...🌈|É MAIS FÁCIL AMAR VOCÊ DO QUE RESPIRAR.|🌻✨...
O resto do verão passou rápido e tranquilo.
Depois de conversar com Oliver, sobre os tratamentos para ele melhorar, e ele ficar irredutível sobre o assunto, nós não falamos mais sobre.
Nosso relacionamento estava indo muito bem e eu comecei a entender o meu eu atual.
Oliver era alguém que realmente era único, o tipo de pessoa que não se pode deixar ir.
Pensando sobre isso, eu me senti feliz pelo meu eu atual ter feito tudo o que fez para ter ele.
No final eu também me sentia mais feliz e relaxado com ele por perto.
Embora eu soubesse que aquela calmaria só duraria depois que eu enfiasse uma bala na cabeça de Alexandre, ainda assim eu preferi postergar o momento disso ao máximo.
Chegamos em casa no dia primeiro de outubro, era uma quinta-feira e nós voltamos a nossa vida normal.
Era o início da noite do sábado da semana que voltamos.
Jean estacionou o carro no pátio de casa e assim que Edgar abriu a porta para mim, eu escutei o som alto vindo do jardim.
Olhei para o Edgar e franzi a testa.
— Você pode levar para mim? — Perguntei.
— Claro. — Ele respondeu e eu entreguei o meu blazer e a maleta que eu trazia na mão.
Segui para o jardim e assim que cheguei, encontrei Oliver dançando em cima da mesa que ficava debaixo do pergolado de flores azuis, com uma garrafa de martini na mão.
A música que ele dançava era eletrônica.
Arqueei a sobrancelha e ri baixo.
Ele nem parecia o tarado da música clássica que morava naquela casa.
Ele estava usando uma calça pantalona jeans azul clara justa com uma listra branca debaixo de uma listra rosa chiclete menor nas laterais.
Uma camisa rosa chiclete com o símbolo do signo de câncer na frente e uma jaqueta jeans azul clara de bainha curta e manga comprida.
A camiseta ficava quase da altura do cós da calça.
Nos pés ele usava um tênis branco com detalhes rosa.
Olhei para o canto do pergolado e vi mais seis garrafas de martini.
Enrolei as mangas da minha camisa preta até os cotovelos e guardei as abotoaduras no bolso da calça.
Me aproximei mais e desliguei a música.
Ele virou na direção da caixa e me viu.
— Quem é você? Porque desligou a minha música? — Ele perguntou com um bico e uma expressão aborrecida.
Ele parecia adorável e fofo com aquela expressão.
Senti um sorriso no meu rosto e me aproximei mais da mesa.
— Pensei que você sairia com os seus amigos. — Comentei.
Ele olhou de um lado para o outro e me chamou com o dedo indicador.
Franzi a testa e me aproximei dele.
— O Corvaque não gosta que eu saia sozinho. — Ele sussurrou.
— Então foi por causa dele que você não saiu? — Perguntei.
Ele franziu a testa.
— Você não vai me contar quem você é? — Ele perguntou.
— Eu sou um amigo do Corvaque, muito próximo. — Falei para ele.
Ele sentou na mesa e olhou de um lado para o outro.
— Você sabe qual é a fraqueza dele? — Ele perguntou em tom conspiratório.
Sorri para ele e me aproximei mais.
— Um garoto chamado Oliver. — Falei no mesmo tom conspiratório.
Ele franziu a testa.
— Eu me chamo Oliver. — Ele falou.
Senti o sorriso no meu rosto crescer.
— Eu sei. — Falei para ele.
Ele deitou na mesa e não muito depois sentou de novo.
— Será que ele vai ficar aborrecido se você for comigo encontrar os meus amigos? — Ele perguntou.
— Não mesmo, ele confia muito em mim. — Respondi.
Ele sorriu, daquele jeito infantil.
— Então você me leva? — Ele perguntou ansioso.
— Claro, você espera eu tomar um banho rápido? — Perguntei para ele.
— Não da tempo, o Corvaque vai chegar a qualquer momento. — Ele disse.
— Eu soube que ele foi em uma conferência do trabalho, a casa é nossa. — Falei para ele.
Ele franziu a testa.
— A casa é do Kil, você não pode falar assim. — Ele disse aborrecido.
Sorri para ele.
— Você está defendendo ele? Pensei que não gostasse do fato de ele ser sufocante às vezes. — Comentei.
— Ele não é sufocante, ele é muito bom, sincero, carinhoso e gentil, só eu tenho direito a ver e comentar dos defeitos dele, você não pode. — Ele falou.
Sorri mais.
— Eu não considero ele tudo isso não, eu acho que se você ficar comigo, você ganha muito mais. — Falei para ele.
Ele segurou minha gravata e me puxou para mais perto.
Quando seus olhos fitaram os meus, ele franziu a testa.
— Eu posso ficar com os dois. — Ele falou.
Foi inevitável ficar aborrecido com aquelas palavras.
Agora eu sabia que não podia deixar ele sozinho quando estivesse bêbado.
— Mas você nem me conhece. — Falei e cruzei os braços.
— Você é a versão antiga. — Ele falou.
— De qual você gosta mais? — Perguntei.
— Eu gosto das duas. — Ele disse e me beijou.
Um beijo casto demorado.
Senti meu coração acelerar e segurei o rosto dele beijando mais demorado.
Ele se inclinou para a frente e virou um pouco a cabeça.
Nossos lábios se encaixaram, mas ele não colocou a língua no beijo, como sempre fazia.
Chupei o lábios inferior e afastei a minha boca da dele.
Descansei minha testa na sua e rocei meu nariz no dele.
— Senti sua falta hoje. — Falei para ele.
Os olhos estavam fechados.
— Eu sinto sua falta todos os dias, queria que você se recordasse que me ama. — Ele sussurrou.
Senti meu coração se contrair e suspirei.
— Você me conhece a tão pouco tempo, o que fez você me amar? — Perguntei.
— Sua insistência e o seu afeto, e o seu grande pau gostoso também. — Ele falou.
Gargalhei baixo.
— Eu vou tomar uma ducha rápida e já desço, você comeu alguma coisa? — Perguntei para ele.
— Eu bebi muito, não quero comer, se não vou ficar enjoado. — Ele falou.
Agarrei a cintura dele e ele se segurou em meus ombros e suas pernas abraçaram a minha cintura.
— O que você está fazendo? — Ele perguntou.
— Estou levando você para comer alguma coisa, não quero que você entre em coma alcoólico, ainda mais com uma bebida tão forte. — Falei para ele enquanto ia na direção da entrada.
— Eu posso caminhar. — Ele protestou.
— Eu sei que pode, mas eu gosto de carregar você. — Falei para ele.
— Mas eu estou gordo. — Ele disse e fez um bico.
Beijei o bico e ele piscou os olhos e corou.
Gargalhei enquanto entrava em casa.
— Depois de tudo o que já fizemos, eu ainda me surpreendo com o fato de você corar quando eu flerto com você. — Falei para ele.
— Eu sou apenas um rapaz inocente que foi pervertido durante a adolescência, é natural que eu tenha repentes algumas vezes. — Ele disse e deitou a cabeça no meu ombro.
— Você é assim sempre que fica bêbado? — Perguntei para ele ao entrar na sala.
— Assim como? — Ele perguntou.
Coloquei ele no sofá e beijei a testa dele com carinho.
— Fofo. — Falei.
Ele empinou o nariz e virou o rosto.
— Eu sempre sou fofo. — Ele falou.
Gargalhei.
— Me espere só um pouco, vou falar para Murilo preparar algo leve para você e vou tomar uma ducha rápida. — Falei para ele.
Ele assentiu com a cabeça e eu segui para as escadas.
Mandei mensagem para Edgar e entrei no quarto.
Fui para o banheiro e tomei uma ducha rápida.
Me sequei e coloquei uma calça de alfaiataria preta e uma camisa preta de cambraia, enrolei as mangas e deixei elas para fora da calça.
Coloquei um par de sapatênis, os meus anéis e um relógio com pulseira de couro preto.
Arrumei o cabelo e saí do closet.
Desci as escadas e ele estava de pé perto da porta.
— Você comeu? — Perguntei para ele.
— Alguns sanduíches com creme de camarão. — Ele respondeu.
— Ótimo, agora nós podemos ir. — Falei para ele.
Nós saímos de casa e Edgar já estava com a porta do carro aberta para nós.
Entramos e seguimos para o endereço que um dos nossos tinha dado mais cedo.
Oliver me olhou e franziu a testa.
— Como você sabia que era aqui? — Ele perguntou.
— Eu sei de tudo relacionado a você. — Falei para ele.
A porta foi aberta e eu desci do carro com ele.
A boate tinha uma fachada preta e rosa e o nome em grandes letras de LED.
Nós entramos e a pista estava lotada, enquanto as mesas estavam ocupadas por poucas pessoas.
A música estava alta e o ambiente estava a meia luz.
Haviam dançarinas nas barras de pole dance que ficavam no meio da pista da boate.
Os camarotes ficavam em sacadas que davam visão total da pista e das garotas dançando nas barras de pole.
Oliver se animou e foi para a pista.
Fui na direção de uma das mesas enquanto olhava para ele e sentei.
Não demorou muito tempo, Edgar colocou um copo de uísque na mesa.
Oliver veio na minha direção.
— Eu quero martini! — Ele falou por sob a música alta.
— Você bebeu sete garrafas, o que eu ganho se eu der mais uma?! — Perguntei para ele.
Ele sorriu.
— Você já me tem e eu não tenho mais nada, o que eu posso dar para você?! — Ele perguntou.
— Você ainda pode trocar dedicatórias nos seus livros?! — Perguntei para ele.
— Eu posso mexer no que eu quiser antes do prólogo e depois do epílogo! — Ele respondeu.
— Então você tem que mudar todas as dedicatórias dos livros que serão impressos de segunda em diante, para as minhas iniciais! — Falei para ele.
Ele ponderou por um momento e depois sorriu.
— Hum, M, ponto C, ou M, ponto N, ponto C... M, ponto C, fica melhor, mas isso é muito grande para uma garrafa de martini! — Ele disse.
— É só me dizer o que você quer, uma boate, uma editora, o que você quiser eu dou! — Falei para ele.
— Eu quero o quanto eu puder beber de martini, e você não pode se aborrecer por isso! — Ele falou.
— O que mais?! — Perguntei.
Ele ponderou por um longo tempo.
— Eu quero que você desfaça a comunhão total de bens! — Ele respondeu.
Franzi a testa e fiquei um pouco confuso.
— Por quê?! — Perguntei para ele.
— Porque se eu quisesse o seu dinheiro, eu não chupava o seu pau todo dia, eu chupava picolé no shopping usando seu cartão de crédito! — Ele falou no meu ouvido e eu me engasguei com o uísque.
Olhei para ele e depois para Adam e Edgar que estavam perto.
— Certo, vamos conversar sobre isso quando você estiver sóbrio! — Falei para ele enquanto tossia.
— Vamos para a mesa da Trice, eu encontrei ela na pista! — Ele falou.
— Vamos reservar um camarote lá em cima, o que você acha?! — Perguntei para ele.
— Eu posso ficar na pista?! — Ele perguntou.
— O que você quiser, Adam vai ficar aqui embaixo e eu vou olhar você lá de cima! — Falei para ele.
— Vamos falar com a Trice e os outros! — Ele disse e me puxou antes de eu falar qualquer coisa.
Fomos para o outro lado, atravessando a pista e quando chegamos em uma outra mesa, estava o grupo de quatro pessoas.
Uma mulher de cabelo castanho claro e olhos verde oliva, usando um vestido vermelho de camurça, curto, de alças finas e um par de botas na cor preta, se aproximou do Oliver e abraçou ele.
— Você veio! — Ela exclamou com animação.
Ele sorriu para ela, mas não aquele que ele sempre sorria para mim, era um sorriso mais contido e maduro.
Eu me senti satisfeito por isso, no final das contas, ele só era infantil e adorável comigo.
— Eu bebi em casa antes de vir! — Ele exclamou.
A garota me olhou e estreitou os olhos.
Ela soltou Oliver e veio na minha direção.
— Você é quem?! — Ela exclamou a pergunta.
— O marido do Oliver! — Exclamei de volta, porque a música estava muito alta onde eles estavam.
— Se você machucar o meu bebê eu mato você! — Ela disse apontando o dedo no meu rosto.
— Não se preocupe, ele me tem na palma da mão! — Exclamei para ela.
— É bom que seja assim! — Ela exclamou e voltou a abraçar Oliver.
— Vamos para a pista! — A jovem de cabelo rosa que estava ao lado de outra com o cabelo platinado exclamou.
Oliver me olhou e me puxou para perto dele.
— Esse é o Mikhail! — Ele exclamou.
— O maníaco controlador?! — A platinada exclamou a pergunta.
— Isso! — Oliver respondeu.
Gargalhei baixo e balancei a cabeça.
— Olá a todos! — Falei para eles.
— Trice, Biano, Laura e Val! — Ele apresentou.
— Seja bem vindo e cuidado, se fizer alguma coisa com o nosso bebê, você está condenado! — Beatrice falou.
— O Mikhail convidou a gente pra ir para o camarote! — Oliver exclamou.
— Você quer um camarote?! — Fabiano exclamou a pergunta.
— Acho que já não estou mais habituado a música alta! — Falei e ele riu.
— Eu também não estou, podemos ir sim, eu vou pedir um! — Ele exclamou e pegou o celular.
— Eu vou dançar! — Oliver falou.
Edgar entregou uma garrafa de martini para ele e ele sorriu.
Ele, a Beatrice e a de cabelo rosa, que se chamava Laura foram para a pista.
Olhei para Adam e ele seguiu os três.
Quando olhei para Fabiano, ele sinalizou e nós fomos para um dos camarotes.
Sentei no sofá rosa Pink e tomei o restante do meu uísque em um só gole.
Uma garota começou a dançar na barra do pole dance, mas eu não dei muita atenção.
Fiquei olhando Oliver que dançava na pista.
— Como vocês conheceram o Oliver? — Perguntei para os dois sem tirar os olhos dele.
— Ele e a Beatrice são do mesmo curso. — Fabiano falou.
— A Laura é de outro curso, mas ela e a Trice são amigas de infância. — A Válerie respondeu.
— Vocês não são colegas de faculdade também? — Perguntei.
— Não, eu era veterano de administração, tenho trinta. — Ele respondeu.
— Eu sou dona de um restaurante que fica perto da universidade, tenho vinte e sete. — Ela respondeu.
Eu já sabia? Já sabia, mas eu tinha que começar a fazer amizade com os amigos dele.
— Vocês conheceram o Rômulo? — Perguntei para os dois.
— Tivemos o desprazer de conhecer aquele filho da puta. — Fabiano falou.
— O Oliver... Ele gostava muito dele? — Perguntei sem desviar os olhos do Oliver.
— No início sim, ele era muito apaixonado, mas depois, ele passou a temer ele. — Válerie disse.
— O Oliver sempre foi alguém apaixonado e pouco cuidadoso quando se trata de relacionamento. — Fabiano disse.
— Ele tem um dedo podre que eu não sei não. — Válerie falou.
Senti um sorriso no meu rosto.
— Isso eu tenho que concordar. — Comentei.
— Ele teve um relacionamento curto com o Igor, mas sempre foi muito entregue, depois ele teve uma paixão platônica pelo Dante, que parecia corresponder os sentimentos dele, o Oliver esteve do lado dele nos piores momentos e passou também por muitas coisas, para no final, o Dante ficar com o Tadeu, depois para arruinar tudo, veio o Rômulo. — Válerie falou.
— Todos deixaram o Oliver emocionalmente abalado, mas no período que ele estava com o Dante, ele era doce, alegre, feliz e relaxado. — Fabiano falou.
— Ele nunca me fala da vida dele, tem poucas coisas que escapam sem querer. — Falei para eles.
— O pai dele morreu quando ele criança, a mãe dele tinha câncer e morreu não muito tempo depois dele completar dezesseis anos, ela emancipou ele porque o irmão dela o desprezou depois que descobriu que ele era gay, o pai dele era órfão. — A mulher falou.
— Mas como são as coisas, o café ao lado da editora, foi deixado para ele e ele deu para a avó, ele comprou uma casa, dois carros e ainda investiu na empresa do tio dele, sem retorno nenhum. — Fabiano falou.
Franzi a testa e finalmente desviei os olhos do Oliver.
— Agora que a avó dele está em uma casa de repouso, ele paga todas as despesas dela, paga o internato da prima mais nova, filha da tia mais nova dele, que morreu em um acidente de carro, a faculdade do primo dele, filho daquele verme inútil do tio dele, a hipoteca e despesas da casa e agora ele teve que ajustar o café e colocar funcionários para cuidar, porque o tio dele é um escroto. — Válerie falou.
— O pior é que ele acha que a avó dele está com raiva dele porque ele é gay, quando na verdade o tio dele interditou ela, gastou todo o dinheiro dela e ficou sem nada. — Fabiano falou.
— Ele não me falou sobre isso, às vezes eu acho que ele realmente não me considera companheiro dele. — Falei e suspirei frustrado.
— Você pode aproveitar hoje, que ele está bêbado. — Válerie disse.
— Não sei se isso é certo. — Falei para ela.
— Ora vamos, não vai ser a primeira vez. — Ela disse e sorriu.
Balancei a cabeça e servi meu copo de uísque.
Tomei um gole generoso e olhei novamente para a pista, mas quando vi Oliver na barra de ferro do pole dance, eu engasguei.
— Puta que pariu! — Exclamei e levantei rápido.
Desci as escadas rapidamente e abri caminho entre as pessoas que estavam na pista de dança.
O cabelo que antes estava preso, agora estava solto e estava todo para um lado.
Quando foi que ele aprendeu a dançar em uma barra de ferro?
Ele só tinha vinte anos!
Em três anos, ele conseguiu fazer mais merda do que eu fiz em quinze.
Quando cheguei perto da barra, ele estava deslizando para baixo em uma abertura.
Eu sabia que ele era flexível, mas não sabia que era tanto.
Minha mente flutuou com ideias sedutoras, mas eu afastei elas, para manter a raiva.
Mas era impossível, porque ele era uma delícia dançando naquela barra.
Inferno!
Quando cheguei perto o suficiente do palco onde a barra estava acoplada, ele se aproximou e sorriu sedutor.
Em seus olhos tinha malícia e eu senti um arrepio na pele.
O filho da mãe sabia me ganhar.
Quando ele chegou bem perto, eu o peguei no ombro e o tirei do meio da multidão.
A mulher que estava dançando voltou a barra, mas algumas pessoas me olhavam insatisfeitas por eu ter tirado ele de lá.
Subi as escadas com ele ainda no meu ombro e coloquei ele no chão quando chegamos ao camarote, mas segurei a mão dele.
— Relembrando os velhos tempos Oliver? — Fabiano perguntou e riu.
— Nós já vamos embora. — Falei para os dois.
— Sem problemas Mikhail, nosso amigo já está um pouco bêbado. — Fabiano falou.
Nós descemos as escadas novamente, mas antes de sair, ele puxou a minha mão, olhou para um lado e outro e me puxou pelo colarinho da camisa, ficando na ponta dos pés.
— Eu preciso ir ao banheiro. — Ele falou com o rosto adorável a centímetros do meu.
Fitei seus olhos e analisei seu rosto.
As maçãs estavam coradas e a boca dele estava vermelhinha.
Senti minha garganta secar e meu coração pular no meu peito.
Pisquei os olhos e desviei o olhar.
Como ele conseguia?
Como ele conseguia me ganhar daquela forma?
— Adam vai levar você. — Falei para ele.
— Vem comigo, por favor. — Ele pediu manhoso.
— Se eu for com você, eu vou fazer algo que eu não quero. — Falei para ele.
Eu queria sim!
E como eu queria, mas ele estava muito bêbado.
— Tudo bem. — Ele falou piscando os olhos com decepção.
Senti vontade de rir daquela expressão, mas me controlei.
Era impossível sentir outra coisa que não fosse carinho por aquela criatura fofa e sexy.
— Vamos esperar lá fora. — Falei para Adam.
— Sim senhor. — Ele disse e seguiu com Oliver para o banheiro.
Sai da boate com Edgar e os outros seguranças começaram a sair.
Os carros foram ocupados e ficou vazio apenas o nosso.
— Ele sempre fica assim quando está bêbado? — Perguntei para Edgar.
— Sempre. — Ele respondeu.
Balancei a cabeça e ri.
— Está claro porque o meu eu atual perseguiu ele. — Comentei.
Olhei para a entrada da boate e vi Ítalo saindo com um cigarro e o isqueiro na mão.
Eu não senti nada, nem o ódio que eu achei que sentiria eu não senti.
A visão dele não me pareceu fantástica e nem fez o meu coração acelerar.
O rapaz que agora tinha seus vinte e cinco anos, era muito bonito.
De cabelos ruivos, olhos verdes claros, como as primeiras folhas que brotavam nas árvores depois do inverno, lábios finos bem desenhados e pele clara, não tão clara como a do Oliver, que quando ficava pálido, ficava fantasmagórico.
Ele tinha uma sensualidade ao olhar e era sexy e forte.
Tinha um e setenta de altura.
Ele sorriu.
Aquele sorriso que antes me deslumbrava, mas que agora era somente um sorriso bonito.
Ele acendeu o cigarro e veio na minha direção depois de dar um trago generoso.
— Olá Mikhail. — Ele falou com sua voz rouca e grave pelo fumo contínuo.
— Como vai Ítalo? — Perguntei.
Ele franziu a testa e estreitou os olhos.
— Eu estou indo bem, e você? — Ele perguntou.
— Não tenho do que reclamar. — Falei para ele.
Ele deu mais um passo, depois de mais um trago e enfiou o isqueiro no bolso da calça.
O sorriso sedutor dançou em seu rosto novamente.
— Como está o Romeo? — Ele perguntou.
— Muito bem, ele e o companheiro adotaram uma criança. — Falei para ele.
— Então alguém conseguiu laçar o coração do Romeo? Isso é realmente extraordinário. — Ele comentou.
— Sim, o Romeo tem sorte, o cara com quem ele está me parece uma pessoa muito boa. — Comentei.
Ele sorriu e me ofereceu o cigarro.
Antes que eu pudesse negar, Oliver apareceu atrás de Ítalo com os braços cruzados.
— Você está fumando? — Ele perguntou com a testa franzida.
— Não estou. — Respondi para ele tranquilamente.
— Edgar. — Ele chamou.
Edgar que estava falando com um dos seguranças se aproximou.
— Aqui senhor. — Ele respondeu.
— Ele estava fumando? — Oliver perguntou.
— Não senhor. — Edgar respondeu.
— Obrigado. — Ele falou e se aproximou de mim.
— Você não acredita em mim? — Perguntei para ele.
— Quantas vezes você já me enganou? Acha mesmo que eu acredito em você? — Ele perguntou.
— Eu não sei do que você está falando. — Falei para ele.
Ele veio na minha direção.
— Vamos para casa. — Ele pediu e me abraçou pelo tronco descansando o queixo na parte inferior do meu tórax.
Segurei ele pela cintura, deslizei os dedos da mão livre nos cabelos lisos e olhei para Ítalo.
— Eu preciso ir agora, mas que bom que você está bem. — Falei para ele e olhei para Oliver novamente.
Ele franziu a testa e virou de frente para Ítalo e de costas para mim.
— Quem é você? — Oliver perguntou.
Ítalo sorriu.
— Eu? Eu sou Ítalo Campbell, ex-namorado do Mikhail. — Ele respondeu.
Oliver deslizou os dedos nos cabelos loiros avermelhados e sorriu também.
— É um prazer conhecer você. — Ele falou.
— O prazer é meu. — Ítalo falou e ofereceu o cigarro para ele.
— Eu não fumo. — Oliver disse para ele.
— Mikhail. — Ele insistiu.
— Ele também não fuma mais, nem Adam e nenhum dos nossos seguranças. — Oliver disse para ele.
— Uau, estou impressionado! Para quem fumava uma carteira por dia, parar repentinamente, é algo surpreendente. — Ele falou.
— Sim, você deve saber o quanto o meu Kil é incrível. — Oliver falou e sorriu.
— Seu Kil? — Ítalo perguntou surpreso.
— Isso, meu, agora nós temos que ir, se você nos der licença. — Oliver falou e segurou a minha mão.
Nós viramos e fomos na direção do carro.
Edgar abriu a porta e nós entramos.
Oliver baixou o vidro da janela e o Ítalo apareceu.
— Qualquer dia eu visito você Mikhail. — Ele falou e sorriu de forma provocante.
— Você deve saber que o Mikhail é um pouco possessivo e não gosta de visitas em nossa casa, se você quiser falar com ele, procure no escritório, se ele não estiver muito ocupado, pode dar um pouco de atenção para você. — Oliver falou e fechou o vidro antes do Ítalo falar mais alguma coisa.
Adam deu partida e Oliver deitou a cabeça no meu ombro.
— Eu falei do Ítalo para você? — Perguntei.
— Depois que eu fiquei melhor, logo que nos conhecemos, você viajou para o exterior, nós conversamos muito e você disse sobre ele. — Ele respondeu.
— Então você sabe quase tudo sobre mim, mas eu não sei muito de você. — Falei para ele.
— O que você quer saber exatamente? — Ele perguntou.
— Sua família. — Falei para ele.
Ele se afastou um pouco.
— O Biano e a Val devem ter contado. — Ele disse.
— Contaram, mas eu quero escutar de você. — Falei para ele.
— Já não basta toda a merda que você já sabe, eu preciso contar o resto? — Ele perguntou.
— A merda que eu já sei, eu descobri sozinho, porque se eu fosse esperar de você, você nunca teria me contado. — Falei com mágoa.
Ele me olhou por um momento e franziu a testa.
— E eu não vou contar, porque você não pode sair ameaçando e matando as pessoas, só porque me fizeram sofrer. — Ele disse aborrecido.
— É claro que eu posso. — Comentei.
— Então você deveria tirar a sua própria vida primeiro. — Ele disse.
Franzi a testa e refleti sobre aquelas palavras até que o carro estacionou no pátio.
Ele desceu sem esperar que Edgar abrisse e eu desci logo atrás.
— O que você quer dizer com isso? — Perguntei para ele.
— Que você está me fazendo sofrer tanto quanto qualquer um da minha família, eles me desprezaram e me mandaram embora, mas e você? O que você está fazendo? — Ele perguntou.
— Eu pensei que fosse suficiente que eu desse para você o que você queria. — Falei para ele.
— Você acha que eu só quero sexo? O que você acha que eu sou? — Ele perguntou e foi entrando.
— Eu tenho dado atenção e carinho, isso não basta? — Perguntei para ele enquanto ele subia as escadas.
— O que eu me tornei para você? Um dos seus cães de estimação favorito? — Ele perguntou.
— Eu não estou entendendo o que você está dizendo com isso. — Falei para ele enquanto ele entrava no quarto.
— Eu estou dizendo Mikhail que você age todos os dias como se eu fosse um fardo que você tem que carregar nas costas. — Ele respondeu.
— Eu nunca tratei você como fardo, eu tenho cuidado de você dia e noite, porque eu não quero que você fique mal. — Falei para ele.
— Para você não se sentir culpado depois? — Ele perguntou.
A pergunta me pegou desprevenido e eu acabei me surpreendendo ao perceber que o que ele disse era uma meia verdade.
Mas porque ainda parecia daquela forma se eu tinha certeza que amava ele?
Mas a pergunta principal era:
Se eu amava ele, porque eu não falava de uma vez?
— Será que você pode me entender só um pouco, eu acordei achando que eu tinha vinte e seis anos, e eu tenho trinta, um parceiro por quem eu fiz coisas que eu não imaginava que faria por alguém, eu estou confuso. — Falei para ele.
— Eu posso entender isso muito bem Mikhail, o problema é que às vezes eu sinto que você não quer se lembrar de nós. — Ele falou ao me olhar.
— Eu só estou com medo, eu nunca fui de demonstrar sentimentos e agora eu não consigo me controlar quando o assunto é o que eu sinto por você, eu estou tentando entender essa metamorfose. — Falei para ele.
Ele respirou fundo.
— Eu vou tomar banho. — Ele disse e entrou no closet.
Sentei na cama e deitei.
Eu não podia soltar no meio de uma discussão um "Eu amo você", soaria forçado.
Mas pelo que eu tinha visto no documento do nosso casamento, o dia do nosso aniversário seria em dois meses.
Escutei a porta do closet e sentei na cama.
Ele saiu do closet peladinho como Deus mandou ele pro mundo.
Senti um arrepio na alma quando vi a pele branquinha diante de mim.
Ele deu a volta na cama e sentou.
O cheiro dele penetrou meus sentidos e eu senti meu coração acelerar.
— Oliver. — Chamei.
— O que você quer? — Ele perguntou aborrecido.
— Você vai dormir pelado? — Perguntei para ele.
— Você nunca reclama sobre isso. — Ele respondeu.
Era o que eu precisava escutar.
Entrei no closet, atravessei o cômodo e entrei no banheiro.
Tomei uma ducha rápida, me sequei e saí do banheiro para o closet.
Coloquei uma cueca e saí para o quarto.
Apaguei as luzes e deitei na cama.
Fiquei um tempo olhando para o teto, mas não consegui me segurar muito tempo.
Virei de lado e toquei a pele macia dele.
— Você já dormiu? — Perguntei.
Demorou um tempo.
— Ainda não. — Escutei ele falar.
— Vamos dar uma trégua, eu realmente não gosto quando você fica aborrecido. — Falei para ele.
Ele se virou e fitou meus olhos, depois ele se aproximou mais e me beijou.
Um beijo envolvente, somente com os lábios, que atiçou meu desejo que já estava a flor da pele desde o momento que eu tinha visto ele sair do banheiro.
Eu não sabia se era impressão, ou se eu realmente estava ficando ainda mais tarado por ele.
Deslizei a mão na pele macia da lateral do corpo dele e apertei a bunda gostosa.
Ele gemeu e antes que eu pudesse ir para cima dele, ele montou em mim.
Ele parecia tão sedento quanto eu estava.
A mão deslizou no meu peito e se fechou no meu pescoço.
Me apoiei nos cotovelos e ele me beijou novamente, dessa vez enfiando a língua na minha boca ao mesmo tempo que eu fazia.
Busquei o lubrificante debaixo do travesseiro e ele rebolou em cima de mim.
Soltei um gemido rouco contra seus lábios e afastei um pouco.
Coloquei o lubrificante na mão e deslizei na entrada dele antes de penetrar um dedo.
— Ah! — Ele gemeu.
Tirei o meu pau para fora da cueca e masturbei um pouco, só pelo costume mesmo, porque ele estava duro como rocha.
Ele se posicionou e antes que eu pudesse iniciar ele sentou em mim e começou a cavalgar.
A boca procurou a minha e as unhas correram no meu couro cabeludo, provocando um arrepio.
Eu gemi e ele continuou.
Ele era bom de montar, era bom de chupar e era a coisa mais linda gozando.
Deslizei a língua no mamilo e chupei.
Ele estremeceu e inclinou a cabeça para trás rindo baixo de um jeito sexy e sedutor.
Ele continuou cavalgando e a visão dele em cima de mim era a primeira maravilha do meu mundo, com ou sem memória.
Ele segurou meu pescoço e me beijou, enfiando a língua na minha boca e provocando a minha.
Segurei a cintura dele e o virei na cama aumentando a velocidade das estocadas.
Eu sentei e segurei suas pernas, colocando elas nos meus ombros.
Ele começou a se masturbar no ritmo do choque dos nossos corpos e a expressão gostosa no rosto estava perfeita.
Senti meu pau pulsar e grunhi baixo.
— Eu sou só seu Oliver, apenas seu. — Falei para ele e senti meu corpo tremer com o orgasmo iminente.
Ele gozou ao mesmo tempo que eu.
Senti meu corpo inteiro relaxar e deitei ao lado dele.
Abri a gaveta e tirei alguns lenços umedecidos da gaveta.
Me apoiei no braço esquerdo e comecei a limpar ele.
— Mikhail. — Ele chamou meu nome.
— Quer tomar um banho? — Perguntei para ele enquanto limpava seu abdômen.
— Não. — Ele murmurou.
— O que você quer fazer agora? — Perguntei para ele.
— Eu amo você. — Ele sussurrou.
Olhei para ele e ele já estava adormecido.
Fui para o banheiro e depois de me lavar, voltei ao quarto.
Deitei e depois de um tempo, abracei o corpo pequeno.
— Você consegue ver como eu tenho estado diferente? Você consegue enxergar como eu tenho mudado e me tornado flexível para estar com você? Se isso não é amor, então me diga o que é? Acredite Oliver, amar você é mais fácil do que respirar. — Sussurrei e aspirei o cheiro dos cabelos loiros.
Na manhã seguinte, quando eu acordei, ele ainda estava dormindo.
Tomei uma ducha fria e coloquei um short moletom preto e uma camiseta verde escura.
Mesmo estando no início do outono, o clima ainda estava quente.
Desci as escadas e Edgar estava aos pés dela.
— Não me dê nenhuma notícia ruim hoje. — Falei para ele.
— Sim senhor. — Ele disse.
— Tem alguma? — Perguntei.
— Você pediu para eu não dar. — Ele falou.
Balancei a cabeça e fui para o escritório.
Comecei a ler os documentos que eu tinha levado para analisar no final de semana e quando me dei conta, já passava das duas da tarde.
Escutei a porta abrir e vi um Oliver de calça flanela quadriculada vermelha, camiseta também vermelha e cabelo úmido entrar.
Ele estava descalço e parecia uma criança de cinco anos de idade.
Parecia recém saído do banho.
— Você acordou. — Comentei enquanto ele vinha na minha direção.
— Estou com fome. — Ele disse e fez um bico.
Eu achei impossível que ele ficasse mais adorável do que já era, mas parecia que ele bêbado e de ressaca era absurdamente fofo.
Como ele podia me conquistar com todas aquelas versões que ele tinha?
— O que você quer comer? Podemos sair para almoçar fora. — Falei para ele.
— Não. — Ele disse e sentou no meu colo.
— Está com dor de cabeça? — Perguntei.
Ele assentiu e coçou os olhos.
— Parece que tem uma banda completamente desafinada na minha cabeça, tocando rock pesado no último volume. — Ele resmungou.
Ri baixo.
Deslizei os dedos nos fios úmidos e analisei o rosto bonito.
— Por que não secou o cabelo? — Perguntei.
— Está calor. — Ele respondeu e se encolheu em meus braços.
— Oliver, sobre ontem...
— Não vamos discutir mais, está bem? Eu não gosto de falar da minha família, porque eu ajudo financeiramente, mas tem muito tempo que eu não vejo nenhum deles, não vale a pena. — Ele falou.
— A questão é que você não está mais trabalhando, eu quero ajudar também. — Falei para ele.
— Eu sei que você quer me ajudar, mas eu sei que você também acha errado que eu sustente eles, então é melhor eu continuar fazendo isso com meu próprio dinheiro, além do mais eu não estou mais trabalhando na editora, mas eu ainda tenho um bom dinheiro guardado, eu trabalho a muito tempo e eu também estou conversando com uma outra editora sobre um livro novo. — Ele falou.
Suspirei vencido.
— Tudo bem, faça como achar melhor. — Falei para ele, sabendo que não cederia tão fácil.
— Ah, minha cabeça vai explodir e eu estou com calor. — Ele reclamou.
Puxei a camisa que ele estava usando e deslizei a mão nos braços dele.
As cicatrizes naquela parte eram de cortes.
— Aqui não são queimaduras. — Constatei.
— Ele também usava anel. — Ele disse.
Fechei os olhos.
— Você não prece ter medo dos meus. — Falei e ergui a mão.
— Porque eles não machucam. — Ele disse.
Deslizei a mão em seus ombros e no tórax.
— A partir de amanhã você vai começar a ir na academia comigo. — Falei para ele.
Ele abriu os olhos.
— Não mesmo, eu estou bem de saúde e com o peso ideal, pode perguntar ao Irlan. — Ele disse.
— Você precisa se exercitar, não quero que tenha um infarto. — Falei para ele.
— Por que eu teria um infarto? — Ele perguntou.
— Porque você é uma formiga para comer doces e na maioria das vezes, os doces que você come, são gordurosos. — Falei para ele.
— O jeito que você fala faz parecer nojento. — Ele disse.
Levantei com ele nos braços e fui na direção da porta.
— Vê, eu quero sentir o peso dos seus futuros músculos. — Falei para ele.
— Você faz parecer que eu sou tão leve. — Ele disse.
— Você disse que estava com dor de cabeça. — Comentei para desviar do assunto, sabendo que ele não cederia fácil.
— Eu estou. — Ele disse enquanto nós íamos na direção da cozinha.
Coloquei ele sentado no balcão e tirei a caixa de remédios do armário.
— Vamos fazer um acordo. — Falei para ele.
— Acordos me interessam sempre. — Ele disse.
— Vamos fazer assim, você vem para a academia comigo e aí eu paro de perguntar sobre a sua família. — Falei para ele.
Ele suspirou resignado.
— Tudo bem, eu vou para a academia com você, mas eu sei que você vai investigar sobre a minha família, ou talvez já tenha investigado. — Ele disse.
— Não, os relatórios que eu recebi sobre você, falavam sobre o seu pai e a sua mãe, nada além deles. — Falei para ele.
— Isso é porque a minha mãe e o meu pai se casaram e vieram morar na cidade, minha mãe morava no interior de Suzano, só depois que o papai morreu é que a vovó veio para a cidade, mas ainda assim, ela viveu longe da mamãe. — Ele disse e tomou o remédio que eu ofereci com a água.
— O que você quer comer? — Perguntei para ele.
— Já que você está prestativo hoje, faça um sanduíche de geleia de morango e pimenta e queijo para mim, por favor. — Ele pediu.
— Geleia de morango e pimenta e queijo? — Perguntei estranhando a mistura.
— Isso. — Ele afirmou.
— Tudo bem. — Falei para ele.
— Tem pão no armário de cima, segunda porta a direita, a geleia e o queijo estão na geladeira, facas na primeira gaveta de cima para baixo, da direita para a esquerda do armário de baixo, pratos na terceira porta do armário de cima. — Ele disse.
Olhei para ele e estreitei os olhos.
— É aqui que você passa o tempo quando não estou em casa? — Perguntei, abrindo os lugares que ele tinha falado.
— Sim, eu ajudo o Murilo a fazer a comida, já que é em grande quantidade. — Ele respondeu.
— Vamos sair para jantar hoje, o que você acha? — Perguntei para ele enquanto passava geleia no pão.
— Por que você quer sair para jantar? — Ele perguntou.
— Porque acho que você passa tempo demais dentro de casa. — Falei para ele.
— Essa semana eu preciso ir à clínica de repouso, ao colégio e ao café. — Falei para ele.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntei com preocupação.
— O rapaz que fazia essas coisas se demitiu, o médico que cuida da minha avó entrou em contato, o diretor do colégio da minha prima entrou em contato, dizendo que precisava conversar comigo e o café, eu só vou para que o administrador faça a prestação de conta mensal, eu posso receber por e-mail, mas é melhor ir dar uma olhada às vezes. — Ele falou.
— Você tem uma boa relação com a sua avó e a sua prima? — Perguntei.
— Você quer mesmo saber sobre isso? — Ele perguntou.
— Eu quero. — Respondi.
— Promete que não vai matar, ameaçar ou coagir ninguém? — Ele perguntou fitando meus olhos.
— Eu prometo. — Falei e coloquei o prato com seis sanduíches ao lado dele.
— Isso é muito, eu não vou comer tudo. — Ele falou.
— Eu vou comer também. — Falei para ele.
— Mas você disse que não gosta de doce. — Ele falou.
— Eu disse? — Perguntei.
— Hum, você não deve lembrar, mas disse sim. — Ele respondeu.
— Eu quero provar como é. — Falei para ele.
— Tudo bem então. — Ele disse e pulou do balcão para o chão.
Ele abriu a geladeira e tirou a garrafa de leite, serviu dois copos e me entregou.
Ele pegou o prato com os sanduíches e levou para a mesa.
Nós nos sentamos e ele pegou um dos sanduíches do prato.
— Pode começar. — Falei para ele pegando um também.
— Meu tio disse que a vovó não queria mais me ver quando descobriu que eu era gay, então todos dizem para ela que quem paga as despesas dela na clínica é o café, mas o meu tio vendeu o café e ficou com todo o dinheiro, eu comprei de volta, mas não consegui colocar no nome dela, então eu coloquei no nome da minha prima. — Ele disse.
— E a sua prima? — Perguntei e dei a primeira mordida no sanduíche.
— Ela ainda é criança, vai fazer dez anos de idade e sempre está no internato, eu sempre recebo a carta do colégio, falando sobre ela, antes da vovó entrar na clínica de repouso, ela ia passar as férias com ela, mas depois eu comecei a pagar para ela ficar nas férias também. — Ele respondeu e comeu um pedaço do sanduíche.
— Como ela se chama? — Perguntei.
— Ela se chama Olívia. — Ele disse e sorriu.
— Você não disse que ninguém gosta de você? — Perguntei.
— Minha tia me adorava, ela costumava me chamar de bonequinho de porcelana, foi uma das únicas que não virou as costas para mim. — Ele respondeu e sorriu.
— Bonequinho de porcelana? Parece realmente combinar. — Falei.
— Minha tia também foi criada pela minha mãe, por que a vovó saía para trabalhar, quando a mamãe saiu da casa da vovó, a titia foi com ela, ela era mais como uma irmã, do que como uma tia, tanto que a Olívia me chamava de tio. — Ele disse e sorriu.
— Então a Olívia gosta de você. — Constatei.
— Eu acho que ela não lembra mais de mim, a última vez que eu vi ela, foi no aniversário de seis anos, isso foi depois que a mãe dela morreu no ano anterior e depois que a minha morreu naquele ano. — Ele falou.
— Você quer que eu vá com você? — Perguntei.
— Você não tem que trabalhar? — Ele perguntou.
— Só a noite. — Falei para ele.
— Então tudo bem, eu quero comprar presentes, ela está fazendo aniversário hoje. — Ele falou e sorriu.
Nós terminamos de comer e eu voltei para o escritório, enquanto Oliver foi para o quarto.
Na manhã seguinte quando eu acordei, ele já não estava mais.
Levantei e fui para o banheiro, tomei uma ducha e coloquei um terno preto sem gravata, meu relógio e os meus anéis.
Desci as escadas depois de calçar sapatos e fui direto para a sala de jantar, onde Oliver já estava tomando uma caneca de chocolate.
— Bom dia. — Falei.
Edgar entrou e se colocou um pouco atrás da cabeceira onde eu sentei.
— Bom dia. — Oliver respondeu.
— Você disse que tinha uma notícia ruim ontem, o que era? — Perguntei ao Edgar.
— Um dos carros do Marsalis foi apanhar o Ítalo naquela madrugada. — Ele respondeu.
— Ele começou a se mexer de novo? — Perguntei para ele.
— Não senhor. — Ele falou.
— Então deixe eles, quando houver algum movimento suspeito você me avisa, mande preparar o carro. — Falei para ele.
— Sim senhor. — Ele falou e saiu.
— Acabei de saber que a Olívia está na casa do meu tio, você está preparado? — Ele perguntou.
— Eu nasci preparado coisa linda. — Falei para ele e pisquei com charme.
Ele sorriu, mas não era o meu sorriso infantil, era um sorriso que até então eu não tinha visto.
Ele estava igual, mas estava diferente.
Tinha um ar juvenil, mas reservado.
Como alguém maduro e distinto.
Senti uma pontada forte na cabeça e fechei os olhos com força, segurando a mesa.
A lembrança clara e limpa surgiu em minha memória.
"Boa noite."
A imagem dele magro e pálido apareceu claramente, estávamos no pub em Savana.
Ele estava bem vestido, mas parecia cansado.
Mesmo assim ele parecia bonito e sedutor.
parecia atraente e misterioso.
"Você quer transar?"
A dor de cabeça passou e eu abri os olhos.
Ele já estava de pé ao meu lado.
Olhei para ele e franzi a testa.
— Você está melhor? — Ele perguntou preocupado.
— Estou, foi só uma pontada de dor na cabeça. — Falei para ele.
Ele deslizou a mão no meu rosto.
— Você está frio. — Ele falou com preocupação.
Segurei a mão dele e beijei com carinho.
— Já passou. — Falei para ele.
Ele ficou olhando um pouco, mas depois assentiu.
Foi só então que eu prestei atenção no que ele estava vestindo.
Ele estava vestindo uma calça preta de alfaiataria, uma camisa preta de botões, para dentro da calça, com um cinto de couro legítimo, que eu lembrava bem ser o terceiro da segunda fila de cintos da segunda gaveta do guarda-roupa, um blazer também preto e um sapato social de couro legítimo.
Era a primeira vez que eu via ele usar preto.
Ele ficava muito bem de preto, as roupas que ele usava eram de um preto saturado, então ressaltavam ainda mais o tom claro e rosado de sua pele.
Mas o preto deixava ele maduro, um pouco frio e mais sério.
— Por que você está me olhando assim? — Escutei a pergunta.
Pisquei os olhos e fitei os dele.
— Só estou surpreso, é a primeira vez que vejo você usar preto. — Falei para ele.
Um sorriso brincou em seu rosto.
— Eu também não gosto de usar preto, mas as vezes é necessário. — Ele disse.
— Você parece...
— Mais homem? — Ele perguntou.
— É... Quando você usa suas roupas comuns, você fica como um menino doce e inocente, mas agora, você parece maduro e frio. — Falei para ele.
Ele riu.
— A propósito, eu peguei um cinturão seu, eu não tenho nenhum preto. — Ele disse em tom de desculpas.
— Você pode usar o que quiser, incluindo eu. — Falei e puxei ele para o meu colo.
O sorriso infantil adorável surgiu em seu rosto e eu senti meu coração acelerar quando ele descansou a testa na minha.
— Eu vou usar você quando chegarmos em casa mais tarde. — Ele disse e roçou o nariz no meu com carinho.
— Nem tudo está perdido, graças a Deus. — Sussurrei e beijei castamente os lábios com gosto de chocolate.
Ele sorriu novamente e voltou para o lugar dele.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 45
Comments