Aki Yamazaki se encontra diante da escuridão absoluta. À sua frente, uma figura familiar emerge, uma versão mais velha de si mesmo. Aki analisa com calma o homem: um braço cortado, um tapa-olho cobrindo o direito.
"Isso é algum tipo de piada?" Aki pergunta, com seu tom sempre frio e direto.
O Aki mais velho sorri levemente. "Não, Aki. Isso é o futuro."
"O futuro? Como isso pode ser real? Você é eu... mas eu jamais me tornaria isso."
"Você ainda não entende o que está em jogo." O Aki mais velho o encara com firmeza. "Daqui a 10 anos, uma torre conectada a vários mundos surgirá na Terra. Será enviada pelos demônios primordiais, e qualquer humano que entrar nela despertará um sistema de status, habilidades... Como um jogo. Mas não é um jogo, Aki. É uma guerra."
Aki estreita os olhos. "E por que eu deveria me importar?"
"Porque, se você não subir essa torre, seu mundo será destruído." A versão mais velha cruza os braços, sem hesitação. "Você é forte, mas sozinho você não pode fazer nada. Você terá que formar alianças, se conectar às pessoas... E isso inclui se aproximar da família Yamazaki."
"Família?" Aki se mexe levemente, incomodado. "Você quer dizer..."
"O Dr. Hayashi era seu pai, Aki. Seu pai de sangue."
A mente de Aki processa a informação, mas seu rosto continua inexpressivo. "Isso é impossível. Ele nunca disse nada."
"Ele não podia." O Aki mais velho responde, com um peso em sua voz. "Seu avô é Shigen Yamazaki, o líder da Yakuza. Você terá que se aproximar deles, ganhar força e conexões. Será vital para o que está por vir."
"Não preciso de ninguém." Aki rebate, mantendo sua postura fria.
"Esse é seu erro, Aki." O mais velho responde de maneira incisiva. "Você sempre se escondeu atrás do que chamava de 'vazio'. A falta de emoção. Mas esse vazio... não é o que você pensa."
O mais jovem Aki mantém o silêncio por um momento. "E o que ele é, então?"
"É o acúmulo de todas as emoções que sua alma contém. Todas as suas forças focadas em mantê-las trancadas. Mas quando o vazio se romper... quando você liberar isso, será catastrófico."
Aki encara a versão mais velha por um longo tempo. "Então, o que eu faço?"
"Você deve subir a torre, conquistar o poder que vai encontrar lá, e se preparar para quando o vazio se abrir. Mas lembre-se, Aki... uma vez liberado, você não pode voltar atrás."
Aki não responde de imediato. Ele simplesmente observa a figura à sua frente com o mesmo olhar frio. Contudo, algo dentro dele, ainda que pequeno, começa a se mexer.
"Se isso é inevitável," ele finalmente diz, "eu vou fazer o que for preciso."
O Aki mais velho assente lentamente, com um último sorriso enigmático. "Então, se prepare. A torre aparecerá antes que você perceba."
Com essas palavras, a escuridão ao redor de Aki começa a se dissipar, e ele desperta, de volta à realidade.
Aki despertou do sonho, o peso das palavras da versão mais velha ainda pairando sobre ele. Por um breve momento, ele ficou parado em sua cama, os olhos fixos no teto. Sua mente, criada para ser mais afiada e eficiente do que qualquer outra, já trabalhava incansavelmente para processar tudo. Aquilo não era um sonho. Era real demais. Cada detalhe, cada palavra, parecia profundamente enraizado na verdade.
Ele se levantou devagar, vestindo-se com sua costumeira simplicidade. Ao sair de casa, sua decisão já estava tomada. Aki sabia que se precisasse de conexões com a Yakuza, teria que atrair a atenção deles de uma maneira que apenas ele poderia fazer: com violência. A gangue Lobo Cinzento, embora pequena, era infame o suficiente para ser notada pelas grandes facções. Se ele os eliminasse, chamaria atenção da Yakuza.
Horas depois...
A moto de Aki rasgava as ruas de Tóquio enquanto ele avançava para o esconderijo da gangue. Era um depósito abandonado, escondido entre becos escuros, um local perfeito para quem queria evitar a atenção da polícia. Ele parou sua moto a alguns metros de distância, ouvindo o som abafado de vozes e risadas vindas de dentro. Os Lobo Cinzento estavam em casa.
Com passos silenciosos, ele entrou no prédio. Alguns dos membros da gangue estavam jogando cartas e bebendo, outros rindo alto, e nenhum deles notou a presença de Aki até que fosse tarde demais. Um dos gangsters, um homem magro com uma cicatriz no rosto, se levantou ao vê-lo.
"Ei, moleque! O que você pensa que tá fazendo aqui?" Ele disse, se aproximando com uma faca na mão.
Aki permaneceu imóvel, sua expressão fria como sempre. "Eu vim derrubar todos vocês."
O homem soltou uma risada alta. "Tá brincando, né? Somos cinquenta homens aqui. Vai precisar de mais do que bravura."
Sem mais palavras, Aki se moveu. O som de ossos quebrando foi o primeiro a cortar o ar, enquanto ele torcia o braço do homem até a faca cair de suas mãos, e então, com um golpe rápido, o derrubou com uma força que fez o corpo desabar como um saco vazio. O caos se seguiu.
Os membros da gangue avançaram, armados com facas e tacos de beisebol. Mas para Aki, eles eram lentos. Muito lentos. Sua mente calculava cada movimento, cada ângulo, com precisão cirúrgica. Seus pés e mãos se moviam como lâminas, derrubando um, dois, três homens de cada vez. Cada golpe era calculado, cada oponente caía sem a mínima chance de reação.
"Isso não é... possível!" gritou um dos líderes da gangue, antes de ser silenciado por um chute que o lançou contra a parede, deixando-o inconsciente.
Em menos de dez minutos, o ar estava carregado com o som de gemidos e corpos caídos. Os cinquenta membros da gangue estavam amontoados no chão, mortos ou inconscientes. Sangue escorria pelas paredes, mas Aki, intocado, caminhou até o centro do depósito e empilhou os corpos, formando uma grotesca montanha de carne e ossos. Ele subiu até o topo e se sentou, cruzando os braços enquanto esperava.
Pouco tempo depois...
Como esperado, não demorou muito para que a Yakuza aparecesse. Três homens, vestidos de preto e carregando uma presença sombria, entraram no beco. Um deles, um homem de olhar frio e impassível, liderava o grupo. Aki os observou enquanto eles se aproximavam lentamente, estudando-o e os corpos ao redor.
"Então, você é o responsável por essa bagunça?" perguntou o homem à frente, sua voz carregada de irritação reprimida.
Aki permaneceu em silêncio por um momento antes de responder com calma: "Eu só queria chamar a atenção da Yakuza."
O homem arqueou uma sobrancelha. "E por que um moleque como você usaria o nome Yamazaki?"
Essa pergunta foi feita por um dos outros homens, que avançou um passo à frente. Seu nome era Seichiro Yamazaki, e ele estava visivelmente irritado. Seus olhos percorriam Aki com desdém.
"Yamazaki... Você tem algum direito a esse nome?" Seichiro pressionou, sua voz carregada de desprezo.
Aki o encarou, seus olhos frios como gelo. "É o meu nome. E você vai me levar até o chefe de vocês."
Seichiro deu um passo à frente, furioso. "Quem você pensa que é, moleque? Você não tem o direito de usar esse nome! Sabe o que isso significa?"
Aki permaneceu impassível, o que só aumentou a frustração de Seichiro. O outro homem, que parecia ser o líder do pequeno grupo, colocou uma mão no ombro de Seichiro, fazendo-o recuar.
"Calma, Seichiro. Vamos levá-lo ao chefe. Ele vai decidir o que fazer com esse garoto."
Aki desceu lentamente da pilha de corpos, cada movimento calculado, sem pressa. Ele sabia que, de alguma forma, esse encontro era necessário. E embora ele ainda não soubesse que Seichiro era seu tio, havia algo no homem que o deixava desconfortável.
No caminho até a Yakuza...
O silêncio entre eles era pesado. A moto de Aki seguia de perto o carro da Yakuza enquanto cruzavam as ruas da cidade. Seichiro continuava lançando olhares furtivos para Aki pelo retrovisor, ainda incomodado com a ousadia do garoto.
"Você vai se arrepender de ter usado esse nome, moleque," murmurou Seichiro, baixo o suficiente para que só os outros no carro ouvissem.
Aki, por sua vez, seguia impassível. Ele sabia que esse era apenas o primeiro passo de uma longa jornada. Sabia que, para sobreviver ao que viria, ele precisaria se fortalecer, criar alianças e entender seu lugar no mundo.
E ele estava pronto para fazer o que fosse necessário.
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Atualizado até capítulo 129
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