CAPÍTULO 15

...🌈|QUANDO OS GATOS SAEM OS RATOS FAZEM A FESTA.|🥯🍪...

— Boa noite Igor. — Oliver falou.

— Sentem-se, eu pedi alguns pratos, vocês podem pedir também. — Ele disse e se sentou novamente.

— Obrigado pelo convite que você fez, e desde agora eu quero agradecer por você ter ido ver a minha avó tantas vezes. — Oliver disse para ele enquanto se sentava.

— Eu não avisei você sobre isso, me desculpe. — Ele disse e o garçom entregou o cardápio.

— Tudo bem. Nós vamos querer o mesmo de sempre, diga ao chefe que é o Negrini. — Oliver falou para Igor e para o garçom respectivamente.

— Sim senhor. — Ele disse e saiu.

— Hum, se eu soubesse que você conhecia o marido do Mikhail, eu tinha feito uma investigação minuciosa. — Ítalo falou.

— Você conhece ele? — Igor perguntou.

— Conheço, conheço muito bem. — Ítalo falou e sorriu com malícia.

Igor franziu a testa e desviou o olhar.

— Você já conseguiu se lembrar? — Ele perguntou.

— Muito pouco. — Falei para ele vagamente.

— Ainda não consigo acreditar que você fez algo tão grandioso. — Ele falou.

— Eu paguei a dívida que eu tinha, para adquirir outra. — Falei para ele.

Oliver me bateu no ombro.

— Você vai começar? — Ele perguntou.

Sorri para ele sem graça.

— Não vou. — Respondi.

— Ver vocês dois me dá enjoo. — Ítalo falou e franziu os lábios.

— É só ir embora, não vai fazer falta. — Falei para ele.

— Ah, eu sei que você quer muito isso, mas para sua má sorte eu estou acompanhando Igor. — Ele disse.

— Ótimo, então fica bem caladinho. — Falei para ele.

— Oliver, eu estava pensando em ir ao cemitério para ver o túmulo de Victor e levar algumas flores, mês que vem era o aniversário dele. — Igor falou.

— Eu vou com você. — Oliver falou.

— Ótimo, a mãe dele perguntou por você a alguns meses atrás. — Ele disse.

— Ela ainda se lembra de mim? — Oliver perguntou.

— Claro que ela lembra, você disse para ela que se casaria com Victor. — Ele falou.

Olhei para Oliver e franzi a testa.

Os garçons entraram com as comidas e colocaram a mesa.

— Ela disse que ele seria muito capaz de me fazer feliz. — Oliver falou e riu.

Igor riu.

— Isso é porque ele gostava de você. — Igor falou.

— Isso é porque ele sabia fazer muitos doces. — Oliver falou.

Os dois gargalharam.

— Você não liga do seu marido estar flertando com o meu namorado? — Ítalo perguntou.

— Não estamos flertando amor, estamos apenas conversando sobre os velhos tempos, somos amigos de longa data. — Igor falou.

— Por que não comemos? — Perguntei.

— É o melhor. — Oliver disse.

Iniciamos a refeição e o silêncio reinou entre nós.

Quando Oliver terminou de comer, eu e os outros dois já tinham terminado também.

Oliver levantou os olhos para Igor e sorriu.

— Eu quero agradecer por você ter visitado a vovó durante esse tempo e também pedir que você assine a quebra de contrato. — Oliver falou para ele.

Igor corou e franziu a testa.

— De nada. — Ele falou e sorriu amarelo.

— Eu estou conversando com outra editora, mas eu percebi que a minha conta tem recebido a mesma quantia durante todos esses meses. — Oliver falou.

— Eu convenci o meu pai, a não terminar o contrato com você, eu sabia que você estava passando por momentos difíceis então eu convenci ele a não quebrar o contrato, e queria aproveitar para pedir a você para voltar para a editora. — Ele falou.

— Você deveria ter me contado isso desde o início, eu estou com o livro novo, se eu tivesse mandado para os editores da outra, eu seria processado. — Oliver falou.

— Eu sei, me desculpe, eu queria ligar para você, mas eu tive um pouco de receio. — Ele falou e me olhou.

— Continue tendo receio. — Falei para ele.

— Tudo bem, eu vou entrar em contato com a outra editora e cancelar a entrevista, vou mandar os manuscritos que eu tenho para a Daisy. — Oliver falou.

— Está bem, eu vou aguardar. — Ele falou.

— Mais uma vez muito obrigado por ter ido ver a minha avó. — Ele disse.

— Nós iremos novamente qualquer dia. — Ele falou.

— A vovó vai ficar feliz, ela gosta muito de você. — Oliver falou.

Ele sorriu.

— Nós estamos indo agora. — Falei e levantei.

— Nós também já estamos indo. — Ítalo falou.

Oliver levantou e nós saímos do salão, fomos para a entrada do restaurante, entramos no carro e seguimos para casa.

Assim que chegamos, fomos para o quarto.

Oliver sentou na cama.

— Estou feliz que o senhor Viena não desfez o nosso contrato. — Ele disse com um sorriso no rosto.

Eu estava chateado por isso?

Estava.

Mas eu deixaria transparecer?

De forma alguma.

Aquele sorriso fenomenal no rosto dele, era tudo o que eu mais gostava de ver.

Senti um sorriso no meu rosto.

— Que bom que você está feliz. — Falei para ele e me agachei a sua frente.

Desamarrei os cadarços do tênis branco e tirei um.

Ele piscou os olhos e arqueou a sobrancelha direita.

— O que você está fazendo? — Ele perguntou.

— Estou tirando seus sapatos. — Falei para ele enquanto tirava o outro.

Ele se inclinou para a frente e beijou meus lábios.

— Quer tomar banho comigo? — Ele perguntou.

— Toda vez que eu tomo banho com você a noite, nós dormimos muito pouco. — Falei.

Um sorriso de satisfação surgiu no rosto dele.

— Você não gosta? — Ele perguntou.

— Não é por isso que eu estou tirando a sua roupa? — Perguntei para ele enquanto abria sua camisa.

Ele sorriu e acariciou o meu rosto.

— Sabe o que não mudou depois que você perdeu a memória? — Ele perguntou.

— Minha vontade de comer você? — Perguntei com um sorriso malicioso.

Ele corou.

— Você estragou o clima. — Ele disse rindo enquanto eu fazia a camisa dele descer pelos ombros.

Gargalhei baixo.

— O que você ia dizer? — Perguntei.

— O jeito que você me olha antes de me comer. — Ele disse com um sorriso malicioso e tom brincalhão.

Gargalhei mais e comecei a abrir o botão da calça.

Ele se levantou e seus olhos fitaram os meus com aquela reverência que só alguém que ama era capaz.

Ele me fez levantar e começou a desabotoar a minha camisa.

Fiquei olhando para o rosto dele enquanto ele desprendia os botões e senti meu coração acelerar.

— Oliver, você promete que não vai embora. — Pedi para ele.

Ele levantou os olhos para mim e sorriu.

— Eu prometo. — Ele disse e beijou meu peito.

Senti um arrepio na pele e deslizei os dedos no rosto bonito.

Peguei ele nos braços, entrei com ele no closet e no banheiro.

Coloquei ele de pé, liguei a água da banheira e tirei as calças dele.

Ele tirou meu blazer e a minha camisa.

Tirei os sapatos e as calças enquanto olhava para ele de frente para o espelho.

Os olhos azuis encontraram os meus e ele sorriu.

— Acho que agora eu estou encantado com os seus olhos. — Ele disse e virou de frente.

Eu não entendi o que ele queria dizer com aquilo, mas eu estava estranhamente satisfeito com aquelas palavras.

Senti minha cabeça latejar e fechei os olhos com força.

"Você está obrigando alguém a sair com você e está animado com isso?

Essa é a primeira vez que eu faço isso, nunca ninguém foi como você, em todos os aspectos.

Por que você não fala de uma vez o que quer de mim?

Quero que você venha morar na minha casa.

Você tem algum tipo de transtorno psicológico?

Não.

Pensa comigo, nós transamos por uma noite e você já quer me levar para morar na sua casa? O que você acha que eu sou?

Alguém que eu quero para mim.

Eu tenho carne e ossos, não sou um objeto que você vê em uma vitrine e pode comprar e eu não me encantei o suficiente com os seus olhos âmbar bálticos para aceitar uma loucura dessas."

A lembrança clara e limpa se desenhou na minha memória, com todas as expressões e a imagem nítida dele.

Ele parecia aborrecido, magro e pálido, muito pálido.

Mas não o pálido de agora, ele parecia pálido como cera de vela, sem aquele tom rosado na pele bonita.

Abri os olhos e franzi as sobrancelhas ao ver o rosto preocupado.

— Você está bem? — Ele perguntou.

— Estou bem. — Falei e dei um passo a frente.

Alisei o rosto dele com carinho e deslizei o polegar pelos lábios cor de cereja.

Beijei castamente seus lábios e ele fechou os olhos.

Deslizei a mão em seu braço esquerdo e segurei sua mão.

Guiei ela para o meu ombro e segurei ele pela cintura.

Coloquei ele no balcão da pia e os olhos adoráveis fitaram os meus com surpresa.

— Vamos começar com o balcão da pia hoje. — Sussurrei e beijei seus lábios.

Enfiei a língua na boca dele e ele chupou gostoso.

As unhas correram pelo meu couro cabeludo e o familiar, mas não menos intenso arrepio correu minha espinha e causou um tremor em todo o meu corpo.

Gemi contra os lábios macios e continuei beijando.

Deslizei a mão no peito dele e segurei o seu pau.

Ele prendeu a respiração e a língua dele deslizou para minha boca.

Senti meu sangue esquentar e chupei a língua dele.

Comecei a movimentar a mão e ele gemeu contra os meus lábios.

Sua mão se fechou no meu cabelo e eu gargalhei baixo enquanto movimentava a mão.

— Diga que você é só meu. — Sussurrei o pedido enquanto ofegava.

— Eu sou só seu. — Ele sussurrou quando eu aumentei a velocidade.

Senti um arrepio na pele quando escutei ele sussurrar daquele jeitinho tão entregue.

Nossa respiração estava ofegante e eu tomei seus lábios novamente.

Ele me apertou entre os braços enquanto a língua adentrava minha boca.

Senti minha pele arrepiar quando as unhas riscaram meu couro cabeludo.

Gemi baixo contra os lábios carnudos e senti o pau dele pulsar na minha mão.

Mordi o lábio inferior e ele cravou as unhas nas minhas costas enquanto gozava gostoso.

Afastei meus lábios dos dele e fiquei olhando para o rosto contorcido de prazer.

Ele era uma delícia quando estava daquele jeito entregue e eu poderia dizer que aquilo era suficiente para mim, mas não era, eu queria muito mais dele todos os dias.

O ditado popular difere amores da vida e amores para a vida.

Eu considero certo.

Só que pessoas de muita sorte, tem os dois em uma só pessoa.

E por algum motivo extraordinário e divino eu tinha recebido o privilégio de ser uma dessas pessoas de sorte.

Eu tinha recebido a dádiva.

Depois daquele dia nós estivemos tão bem juntos que eu realmente passei a me considerar alguém que era capaz de absolutamente tudo, mas não como antes, agora, era uma nova perspectiva.

Era realmente impressionante como a minha existência parecia ter começado nele e para ele.

E os dias passaram.

Já estávamos no meio de outubro e o tempo estava mais frio, mesmo que vez ou outra soprasse uma brisa cheia de calor.

Mesmo que vez ou outra o sol teimasse em espalhar um pouco de calor.

— Você poderia colocar um casaco enquanto pensa em mim? — Escutei Oliver perguntar.

Olhei para o lado e vi ele com o casaco na mão.

O sorriso bobo foi inevitável.

— Já vamos sair? — Perguntei para ele.

— Você não disse que queria comprar um presente para minha avó? — Ele perguntou.

— É verdade. — Falei e levantei.

— Coloca o casaco, não quero você doente. — Ele falou.

Sorri para ele e o abracei.

— Você sabe como eu quero você? — Perguntei para ele.

— Eu sei que você me quer ao seu lado, mas eu prefiro em cima. — Ele falou e piscou os olhos com charme.

Gargalhei baixo.

— Você está ficando bom nisso. — Falei e peguei ele no colo.

— Estou tendo um bom mestre. — Ele disse.

Sai da varanda, atravessei o quarto e sai dele.

Passei o corredor e desci as escadas.

Coloquei ele no chão e olhei para ele.

Estava usando uma camisa branca de manga longa e botões vermelhos, um suéter vermelho nos ombros, com as mangas entrelaçadas sobre o peito, uma calça pantalona vermelha de alfaiataria, do jeito que ele gostava e um tênis branco com detalhes em vermelho.

Ele se arrumou e me olhou.

— Eu não estou bem? — Ele perguntou.

Pisquei os olhos e sorri para ele.

— Está muito, muito bem na verdade. — Respondi.

— Por que você está me olhando então? — Ele perguntou.

— Porque você sempre se veste muito bem, e eu quero babar em você um pouco. — Falei para ele.

— Vamos sair para beber hoje depois do jantar. — Ele propôs.

— Vamos. — Falei para ele e sorri.

Saímos de casa e entramos no carro.

— Ainda devemos passar no escritório dois? — Edgar perguntou.

— Hoje não, Oliver quer comprar um presente para a avó dele, o que eu quero fazer lá não é tão importante. — Falei para ele.

— Sim senhor. — Ele disse.

Adam começou a sair da propriedade e eu olhei para Oliver.

— O que você vai comprar para sua avó? — Perguntei para ele.

— Eu estava pensando em comprar alguma joia. — Ele respondeu.

— Um colar? — Perguntei.

— Brincos e pulseiras também. — Ele respondeu.

— Está bem, na joalharia Adam. — Falei para ele que estava dirigindo.

— Sim senhor. — Ele falou.

— Eu conversei com Otávio, ele me convidou para ir para Savana para ficar com ele e com o Daniel enquanto você viaja com Romeo. — Ele falou.

— Não acho seguro para eles e para você, por que ele não vem? — Perguntei para ele.

— Hum, Daniel tem aula. — Ele respondeu.

— Você quer ir? — Perguntei para ele.

— Eu quero, tem um tempo que eu não vejo Daniel e Otávio, eu estou com saudade. — Ele respondeu.

— Tudo bem, vou pedir a Raquel para arrumar a casa para sua chegada. — Falei para ele.

— Eu estava pensando em ficar na casa do Otávio. — Ele falou.

— Oliver, ir para Savana, tudo bem, mas agora ficar na casa dos outros quando temos nossa casa, eu não concordo. — Falei para ele.

— Está bem, está bem, mas você me deixa ir? — Ele perguntou.

— Claro que sim, Edgar, providencie isso. — Falei para ele que estava no banco do carona.

— Sim senhor. — Ele disse.

Depois de meia hora, Adam encostou o carro no meio fio em frente a joalharia.

Edgar abriu a porta de Oliver e Adam abriu a minha porta.

Nós descemos do carro e entramos na loja.

Oliver se aproximou das vitrines e começou a olhar tudo com atenção.

Quando ele chegou diante de um colar com um pingente de âmbar, ele sorriu e passou por ele.

Ele parou diante de um conjunto de pérolas e me olhou.

— Eu quero esse. — Ele disse.

Tirei a carteira do bolso e tirei o cartão dela.

— A vontade para levar o que quiser. — Falei para ele.

Ele sorriu e pegou o próprio cartão de crédito.

— Eu posso pagar por isso. — Ele falou.

— O presente é nosso, você pode por favor aceitar o cartão de crédito desse humilde marido? — Perguntei para ele.

Ele sorriu e pegou.

— Está bem, senhor. — Ele falou e fez charminho com as sobrancelhas.

— Não seja tímido. — Falei e pisquei para ele.

Ele olhou para o joalheiro e sorriu.

— Boa noite, eu quero este. — Ele falou apontando a caixa de veludo com o conjunto de pérolas.

— É uma ótima escolha. — Ele disse e tirou a caixa de veludo da vitrine.

— Obrigado. — Oliver falou.

Depois de colocar a caixa de veludo com o documento das peças na sacola com o logotipo da joalharia, ele entregou a sacola para Oliver.

Ele fez o pagamento, e nós saímos da loja.

Entramos no carro e seguimos para o restaurante.

— Vamos chegar cinco minutos atrasados. — Edgar falou.

— Deixe Camilo passar na frente para abrir caminho, não estou com paciência para esperar hoje. — Falei para ele.

— Sim senhor. — Ele disse.

— Eu estava pensando em fazer alguma coisa para nós dois em dezembro. — Oliver falou.

Olhei para ele de canto de olho.

— O que tem em dezembro? — Perguntei fingindo não saber de nosso aniversário de casamento.

— Nosso aniversário de casamento. — Ele respondeu.

— Ah, desculpe, eu já estou com um projeto para iniciar no início de dezembro, provavelmente não passarei muito tempo em casa. — Falei para ele.

Ele piscou os olhos e deitou a cabeça no meu ombro.

— Tudo bem então. — Ele falou.

Chegamos ao restaurante no horário marcado.

Edgar abriu a porta do carro e nós descemos.

Adam desceu do carro e outro segurança entrou.

Entramos no restaurante, Edgar, Adam, Camilo, oliver e eu, e encontramos a avó de Oliver a nossa espera.

Ela sorriu para ele.

— Olá querido. — Ela falou e beijou o rosto dele.

— Olá vovó. — Ele disse e beijou o rosto dela.

— Senhora. — Falei em um cumprimento.

— Olá criança. — Ela disse.

— Vovó, trouxemos para você. — Oliver falou e entregou para ela a sacola com a caixa de veludo.

Ela sorriu.

— Obrigada, por que não entramos? — Ela perguntou.

— Vamos. — Oliver falou.

Nós entramos no salão e seguimos para o salão privado.

Nós entramos e os dois homens que estavam sentados se levantaram.

— Boa noite. — Eles disseram.

Um dos homens me olhou de cima em baixo e sorriu.

— Boa noite. — Oliver e eu respondemos.

— Sentem-se, logo mais o Xande chega. — O homem ao lado do outro falou.

Edgar se aproximou e tocou meu ombro.

Olhei para ele e o segui até o canto do salão.

— O que foi? — Perguntei para ele.

— O Marsalis acaba de entrar no restaurante. — Ele falou.

— Ele está muito perto de nós? — Perguntei para ele.

— Ele...

Um dos homens que estava na mesa se levantou.

— O meu neto chegou. — Ele disse.

A porta se abriu e Alexandre entrou.

Olhei para Oliver e ele prendeu a respiração.

Adam e Camilo colocaram ele para trás e levantaram as pistolas ao mesmo tempo que os homens do Marsalis, enquanto Edgar também fazia o mesmo.

Me aproximei de Oliver e Alexandre sorriu surpreso.

— Ora veja só, quem está protegendo o cordeirinho de novo, será que você foi de oito a oitenta novamente? — Ele perguntou.

— O que está acontecendo aqui? — O avô do Alexandre perguntou.

Alexandre riu e Oliver me abraçou com o corpo trêmulo.

— Abaixem as armas. — Edgar falou para os dois que estavam a frente.

Eles se olharam e relutaram.

— Estamos na mesma sala que os mais velhos. — Ele insistiu.

Os dois olharam para Edgar e abaixaram as armas.

O avô de Alexandre deu a volta na mesa.

— O que está acontecendo aqui? — Ele perguntou ao Alexandre.

— Você promoveu um grande encontro hoje vovô. — Alexandre disse.

— Do que você está falando? — Ele perguntou.

— Estou falando do grande Mikhail Negrini, sobrinho do Onan. — Ele falou.

O homem franziu a testa e me olhou.

O outro homem deu a volta na mesa e olhou para Oliver.

— Por que você está com tanto medo? — Ele perguntou.

Alexandre riu.

— Acho que o Oliver não gostou de brincar com a gente vovô, mas se você me trouxe aqui para aprender com ele, você cumpriu seu objetivo, eu já aprendi muito com ele. — Ele falou com escárnio.

— Vocês se conhecem? — A avó do Oliver perguntou.

— Edgar, mande preparar o carro. — Falei.

— O que está acontecendo? — O outro homem insistiu na pergunta.

— Parece que se interessar por gente com o nome sujo na praça é uma coisa de família. — Alexandre falou e riu.

— Vier o que ele está dizendo? — A avó do Oliver perguntou.

O avô de Alexandre me olhou novamente e franziu a testa.

— Você é um...

Ele iniciou, mas não concluiu.

O outro homem me olhou também.

— Sim, um legítimo. — O outro senhor concordou.

— Eu sou Alejandro Marsalis. — O avô de Alexandre se apresentou.

— Eu sei quem você é. — Falei para ele.

— O meu neto tem causado grandes problemas para sua família, eu sinto muito, se eu soubesse que ele faria isso, eu não teria investido. — Ele falou em tom de desculpa.

— Vovô! — Alexandre exclamou em repreensão.

— Você fique calado, vamos nos sentar e conversar. — Alejandro falou.

— Nós pedimos desculpas por não ficar, se eu ficar mais meia hora de tempo olhando para eles dois, eu não vou controlar a mão. — Falei para ele.

Quando olhei para ele novamente, o segurança do Marsalis olhava para Oliver com os olhos cheios de preocupação.

O revólver em sua mão estava vacilando.

Franzi a testa e olhei para Oliver que tinha o rosto enfiado no meu peito.

A minha memória divagou por um momento no dia que Alexandre ameaçou Oliver com o revólver.

Eu estava tão focado no que Alexandre estava fazendo que não prestei muita atenção ao redor.

— O neto do meu companheiro, também é o meu neto, eu espero que possamos ter uma conversa civilizada hoje. — O avô do Alexandre disse.

— Vier. — A avó do Oliver falou e se aproximou dele.

Oliver respirou fundo e se afastou de mim.

— Tudo bem, vamos sentar e conversar. — Ele disse com um fio de voz.

— Oliver...

— Está tudo bem. — Ele disse me olhando.

Respirei fundo e assenti.

— Vamos nos sentar então. — Falei.

— Tão obediente. — Alexandre comentou.

— Vovó, o senhor Marsalis acaba de dizer que esse senhor é o meu avô, o que está acontecendo? — Oliver perguntou.

— É uma longa história querido. — Ela falou.

— Onde está Patrício? — Ele perguntou para ela.

— Ele está na clínica, vem depois. — Ela respondeu.

— Oliver, sente-se, nós já pedimos para todos. — O outro senhor falou.

Puxei a cadeira e Oliver sentou.

Sentei ao lado dele e a avó dele sentou do outro lado.

Alexandre ocupou o lugar entre os dois homens.

A comida chegou e todos ainda estavam em silêncio.

Olhei as comidas e peguei o prato do Oliver.

— Já que alguns já se conhecem, deixe-me apresentá-lo ao seu avô Degas e o companheiro dele, Alejandro. — A avó do Oliver apresentou.

Oliver acenou com a cabeça e sorriu de forma cortês.

— Tem três coisas que nós queríamos com esse jantar, a primeira já falhou, mas a segunda e a terceira ainda são possíveis. — Alejandro falou.

— Você pode dizer vô. — Alexandre falou.

— Somos conhecidos a muito tempo, quando éramos jovens, o Degas se casou comigo por pressão da família dele, mas nessa época ele já vivia com o Alejandro, nós passamos a viver juntos na mesma casa, nós tivemos um par de gêmeos e o Degas foi embora com o Alejandro, o Degas é seu avô. — A avó do Oliver disse para ele enquanto eu separava os pequenos pedaços de batata e tomate do prato do Oliver.

— O tio Davis sabe sobre isso? Eu acredito que ele não vai aceitar isso muito bem. — Oliver perguntou e falou para ela.

— O seu tio não tem que aceitar nada, primeiro porque ele não pode tirar todo o sangue que corre nas veias dele, segundo porque ele é covarde demais para se matar e terceiro, porque ele não vai saber sobre isso. — Ela falou.

— Aqui. — Falei e entreguei o prato para ele.

— Obrigado. — Ele disse e pegou o garfo e a faca.

— O que eu tenho com tudo isso. — Alexandre perguntou.

— Eu trouxe você aqui para ver se você conseguia aprender alguma coisa com o Oliver, mas pelo visto, você não é bom o suficiente nem para reconhecer alguém que pode gerar uma segunda chance. — Alejandro falou para ele.

— Aprender com o Oliver? Eu não acho que o Oliver seja tão bom como todos vêem. — Ele falou e comeu também.

— Você tem me perseguido por que então? — Oliver perguntou para ele.

Alexandre franziu a testa e me olhou.

— Porque ele gosta muito de você e é divertido ver como ele fica possesso quando não pode controlar as coisas. — Alexandre falou e riu.

— Pelo que eu sei a sua inteligência não é tão grande, você perdeu muito desde que voltou, me matar ou não, não vai mudar o fato de que ele é melhor do que você. — Oliver falou calmamente.

O sorriso no rosto de Alexandre morreu e ele apertou a faca.

— É melhor eu ir embora. — Alexandre falou e se levantou.

— Não seja desrespeitoso com os mais velhos, eles não precisam presenciar esse tipo de conversa. — Falei para Oliver.

Ele me olhou e piscou os olhos, assentindo com a cabeça levemente.

— Se você quer ir, apenas vá. — Alejandro falou.

Alexandre olhou para ele por um momento, sentou novamente e abaixou a cabeça com uma carranca no rosto.

— Qual o relacionamento de vocês? — A avó dele perguntou.

Oliver levantou os olhos para ela e depois olhou para os outros.

— Somos casados. — Falei para ela.

Os dois homens olharam para mim.

— Você fala isso abertamente? — Alejandro perguntou chocado.

— Já foi o tempo que tínhamos que esconder nossa orientação sexual. — Falei para ele.

Um sorriso brincou em seus lábios e ele olhou para Oliver.

— Você se sente bem com ele? — Ele perguntou.

— Sim. — Ele respondeu vagamente.

— É claro que ele se sente bem com ele, ele tem muito dinheiro. — Alexandre falou.

— Você não saberia descrever a nossa relação, porque você nunca experimentou gostar de alguém de verdade e duvido muito que consiga. — Oliver disse para ele.

— Vier, a quanto tempo vocês se conhecem? — A avó dele perguntou.

— Um ano e alguns meses. — Ele respondeu.

— Uau, vocês foram rápidos. — Degas disse.

— Vovó, qual o outro motivo de me chamar aqui? — Oliver perguntou.

O garçom entrou no salão e ficou a porta.

Chamei ele e pedi uma sobremesa para Oliver.

— Eu tenho bens em conjunto com Alejandro e quando iniciamos o nosso negócio, pensamos que a sua avó, por ter ajudado a gente no passado deveria participar também, nós dois temos uma rede de hotéis no litoral, que tem um bom rendimento anual, sua avó disse que quem resolve as coisas é você, então queremos saber se você quer entrar na sociedade, ou se quer o valor líquido da sua parte. — Degas falou para ele.

Oliver olhou para mim.

— O que você acha? — Ele perguntou.

— Você decide o que quer fazer. — Falei para ele.

— Mas o que você acha? — Ele insistiu.

— Eu acho que de uma forma ou de outra, você ficará bem, você tem estabilidade financeira desde antes de me conhecer, você sabe das suas responsabilidades e dos seus gastos. — Falei para ele.

— Com esse adicional, eu posso mandar o Diego para estudar no exterior e manter ele lá, posso gerir melhor a empresa de advocacia até que ele volte, posso entrar com processo contra a interdição da vovó e pagar a casa do titio. — Ele ponderou.

— Você não está fazendo tudo isso com o rendimento do café? — Perguntei para ele.

— Sim, estou, mas esses a mais não estão inclusos. — Ele disse.

A sobremesa foi colocada diante de mim.

Comi um pequeno pedaço e dei para ele.

— Então se você acha que pode gerir tudo isso, eu apóio você. — Falei para ele.

— E se eu não puder gerir? — Ele perguntou.

Sorri para ele.

— Eu sei que você é capaz disso, mas se você não puder, posso contratar alguém. — Falei para ele.

— O valor líquido ou a sociedade? — Ele perguntou.

— Se você vai ficar com isso, entre na sociedade, dessa forma você não vai precisar administrar e o lucro será continuo, quem tiver a maior porcentagem de ações, vai continuar a frente do negócio, você receberá apenas os lucros e se a sua parte for significativa, você terá que participar das votações ou pode até mesmo dar uma procuração a alguém para votar por você. — Falei para ele.

— Não foi atoa que você expandiu os negócios da sua família. — O Marsalis falou.

— Então eu entro como sócio, posso participar das reuniões sem problema nenhum. — Oliver falou.

— Eu pensei que você não aceitaria, você é sempre tão orgulhoso, não é Oliver? — Alexandre perguntou.

— Ao contrário de você que nunca pensa em ninguém quando faz alguma coisa, eu tenho muito no que pensar, e em quem pensar. — Oliver disse para ele e comeu a sobremesa.

— Ah, eu esqueci que você é alguém altruísta. — Alexandre falou.

— Que bom que você aceitou Oliver, ficamos muito satisfeitos, você pode assinar o documento. — Degas falou e entregou o envelope amarelo para ele.

— Eu vou ler com cuidado e entregar ao advogado do Mikhail para ele dar uma olhada também, espero que isso não ofenda vocês. — Oliver disse para eles.

— De forma alguma, você está certo em se precaver. — Alejandro falou.

— Já que tudo foi resolvido, pedimos licença para ir. — Falei e levantei.

— Tão cedo? — Degas perguntou.

— Oliver está desconfortável aqui, eu lamento não podermos ficar mais, vamos marcar outro dia para jantar. — Falei para ele.

— Pedimos desculpas pela inconveniência, vamos marcar um jantar sem o meu neto. — Alejandro falou.

— Vamos Oliver. — Falei e ele levantou.

Ele se despediu da avó dele e nós saímos do restaurante.

— Obrigado. — Ele falou.

— Vamos para casa ou vamos para o bar? — Perguntei para ele.

— Vamos para casa, estou cansado dessa noite e quero dormir. — Ele falou.

Edgar abriu a porta do carro e nós entramos.

— Vamos direto para casa. — Falei para ele.

Oliver deitou a cabeça no meu ombro e enfiou a mão na minha.

— Eu pensei que a vovó ficaria aborrecida, não achei que ela aceitaria tão bem. — Ele disse.

— Acho que seu tio falou tudo aquilo, porque queria afastar ela de você. — Falei para ele.

— Eu não queria pensar que isso é verdade, mas agora que as coisas estão ficando claras, acho que o Davis merece receber uma lição. — Ele falou.

— Se você quiser...

— Não, eu vou conversar com Diego primeiro, eu sei que ele não aprova o que o pai dele está fazendo, então vou conversar com ele sobre isso. — Ele falou me interrompendo.

— Está bem. — Falei para ele.

Chegamos em casa e fomos direto para o quarto.

Depois de uma ducha longa, ele deitou para dormir e eu saí.

Fui para o escritório dois e desci para o depósito para ver os brinquedos novos.

Depois de olhar tudo, mandei fazer a distribuição.

— Você vai a sala de tortura? — Edgar perguntou.

— Vou, quero ver como está o nosso convidado especial. — Falei para ele.

Nós seguimos pelos corredores subterrâneos e entramos na sala de tortura.

Edgar acendeu as luzes e Rômulo abriu os olhos com relutância.

— Ah! Você ainda está vivo? — Perguntei para ele.

Ele levantou os olhos e me olhou assustado.

Quando ele se afastou para o canto da sala, as correntes deslizaram no chão provocando um ruído alto.

Caminhei até ele e me abaixei a sua frente.

Ele me olhou e lágrimas deslizaram por seu rosto.

— Me mata, me mata por favor. — Ele pediu com a voz rouca e fraca.

— Ainda não, ainda falta muito para você pagar tudo o que fez com o meu monstrinho, foram dois anos de maus-tratos, você está com sorte que eu sou um cara muito bacana, caso contrário, eu só mataria você depois de dois anos. — Falei para ele.

— Por favor, me mata. — Ele pediu.

Sorri para ele.

— Só depois que a sua mente estiver tão fodida quanto a do Oliver estava antes de me conhecer. — Sussurrei no ouvido dele e me levantei.

— Por... Favor. — Ele sussurrou e começou a soluçar.

Sai da sala de tortura e subi as escadas para o escritório.

— Como estão as coisas no escritório que está sofrendo desvio? — Perguntei para Edgar.

— Ainda na mesma. — Ele respondeu.

— Já conseguiu rastrear a conta? — Perguntei para ele.

— Sim, já rastreamos a conta e conseguimos obtê-la. — Ele respondeu.

— Ótimo. A casa de Savana está pronta? — Perguntei para ele.

— Pronta para receber o senhor Oliver. — Ele respondeu.

— E a festa de aniversário de casamento? — Perguntei.

— Tudo certo para acontecer. — Ele disse.

— Ótimo. — Falei para ele.

O resto do mês passou rapidamente e na última semana, fomos para Savana.

Quando já estávamos em casa, Oliver subiu para o quarto e foi deitar.

Era madrugada quando chegamos.

Na manhã daquele mesmo dia, quando sai do closet, ele estava sentado na cama com o cabelo bagunçado e o rosto amarrotado.

Sorri e fui na direção dele.

— Acho que eu já disse para você que eu me sinto um pedófilo pervertido, sempre que vejo você assim, como um bebê em tamanho grande, não disse? — Perguntei e sentei na cama.

Ele sorriu genuinamente, daquele jeito que me desarmava completamente e se enfiou nos meus braços.

Ah céus!

Eu tinha me apaixonado duas vezes pela criatura mais adorável do meu universo.

— Já disse. — Ele falou e os cílios longos e curvos tremularam sobre os olhos doces.

Sorri e apertei ele entre os meus braços.

— Eu preciso ir. — Falei para ele.

A expressão dele se transformou.

Ele me abraçou pelo pescoço.

— Já estou com saudade. — Ele disse contra minha pele com a voz sonolenta.

— Vai passar rápido, você pode me ligar a hora que quiser. — Falei para ele.

Ele se afastou e beijou meus lábios castamente.

— Eu amo você. — Ele disse.

— Fique bem e não se coloque em risco. — Falei para ele.

— Eu não vou sair até você voltar, eu prometo. — Ele falou.

— Só se cuide, não fique preso em casa, saia com Otávio e Daniel, só não deixe de ficar perto dos rapazes. — Falei para ele e beijei a testa dele com carinho.

— Tá bom. — Ele murmurou.

— Durma mais um pouco. — Falei para ele e o fiz deitar na cama.

Cobri ele e seus olhos azuis fitaram os meus.

— Não demore. — Ele sussurrou e adormeceu novamente.

Afastei os fios de cabelo do seu rosto e beijei seus lábios novamente.

Olhei as câmeras discretas do quarto e depois para ele novamente.

— Eu mandei colocar algumas câmeras no quarto, eu sei que você vai ficar aborrecido por isso, mas eu me sinto mais seguro assim. — Sussurrei no ouvido dele e levantei da cama.

Sai do quarto, desci as escadas e encontrei Edgar na entrada.

— Tudo pronto. — Ele falou.

— Então vamos. — Falei para ele.

Seguimos para a pista de decolagem e encontramos Romeo.

— Quanto tempo. — Ele falou.

— Como vai? — Perguntei para ele.

— Bem, depois de saber que você conseguiu recuperar o dinheiro, muito melhor. — Ele falou enquanto entrávamos no jatinho.

— Como estão as informações? — Perguntei para ele.

— Eu deixei passar as menos essenciais, para ele não desconfiar. — Romeo falou.

— Você é o melhor. — Falei e pisquei.

— E o Oliver? — Ele perguntou.

— Ficou em casa, dormiu novamente quando eu saí. — Falei para ele.

— O Otávio disse que vai lá hoje a tarde. — Ele falou.

— É bom, o Oliver sente falta do pestinha. — Falei para ele.

Romeo gargalhou.

— Aquele moleque adora vocês, mesmo depois do ralho que você deu nele. — Romeo falou.

Sorri e olhei pela janela.

— Oliver adora ele, eu me sinto feliz, sempre que alguém faz ele feliz. — Falei para ele e o olhei de canto de olho com um meio sorriso no rosto.

— Você tem que admitir que já está com os quatro pneus arreados por ele. — Romeo falou.

— Eu nunca pensei que na minha vida inútil, eu me apaixonaria pela mesma pessoa duas vezes. — Falei para ele e senti o sorriso no meu rosto crescer.

— O Oliver tem poder nos olhos, ele é capaz de conquistar as pessoas ao redor, eu achava que não, mas depois que você ficou em coma, eu percebi e fui cativado por ele também, foi só assim que eu entendi o que o Otávio falava sobre ele. — Romeo disse.

Olhei para ele com desconfiança.

— Você sabe que eu vou matar você se tentar alguma coisa com o meu branquelo, não sabe? — Perguntei para ele.

Ele gargalhou.

— Sai fora, você sabe que eu não gosto de comer nada cru. — Ele falou e gargalhou mais.

Bati no peito dele rindo.

— Respeita o seu chefe. — Falei para ele.

— Eu tenho profundo respeito pelo Oliver, mas de cru na relação basta eu. — Ele falou.

Eu ri e balancei a cabeça.

Chegamos em Devon depois de duas escalas para abastecimento.

Assim que entramos no carro, tirei o celular do bolso do blazer do terno e entrei no aplicativo da câmera do quarto.

Ele não estava, mas as portas duplas da sacada estavam abertas.

Fui para a câmera quatro e ele estava sentado na poltrona da sacada com o laptop no colo e os fones de ouvido.

O celular estava ao lado dele.

Ele estava escrevendo.

Depois de um tempo ele falou alguma coisa e Raquel apareceu na sacada.

Ela colocou uma bandeja com suco e biscoitos sobre a mesa perto da poltrona e saiu.

Ele se levantou e entrou no quarto.

Fui para a câmera um que ficava de frente para as portas da sacada e vi ele tirando a camiseta azul clara.

Ele ainda estava com os fones de ouvido.

Enquanto dançava, ele tirou a calça e esticou o corpo em um alongamento.

Eu nunca via o que ele fazia em casa durante a manhã.

Ele se alongou e se alongou.

Depois ele colocou as mãos no chão e esticou uma perna no ar, formando uma espécie de prancha na diagonal.

Reta e perfeita.

— Então você faz ioga. — Comentei só para mim.

Chegamos diante do escritório um de Devon e descemos do carro.

Guardei o celular no bolso da calça e olhei o prédio.

— Esse prédio é bonito. — Falei para Romeo.

— Eu também gosto, acho que devíamos montar um padrão. — Ele disse.

— Sim, eu estive pensando sobre isso também. — Falei para ele.

Nós entramos e as recepcionistas no balcão de entrada olharam para nós.

Fomos direto para o elevador e entramos no elevador executivo.

Mais dois homens de terno cinza entraram conosco.

Os dois pararam a nossa frente.

— Você soube da reunião com executivo geral da holding? — Um deles perguntou.

— E quem não sabe, dizem muitas coisas sobre ele, mas não sei se é verdade, estou a pouco tempo, não quero acreditar no que me dizem. — O outro respondeu.

— Eu penso o mesmo. — O rapaz falou.

— Me disseram que ele é muito assustador. — O outro disse.

— Eu também escutei sobre isso, mas nada comparado ao que disseram sobre o diretor financeiro. — O primeiro disse.

Olhei para o Romeo e ele sorriu.

— Vamos começar bem os trabalhos. — Falei para ele quando os dois sairam.

As semanas passaram rapidamente, e eu falava com Oliver quase todos os dias.

E sempre que podia via ele nas câmeras do quarto.

Aquelas semanas foram terríveis.

Minhas memórias começaram a voltar de forma embaralhada e desconexas.

Eu passava horas tentando encaixar tudo no seu lugar e no final da quarta semana eu já estava mais consciente de mim.

Não tinha lembrado completamente do Oliver, mas eu já lembrava do Otávio e o início da nossa amizade.

— Como está sua cabeça? — Romeo perguntou enquanto caminhava ao meu lado.

— Ainda doendo, mas é mais suportável. — Falei para ele.

— Tem certeza que vai fazer isso agora? — Ele perguntou.

— Esse filho da puta tem que ter o que merece por tentar nos roubar e vazar informações para o Marsalis. — Falei para ele e entrei no escritório.

Edgar fez o homem se ajoelhar diante de nós, assim que passamos pela porta e eu olhei para ele.

— Senhor eu juro que não fiz nada. — Ele soluçou as palavras.

— Quem está com você nisso? — Perguntei para ele.

— Eu não sei do que o senhor está falando. — Ele disse.

Olhei para um dos seguranças e ele se aproximou.

— Você pode bater. — Falei para ele.

O segurança levantou a mão e o homem tremeu de medo.

— Tudo bem! Eu falo! Eu falo. — Ele disse.

— Então diga. — Falei para ele.

— Foi um loiro de pele muito clara, ela disse que se chamava Oliver. — Ele respondeu.

Senti meu sangue esfriar.

— Como ele era? — Perguntei para ele.

— Olhos azuis esverdeados, cabelos loiros e pele muito clara. — Ele respondeu.

— Quando foi que ele veio aqui? — Perguntei para ele.

— No início da primavera ele veio falar comigo. — Ele respondeu.

— Que tom de loiro era o cabelo dele? — Perguntei.

— Ele estava com um loiro meio ruivo, mas acho que ele era ruivo, porque a raiz do cabelo dele estava grande a segunda vez que nos vimos. — Ele respondeu rapidamente.

— Como ele estava vestido? — Perguntei para ele.

— Uma camiseta regata preta e uma calça jeans da mesma cor, ele tinha um rosto muito bonito e um andar elegante. — Ele respondeu.

— O que ele disse para você? — Perguntei para ele.

— Ele disse que o Corvaque estava em coma e que toda a fortuna deveria ser dele, uma vez que eles estavam casados, ele ordenou que eu desviasse o dinheiro e entregasse as informações da empresa para o senhor Marsalis. — Ele disse.

— Ele disse mais alguma coisa? — Perguntei para ele.

— Ele me falou que o senhor viria e que tudo estava indo de acordo com o plano, ele só precisava retirar uma pedra que estava no sapato. — Ele respondeu.

Senti um calafrio na espinha e saí do escritório rapidamente.

— Edgar, mande preparar o jatinho. — Falei para ele que seguia ao meu lado.

— Você acha mesmo que foi o Oliver? — Romeo perguntou.

— Claro que não Romeo, mas acho que isso tudo era um esquema para me tirar de casa. — Falei para ele e tirei o celular do bolso da calça.

— Você sabe quem tentou se passar por ele então? — Romeo perguntou.

— A única pessoa que eu conheço que tem um tom de pele quase parecido com a do Oliver é o Ítalo. — Respondi e entrei no carro que já me esperava com a porta aberta.

— Eu vou terminar tudo aqui, você pode ir tranquilo. — Romeo falou.

— Obrigado. — Falei para ele e fechei a porta.

Liguei para Oliver por vídeo e quem atendeu foi Daniel.

— Tio Mik! — Ele exclamou animado.

— Onde está o seu tio, Daniel? — Perguntei para ele.

— Ele está aqui em casa comigo, estamos fazendo biscoitos, eu vou levar o celular para ele. — Ele disse e saiu andando com o celular na mão.

Ele falou alguma coisa com alguém e Oliver surgiu na tela.

— Oi. — Ele disse e sorriu.

— Você está bem? — Perguntei para ele.

Ele franziu a testa.

— Estou bem, estamos fazendo biscoitos, Otávio está no trabalho e Daniel não tem aula essa semana, estou ficando com ele todos os dias, só volto para casa no final do dia. — Ele disse.

— Durma na casa do Romeo até eu voltar. — Falei para ele.

— Hum, aconteceu alguma coisa? — Ele perguntou com a testa franzida.

— Nada, eu só não quero que o Otávio fique me acusando de prender você. — Falei para ele.

— Está bem. — Ele disse.

— Já estou voltando. — Falei para ele.

— Amo você. — Ele falou e mandou beijo.

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele desligou na minha cara.

— Você avisou o Adam e os outros? — Perguntei para Edgar.

— André, Camilo e Jean também já foram informados. — Ele falou.

— Ótimo. — Falei para ele.

Assim que chegamos a pista de decolagem, partimos.

Paramos duas vezes como na ida para abastecer e seguimos.

Quando o jato pousou na pista, era madrugada.

Assim que entrei no carro, Edgar entrou e sentou ao meu lado.

— Tem alguém na casa. — Ele falou.

— As equipes estão a postos? — Perguntei.

— Merda! — Ele exclamou enquanto olhava o celular.

— Me diz que o Oliver não voltou para lá. — Pedi para ele.

— Vá depressa! — Edgar falou para o rapaz que estava dirigindo.

Ele saiu da pista de pouso e pegou a via principal, seguindo em disparada pelo tráfego escasso.

Assim que chegamos em casa, eu desci do carro e Adam apareceu.

— As câmeras de segurança flagraram o invasor dentro do quarto do senhor. — Ele falou.

— Por que o Oliver está aqui se eu deixei bem claro para você que não era para deixar ele voltar? — Perguntei para ele com a raiva saindo pelos poros.

— O senhor Oliver insistiu em voltar senhor, o senhor Otávio estava com visita em casa e o senhor Oliver não queria ficar lá, eu sugeri um hotel, mas ele não quis, porque não tinha falado com o senhor, então ele preferiu voltar para casa, foi minha negligência. — Ele disse e abaixou a cabeça.

— O invasor? Vocês pegaram ele, não pegaram? — Perguntei para ele.

— Não conseguimos apanha-lo, como o senhor Oliver estava dormindo, eu não quis alarmar ele com isso. — Ele falou.

— Você deixou a pessoa entrar no quarto em que ele estava dormindo e não fez nada? — Perguntei para ele sentindo o ódio se proliferar ao meu redor.

— O senhor Oliver está dormindo na suíte do final do corredor. — Camilo falou ao sair da casa.

André se aproximou e olhou para nós.

— Tem alguém no portão. — Ele falou.

— Quem é? — Perguntei para ele com a respiração áspera de ódio.

— Iscar. — Ele respondeu.

— O braço direito do Marsalis. — Edgar falou olhando o celular.

— Ele está sozinho. — André falou.

— Deixe ele entrar. — Falei para ele.

André apertou o ponto no ouvido e poucos minutos depois a moto estacionou no pátio.

O homem desceu e tirou o capacete, mas não chegou perto de nós.

— O que você quer? — Perguntei para ele.

— O Ítalo está com o Alexandre, ele quer matar o Oliver, você deve tomar todo o cuidado, há um espião dele no meio de vocês, ele também está com um pessoal da pesada nas ruas. — Ele disse.

Franzi a testa.

— A troco de quê você está me dando essas informações? — Perguntei para ele.

— Pessoas como eu, não tem nada a perder. A minha vida perdeu o sentindo há muito tempo, mas o seu garoto me fez acreditar que sempre há escolhas, que sempre há caminhos, eu estou disposto a pagar pela primeira escolha correta que eu já fiz na minha vida, estou disposto a pagar para que ele viva muito tempo. — Ele disse.

— Eu vi a forma que você olhou para ele. — Comentei.

Ele sorriu e sentou na moto novamente.

— Ele tem a capacidade extraordinária de fazer as pessoas amarem ele em muito pouco tempo. — Ele disse e colocou o capacete.

Os seguranças que estavam ao redor sacaram as pistolas, mas eu levantei a mão, para impedir que atirassem.

Vi a moto se afastar e senti meu coração apertar com aquela sensação de culpa.

— Das loucuras que eu já fiz, a que eu mais me arrependo é a de ter arrastado ele para minha vida, onde eu sou melhor que você? — Sussurrei a pergunta que eu sabia bem a resposta.

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Comments

Jucilene De Fatima

Jucilene De Fatima

história maravilhosa vou ficar triste quando acabar

2025-02-13

1

Fátima Alfiery

Fátima Alfiery

já tá chato essa perda de memória

2025-03-23

0

Maria Odilia Conceição da Silva

Maria Odilia Conceição da Silva

Você é muito bom.E CROIU UMA HISTORIA QUE NAO CONSIGO PARAR DE LER

2025-02-05

3

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