A noite estava escura e densa, com o cheiro de sangue, morte e fumaça no ar. O armazém do Clã do Dragão estava em ruínas, o fogo ainda rugindo ao longe. Diante de Aki, Renjiro se erguia com uma lança nas mãos, o semblante cruel e confiante. Seus olhos percorriam os corpos espalhados pelo chão e a figura imponente de Aki, agora ensanguentado, mas com uma expressão imperturbável.
"Você fez um estrago aqui, moleque," Renjiro começou a falar, enquanto girava a lança, os músculos de seus braços tensos, prontos para o combate. "Mas eu vou te ensinar uma lição. Um ex-modelo, huh? O que você pensa que é, brincando de Yakuza?"
Aki sequer piscou. "Isso não importa," ele respondeu, a voz fria e sem emoção. "Vamos acabar logo com isso."
Renjiro sorriu, escárnio pingando de cada palavra. "Não sente nada, é? Patético."
O chão explodiu sob os pés de Renjiro quando ele avançou, a lança cortando o ar em direção a Aki com força brutal. Aki levantou sua katana, bloqueando o golpe com precisão. O choque das lâminas reverberou pelo ar, e por um breve momento, ambos ficaram travados em um duelo de forças.
Aki se moveu primeiro, deslizando para o lado com velocidade sobre-humana e atacando com um corte horizontal, mirando o abdômen de Renjiro. Renjiro reagiu rapidamente, desviando para trás e contra-atacando com um golpe descendente de sua lança. Aki saltou para trás, esquivando por centímetros, e suas lâminas se cruzaram novamente com uma intensidade que fazia o ar ao redor vibrar.
"Você é bom," Renjiro admitiu, começando a perceber que estava enfrentando algo muito mais perigoso do que esperava. "Mas eu sou o líder desse clã por um motivo!"
Renjiro girou sua lança em um movimento rápido, atacando de múltiplos ângulos. Ele era implacável, tentando desequilibrar Aki com golpes rápidos e brutais. Cada golpe era forte o suficiente para matar um homem comum, mas Aki, com seus reflexos e habilidades aprimoradas, bloqueava e desviava cada ataque com maestria.
Mesmo assim, Renjiro estava começando a igualar o ritmo. A batalha não era mais unilateral. O tempo parecia desacelerar à medida que Aki calculava cada movimento de Renjiro. Seus olhos vasculharam rapidamente o campo de batalha, e ele viu ao longe um dos homens que havia sobrevivido ao incêndio escapando pelas sombras. Aki permitiu que ele fugisse. "Deixe que minha fama se espalhe," ele pensou. "Que saibam que o Yakuza justo não perdoa, mas também não mata sem propósito."
A luta continuou, brutal e intensa. Renjiro atacava com selvageria, movendo a lança com uma precisão mortal, enquanto Aki bloqueava e contra-atacava, sempre um passo à frente, mas sentindo a pressão. O tempo passava, e ambos começavam a acumular cortes e ferimentos.
Renjiro riu, maliciosamente. "Você realmente era aquele garoto bonito dos anúncios, né? Olha só para você agora, brincando de samurai." Ele gargalhou, provocando Aki.
Aki, no entanto, não reagiu. Seu rosto continuava inexpressivo, e ele respondeu com frieza: "Se isso é tudo o que você tem, então é um fracasso patético."
Essa resposta gelada fez a expressão de Renjiro se contorcer de ódio. Ele atacou com ainda mais força, mas, no meio de um movimento, Aki encontrou a abertura que procurava. Com um giro preciso de sua katana, ele desarmou Renjiro com um movimento que cortou sua lança ao meio. Antes que Renjiro pudesse reagir, Aki avançou, sua lâmina brilhando à luz das chamas enquanto cortava através do braço de Renjiro, separando-o do corpo.
"AARRGH!!" Renjiro gritou, segurando o coto ensanguentado enquanto caía de joelhos. O grito de dor ecoou pelas ruínas, e ele olhou para Aki com desespero, o medo tomando conta de seus olhos.
Aki caminhou lentamente até ele, sua expressão ainda fria e controlada. Mas antes que ele pudesse terminar o trabalho, Renjiro sacou uma pistola escondida em seu casaco e, com um sorriso vicioso, disparou diretamente no peito de Aki, esvaziando o pente.
O corpo de Aki balançou com o impacto das balas, o som dos tiros ecoando na noite. Renjiro, agora com um sorriso triunfante, se levantou cambaleando, segurando o braço amputado com a outra mão. "Eu ganhei, maldito!" ele gritou. "Eu sou o vencedor! Não importa o quão bom você seja com uma espada, você ainda é humano! HAHAHA!"
Aki caiu de joelhos, sangue escorrendo de sua boca enquanto ele olhava para o chão. Por um breve momento, Renjiro acreditou que havia vencido. Mas então, Aki levantou lentamente a cabeça, seus olhos brilhando intensamente. Ele cuspiu sangue no chão e ergueu-se, lentamente, mas com uma aura implacável de poder.
"Acabou as balas, né?" Aki disse, sua voz cortante e fria como o aço.
Renjiro parou de rir, o medo preenchendo seu coração. "O... o quê? Como?!" ele gaguejou, recuando enquanto Aki avançava, implacável, como um demônio que não podia ser morto.
"Você deveria ter atirado na minha cabeça," Aki continuou, cada palavra cheia de desprezo.
Renjiro, tremendo de medo, caiu de costas no chão enquanto Aki se aproximava. Ele olhou para o jovem com horror, incapaz de acreditar que ele ainda estava vivo.
"Por favor... por favor, não!" Renjiro implorou, sua voz cheia de pavor.
Aki levantou sua katana, sem mostrar misericórdia. "Seu fim chegou." E, com um golpe limpo e preciso, ele decapitou Renjiro, a cabeça do líder do Clã do Dragão rolando no chão enquanto o corpo sem vida permanecia imóvel.
Aki olhou para o cadáver por um momento, limpando o sangue da lâmina em um movimento calmo. "É assim que termina," ele pensou, sua missão completa. Agora, ele sabia que sua reputação começaria a crescer, e o submundo logo ouviria sobre o "Yakuza justo" que não deixava criminosos impunes, assim as conexões que ele planejava alcançar viriam naturalmente.
Aki caminhou em direção ao carro, onde alguém ainda gritava e xingava Renjiro do lado de dentro. Ele se aproximou do porta-malas e o abriu sem hesitar. Lá dentro, em meio à escuridão, ele encontrou um garoto que não tinha mais de 10 anos, com o corpo coberto de cortes, hematomas e sinais de tortura. Apesar do inferno que claramente havia vivido, o garoto não demonstrou medo ao ver Aki, ensanguentado e de expressão fria. Seus olhos, um profundo azul, transbordavam ódio e determinação, algo que Aki reconheceu imediatamente.
Enquanto olhava para o garoto, Aki se lembrou do livro de emoções que Dr. Hayashi lhe dera na clínica, o único traço humano de sua criação. Ele havia estudado cada expressão, cada reação emocional, e sabia que aquele olhar específico era um que carregava uma promessa de vingança. O garoto, mesmo diante da morte iminente, já aceitava seu destino.
"Vai me matar?" perguntou o garoto, a voz rouca, mas firme. Ele já entendia a situação e parecia resignado com o desfecho.
Aki o observou em silêncio por um momento, avaliando-o. Ele viu algo de útil naquela criança. Algo que ele poderia moldar, como havia sido moldado no laboratório.
"Seja meu servo," Aki respondeu, sua voz tão fria quanto antes. "E a vingança que seus olhos buscam... eu a darei."
O garoto ficou em silêncio, pensando por um momento. Ele sabia que estava diante de alguém extremamente poderoso, alguém que não hesitaria em destruir seus inimigos. A oferta de Aki era tentadora. Ele não tinha mais nada a perder, e a única coisa que o mantinha vivo era a sede de vingança.
"Eu aceito," ele disse, com um leve tremor na voz, mas a determinação permanecia. "Juro lealdade a você... em troca da minha vingança."
Aki assentiu, estendendo a mão e cortando as amarras que prendiam o garoto. Ele o ajudou a sair do porta-malas e, antes de fechar, jogou a cabeça de Renjiro no banco de trás. "Prova suficiente," pensou, satisfeito com o desfecho.
Ambos entraram no carro que antes pertencia a Renjiro. A fumaça do esconderijo ainda subia atrás deles enquanto Aki dava partida, e o silêncio no carro era pesado, mas não desconfortável. Aki dirigiu sem pressa, seus olhos focados na estrada, enquanto o garoto, agora seu servo, olhava para frente, com o pensamento distante.
"Qual é o seu nome?" Aki perguntou, quebrando o silêncio.
"Tyler," respondeu o garoto, sem hesitar. "Sou americano. Fui vendido como escravo para Renjiro por uma gangue de Nova York... a Ghost."
Aki olhou de soslaio para Tyler, interessado no que ele diria. "A Ghost?"
Tyler assentiu, seus olhos azuis fixos no horizonte. "Eles são a gangue mais poderosa e temida dos Estados Unidos. Quando minha família foi assassinada, eu estava lá. Vi tudo. Eles me venderam para Renjiro, e desde então, eu vivi o inferno."
"Você quer vingança contra a Ghost," Aki disse, mais como uma constatação do que uma pergunta.
"Sim," Tyler respondeu, sua voz fria, refletindo o ódio que carregava. "Eles destruíram minha vida. Mas você... você é diferente. Você pode me ajudar a matá-los."
Aki ficou em silêncio por um momento. Ele sabia que vingança era um combustível poderoso, e poderia moldar Tyler à sua vontade. Com os contatos que a família Yamazaki possuía, a Ghost não seria um alvo inalcançável. Mas tudo a seu tempo.
"Nós vamos cuidar disso," Aki disse, com a mesma frieza de sempre. "Primeiro, terminaremos o que começamos aqui. Depois, lidaremos com a Ghost. Você vai se tornar mais forte, e quando for a hora, você terá sua vingança."
Tyler olhou para Aki, seus olhos cheios de um novo propósito. "Eu farei qualquer coisa para acabar com eles."
Aki assentiu, sabendo que havia feito a escolha certa em trazê-lo. Ele não era apenas mais um escravo libertado, mas uma arma que poderia ser afiada e utilizada. Enquanto o carro avançava na noite, Aki sentiu que a presença de Tyler ao seu lado seria útil em batalhas futuras, e mais ainda, que ele estava criando algo maior que apenas vingança—estava criando um aliado fiel, com o mesmo objetivo impiedoso.
E assim, sob o luar de Tóquio, os dois seguiram para o encontro com Shigen, com a cabeça de Renjiro como o troféu do início de uma nova fase.
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Atualizado até capítulo 129
Comments
Jadson Augusto
a descrição das cenas de luta são muito boas
2024-11-26
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