sua vida, ele estava sangrando por causa de outra pessoa.
Mas ele não se permitiu parar.
Erguendo-se, Aki limpou o sangue da boca e avançou novamente. Desta vez, ele estava mais focado, mais preciso. Ele sabia que não poderia vencer Hanzo apenas com força bruta. Ele precisava ser estratégico. Desviando de outro golpe poderoso de Hanzo, Aki atacou com uma série de socos rápidos, mirando as articulações do homem.
Hanzo, pego de surpresa, recuou. Embora a dor não o tivesse parado completamente, Aki conseguiu acertar um golpe direto no rosto de Hanzo, e o sangue espirrou de seu nariz quebrado. O "Demônio do Punho" soltou um rugido de raiva e investiu novamente, seus golpes se tornando mais selvagens.
Aki desviou de outro soco, mas não foi rápido o suficiente para evitar o próximo. O punho de Hanzo atingiu o peito de Aki com força, e ele sentiu mais ossos trincarem sob o impacto. mas ele não parou. Mesmo enquanto sentia sua visão escurecer por um momento, ele continuou lutando, golpe após golpe.
A sala estava silenciosa, exceto pelo som de carne e ossos colidindo. Aki e Hanzo continuavam a trocar golpes violentos. Ambos estavam cobertos de sangue, suas respirações pesadas. Hanzo estava claramente surpreso — ninguém, exceto seu pai, tinha conseguido aguentar tanto tempo contra ele.
Mas Aki também estava no limite. Seu corpo, embora aperfeiçoado, não era invulnerável. Ele sabia que não poderia continuar assim por muito mais tempo.
Em um último esforço, ele reuniu todas as suas forças e lançou um golpe direto no estômago de Hanzo, com toda a sua força. O impacto foi tão forte que Hanzo recuou vários passos, o ar saindo de seus pulmões em um grito de dor. Aki também caiu de joelhos logo depois, exausto e com o corpo tremendo.
O silêncio na sala era ensurdecedor. Shigen observava, seus olhos fixos em Aki. Hanzo, embora ferido, deu um passo para trás, olhando para o garoto com uma mistura de respeito e surpresa.
"Impressionante," Shigen finalmente disse, quebrando o silêncio. "Você é o primeiro, além de mim e harua, a arrancar sangue de Hanzo."
As palavras de Shigen fizeram todos na sala pararem. O elogio vindo do Rei Demônio era algo raro, e até mesmo Hanzo, com todo o seu orgulho, ficou espantado.
Harua, que até então tinha permanecido em silêncio, deu um passo à frente, seus olhos brilhando com interesse renovado. "Você é mais forte do que eu imaginava, garoto."
Aki, ainda ajoelhado no chão, levantou a cabeça. "Eu sou... filho de Hayashi Yamazaki," ele disse, com a voz rouca. "Ele... morreu tentando me tirar do lugar onde fui criado. Mas ele foi o único que me tratou como humano."
Os olhos de Shigen se estreitaram. "Então é verdade. Você carrega o sangue dos Yamazaki."
Aki não mencionou nada sobre o que seu "eu" do futuro havia lhe dito. Ele sabia que aquele segredo, por enquanto, era só seu. Mas, naquele momento, ele sabia que havia provado seu valor. E, pela primeira vez, sentiu que pertencia a algum lugar, e devido aos choques do seu corpo ele acabou por desmaiar.
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Atualizado até capítulo 129
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