...🌈|A ARTE PODE SER SOMBRIA PARA ALGUMAS PESSOAS.|🍂...
O tempo estava ficando cada vez mais frio, mas eu estava ficando cada vez mais quente, cada vez mais dependente e viciado.
As coisas com Alexandre Marsalis tinham se estabilizado por hora, mas a tensão ainda era a mesma.
Era o final de dezembro, véspera da véspera de Natal.
— Você parece cansado. — Escutei a voz do Romeo.
Franzi a testa e olhei na direção da porta do escritório dois.
— Quando você chegou? — Perguntei.
— Em Suzano eu cheguei a três horas atrás, no seu escritório, a cinco minutos. — Ele falou.
— E o Otávio? — Perguntei para ele.
— Ele não quis vir. — Ele respondeu.
— Como o Oliver recebeu vocês? — Perguntei para ele.
— A raiva dele por nós já passou. — Ele disse.
Respirei fundo.
— Ele não fala comigo durante o dia, mas a noite, ele não me deixa dormir. — Falei para ele e deslizei os dedos entre os cabelos.
— Você já tentou conversar com ele? — Ele perguntou.
— Todos os dias, mas ele me ignora, durante a noite, se eu tento conversar, ele começa às coisas e aí passamos a noite inteira assim, se eu tento conversar ele me beija, ou ele faz alguma coisa que me distrai e acabamos sem falar do assunto. — Falei para ele.
— É véspera de Natal, você não deveria estar tão para baixo. — Ele falou.
— Ele não foi embora, mas é como se eu tivesse apenas o corpo dele do meu lado, pensei que isso seria suficiente para mim, mas não é, eu prefiro que ele discuta e grite comigo, ver ele em silêncio é perturbador. — Falei para ele.
— Tenha paciência. — Ele falou.
Meu celular tocou e eu olhei a tela.
Virei a tela para a mesa e me recostei na cadeira de couro.
— Como vão as coisas em Savana? — Perguntei para ele.
— Tudo indo muito bem, a cada dia você fica ainda mais podre de rico. — Ele disse.
O celular tocou novamente e eu nem olhei.
— Estou pensando em comprar uma casa na praia. — Falei para ele.
— Na praia? — Ele perguntou.
— Isso, o Oliver gosta muito da praia. — Falei para ele.
O celular tocou novamente, mas eu não dei atenção.
— Meu irmão, eu já percebi que o seu adorável demônio, não é alguém interessado no seu dinheiro, você comprou tudo o que ele pensava em ter, ele já deve estar de saco cheio disso. — Ele falou.
Meu celular tocou, mas dessa vez um toque diferente, eu reconhecia o toque, porque eu tinha colocado para diferenciar as chamas do Adam.
Atendi no segundo toque e tomei a última dose de uísque que tinha no copo.
— O que aconteceu? — Perguntei.
— A senhorita Hanna está a porta e insiste em entrar. — Adam respondeu.
Levantei da cadeira.
— O que ela está fazendo ai? — Perguntei.
— Eu não sei, mas ela disse que não vai sair até falar com o senhor. — Ele falou enquanto eu saía do escritório.
— Eu já estou chegando, onde está o Oliver? — Perguntei.
— Ele chegou ainda a pouco, está no banho. — Adam respondeu.
Romeo me seguiu e nós fomos para casa.
Assim que o carro estacionou no pátio, eu desci e segui para dentro.
— Onde está o Mikhail? — Ela perguntou.
— Senhorita Marsalis, o senhor Corvaque não está no momento, a senhorita pode voltar outro dia? — Adam perguntou.
— O que está acontecendo Adam? Estou escutando os gritos lá do quarto. — Escutei a voz de Oliver um pouco distante.
— Quem é você? — Escutei Hanna perguntar.
— Senhorita Marsalis, esse é o nosso novo chefe Oliver De Luca, ele é o companheiro do senhor Corvaque, senhor Oliver, essa é Hanna, uma amiga do senhor Corvaque. — Ele respondeu.
— Companheiro? Não vejo como, ele não tem nada de especial, está mais para um caso passageiro, comprado em uma esquina barata, é melhor você sair agora. — Hanna falou.
Oliver riu e eu parei na entrada da sala.
Parece que eu podia ver ele cruzando os braços.
Eu fiquei curioso para escutar o que ele iria dizer e fui na direção das portas laterais, que estavam abertas.
Entrei sem ser percebido e fiquei atrás da cortina grossa da mesma porta.
— Desculpe se eu for rude senhorita Marsalis, mas é melhor ser comprado em uma esquina barata, do que se oferecer de graça, você não acha? — Oliver perguntou.
— Saia desta casa agora! — Escutei a exclamação de Hanna.
— Bem que eu gostaria, mas o maníaco do seu amigo não me deixa ir. — Oliver falou tranquilamente.
— Saia! Imediatamente! Adam, tire ele daqui agora! — Ela gritou.
— Eu tenho permissão para sair? — Oliver perguntou ao Adam.
— Não senhor. — Ele respondeu.
— O senhor Corvaque, ficará furioso se eu sair, mas eu não ligo, não quero ficar aqui de qualquer forma. — Oliver falou e deu um passo a frente.
— Senhor Oliver, o senhor sabe que eu vou ser morto se o senhor sair sem avisar. — Adam falou com aflição na voz.
A última vez que o Oliver tentou sair sem permissão de casa, eu falei para ele que mataria o Adam, o Camilo e toda a equipe de segurança. Ele ficou puto, mas não saiu mais.
Eu já o conhecia suficientemente bem, para saber que ele tinha um coração bom e não queria que ninguém se prejudicasse por sua causa.
— Hum, então o que nós devemos fazer sobre isso, a amiga do senhor Corvaque quer que eu saia. — Oliver falou.
— Senhorita, por favor, saia. — Adam pediu.
— Tudo bem, eu saio, mas você tem que me responder primeiro, porque ele trouxe ele para cá? — Ela perguntou ao Adam.
— O senhor Corvaque gosta muito do senhor Oliver, e deseja a companhia dele. — Adam falou.
Oliver sorriu para ela e se inclinou para a frente.
— Deve ser a minha boquinha gostosa. — Ele repetiu o que eu sempre falava para ele.
Senti um sorriso vitorioso no meu rosto e me enchi de orgulho do meu monstrinho, ele estava finalmente desenvolvendo sua autoconfiança.
Se aquela discussão fosse alguns meses antes, ele certamente ficaria calado, escutaria tudo em silêncio e depois se alto depreciaria.
No início ele era assim, inseguro e paranóico, mas eu tinha percebido naqueles meses que a confiança dele em si mesmo, estava crescendo em larga escala.
Isso só me deixava ainda mais fraco por ele, era como se sua confiança estivesse completamente ligada a sua sensualidade, e eu tinha visto como ele tinha se tornado ousado durante aquele tempo.
Não que ele não fosse sensual antes, de forma alguma, mas depois que ele começou a ter confiança em si mesmo, ele passou a ficar mais sexy e provocante.
— Isso é mentira! Você está mentindo! — Ela exclamou.
Hanna tentou ir para cima dele, mas Edgar apareceu a frente do Oliver.
— Senhorita Hanna, não acho que o senhor Corvaque vá ficar satisfeito com a sua conduta. — Ele falou para ela.
— Até você?! — Ela exclamou e tentou bater no Edgar, que a impediu.
Saí de trás da cortina e voltei ao pátio, fui na direção da entrada principal e entrei em casa.
— Tudo bem, você não vai sair agora, mas em algum momento, você será escorraçado pelo Mikhail, escreva minhas palavras. — Ela falou para o Oliver.
Ele olhou ela de alto a baixo e subiu as escadas.
Eu entrei em casa e Hanna empalideceu.
— Eu já tinha falado para você não vir à minha casa. — Falei para ela.
— Eu já estou de saída. — Ela disse e se foi.
Tirei o casaco e Romeo entrou também.
— Eu vou para casa, nos vemos mais tarde. — Ele falou.
— Está bem. — Falei para ele.
Edgar me olhou.
— O Tio me ligou, pediu para você olhar sua caixa de e-mail. — Ele falou.
— Tudo bem, como está tudo para essa noite? — Perguntei para ele.
— Tudo organizado. — Ele falou.
— Ótimo. — Falei e fui para o escritório.
Depois de olhar meus e-mails, saí do escritório e subi as escadas, para dar uma olhada no meu monstrinho.
Entrei no quarto e vi apenas os cabelos loiros avermelhados no sofá que ficava de frente para as portas de vidro da varanda do quarto.
Fui na direção dele e ele estava encolhido no sofá.
Sentei no lado e coloquei a mão por baixo das costas dele.
Ele abriu os olhos e fitou os meus.
— Por que você está dormindo aqui? — Perguntei para ele.
— Uma amiga sua veio aqui não faz muito tempo. — Ele disse.
— Eu já estou sabendo sobre isso. — Falei para ele.
— Ela é só sua amiga mesmo? — Ele perguntou.
— Eu ajudei a Hanna, quando o pai dela fez coisas terríveis para ela, desde então nos tornamos amigos, mas de uns tempos para cá, ela tem confundido as coisas, mas não se preocupe, eu já deixei claro que não quero nada com ela e que somos apenas amigos. — Falei para ele.
Ele sentou e fitou meus olhos com seus grandes olhos redondos de menino inocente.
Deslizei os dedos no decote do pijama que ele estava usando, e fui abrindo os botões sem muita dificuldade.
— O que você está fazendo? Eu quero dormir. — Ele disse e saiu do sofá.
Ele foi para a cama e eu o segui.
Assim que ele sentou, fiz ele deitar e segurei as mãos dele sobre a cabeça.
— Você não me deixou dormir durante todos esses dias, porquê eu tenho que deixar você dormir agora? — Perguntei para ele.
— Porque estou processando seu pedido de desculpas, e você escutar o que eu digo, conta muito na decisão final. — Ele disse.
Sorri para ele.
— Oliver, nós estamos no natal, você podia me perdoar logo? Eu não quero abrir mão do que a minha família construiu, mas também não quero perder você, eu sei que as coisas que eu faço não são certas, mas eu gosto sinceramente de você, será que só isso não conta? — Perguntei para ele.
Ele deslizou os dedos no meu rosto com carinho.
— Eu já vou pro inferno por me envolver intimamente com outro homem mesmo, o que é o crime organizado. — Ele disse.
Senti meu coração acelerar e senti um sorriso de puro alívio no meu rosto.
— Estou perdoado? — Perguntei para ele.
— Você está. — Ele disse e beijou meu rosto.
— Hum, então você pode me pedir o que quiser, em reparação a cena que a Hanna fez hoje. — Falei para ele.
— Amanhã eu quero sair para comprar minhas coisas pessoais e para cortar o meu cabelo. — Ele falou.
Sorri para ele.
— O que o meu monstrinho quiser. — Falei para ele.
— Agora eu quero realmente dormir, eu fui mal com você, mas fui afetado por isso. — Ele disse.
— Tudo bem, eu ainda tenho algum trabalho para fazer. — Falei e puxei a coberta.
Ele sorriu.
Os fios finos e lisos de cabelo loiro avermelhado deslizaram para o rosto dele quando ele virou de lado.
Sorri para ele e tirei o cabelo do caminho do seu rosto.
— Não demore muito para vir dormir. — Ele disse.
Senti meu coração esquentar e sorri.
— Você me deixou cansado desde que brigamos, tive que sacrificar minha academia para dormir por uma hora todas as manhãs, mas não sei se fico feliz ou triste de saber que acabou. — Falei para ele.
— Você é velho, mas é bem forte. — Ele disse.
Gargalhei e bati de leve na testa dele.
— Quem é velho? — Perguntei para ele.
Ele gargalhou daquele jeitinho infantil e abraçou a coberta.
— Volte logo. — Ele disse.
Beijei sua testa e levantei para sair.
Quando fechei a porta atrás de mim, eu me escorei nela e comecei a gargalhar.
Edgar me olhou sem entender.
— O que aconteceu? — Ele perguntou.
— Eu finalmente fui perdoado e posso dormir pelo menos três noites por semana. — Falei para ele enquanto ele me ajudava a levantar.
Edgar riu.
A raridade.
— Pensei que você estivesse gostando disso. — Ele falou.
— Eu estava, mas meu corpo estava pedindo trégua. — Falei para ele enquanto descia as escadas.
— Que bom que você se reconciliou com seu parceiro, agora falta você dar mais um passo. — Ele falou.
— Ainda é muito cedo para pedir ele em casamento, vou esperar fevereiro. — Falei para ele.
— Eu não estava falando de casamento, eu estava falando de ensinar algumas coisas para ele. — Edgar falou.
Olhei para ele quando entrei no escritório e franzi as sobrancelhas.
— Não quero que ele se envolva nisso. — Falei para ele.
— Você não quer, mas ele já está. — Ele disse.
Suspirei.
— É melhor esperar mais um pouco, tudo bem? — Perguntei para ele.
— Como quiser. — Ele disse.
Voltei ao trabalho com um novo gás e quando terminei, já era uma da manhã.
Subi as escadas e depois um banho rápido, fui deitar.
Assim que deitei, abracei o meu monstrinho e cheirei seu cabelo.
Aquele cheiro era perfeito.
Eu dormi perfeitamente bem aquela noite.
Quando acordei na manhã seguinte, ele não estava mais do meu lado.
Depois de tomar uma ducha quente e me secar, coloquei uma camisa de lã com gola alta e manga longa preta, uma calça de inverno também preta e um blazer preto.
Coloquei meu anel familiar, meu relógio e peguei um sobretudo branco.
Calcei meus sapatos de couro legítimo e arrumei o cabelo, borrifei o meu perfume e saí do closet.
Saí do quarto e desci as escadas, encontrei Oliver no sofá, lendo o jornal e tomando seu chocolate quente.
— Já está pronto? — Perguntei para ele.
— Estou. — Ele disse.
Olhei o relógio e assim que levantei os olhos, Edgar apareceu na minha frente.
— O carro está pronto. — Ele falou.
Oliver se levantou e passou por mim, indo na direção da cozinha.
Ele estava com um suéter azul claro sobre uma camisa de linho, uma calça de inverno folgada e um tênis branco.
O cabelo liso estava para o lado e a franja que estava longa, cobria parte do rosto bonito.
Quando ele voltou seus olhos fitaram os meus.
— Você vai ou não? — Ele perguntou.
— Vou. — Falei para ele.
Ele pegou o sobretudo azul escuro do braço do sofá e o vestiu.
Saímos de casa e entramos no carro.
— Podemos ir ao shopping? — Ele perguntou.
— Onde você quiser ir. — Falei para ele.
Ele sorriu e colocou o cabelo atrás da orelha.
— Hum, eu gosto do seu cabelo assim, não quero que corte muito curto. — Falei para ele.
— Não se preocupe só quero que ele pare de entrar nos olhos, eu também gosto dele assim. — Ele falou.
O motorista estacionou no estacionamento e os outros dois carros ficaram nas vagas ao lado direito e esquerdo do meu carro.
Edgar abriu a porta para Oliver e Adam abriu para mim.
— Três de vocês ficam no carro, o resto sobe. — Edgar falou.
Fomos na direção do elevador e todos entraram conosco.
Assim que saímos no primeiro piso, Oliver olhou para todos eles e depois para mim.
— Nós precisamos mesmo estar com tantos homens assim? — Ele perguntou.
— É véspera de Natal. — Falei para ele.
— Sendo véspera de Natal ou não, eles sempre estão ao nosso redor. — Ele disse.
— Você precisa se acostumar com eles se quiser sair de casa. — Falei para ele.
Ele me olhou sério e seguiu para as escadas rolantes.
— Se vamos iniciar uma briga agora, é melhor voltar para casa. — Ele disse.
Respirei fundo.
— O Edgar e o Jean vão com você e o Adam, o Camilo e os outros vem comigo, o que acha? — Perguntei para ele.
— Você não vem comigo? — Ele perguntou.
— Eu não quero aborrecer você, eu vou ficar no café gourmet que fica no terceiro piso. — Falei para ele.
Os olhos azuis fitaram os meus com faíscas de raiva.
— Tudo bem, Edgar, onde fica a barbearia? — Ele perguntou.
— Vamos seguindo, senhor. — Edgar falou e saiu com ele.
— Senhor, o senhor Oliver ficou aborrecido com o senhor. — Adam falou enquanto eu via o meu loiro se distanciar.
Sorri para ele.
— Eu adoro quando ele fica aborrecido. — Falei para ele.
Seguimos para o terceiro piso do shopping e entrei no café gourmet que fazia parte de um dos conglomerados.
Ocupei um dos bancos do balcão e os rapazes se espalharam no café.
Perto de mim ficaram apenas Adam e Camilo.
Pedi um café expresso e comecei a ler os relatórios das subsidiárias do conglomerado pelo tablet.
Quando percebi, já era mais de onze da manhã e mais pessoas transitavam no shopping.
Meu celular vibrou e eu olhei a tela.
Era uma mensagem do Edgar, dizendo que já estavam indo nos encontrar.
Pedi mais um café e fiquei esperando.
— Hora veja só quem eu encontro, grande coincidência. — Escutei a voz de Alexandre.
Levantei os olhos para ele, que se aproximou, mas foi impedido de chegar perto pelo Adam e pelo Camilo.
— Eu não acredito nessa coisa de coincidência. — Falei para ele e provei o café que me foi servido.
Alexandre olhou para o Adam e arqueou a sobrancelha.
— Eu só quero dizer oi ao seu chefe. — Ele falou para ele.
— Tudo bem Adam. — Falei.
Adam saiu do caminho junto com Camilo e Alexandre olhou ao redor.
— Onde está o seu cão de guarda de estimação? — Ele perguntou.
— Se você tem pesquisado sobre a minha vida, você deve saber que eu não gosto que ofendam meus subordinados, senhor Marsalis. — Comentei sem tirar os olhos do tablet.
— Sim, eu soube que você os considera muito. — Ele falou.
— Como tem ido suas pesquisas sobre mim? Achou alguma coisa interessante? — Perguntei para ele.
— Muito pouco, mas suficiente para saber que você é importante. — Ele disse.
Senti um sorriso no meu rosto.
— Você não deve guardar mágoa de mim. — Falei para ele.
— Eu não guardo, a pouco tempo eu fechei um grande negócio e estou realmente animado com isso. — Ele disse.
— Eu devo parabenizar o senhor então. — Falei para ele.
— Vou mandar para você o convite para a festa de ano novo que eu farei, para comemorar a concessão do cassino que eu consegui e pelo novo ano. — Ele disse.
— Como queira. — Falei para ele.
Ele se levantou e nesse momento Oliver passou pela porta do café.
Senti meu sangue esfriar nas veias quando Alexandre esbarrou nele e me coloquei de pé.
Edgar segurou ele para não cair e ele olhou para Alexandre que estava indo para a saída.
— Ei! Você esbarrou em mim e nem teve a decência de pedir desculpas. — Oliver reclamou.
Alexandre e os cinco homens que estavam com ele se voltaram para olhar para o Oliver.
Ele foi na direção dele e enfiou a mão dentro do blazer.
Os cinco seguranças se aproximaram e Alexandre olhou para eles e sorriu ao tirar um cartão de contato do bolso do blazer.
— Você pode ficar com o meu cartão e me procurar se precisar de alguma coisa, não é todo dia que vemos alguém tão adorável. — Ele falou.
Senti um calafrio na espinha ao escutar o que ele falou.
— Oliver. — Chamei.
Ele me olhou e sorriu, enquanto vinha na minha direção.
— Eu estou com fome. — Ele disse e me abraçou pelo tronco.
Olhei para ele e devolvi o sorriso.
Deslizei os dedos em seus cabelos e olhei para Alexandre que ainda me olhava.
Um sorriso diabólico surgiu em seu rosto e ele saiu.
Os olhos de Oliver seguiram para a porta e depois ele me olhou novamente.
— Você conhece aquele homem? — Ele perguntou.
— Ninguém importante para ser lembrado, vamos comer. — Falei para ele.
— O que achou do corte? — Ele perguntou.
Olhei para o cabelo que estava mais curto e sorri.
— Você está mais adorável. — Falei para ele e deslizei a costa dos dedos em seu rosto corado.
Ele sorriu daquele jeito infantil que eu adorava.
Era um contraste perfeito dos olhos brilhantes e do sorriso encantador.
— Vamos almoçar em outro lugar, o shopping está muito lotado e vai demorar se formos à praça de alimentação. — Ele falou.
— Onde você quer ir? — Perguntei para ele.
— Já faz um tempo que eu saí de Suzano, não conheço tão bem como antes. — Ele disse.
— Hum, então vamos ao restaurante Italiano que fica aqui perto, vou chamar o Romeo e o Otávio. — Falei para ele.
— Está bem. — Ele disse.
Saímos do shopping e seguimos para o restaurante. No caminho, mandei mensagem para Romeo.
Assim que chegamos entramos.
Edgar se aproximou do balcão e pediu uma mesa.
Depois de conversar um tempo com a moça do balcão, nós entramos.
Romeo chegou logo depois com Otávio.
Assim que os dois sentaram a mesa, Otávio olhou para Oliver.
— Você parece mais adorável ainda, eu me sinto pelado quando corto meu cabelo. — Ele disse.
— Você fica lindo de qualquer jeito meu princeso. — Romeo falou para ele.
Oliver sorriu para o Otávio e depois me olhou de canto.
— É o mesmo corte que eu faço há anos. — Oliver falou para ele.
— Vamos pedir que eu estou faminto. — Romeo falou.
— Eu também. — Falei.
— Ei, você se lembra daquela galeria de artes que fica no centro? Podemos ir lá? Vai ter uma exposição de vários artistas, todos ativistas gays. — Otávio falou.
— Sério? — Oliver perguntou animado.
— Sim, vão ser vários artistas daqui de Suzano e de Savana também. — Ele disse.
— Vamos até lá. — Oliver pediu.
— Mas hoje…
— Por favor Kil. — Ele pediu e sua expressão se tornou miserável.
Eu adorava quando ele me chamava de Kil, com aquela expressão fofa e deplorável no rosto, mais ainda, era um dos meus fracos, ele poderia pedir Marte fazendo aquela carinha, que eu daria um jeito de pegar para ele.
— Por que você sempre faz isso comigo, pedindo desse jeito, eu compro a galeria com todas as obras. — Falei para ele.
Ele sorriu daquele jeitinho infantil e eu me derreti.
— Quem diria que eu veria você assim, baitolando por um sorriso infantil, eu sempre achei mesmo que só faltava a pedofilia para você. — Romeo falou e riu.
— Você poderia falar mais alto Romeo, as pessoas do outro lado da rua não escutaram. — Otávio falou em repreensão.
Romeo sorriu amarelo.
— Está vendo Otávio, é o que eu tenho que passar com ele todos os dias. — Me vitimizei exageradamente.
— Eu sei, eu sei, eu vou dar um jeito nele, não se preocupe, você pode babar no meu amigo Oliver o quanto quiser, porque ele é muito, muito fofo mesmo. — Otávio falou e apertou as bochechas coradas de Oliver.
— Ou, você é o meu marido e não dele. — Romeo falou.
Depois de comer, voltamos para casa.
Oliver subiu para o quarto e eu fiquei no escritório para resolver alguns problemas.
Quando terminei no escritório, subi as escadas e entrei no quarto.
— Você vem tomar banho comigo? Eu estou me sentindo pegajoso, o alfaiate vai trazer nossas roupas daqui a pouco. — Comentei tirando a camisa.
Ele não respondeu.
Comecei a desafivelar o cinto.
— Eu estou ao vivo. — Escutei o fio de voz do Oliver.
Virei de frente para ele e vi o rosto rubro atrás do laptop.
Os olhos redondos fitaram os meus e eu senti um sorriso surgir no meu rosto com a ideia que atravessou a mente.
Abri o botão da calça e baixei o zíper.
— Não sabia que você fazia interação ao vivo com seus leitores. — Comentei enquanto tirava a calça.
— O que você está fazendo? — Ele perguntou.
— Tirando a roupa para tomar banho. — Falei para ele e sorri mais.
— Por que você não faz isso no banheiro? — Ele perguntou.
— Porque eu acho lindo quando você fica vermelho desse jeito. — Falei para ele.
Os grandes olhos azuis cresceram mais.
— Você está me deixando constrangido. — Ele balbuciou.
Sorri para ele e dei a volta no sofá, ficando atrás do laptop.
Ele estava estático no lugar.
— Suas orelhas estão ficando vermelhas. — Comentei.
Ele piscou os olhos e seu rosto ficou ainda mais vermelho.
— Você pode ir tomar o seu banho? — Ele pediu.
— Será que você não me ama mais? — Perguntei manhoso.
— Não seja dramático. — Ele falou.
— Diga que me ama e eu vou embora. — Pedi.
Ele ficou me olhando por um momento.
— Você sabe que eu amo você. — Ele disse.
— Agora um beijo. — Falei para ele.
Ele piscou os olhos.
— Você vai embora se eu der? — Ele perguntou.
— Eu prometo. — Falei para ele.
Ele se inclinou para a frente e me deu um beijo no rosto.
Sorri para ele.
— Eu amo você também. — Falei para ele.
Senti seus olhos nas minhas costas e sorri.
Tomei uma ducha longa e quando sai do banheiro para o closet, ele estava escorado na porta de correr do guarda roupa acoplado à parede.
— O que você estava tentando fazer, hein? — Ele perguntou.
— Queria que todos soubessem que você já tem alguém e que ama esse alguém e não pensa mais no R da dedicatória do seu livro. — Falei para ele.
Os olhos redondos fitaram os meus e ele sorriu.
— O Otávio me mandou mensagem, disse que já estão na galeria de arte. — Ele falou.
— Você vai tomar banho? — Perguntei para ele.
—Vou sozinho, você fica tarado quando está em lugares apertados. — Ele falou.
— Eu fico tarado sempre que estou perto de você, seja lugar apertado ou folgado. — Falei para ele.
— Pervertido. — Ele disse e foi na direção do banheiro.
— Você adora. — Falei.
Ele me olhou por cima do ombro e sorriu.
Coloquei um terno azul escuro e arrumei o cabelo depois de borrifar algum perfume.
Ele saiu do banheiro e eu olhei para seu peito.
Ele estava criando alguma carne entre a pele e os ossos, a pele dele parecia ser feita de leite.
Mesmo tendo aquele tom rosado sedutor.
Senti meu coração acelerar quando desci os olhos para o abdômen lisinho com aquela linha que subia do umbigo até o tórax.
Suspirei olhando para ele e fechei os olhos em busca de controle, mas a imagem dele debaixo de mim quis aparecer naquele momento.
Balancei a cabeça tentando afastar a imagem e olhei para ele que agora estava de costas para mim, só de cueca.
— Como foi que eu fiquei tão tarado por você? — Perguntei com a voz rouca.
Ele colocou uma camisa verde clara de lã de gola alta e manga longa, uma calça branca jeans folgada e um par de botas coturno branca.
Pegou uma jaqueta branca e olhou para mim.
— Vamos. — Ele convidou.
Suspirei olhando para ele e assenti.
Descemos as escadas e Edgar estava à nossa espera perto da entrada.
— Vamos sair. — Falei para ele e ele me entregou o sobretudo preto.
Seguimos para a galeria de artes e assim que chegamos, Romeo e Otávio vieram nos encontrar.
— Pensei que vocês não viriam mais. — Otávio falou.
Oliver sorriu para ele e enfiou o braço no dele.
— Não podíamos perder. — Ele falou e os dois foram à frente.
— E então daddy? — Romeo perguntou.
Bati nele e nós seguimos para dentro.
Começamos a andar entre as obras, mas havia uma parede que as pessoas estavam ao redor.
Eu e Romeo nos aproximamos e quando eu vi, fiquei um pouco enjoado com as imagens retratadas nas pinturas, uma das obras se destacava pelo tamanho e pela crueldade.
Nela eram sete sombras, com uma silhueta magra e branca, aquilo era uma pornografia e não uma arte.
O branco fantasmagórico da silhueta com o rosto cheio de dor entre as sete sombras, me lembrou do Oliver.
Senti um arrepio na espinha e uma sensação de asco.
Engoli em seco quando as coisas começaram a se encaixar na minha cabeça.
— O que é isso? — Perguntei para Romeo que estava ao meu lado.
A angústia na minha voz, e a sensação de que aquilo tinha sido real bateu tão forte que eu fiquei sem ação.
— Não era isso que estava aqui ontem. — Romeo falou e sua voz refletia a repulsa.
Oliver e Otávio chegaram ao nosso lado e eu olhei para Oliver.
Olhei para ele, porque eu queria que aquilo não fosse verdade, que aquilo fosse apenas especulações sem sentido da minha cabeça.
Mas quando eu vi o rosto que estava corado perder a cor e o brilho, eu me dei conta de que aquele sexto sentido que eu tinha, que pela primeira vez eu desejei que estivesse errado, estava dolorosamente certo.
Ele ficou tão pálido que por um momento eu pensei que ele era um fantasma.
Tirei Otávio do meu caminho e segurei ele.
— Oliver. — Falei seu nome com a voz rouca.
Ele ainda estava estático olhando as obras.
Eram nove obras, com destaque no quadro grande de uma silhueta de cabelos dourados beirando o vermelho com os sete homens ao redor.
Nas obras menores, era a silhueta clara na cama e uma sombra com um cigarro, a silhueta de quatro com o cigarro sobre a região dos quadris, enquanto da brasa redonda flutuava uma fumaça tímida e a silhueta de frente com a sombra por trás, com a mão cinza no rosto pálido e contorcido.
As obras eram bem realistas.
Foi a primeira vez que eu senti uma dor que não era minha, foi a primeira vez que eu senti uma dor torturante como aquela.
Um segurança veio na direção da parede e quando viu, foi chamar alguém.
Três homens de terno apareceram e afastaram todos, mas o Oliver ainda estava fixo no lugar olhando para aquela coisa horrenda.
— Oliver, você está bem? — Otávio perguntou.
Ele piscou os olhos e uma lágrima deslizou no seu rosto.
Ele seguiu os homens de preto que iam para o interior da galeria e eu o segui.
Assim que ele chegou perto deles, ele limpou o rosto com a mão trêmula.
— Quanto custa? — Ele perguntou e sua voz de anjo estava sufocada.
Os homens olharam para ele.
— Esses não estão à venda, na realidade, aquela parede estava com outros quadros, que são mais delicados e precisam de cortina para cobri-los, não percebemos que alguém tinha trocado, até agora. — Ele disse.
Oliver prendeu a respiração por um momento e depois assentiu.
— Dê um preço e eu compro todos eles. — Ele falou.
— Tudo bem, o senhor pode acompanhar o curador até o gerente, ele vai orçar as obras e lhe informar o valor. — Ele falou.
— Eu quero elas agora. — Ele falou.
— Como quiser senhor. — Ele disse e se afastou, chamando um homem que passava dos quarenta.
Deram os valores dos quadros e Oliver comprou os nove.
Ele insistiu em levar tudo naquele momento e eu tive que pedir ao Edgar para trazer a van para levar os quadros.
Quando chegamos em casa, ele desceu do carro determinado e nem esperou o Edgar abrir a porta da van para tirar os quadros.
Ele mesmo abriu a porta e pegou três de uma vez e levou para a parte do pátio que era de blocos de pedras ásperas.
Ele tirou as outras com a ajuda do Edgar e eu apenas o observei.
Eu estava tão impactado com o que eu tinha deduzido que eu fiquei sem ação.
As lágrimas que deslizavam pelo seu rosto e os soluços que escapavam de sua garganta, eram dolorosos.
Eu nunca tinha visto ele daquele jeito, e pela primeira vez na minha vida eu tive medo das minhas especulações.
Eu não tentei parar ele, porque eu estava entorpecido, entorpecido com aquela sensação de asco.
A pessoa no quadro, era a pessoa que eu amava, a pessoa que me tinha na palma da mão, a pessoa que eu me orgulhava de ter consertado com o meu carinho e o meu afeto, a pessoa que eu queria guardar mais do que tudo o que eu tinha.
Vi ele bater as telas no chão com força, enquanto soluçava e gritava.
Os gritos dele penetraram meus ouvidos como facas afiadas.
Senti lágrimas em meus olhos enquanto via ele jogar o álcool nas obras.
Ele encharcou tudo com álcool e depois ele pegou o isqueiro com as mãos trêmulas, era o meu isqueiro, o que a muito tempo eu tinha parado de usar.
Ele jogou ele na pilha e a chama lambeu o tecido, até o fogo se alastrar por todos os pedaços quebrados das telas e se tornar uma grande fogueira.
Quando ele se afastou da pilha em chamas, eu vi o corpo dele tremer violentamente e sem me perceber, eu já estava ao lado dele.
Os olhos azuis fitaram os meus, enquanto ele respirava com dificuldade.
— Oliver…
— Fica longe de mim. — Ele me interrompeu em um sussurro rouco.
— Você não está bem, vamos entrar. — Falei para ele.
O corpo dele tremeu de novo e eu dei um passo na direção dele.
— Fica longe! — Ele gritou e fechou os olhos.
Seu rosto já pálido, ficou como uma folha de papel.
Ele cobriu a boca com a mão e depois se virou e vomitou violentamente.
— Oliver, me deixa ajudar você, por favor. — Sussurrei e me aproximei dele novamente.
Ele se afastou enquanto vomitava e quando terminou, ele olhou na direção do fogo.
Eu não me atrevi a me aproximar, naquele momento, eu estava com medo de tentar alguma coisa e piorar ainda mais a situação.
Ele caminhou com passos vacilantes na direção do fogo e caiu de joelhos perto dele.
Ele deslizou as palmas das mãos sobre os blocos ásperos e o sangue veio sem dificuldade.
Me aproximei dele e me ajoelhei ao seu lado.
— Não faça isso, por favor, não se machuque. — Pedi, escutando a angústia em minha própria voz.
— Não se aproxime! — Ele exclamou e me empurrou se afastando de mim.
O que doeu naquele momento não foi a forma que ele me empurrou, mas o olhar cheio de repugnância dele na minha direção.
Ele continuou deslizando as mãos nos blocos ásperos enquanto as lágrimas incessantes deslizavam pelo rosto pálido e os soluços faziam seu corpo trêmulo tremer ainda mais.
Quando suas mãos estavam quase em carne viva, ele parou.
Tentei me aproximar de novo e ele olhou para mim.
Os olhos redondos mostravam uma tristeza profunda e em seus lábios surgiu um sorriso cansado, antes dele desmaiar.
— Oliver! — Exclamei sentindo meu coração apertar no peito.
Ele estava muito pálido, ele estava muito frio.
— Oliver, acorde, por favor. — Solucei baixo.
— O carro já está pronto, vamos levar ele para o hospital. — Edgar falou.
Peguei ele nos braços rapidamente e fui na direção do carro.
Quando cheguei ao hospital com ele, Edgar já tinha falado com Raimundo, e a equipe médica que me atendia quando eu raramente adoecia o levou.
Depois de duas horas, ele veio da sala da emergência.
Levantei assim que ele passou pela porta e fui na direção dele.
— Como ele está? — Perguntei ansioso.
— Nós cuidamos dos ferimentos nas mãos, ao que tudo indica ele teve uma crise de ansiedade, ele passou por algum estresse muito grande, ou trauma recente? — Ele perguntou.
— Sim. — Sussurrei.
— Essa pode ter sido a causa da crise, a grande maioria dos casos dos quadros de ansiedade são derivados de algum trauma que o paciente viveu. — Ele falou.
— Ele vai ficar bem? — Perguntei para ele.
— Vai sim, nós administramos uma medicação e ele já está sob controle, mas é bom que ele fique em observação essa noite. — Ele disse.
— Tudo bem. — Falei para ele.
— Ele vai ser transferido para o quarto vip no quinto andar. — Ele falou.
— Obrigado. — Falei para ele.
Assim que o médico se afastou, Romeo e Otávio apareceram.
— Como ele está? — Otávio perguntou.
— Ele está melhor agora, está sendo transferido para o quarto. — Respondi.
— Eu trouxe algo para você. — Otávio falou e me entregou um livro.
Olhei para a capa e nela estava escrito "Gelo" em uma cor inquietante de azul sobre um preto fosco.
— Por que está me dando isso? — Perguntei para ele.
— Leia a parte que eu marquei, eu sei que você já teve uma ideia do que aconteceu, mas acho que você precisa ler isso aqui. — Ele disse.
Depois que Oliver foi transferido para o quarto, o médico falou que a medicação que ele tinha tomado era forte e que ele só acordaria na manhã seguinte.
Quando sentei na poltrona e abri o livro, vi a parte grifada com o marcador.
Era um capítulo quase inteiro.
"Naquela noite, eu fui vê-lo para dizer que eu o amava e implorar a ele para ficar comigo, sim, eu o amava mais do que a mim mesmo.
Eu era como um peixinho que precisava do mar para viver.
Quando eu cheguei no bar que ele costumava ir com os amigos, ele me olhou com desdém, como se eu fosse uma doença que ele não queria pegar.
Mas ainda assim, cega pelo amor como eu estava, eu simplesmente me ajoelhei aos pés deles e levantei os olhos para ele.
Os olhos que um dia ele disse serem os mais incríveis que ele já tinha visto.
— O que você está fazendo aqui? — Ele perguntou amargo.
— Você pode me dar mais uma chance? Eu prometo que eu serei muito boa para você e farei o que você quiser. — Falei para ele.
Os olhos cor de mel que eu tanto adorava fitaram os meus com um brilho perverso.
— Tudo o que eu quiser? — Ele perguntou e sorriu.
Eu assenti.
Nós fomos para a casa dele naquela noite, e quando eu entrei no quarto, eu vi os sete amigos dele.
— O que é isso Nero? — Perguntei para ele sem conseguir entender.
— Você disse que faria tudo o que eu quisesse. — Ele falou.
Senti lágrimas em meus olhos.
— Você quer que eu transe com cada um deles? — Perguntei para ele.
Ele sorriu.
— Não, minha doce criança, com todos eles ao mesmo tempo. — Ele disse e sentou.
Tentei fugir pela porta, mas antes que eu pudesse me seguraram.
— Se você me ama como diz que ama, faça isso por mim docinho, eu tenho essa fantasia de ver você com eles. — Ele falou.
Senti lágrimas de desespero deslizarem pelo meu rosto e tentei correr do quarto, mas ele me segurou.
Ele me deu um tapa forte que me fez cair no chão, e os amigos dele me chutaram.
Quando eles pararam rasgaram as minhas roupas e me colocaram no meio deles.
Eu lembro de ter pedido ajuda para ele.
Lembro de ter dito para ele que o amava.
— Por que você tem que ser tão sem graça? Foi por isso que eu me cansei de você. — Ele falou.
Eu chorei tanto naquela noite, que no dia seguinte, eu não conseguia mais chorar.
Eu senti as mãos dele em mim.
Eu sabia bem o que estava por vir e antes que eu pudesse me preparar, senti em minha pele a dor.
Os amigos dele me seguraram e eu senti quando eles entraram em mim, dois ao mesmo tempo.
Aquela sensação foi como se estivesse me rasgando.
Aquele devia ser o último nível da miséria humana.
Mas tudo podia ficar pior, e ficou pior quando eu senti um deles se enfiar na minha boca.
Quando os dois primeiros terminaram, vieram os outros.
Enquanto eu chorava e silenciosamente pedia socorro, ele simplesmente fitava meus olhos com aquele sorriso no rosto.
Eu ainda sou capaz de lembrar do meu próprio sangue escorrendo pelas minhas pernas, enquanto eles dilaceravam o meu corpo.
Foi naquela noite que eu entendi que talvez o problema fosse realmente eu, aquele foi somente o primeiro.
No dia seguinte, quando eu tentei ir embora, ele não me deixou ir.
Eu fiquei presa naquela casa, durante cinco meses, ele era como o sol na minha escuridão, eu o amava tanto quanto eu me amava.
— Por que você não para de chorar!? Mas que merda! Eu não aguento mais escutar seu choro! — Ele gritou.
Já tinham passado três dias desde a primeira vez, quando ele trouxe outra mulher.
Ele disse que eu não era suficiente para suprir as necessidades dele e que eu era muito gorda, por isso não estava aguentando ser estuprada todos os dias por aqueles homens asquerosos.
Foi quando eu tentei o suicídio.
Ele não teve coragem de me levar ao hospital.
Ele só me colocou em um latão de lixo, e eu estava tão magra que conseguiram me colocar em um latão pequeno.
Quando finalmente me tiraram de dentro daquele latão com os pulsos sangrando, eu já estava nas últimas.
Quando eu saí do hospital, eu decidi me avaliar.
Minha avaliação foi encontrar outra forma de morrer, sem deixar ninguém preocupado.
Foi aí que me ocorreu a ideia de ir embora para longe de tudo aquilo.
Quando eu entrei no avião uma semana depois, eu pensei que poderia realmente esquecer o pesadelo, mas sempre que eu fechava os olhos, o pesadelo vivido naqueles meses me assombrava, e eu simplesmente não conseguia seguir em frente sem danos.
Mas estar longe e não cair na tentação de amar ele de novo era o maior êxito que eu poderia ter."
Olhei para ele enquanto as lágrimas deslizavam em meu rosto e solucei.
Ler aquilo, era como sentir a dor dele na ocasião.
Levantei da poltrona, coloquei o livro sobre ela e fui na direção da cama hospitalar.
— Basta você me dizer o sobrenome dele, que eu vou me vingar por você. — Sussurrei em seu ouvido.
Aquele foi o natal menos convencional da minha existência.
Na manhã do dia seguinte, quando acordei, ele estava me olhando dormir ao seu lado.
— Como se sente? — Perguntei para ele sentando ao seu lado.
Os olhos azuis estavam cheios de culpa.
— Me desculpe. — Ele sussurrou enquanto as lágrimas enchiam seus olhos e deslizavam pelo rosto.
— Ei, porque você está pedindo desculpas? Nada disso foi culpa sua. — Sussurrei e limpei o caminho das lágrimas em seu rosto com a costa da minha mão.
— Eu envergonhei você. — Ele sussurrou.
— Você não me envergonhou Oliver, eu fiquei muito preocupado com você. — Falei para ele e o abracei, trazendo ele para os meus braços.
— Eu ainda não consigo falar disso, será que você pode aguardar mais um pouco? — Ele perguntou.
— Tudo bem, leve o seu tempo. — Falei para ele e acariciei seus cabelos.
Ele ficou em silêncio e quando eu olhei para ele, ele estava dormindo novamente.
Naquela mesma tarde voltamos para casa, porque Oliver tinha batido o pé para voltar logo.
Quando eu coloquei ele na cama, ele já estava adormecido.
Ajustei os lençóis e ele se virou de lado.
Saí do quarto e encontrei Edgar na porta.
— Você checou as câmeras de segurança da galeria? — Perguntei para ele.
— Sim, os cinco rapazes que invadiram o lugar, pertencem a uma pequena organização criminosa que rouba carros para desmanche. — Ele respondeu.
— Ótimo, vá entre os amigos do Oliver e descubra quem é Rômulo. — Falei para ele.
— Você não disse que iria esperar? — Edgar perguntou.
— Eu disse que esperaria ele me contar, não que eu iria parar de investigar. — Falei para ele e começamos a descer as escadas.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
Diva
E com certeza era ele.
Isso deve bem ter sido coisa do R.
Detestoso que não deve ser nomeado.
2024-12-28
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Fátima Alfiery
quanta crueldade. acho que foi a maior dentre todos os livros que li. tadinho do Oliver
2025-03-23
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Eunice Alves Moreira Fernandes
caiu um cisco no meu olho. Pena que isso ainda é uma realidade cruel
2024-12-25
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