CAPÍTULO 8

...🌈|QUEM É VOCÊ?|🍃...

Por que eu estava sentindo tanta dor?

Eu tinha desafiado alguém de novo?

A consciência tinha voltado, mas eu não conseguia mexer o meu corpo e nem abrir os olhos.

"O senhor precisa ir descansar."

Por um momento achei que o Edgar estava falando comigo, ele até então nunca tinha demonstrado preocupação nem mesmo pelos subordinados que treinou.

"Você também está aqui há dias."

A voz era desconhecida, mas era bonita e agradável.

"É o meu trabalho."

Ele disse.

"Então eu tenho mais obrigação com ele do que você."

A voz respondeu.

"O senhor Corvaque não gostaria de saber que você está aqui há tantos dias."

Ele falou.

"O senhor Corvaque não tem o que querer agora."

A voz saiu abafada.

Quem era o dono daquela voz e porque sabia da minha verdadeira identidade?

Por que o Edgar estava tão preocupado com ele?

Senti alguém tocar o meu rosto e um conforto inexplicável.

Quando senti algo macio contra os meus lábios, foi como se meu coração reconhecesse, porque ele acelerou.

Era tão desconfortável estar consciente de si mesmo e não poder falar e se mexer.

A voz não parecia de alguém ruim que estava tentando me machucar.

Senti a inconsciência me arrastar novamente e me deixei levar.

Fiquei inerte por não sei quanto tempo.

Quando recobrei a consciência, o silêncio reinava onde quer que eu estivesse.

"Você é mesmo corajoso, não é?"

Escutei a voz de Edgar.

"Só passei para dar um oi ao senhor Negrini, nada demais."

A voz era rouca e grave por causa do cigarro.

"Se não quer que eu desconte as três balas aqui, saia!"

Edgar exclamou.

Escutei a porta abrir e passos decididos.

Escutei dois estalos altos seguidos.

Parecia pele contra pele.

"Você acha que pode fazer o que quiser, quando quiser, o Corvaque está caçando você Alexandre, e quando ele achar, você vai se arrepender de ter nascido."

Era a voz angelical desconhecida.

Parecia firme e decidida.

"Essa cicatriz no meu rosto, não vai ficar por isso mesmo, e eu não tenho medo do Corvaque, ele não conseguiu me deter quando eu atirei em você, ele não é páreo para mim."

O tal Alexandre falou.

"Hum, enquanto você está aqui, quem está na sua casa?"

A voz doce perguntou com um toque de humor.

Escutei o ruído de portas e mãos trêmulas tocaram as minhas.

"O senhor podia ser menos imprudente? E se ele estivesse armado?"

A voz do Edgar saiu abafada.

"Ele não pode fazer nada aqui."

A voz disse.

"Teimoso."

Edgar falou em tom de palavrão.

Achei estranho, porque o Edgar não era o tipo que era desobedecido e ficava quieto, ele era do tipo de ensinava as consequências dos atos.

Quem era aquela outra voz? Por que estava tentando matar a voz?

Minha cabeça doeu com o esforço que eu estava fazendo e antes que eu pudesse me concentrar, a inconsciência me arrastou de novo.

Passei mais um tempo apagado, mas agora parecia ter sido mais longo, durante esse período, eu tinha escutado vez ou outra voz angelical conversando comigo.

"Você deveria voltar para casa por um tempo, o Edgar e o Adam saíram de férias com relutância, em deixar você."

Era a voz do Tio.

"Mariane, você deixaria ele se fosse eu?"

A voz perguntou.

"Não ligue para esse velho rabugento, ele quer que você se mantenha seguro, mas não pensa que estar seguro para você é estar ao lado dele."

Mariane respondeu.

"Tudo bem, do que adianta eu tentar conversar com você, você é tão teimoso quanto ele."

Tio falou e suspirou derrotado.

"Como estão as coisas?"

A voz perguntou.

"Eu trouxe relatórios para você."

Tio respondeu.

Por que a voz estava recebendo relatórios do Tio?

"Eu trouxe comida, as que você mais gosta, muito melhor que relatórios, venha comigo."

Mariane falou e escutei o ruído da porta.

"Até dormindo você tortura esse garoto? Ele gosta mesmo de você, porque ser ameaçado de morte três vezes e ter uma arma apontada para a cabeça não é nada agradável para alguém que não é do meio, como ele."

Tio comentou e o senti ajustando meu braço.

"Você deve descansar bem e se recuperar logo, estamos cuidando de tudo para você, o Romeo até mudou o escritório principal para cá para ficar mais próximo de você, ele mudou para o centro sul da cidade, é mais tranquilo, o seu garoto está dando conta de tudo, você realmente soube escolher dessa vez, ele é muito inteligente e aprende rápido as coisas, ele está ajudando o Romeo com os negócios do escritório um, mas ele não deixou ele fazer novas aquisições, porque você está aqui, ele acha que devemos esperar você acordar."

Tio falou e eu senti a lateral da cama afundar um pouco.

Por que aquele desconhecido estava cuidando dos meus negócios?

Quem ele era para mim e porquê eu não conseguia me lembrar de alguém que segundo os meus conhecidos era tão importante.

"Nossos brinquedos novos estão vendendo bem e nossos cassinos estão com um bom rendimento também, o Marsalis está se mordendo de ódio ainda, sobre a concessão do cassino, eu não deixei o seu garoto se envolver nessa parte, mas ele lê os relatórios financeiros e sempre vai ao escritório dois verificar o trabalho, os novos seguranças que você recrutou já estão na base, mas o que são aqueles oito carinhas que estão em preto e branco? Eu não entendi bem e o Edgar não quis me contar também, de qualquer forma, eu tive que aumentar a contingência da sua casa, porque tentaram entrar três vezes, mas o Tutti, a Molly, o Boby e a Irany não deixaram ninguém passar."

Ele disse e fez uma pausa, escutei seu suspiro e por um momento achei estranho que todos estivessem tão tristes.

"Você deve acordar logo, já são quatro meses que você está aqui, não tem graça gerir os negócios sem você dando ordens."

Ele sussurrou.

Quatro meses?

Mas o que tinha acontecido exatamente?

"Voltamos, como ele está?"

Escutei a voz.

"Na mesma ainda."

Tio respondeu.

"Ele vai acordar, não se preocupe, se não for no amor, vai ser na dor."

A voz falou.

Mariane e Tio gargalharam.

"Eu não sei se fico preocupado ou aliviado com esse consolo."

Tio disse.

"Obrigado por virem e obrigado pela torta que você trouxe Mariane."

A voz disse.

"Se alimente bem, ou ele vai matar todo mundo quando acordar."

Tio falou e eu escutei o ruído da porta.

O silêncio reinou no quarto por um momento.

"Vê, todos estão com medo de você, o Romeo falou que se você bater nele a culpa vai ser minha."

Ele disse e gargalhou baixo.

A gargalhada era sincera e gostosa.

Senti o que suave em meu rosto e depois algo macio e molhado em meus lábios.

Estava doce.

Eu não gostava de doce, mas poderia facilmente me acostumar com aquele gosto.

Eu senti a inconsciência me arrastar brandamente dessa vez, eu só estava com sono, depois de tanto tempo acordado.

Depois de um tempo dormindo, senti um formigamento no corpo inteiro e fechei a mão.

Doeu e foi desconfortável.

Fiz novamente, mas não foi tão ruim dessa vez.

Tentei abrir os olhos, mas não tive sucesso.

Escutei a porta abrir e parei por um momento.

— Como ele está? — Era a voz do Romeo.

— Está tendo espasmos, o médico disse que isso é bom, que ele está perto de acordar. — Uma voz desconhecida falou.

Senti alguém sentar na lateral da cama onde eu estava e eu me esforcei para abrir os olhos.

Um rosto pálido quase transparente de maçãs coradas e lábios carnudos bem desenhados cor de cereja surgiu no meu campo de visão.

Os cabelos loiros beirando o vermelho eram lisos e pareciam fininhos, como os de uma criancinha pequena.

O nariz era bonito e adorável enquanto os olhos eram redondos e grandes de cílios longos e curvos.

As íris tinham um tom agradável de azul profundo, como no mar aberto.

Era assustadoramente bonito.

Mas quem era aquela pessoa tão bonita e porque estava comigo?

Franzi a testa e senti um calafrio na espinha.

E se fosse um dos homens do Marsalis?

Eu não podia confiar em um rostinho bonito que aparentava inocência.

Um sorriso cativante surgiu nos lábios bonitos e a fila de dentes brancos e perfeitos completaram a obra prima do Senhor.

O filho da puta era bonito e eu não podia dizer que não.

— Kil. — Ele sussurrou enquanto as lágrimas inundavam seus olhos bonitos.

Kil?

Franzi mais a testa e voltei a mim.

Eu não podia me deixar levar.

Ergui a mão e apertei o pescoço fino.

— Quem é você? O que faz no meu quarto? — Rosnei as duas perguntas.

Os olhos azuis ainda estavam tranquilos quando eu coloquei mais força na pressão dos dedos.

Era como se ele já tivesse passado por aquilo antes e isso não o assustasse mais.

As lágrimas deslizaram no rosto dele, que estava ficando mais pálido.

— Mikhail pelo amor de Deus! Solta ele agora! — Escutei a exclamação desesperada do Romeo.

Olhei na direção dele e franzi a testa.

— Quem é ele? — Perguntei.

— Seu marido! — Ele exclamou.

O impacto das palavras dele me fez soltar.

O garoto que parecia ter pouco mais de dezoito anos puxou o ar e começou a tossir.

Romeo o ajudou a levantar e o levou para o sofá.

— Que história é essa de marido? — Perguntei.

Romeo olhou para mim.

— Você fez o Oliver assinar os documentos no final do ano passado sem saber que era do casamento e agora está perguntando? — Ele perguntou como se fosse minha obrigação lembrar.

— Do que você está falando? No final do ano passado, estávamos em Savana, passamos dezembro inteiro lá. — Falei para ele sem conseguir entender.

O garoto franziu a testa e se levantou.

— Mikhail… Quantos anos você tem? — Ele perguntou.

Olhei para ele desconfiado.

— Responde a porra da pergunta Mikhail! — Romeo exclamou exasperado.

— Vinte e seis. — Respondi franzindo a testa.

Romeo riu.

— Você está de sacanagem comigo? Porque se isso for uma brincadeira Mikhail, eu vou matar você. — Romeo falou em seu tom sério.

Era raro ver o Romeo falando sério.

— Não acho que ele está brincando Romeo. — O rapaz falou enquanto olhava para mim.

— Mikhail, você conhece alguém chamado Otávio? — Ele perguntou.

— Otávio? — Perguntei sem reconhecer o nome.

— A minha mãe sempre diz que quando a desgraça vem, ela nunca vem sozinha. — Romeo comentou e deslizou os dedos nos cabelos.

— Eu vou chamar o Doutor Raimundo. — O rapaz falou e saiu.

— Como foi que eu me casei? — Perguntei para Romeo.

— Jogando sujo e fazendo o Oliver assinar o documento sem saber. — Ele respondeu.

— Quem assina um documento sem ler? — Perguntei para ele.

— Alguém que confia? — Ele perguntou como se fosse óbvio.

— Quem confiaria em mim em sã consciência? — Perguntei para ele.

Ele me olhou e suspirou.

— Eu confio, seu babaca pau no cu. — Ele respondeu.

— Você e o Tio são diferentes. — Falei para ele com a testa franzida.

Ergui a mão e vi um anel no meu dedo.

Franzi a testa.

— O que é isso? — Perguntei.

— Sua aliança de casamento. — Ele respondeu.

Franzi a testa e depois fechei os olhos frustrado.

— Espera, o que o doutor Raimundo faz em Savana? Ele nunca saiu de Suzano. — Comentei sem entender.

— Não estamos em Savana, Mikhail, estamos em Suzano. — Ele disse.

O doutor Raimundo e um outro entraram no quarto do hospital e o doutor Raimundo sorriu para mim.

— Você acordou, como se sente? — Ele perguntou.

— Me sinto bem. — Falei para ele.

— Está sentindo alguma dor? — Ele perguntou.

— Formigamento no corpo inteiro apenas. — Falei para ele.

— É natural que sinta, você ficou cinco meses somente com a fisioterapia. — Ele falou.

— Ele não se lembra do Oliver doutor. — Romeo falou.

— Nós esperávamos por isso na verdade, o tiro que ele tomou, atingiu parcialmente uma parte delicada que é responsável pelas memórias, estávamos cientes de que ele poderia esquecer um período da vida ou as memórias ficariam embaralhadas, mas não se preocupem, estar entre aqueles que conviveram com ele nos últimos anos que ele esqueceu, vai ajudar a recuperar essas memórias, vocês precisam ter paciência e você também precisa ter paciência Mikhail, não se force a lembrar de tudo de uma vez, lembrar será gradativo, eu vou receitar alguns medicamentos e depois de mais três dias de observação, você poderá voltar para casa. — O outro médico falou.

— Os ferimentos nas costas? — O rapaz perguntou com preocupação.

— O Mikhail sempre foi saudável e forte como um cavalo, a cicatrização foi rápida, ele pode sentir algum incômodo, mas nada muito grave. — O médico disse.

— Está bem, obrigado doutor. — Ele falou e os dois saíram.

— Eu quero falar com o Edgar. — Falei para o Romeo.

— Ele está de férias, só volta no início de julho. — O rapaz falou.

— Eu estou assim e ele ainda saiu de férias? — Perguntei com raiva.

— Eu o obriguei a ir, ele precisava descansar também. — O rapaz falou.

— Será que você pode falar direito comigo? — Perguntei para ele.

— Desculpe pelo tom, senhor Corvaque, mas o Edgar também é um ser humano, que precisa descansar um pouco. — Ele falou brandamente e se aproximou.

— Não seja descuidado, ele não era uma pessoa fácil de lidar quando estava com vinte e seis. — Romeo falou.

O rapaz riu.

— Me diga quando ele foi uma pessoa fácil de lidar? — Ele perguntou e sentou ao lado da cama.

— Eu vou ligar para o Onan, você se garante, ficar sozinho com ele? — Romeo perguntou preocupado.

— Eu não vou matar o seu queridinho não, porra, liga pro Tio e diz pra ele vir agora mesmo. — Falei para ele.

Romeo estreitou os olhos e saiu pela porta.

Olhei para o rapaz que usava uma camisa branca leve e folgada e uma calça jeans azul escura.

— Está com fome? — Ele perguntou docemente.

Franzi a testa.

— Eu acabei de tentar matar você. — Falei para ele sem conseguir entender por que ele era carinhoso com alguém que tinha tentado matar ele.

— Você não foi o primeiro e nem será o último. — Ele disse.

— Você não sente medo de mim? — Perguntei.

— Você nunca deu motivos para eu ter medo de você. — Ele falou e puxou a mesa para a cama.

Depois de abrir as vasilhas de comida, ele desembrulhou a colher.

— Por que eu estou no hospital? — Perguntei para ele.

Ele parou por um momento e os olhos fitaram os meus.

— Na noite da virada do ano, você saiu para um evento do trabalho, até então eu não sabia que era uma festa dos Marsalis e que nessa festa, ele me usaria para intimidar você, eu estava no cais do porto com uns amigos, para a queima de fogos, você chegou durante a contagem regressiva, eu não tinha percebido que tinha um atirador no meio das pessoas, você correu na minha direção e me abraçou, os tiros acertaram você. — Ele falou com a voz sombria.

— Então a culpa por eu estar aqui é sua. — Falei amargo.

Ele sorriu com amargura.

— É sim. — Ele disse e me ofereceu comida.

Eu olhei para a comida e depois para ele.

— Você não colocou veneno aqui, colocou? — Perguntei para ele.

— Se eu quisesse matar você eu teria feito enquanto estava inconsciente. — Ele disse.

Franzi a testa e senti raiva.

Quem aquele moleque pensava que era para falar comigo como se eu fosse qualquer um.

Tirei a colher da mão dele e comecei a comer eu mesmo.

Depois de um longo tempo, um homem alto entrou no quarto com um pequeno bolo e sorriu para o rapaz sentado na cama ao meu lado.

— Soube que tem um rapaz com vendas esgotadas em menos de um mês aqui. — Ele disse e o outro sorriu.

Romeo entrou no quarto e olhou para o homem.

— Igor, pensei que ainda estava em Savana. — Ele falou.

— Tudo já foi resolvido na filial então eu voltei, não podia ficar de fora do sucesso que está sendo o novo livro do bebezinho da editora. — O homem falou e sorriu para o rapaz.

O rapaz sentado à minha frente sorriu para ele.

Os olhos do homem estavam brilhando e eu senti um certo incômodo por isso.

Se eu tinha feito ele se casar comigo sem ele saber, era porque eu gostava de alguma coisa nele, se ele era meu, quem aquele cara achava que era para olhar para ele daquele jeito?

— Você entra no meu quarto e não me cumprimenta, eu já matei por menos. — Falei para ele com frivolidade.

O garoto olhou para mim.

— Esse é um amigo de infância e filho do dono da editora que publica os meus livros, Igor Viena. — Ele apresentou.

— Não me interessa quem ele é. — Falei para ele.

Romeo limpou a garganta e se aproximou.

— Desculpe por isso Igor, ele não se lembra que conhece você. — Romeo falou.

O tal Igor riu.

— Ele me olhou a primeira vez como se fosse me matar, pelo menos ele falou abertamente agora. — Ele falou.

Romeo riu nervoso.

— Aproveitando que você está aqui e eu estou aqui, por que você não leva esse poço de teimosia para comer alguma coisa? Ele emagreceu uns três quilos, quando esse daqui lembrar dele de novo, o morto vai ser eu. — Ele falou para Igor.

— Não seja exagerado. — O rapaz falou.

— Vai comer o que é, o Otávio também já me ameaçou de morte. — Romeo falou.

— Tudo bem, eu vou, mas me chame qualquer coisa. — Ele disse.

— Não se preocupe, Corvaque. — Romeo falou.

O rapaz se levantou e foi para a porta, eu podia ver a pele extremamente clara por debaixo da camisa branca quase transparente.

Os dois saíram juntos e eu olhei para Romeo.

— Por que ele? — Perguntei.

Ele suspirou.

— Primeiro você disse que ele era um demônio pra foder, depois você disse que gostava do jeito misterioso dele e depois você já estava cadelando. — Ele falou e riu.

— Eu não estou brincando. — Falei para ele com raiva.

— Eu também não estou, você perseguiu ele por meses, trouxe ele para Suzano e se casou com ele. — Ele disse.

— Quem é aquele? — Perguntei para ele.

— O namoradinho de infância. — Ele respondeu.

— E você deixou ele sair com ele? — Perguntei com mais raiva ainda.

— Não se preocupe, ele já se arrumou com um nerd da editora, estão até vivendo juntos. — Ele falou.

Senti meu sangue ferver e olhei para ele.

— Vá dizer ao doutor Raimundo que eu quero ir para casa hoje. — Falei para ele.

— Você ainda não está totalmente recuperado. — Ele falou.

— Eu já estou bem, vá fazer o que eu estou mandando. — Falei para ele.

Ele suspirou vencido e saiu do quarto, não demorou muito tempo, o rapaz e o outro voltaram.

— Obrigado pela torta, estava deliciosa. — Ele falou e o homem olhou para mim.

— Melhoras para você. — Ele disse e se foi.

— Quantos anos eu tenho agora? — Perguntei para ele.

— Nós estamos em junho, você fez trinta no mês retrasado. — Ele respondeu.

— Eu sou dez anos mais velho que você. — Constatei.

Ele afastou os fios de cabelo dos olhos e afastou a mesa.

— Está quente hoje, você quer tomar banho? — Ele perguntou.

— Eu quero ir embora para casa. — Falei mal humorado.

— Eu vou pedir ao doutor Raimundo para liberar você hoje, ele fez novos exames ontem e tudo está certo. — Ele disse enquanto tirava a coberta.

— Já falei para o Romeo resolver isso, eu não preciso de você. — Falei para ele e afastei suas mãos.

Ele se afastou e me olhou como se eu fosse a pessoa mais importante na vida dele.

— Tudo bem. — Ele balbuciou.

O doutor entrou no quarto com o Romeo e olhou para mim.

— Você quer ir para casa, vai assumir os riscos se algo acontecer? — Ele perguntou aborrecido.

O doutor Raimundo era meu médico desde a infância, então ele tinha um certo direito de ser severo comigo.

— Eu vou cuidar dele, não se preocupe. — O rapaz falou.

— Você tem que se cuidar também, não pense que os três quilos e meio que você perdeu, passaram despercebidos aos meus olhos. — Ele falou severamente.

O rapaz sorriu para ele.

— O Mikhail acordou, eu estava preocupado e por isso perdi peso, agora ele está melhor, então vou recuperar o que eu perdi. — Ele falou com um ar infantil.

Porque meu coração estava acelerado com a declaração fofa que ele fez?

Declaração fofa? De onde saiu isso também?

— Tudo bem, mas tome suas vitaminas também, para recuperar o sangue, eu vou assinar a alta para você. — Ele falou me olhando com repreensão.

Depois que o doutor saiu, Romeo me ajudou a ir para o banheiro e depois de colocar uma calça jeans e uma camisa preta de botões, eu saí do banheiro.

Enrolei as mangas da camisa até os cotovelos e arrumei o cabelo.

— Eu já liguei para o Jean para trazer o carro, sua carteira e seu celular. — O rapaz falou.

— Onde está o Romeo? — Perguntei.

— Ele já foi, já está quase na hora da saída do Daniel do colégio. — Ele respondeu.

— Quem é Daniel? — Perguntei para ele.

— Daniel é o sobrinho do Otávio e do Romeo. — Ele respondeu.

Escutei a batida na porta e ele abriu.

— O carro está pronto senhor, podemos levar as malas? — Jean perguntou.

— Podem sim. — O rapaz falou.

Jean e André olharam para mim e acenaram com a cabeça.

— Bem vindo de volta, senhor. — Eles disseram juntos.

— Obrigado. — Falei para eles.

Os dois entraram e pegaram as malas.

Quando foi que aqueles dois ficaram tão prestativos?

— Vamos? — O rapaz perguntou.

Olhei para ele e passei pela porta o ignorando.

Descemos no elevador e quando chegamos ao térreo, ele me levou na direção do carro.

Entramos no banco de trás e Jean começou a dirigir.

— Ligue para o Onan para ele ir direto para casa. — O rapaz falou para André.

— Sim senhor. — Ele disse.

Tirei o celular do bolso e liguei, na tela, estava uma foto minha e dele.

Deslizei o dedo e desbloqueei com a digital vendo outra foto nossa.

— André, me dá um cigarro. — Ordenei.

— Desculpe senhor, mas nós não fumamos mais depois daquela carta circular. — Ele disse.

— Carta circular? — Perguntei para ele.

— O senhor mandou uma carta circular no final do ano passado, dizendo que proibia severamente o uso de cigarros entre os homens. — Ele respondeu.

— Você também não fuma mais. — O rapaz falou.

Quando chegamos em casa, Tio já estava no pátio.

Desci do carro e fui até ele.

Um sorriso surgiu no rosto dele.

— Você está de volta, como se sente? — Ele perguntou apertando a minha mão.

— Sem lembrar de muita coisa, preciso de uma atualização de tudo o que aconteceu nos últimos anos. — Falei para ele.

Ao lado dele estava Liam e o seu guarda-costas.

— Como vai senhor? — Ele perguntou.

— Vou bem, e você Liam? — Perguntei.

Ele olhou para o rapaz que parou ao meu lado e sorriu para mim com respeito.

— Eu vou bem. — Ele disse.

— Boa tarde Onan. — O rapaz ao meu lado cumprimentou.

— Ei garoto, a Mariane trouxe sua comida favorita. — Ele disse com entusiasmo.

Pelo visto não era só eu que estava cadelando pelo garoto.

— Obrigado. — Ele disse.

— Tio, me dá um cigarro. — Falei para ele.

Ele riu.

— Você não fuma mais e eu também não, na verdade ninguém mais nesse pátio. — Ele disse.

Respirei fundo e passei os dados nos cabelos.

— Isso é culpa sua também? — Perguntei e virei para olhar para o rapaz.

— Sim, a culpa é minha, eu obriguei você a parar de fumar e coloquei uma faca no seu pescoço para espalhar a circular entre seus homens! — Ele exclamou com exasperação.

Franzi a testa e virei para olhar para ele.

Segurei seu pescoço novamente e ele continuou fitando meus olhos em um desafio.

— Quem você pensa que é para falar comigo nesse tom? — Perguntei para ele.

Liam segurou meu pulso e apertou com força.

— Solta! — Ele exclamou e apertou mais.

Olhei para Liam surpreendido e soltei.

— O que você acha que está fazendo? — Perguntei para ele.

— Acredite em mim senhor, o seu eu de agora mataria o seu eu de antes se visse o senhor fazer isso. — Ele falou.

Ergui a mão e dei um tapa forte, mas antes que eu pudesse ver, ele se enfiou na frente e o tapa pegou nele.

Ele caiu no chão.

"Por que você Oliver, você é quem eu quero, e ninguém, ninguém vai tocar em você para machucar, nem mesmo eu."

A lembrança da minha própria voz cruzou a minha memória e eu dei um passo para trás, sentindo minha cabeça doer um pouco.

— Que merda você fez?! — Gritei a pergunta enquanto Liam ajudava ele a levantar.

Ele ergueu o queixo enquanto do canto de seus lábios escorria o sangue e em seu rosto surgia a marca da minha mão em um tom vibrante de vermelho.

— Eu não vou envolver ninguém nas nossas brigas, você quer descontar a sua raiva em alguém, faça isso em mim. — Ele sussurrou e entrou em casa.

Olhei para todos os seguranças ao redor e eles estavam estáticos.

— Você deve pensar bem antes de machucar esse garoto Mikhail, ele não é alguém com quem você pode deliberadamente brincar. — Liam falou.

— Do que ele está falando? — Perguntei para o Tio.

— O Oliver foi quem doou sangue para salvar a sua vida, ele não saiu do hospital durante esses cinco meses, ele cuidou dos seus negócios e segurou as pontas enquanto você estava inconsciente, sofreu três atentados de morte com a porra da arma apontada na cabeça dele, não só uma Mikhail, três vezes, você sabe como ele sofreu durante esses cinco meses? — Tio perguntou.

— Ele se envolveu comigo porque quis, agora ele que arque com as consequências. — Falei para ele.

Tio me segurou pelo colarinho da camisa.

— Você perseguiu esse garoto! Você! Se alguém tem que arcar com as consequências, esse alguém é você e não ele, você o arrastou para isso! — Ele rosnou as palavras e me empurrou.

— Se não fosse por ele, eu não teria ido parar no hospital! — Exclamei.

— Se não fosse por você, ele não estaria lá, naquele maldito cais! — Tio gritou as palavras e saiu com os seguranças dele.

Os seguranças que estavam no pátio se dispersaram rapidamente e Liam entrou em casa.

Fui atrás dele e o vi entrar na cozinha.

— Você está bem? — Ele perguntou e fez o Oliver virar.

— Não se preocupe comigo, eu já lidei com coisas muito piores, ele não vai me machucar mais do que isso, antes de procurar saber quem eu sou. — Oliver falou para ele.

Liam deu a volta no balcão da cozinha e abriu a geladeira tirando uma bolsa de gel.

Voltou para perto de Oliver e olhou nos olhos dele.

— Não se iluda com isso, se o que você disse estiver certo, ele voltou a ser o sanguinário que não pensa antes de fazer. — Liam falou e colocou a bolsa de gel no rosto dele.

— Não foi ele que me perseguiu durante meses? Acho que é a minha vez. — Ele falou e sorriu.

— Eu admiro a sua coragem, quando eu… Você sabe, ele já era mais fácil de lidar. — Liam falou.

Franzi a testa e sai na direção do escritório.

A noite quando eu entrei no quarto, ele estava sentado no chão da pequena sala do quarto, de costas para a televisão, olhando o laptop sobre a mesinha baixa a frente do sofá, enquanto digitava.

O cabelo loiro avermelhado passava dos olhos redondos.

Ele deslizou os dedos e colocou atrás da orelha.

— Onde está minha pistola? — Perguntei para ele.

— Onde você sempre deixou. — Ele falou.

Fui para o interior do quarto e levantei o travesseiro, a pistola ainda estava lá.

Voltei à sala e coloquei as mãos nos quadris.

— Onde está o meu anel? — Perguntei.

— Na gaveta de abotoaduras, ao lado da gaveta de relógio. — Ele respondeu.

— Meu laptop? — Perguntei para ele.

— Escritório. — Ele respondeu sem desviar os olhos do que estava fazendo.

— Estou com fome. — Falei para ele.

— A comida está no forno. — Ele disse.

— Eu quero tomar banho. — Falei para ele.

— Hum, eu preparei um banho para você. — Ele disse.

Fechei as mãos em punho sentindo a raiva me consumir completamente.

Fui para o banheiro e a banheira estava realmente preparada.

Tomei um longo banho e coloquei um short jeans e uma camiseta de algodão.

Sai do quarto e desci as escadas.

Entrei no corredor e fui direto na cozinha, abri o forno e o prato já estava pronto com a comida.

Coloquei no micro-ondas e depois que estava quente, eu comi, deixei o prato na pia e fui para o escritório.

Sentei na minha cadeira de couro marrom e o laptop estava ao lado do computador.

Liguei o computador e na tela inicial estava uma foto dele sorrindo com os olhos brilhando.

Ele parecia uma criança.

— Por que eu me casei com esse garoto? — Me perguntei.

Abri meu laptop e olhei a página inicial, abri vários arquivos que estavam na área de trabalho e depois o último.

Era um arquivo de vídeo.

Franzi a testa, eu nunca usava arquivos de vídeo.

Abri e depois de carregar apareceu o rosto bonito do garoto.

"Estamos com os nossos livros físicos esgotados, parece que vocês…"

Houve um ruído de porta abrindo e ele olhou para cima.

"Você vem tomar banho comigo? Eu estou me sentindo pegajoso, o alfaiate vai trazer nossas roupas daqui a pouco."

Era minha voz, eu tinha certeza.

Ele piscou os olhos para onde estava olhando e seu rosto começou a ficar vermelho.

"Eu estou ao vivo."

Ele falou e sua voz saiu abafada.

Ele olhou a tela por um segundo, antes de arregalar os olhos e seu rosto ficar rubro.

Ele piscou os olhos e engoliu em seco ainda olhando para além do laptop.

Ele parecia estático.

"Não sabia que você fazia interação ao vivo com seus leitores."

Escutei minha voz novamente.

Ele deslizou a língua nos lábios enquanto olhava para a frente.

"O que você está fazendo?"

Ele perguntou.

"Tirando a roupa para tomar banho."

Escutei minha voz risonha dessa vez, eu estava gostando de fazer aquilo.

"Por que você não faz isso no banheiro?"

Ele perguntou.

"Porque eu acho lindo quando você fica vermelho desse jeito."

Eu me conhecia bem para saber que eu estava mesmo gostando de provocar ele.

Ele arregalou os olhos novamente e piscou sem ação.

"Você está me deixando constrangido."

Ele balbuciou.

Escutei o ruído abafado de passos e os cílios longos tremularam sobre os olhos.

"Suas orelhas estão ficando vermelhas."

O comentário foi feito com a minha voz risonha.

Ele piscou os olhos e seu rosto ficou ainda mais vermelho, sua boca se abriu levemente.

"Você pode ir tomar o seu banho?"

Ele pediu timidamente.

"Será que você não me ama mais?"

Escutei minha própria voz pegajosa.

"Não seja dramático."

Ele falou.

"Diga que me ama e eu vou embora."

Minha voz estava brincalhona.

Ele ficou olhando por um momento para cima, além da tela do laptop.

"Você sabe que eu amo você."

Ele falou timidamente.

"Agora um beijo."

Eu estava realmente fazendo manha com ele?

Ele piscou os olhos.

"Você vai embora se eu der?"

Ele perguntou ainda olhando.

"Eu prometo."

Me escutei falar.

Ele se inclinou para a frente e eu escutei o ruído de um beijo.

"Eu amo você também."

Minha voz estava infantil ao dizer aquilo.

Escutei os passos se distanciando e depois de um tempo ele olhou para a câmera novamente.

"Hum… Obrigado por estarem lendo a duologia branda e aguardem que logo mais teremos um livro novo."

A transmissão foi encerrada.

Eu parecia muito diferente, o que tinha acontecido comigo, afinal?

Fechei o laptop e olhei o meu e-mail, haviam muitos relatórios.

Comecei a ler e quando percebi já passava das duas da manhã.

Sai do escritório e subi as escadas.

Entrei no quarto e fui na direção do closet, tomei uma ducha rápida e coloquei uma cueca preta.

Estava muito calor para dormir vestido.

Entrei no quarto e deitei na cama.

Ele estava deitado do outro lado.

Olhei para ele e na luz da lua que penetrava pela janela e vi a pele pálida de suas costas.

Ele parecia magro, mas não parecia doente.

Ele se virou para o outro lado e a coberta deslizou de suas costas e nádegas.

A bunda redonda tinha o mesmo tom do resto do corpo, como se ele não pegasse sol em nenhuma parte.

A pele dele era branquinha e sedutora.

Senti meu coração palpitar e ergui a mão para tocar suas costas.

Eu estava curioso agora, me apoiei sobre o cotovelo e deslizei os dedos em sua pele, sentindo em minhas mãos maciez e uns relevos.

Ele estremeceu e murmurou alguma coisa, como se fosse algo natural e cotidiano, ele veio para os meus braços e beijou meus lábios castamente se aninhando em meu peito.

Minha respiração estava desregulada e eu franzi a testa e provei seus lábios em um beijo casto.

Quando senti o gosto do seu beijo, meu corpo reagiu instantaneamente.

Enfiei os dedos em seus cabelos e enfiei a minha língua em sua boca, quando seus lábios me deram passagem.

Ele suspirou e chupou a minha língua.

Se o meu corpo já estava pronto, naquele momento ele ficou rendido.

Eu queria devorar ele inteiro.

Virei ele na cama sem deixar de beijar ele e ele se ajeitou debaixo de mim, encaixando nossos corpos.

Parecia que o meu corpo estava sedento dele mais do que qualquer coisa.

Senti sua mão deslizar no meu peito entre nós dois enquanto suas unhas deslizavam na minha pele e quando ele segurou meu pau, senti um tremor no corpo inteiro.

Gemi e separei nossas bocas, para olhar enquanto ele deslizava a mão para cima e para baixo no meu pau.

Me afastei, tirei a cueca e peguei sua perna e chupei a panturrilha lisinha.

Segurei o meu pau e pincelei na entrada dele antes de penetrar devagar.

Ele gemeu e a minha boca procurou a dele sedenta daquela maciez, daqueles lábios.

Ele penetrou a língua na minha boca e eu comecei a me movimentar dentro dele, enquanto ele gemia gostoso.

Senti seus dedos nos meus cabelos e as unhas no couro cabeludo.

Soltei um longo gemido contra seus lábios e comecei a me movimentar mais rápido.

O ruído do choque entre os nossos corpos, era a música daquela melodia que eles estavam compondo.

Ele deslizou as unhas em minhas costas e eu senti um arrepio antes do meu pau pulsar e meu corpo tremer com o orgasmo.

Aquela sensação era nova, mas parecia que meu corpo entendia.

Inferno.

Rolei para o lado e olhei para ele.

Ele olhava para o teto imóvel e em seu rosto havia um sorriso de satisfação.

Eu estava cansado do dia pouco convencional e dormi profundamente. 

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Comments

Diva

Diva

Acho que agora ele realmente morre.
Tadinho do nosso bê, gente!!!

2024-12-29

0

Maria de Lourdes silva da cruz

Maria de Lourdes silva da cruz

Não paro de ler. Preciso trabalhar /Drool//Angry/

2024-12-20

1

Elma Almeida

Elma Almeida

estou adorando a sua história /Drool/

2024-09-04

0

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