CAPÍTULO 10

...🌈|EU PODERIA ME ACOSTUMAR FACILMENTE.|🧟🌋...

Já passava das quinze horas quando eu vi os cílios longos se agitaram.

O rosto de menino tinha inocência e preguiça, deixando ele adorável.

Eu poderia facilmente me acostumar com aquele jeitinho dele, mas para minha total desgraça e ruina o conjunto da obra tinha uma teimosia dos caralhos e uma confiança filha da puta.

Ele bocejou e esfregou os olhos.

— Finalmente você acordou. — Falei e sentei na cama ao lado dele.

Os olhos azuis ficaram vermelhos nas bordas e a ponta do nariz também ficou.

Ele virou levemente o lábio inferior em um bico e o queixo tremeu adoravelmente antes dele começar a chorar.

Eu não sabia que reação devia ter ao ver aquilo.

Ele parecia um bebê em tamanho grande.

— Se você quer que eu vá embora, por que você apenas não fala? Você sabe como eu me senti quando aquele cara fez aquilo? — Ele murmurou a pergunta e um soluço escapou de seus lábios.

Suspirei.

— Não foi como você pensa, eu falei aquilo para Hanna, porque sabia que ela contaria ao Alexandre e ele tentaria tirar a prova, eu deixei ele fazer aquilo, para ele deixar você em paz, se ele achar que eu não dou a mínima para você, ele vai voltar a mirar no Tio e em mim, foi por isso que eu deixei, eu não poderia supor que você ficaria tão mal, e quando eu atirei em você o meu instinto sabia que ele desviaria. — Falei tudo de uma vez.

Eu nunca precisei me explicar para alguém na minha vida inteira.

Ele se ajoelhou e sentou sobre os calcanhares.

Suas mãos macias de dedos magros e médios seguraram meus rosto.

Os olhos redondos estavam cheios de pavor enquanto ele me fitava e as lágrimas deslizavam em abundância pelo rosto lívido.

Ele balançou a cabeça em negativa e buscou fôlego para falar.

— Eu posso suportar tudo, tudo o que você fizer comigo, mas prometa para mim, que não deixará ninguém tocar em mim além de você, eu faço qualquer coisa, hum. — Ele pediu com desespero, enquanto segurava meu rosto entre as mãos.

Franzi a testa e fiquei preocupado.

Ele pareceu realmente acreditar no que eu tinha dito ao Alexandre.

Os olhos apavorados fizeram meu coração doer e eu fiquei profundamente curioso para saber o que tinham feito para ele ficar traumatizado daquele jeito.

Em um impulso, eu puxei ele para os meus braços e o apertei contra o meu peito.

— Se eu escolhi você é porque você é muito precioso, não é? Se você é preciso para mim, então eu jamais dividiria você com alguém, eu juro que as coisas que eu falei foram apenas para que ele parasse de perseguir você. — Sussurrei e acariciei os cabelos loiros.

Ele soluçou e eu o apertei mais.

— Eu quero voltar para casa. — Ele falou contra o meu peito.

— Tudo bem. — Falei para ele.

Depois de um longo tempo, ele adormeceu novamente.

Mais tarde, nós voltamos para casa.

Ele subiu para o quarto e eu fui para o escritório.

Comecei a trabalhar nos documentos e quando percebi já passava das dez da noite.

Sai do escritório e Átila estava a entrada.

— Como está o Oliver? — Perguntei para ele.

— Ele não quis comer a sopa que o senhor mandou. — Ele respondeu.

- Traga novamente. — Falei para ele e fui para as escadas.

Assim que entrei no quarto, uma jovem de cabelo escuro preso entrou com uma bandeja com uma tigela de sopa.

— O senhor vai fazer sua refeição lá embaixo? — Ela perguntou.

— Vou. — Falei para ela e peguei a bandeja.

Ela saiu e eu fui para o interior do quarto.

Ele estava adormecido de bruços, com a mão no meu travesseiro.

— Oliver. — Chamei.

Ele abriu os olhos levemente e bocejou.

— O que aconteceu? — Ele murmurou a pergunta.

— Sente-se para comer. — Falei para ele.

— Eu não estou com fome. — Ele disse e sentou.

Ele mais parecia uma criança de cinco anos do que um homem de...?

— Não interessa. — Falei para ele e comecei a dar a sopa a ele, até ele comer tudo.

Quando ele terminou, ele foi para o banheiro e eu o segui, depois de escovar os dentes ele voltou ao quarto e deitou de novo.

Seus olhos redondos e inocentes fitaram os meus e ele piscou duas vezes.

Eu quase caí do salto, mas me equilibrei a tempo.

— Você não vai ficar? — Ele perguntou em um sussurro.

— Não agora, depois eu subo novamente, preciso trabalhar em alguns documentos importantes. — Falei para ele.

Ele concordou sem questionar e fechou os olhos novamente.

Desci as escadas e fui a cozinha, depois de fazer a refeição, voltei ao escritório e continuei analisando documentos que precisavam ser assinados.

Quando deu uma da manhã, eu finalmente terminei e subi.

Me arrastei para o banheiro e tomei uma ducha fria, porque estava ficando mais quente.

Coloquei uma cueca e entrei no quarto.

Fechei as janelas e às cortinas e deitei na cama.

Ele estava de costas para mim como no dia anterior ao que eu o encontrei inconsciente.

Toquei nele no intuito de trazer ele para os meus braços, mas tirei a mão ao sentir a pele terrivelmente quente.

— Porra. — Falei baixo e o fiz virar.

Cobri ele com a manta fina e levantei da cama.

Fui ao closet, peguei a caixa de remédios e voltei ao quarto.

Tirei o termômetro coloquei nele, quando apitou, eu tirei e a pequena tela mostrava trinta e nove graus.

— Merda. — Praguejei e dei a volta na cama.

Tirei a camisa dele e ele estremeceu, tirei a cueca que ele usava e o peguei nos braços.

Levei ele para banheiro e liguei o chuveiro com água fria.

Coloquei ele de pé e abracei o corpo dele, me colocando debaixo do chuveiro com ele.

Ele tremeu quando a água tocou sua pele e eu deslizei a mão em suas costas.

Vi ele abrir ligeiramente os olhos e me fitar.

— Está fria. — Ele reclamou.

— É para baixar a febre. — Falei para ele.

Ele me abraçou pelo tronco e descansou o queixo na parte inferior do meu peito e os cabelos grudaram em seu rosto, deixando ele fofo.

— Tudo bem. — Ele disse e bocejou.

Por que ele parecia uma criancinha pequena e mimada?

Se fui eu quem o mimou, por que eu fiz isso?

Assim que seu corpo esfriou mais, desliguei a água do chuveiro e tirei ele do boxe.

Sentei ele na privada e sequei seu corpo.

Levei ele para o closet e fiz ele sentar em um tufe preto que ficava dentro.

Tirei uma camisa e uma cueca da gaveta e voltei para ele, ajudei ele a vestir a cueca e vi as marcas em seu quadril e abdômen.

Deslizei os dedos sobre elas.

Até então eu só tinha sentido aquelas marcas nas pontas dos dedos, nunca tinha visto assim.

Algumas eram bem feias.

Olhei para o rosto dele e ele já estava quase dormindo.

— Por que algumas são mais feias que outras? — Perguntei para ele.

— Porque ele tinha o costume de apagar o cigarro em cima de uma que já estava cicatrizada, ele dizia que causaria menos dor, só mentira. — Ele murmurou e veio inclinando para a frente.

Me aproximei mais e a cabeça dele deitou no meu peito.

— Quem é ele? — Perguntei.

Não houve resposta.

Coloquei a camisa nele e o peguei nos braços.

Levei ele para o quarto e coloquei ele na cama, tirei um comprimido da caixa de remédio e fui ao frigobar.

A jarra com água sobre ele estava na metade, então ele tinha o costume de tomar água natural.

Servi um dos copos e levei para a cama, coloquei na cômoda ao lado da cabeceira dele e o sentei.

— Oliver. — Chamei.

— Humm. — Ele emitiu o ruído em tom de pergunta.

— Toma o remédio. — Falei para ele.

— Você não está me matando certo? — Ele murmurou a pergunta.

— Ainda não. — Falei para ele.

Ele abriu os olhos redondos e me fitou.

Eu estava com o remédio na ponta dos dedos na altura da boca dele.

Ele se inclinou para a frente e cobriu meus dedos e a pílula com os lábios.

Os dentes deslizaram levemente em meus dedos e a língua puxou o comprimido.

Senti um arrepio na pele e fitei os olhos dele enquanto minha respiração áspera pairava entre nós.

Pisquei os olhos e desviei o olhar para o copo de água.

Peguei e o fiz beber.

— Você engoliu? — Perguntei para ele.

Ele se inclinou para a frente e me beijou.

A língua abriu passagem e buscou a minha deslizando de um lado para o outro em uma dança provocante e suave.

Ele me guiou por toda a extensão da sua boca e depois se afastou ofegante.

— Você sentiu alguma coisa? — Ele perguntou de um jeitinho infantil.

Filho da puta!

— Escute, você está doente, não devia ficar me provocando. — Falei para ele.

— Desculpe. — Ele murmurou e abaixou a cabeça com culpa.

Senti um sorriso involuntário no meu rosto e desviei os olhos, buscando controle nas minhas ações.

— Vá dormir. — Falei para ele.

Ele agarrou meu pescoço e depois veio para cima de mim.

— Fica comigo, eu não estou bem. — Ele murmurou o pedido.

— Eu vou apagar a luz e deitar do outro lado, já terminei o trabalho. — Falei para ele.

Ele saiu do meu colo e foi para a cama novamente.

Levantei, apaguei as luzes e deixei apenas a que ficava acoplada na parede, acima do frigobar.

Deitei ao lado dele e ele veio para os meus braços.

— Você é sempre grudento quando está doente? — Perguntei.

— Você gosta disso. — Ele respondeu.

— Por que eu gosto? — Perguntei confuso.

— Por que eu ficava ainda mais dependente de você. — Ele murmurou.

Depois de um tempo, eu virei de lado e ele se aconchegou mais, com as mãos e o rosto no meu peito e as pernas entre as minhas.

Sem poder fazer muito por mim mesmo, eu abracei ele.

Por incrível que parecesse eu senti meu corpo relaxar e uma tranquilidade que eu só tinha sentido naquelas noites dormindo com ele.

E eu dormi profundamente aquela noite em especial, porque o cheiro dele estava por toda a parte.

Era estranho para mim ter dependência em alguém que eu não conhecia e que testava todos os limites da minha paciência.

Na manhã seguinte, quando acordei, ele estava enroscado em mim, como um carrapato.

Sai do seu aperto e toquei a fronte com a costa da mão, ele estava um pouco febril, mas não passava disso.

Tirei outra pílula e peguei outro copo com água.

Chamei ele e ele murmurou algo incoerente.

Dei o remédio para ele e aproveitei para dar as vitaminas que Irlan tinha receitado.

Ele tomou tudo e puxou meu travesseiro, abraçando ele apertado.

— Você passou a noite toda me apertando assim, e esse ainda foi o melhor sono que tive depois que acordei. — Falei e senti o sorriso involuntário pela segunda vez.

Fui para o banheiro e pela primeira vez na vida eu refleti sobre os meus atos.

O Otávio estava certo sobre as coisas que disse? Eu deveria me importar mais com os sacrifícios que o Oliver tinha feito por mim.

Então era isso que era o amor? Desistir de tudo para caber na vida do outro?

Suspirei.

Por que o Oliver tinha aceitado? Por que ele deu tanto de si mesmo?

Terminei o meu banho e me sequei, saí do banheiro e depois de colocar um terno vermelho escuro e meus anéis, saí do quarto.

Coloquei os sapatos que estavam a porta do closet e olhei para a cama.

Ele ainda estava dormindo.

Sai do quarto e desci as escadas.

Assim que desci, Átila veio me encontrar.

— Senhor, Edgar entrou em contato e disse que a mãe dele passou mal ontem e por isso a vinda dele atrasou, mas que ele já está a caminho, acredito que ele já estará aqui amanhã a tarde. — Ele falou.

— Tudo bem, se for contar, ele nunca tirou as férias dele nos primeiros anos. — Falei e segui em frente.

— O senhor vai para o escritório hoje? — Ele perguntou.

— Eu não tenho o costume de ir principalmente as sextas-feiras? — Perguntei para ele.

— Hum, como o senhor Oliver está doente, eu achei que o senhor ficaria em casa como da última vez. — Ele falou.

Arqueei a sobrancelha direita e olhei na direção das escadas.

— Ele ainda está dormindo, e está melhor. Enquanto eu estiver fora, cuide dele para mim. — Falei para ele e fui seguindo.

Quando cheguei a porta do carro, olhei para casa novamente.

Por que eu estava tão incomodado de deixar ele sozinho?

Entrei no carro e Átila fechou a porta.

Jean deu partida e manobrou o carro.

— Bom dia senhor, vamos para onde hoje? — André perguntou.

— Como foi que eu conheci o Oliver? — Perguntei para ele.

— Bem, eu não sei muito sobre o assunto, porque antes do senhor Oliver o senhor costumava dar férias as equipes, então a equipe do Adam estava de férias, nós voltamos e no mesmo dia fomos enviados para o hospital para fazer a segurança do senhor Oliver. — Ele respondeu.

— Por que ele estava no hospital? — Perguntei para ele.

— O que sabemos é bem pouco sobre isso, mas o doutor Irlan pode ser mais específico, depois que ele saiu do hospital e o senhor foi para o exterior, nós só tínhamos que alimentá-lo e fazer ele tomar as vitaminas e os remédios, mas quem fazia isso era o Adam diretamente. — Ele respondeu.

— Eu costumava fazer tudo o que ele queria? — Perguntei.

— Até o que ele não queria. — Jean respondeu na frente.

— Como assim? — Perguntei para ele.

— Hum, eu peço desculpas desde já, mas o senhor Oliver nunca quis que o senhor tirasse das refeições, tomate e batata, ele também não queria que o senhor deixasse de tomar café. — Ele falou.

— Então eu não tomo mais café também? —Perguntei para ele.

— Não senhor. — Ele respondeu.

— Não me diga que eu proibi vocês de comer tomate e batata e de tomar café? — Perguntei sem acreditar.

— Dessa vez não pagamos por isso. — Ele respondeu e tomou uma cotovelada de André.

Gargalhei baixo.

— Você não gostou muito de ficar sem fumar, não é? — Perguntei para ele.

— Na verdade eu deveria agradecer, meu condicionamento físico melhorou muito e eu não me canso tanto quanto antes. — Ele disse.

— Todos os nossos tiveram uma melhora significativa no condicionamento físico na verdade, os irmãos do esquadrão ficaram muito satisfeitos também. — André falou.

— Vocês são os mais antigos junto com o Edgar e o Adam, ainda da época do meu avô, como foi que eu mudei tanto? — Perguntei para eles.

— O Edgar costuma conversar bastante com o senhor; no início, o senhor não ligava muito para o que ele dizia, mas depois o senhor passou a escutá-lo mais. — Ele respondeu.

— A partir de que momento? — Perguntei para ele.

— Depois que o senhor Campbell se mudou para o exterior. — Ele respondeu.

Senti um amargo em minha língua ao lembrar do episódio desagradável.

Franzi a testa, se foi depois que o Ítalo foi embora, então era por volta dessa época, já que ele tinha ido no final do inverno.

— Depois disso o senhor ainda era duro e sangue frio, mas tinha o costume de escutar o Edgar, os anos passaram e veio o senhor Otávio, o senhor Jackson se apaixonou por ele e eles iniciaram um relacionamento, o senhor não gostou muito e desconfiava do senhor Otávio, até que um líder empresarial que tinha o costume de obrigar empresários por meio de chantagem começou a ameaçar o senhor Jackson, eles sequestraram o senhor e o senhor Otávio para obrigar o senhor Jackson a assinar os papéis de sociedade, o senhor Otávio fez briga e o senhor reagiu, eles atiraram no senhor, mas o senhor Otávio entrou na sua frente, depois daí, o senhor Otávio se tornou uma das suas pessoas de confiança. — Ele concluiu.

— Assim tão fácil? — Perguntei sem acreditar.

— Não, o senhor passou a confiar nele quando ele chamou o senhor de...

— Babaca, escroto, sanguinário de alma podre e sádico. — Jean falou.

Arqueei a sobrancelha e Jean tomou outra cotovelada.

— São bons adjetivos para me descrever. — Comentei acidamente.

— Ele também lhe agrediu com uma sequência de três socos. — Jean falou.

— Você pode calar a boca. — André mandou.

— E depois? — Perguntei.

— Depois ele ameaçou convencer o senhor Jackson a deixar de trabalhar para o senhor. — André disse.

— O Romeo nunca...

— Ele deixou o senhor por três meses, aí o senhor pediu desculpas e pediu para ele voltar. — Ele disse.

Jean estacionou o carro e eu ainda estava impactado.

— Estamos no escritório dois senhor. — Ele falou.

Olhei para fora e depois para eles.

— Eu vou ficar aqui. — Falei e André desceu e abriu a porta para mim.

Fomos para dentro e eu comecei a trabalhar em alguns documentos.

Quando o relógio marcou nove da manhã, peguei o celular e liguei para o Átila.

— Pode falar senhor. — Ele atendeu no primeiro toque.

— Bata na porta do meu quarto e diga para levarem um bom café da manhã para o Oliver. — Falei para ele.

— O senhor Oliver já levantou e está tomando café da manhã agora. — Ele respondeu.

— Ótimo, fique de olho nele e não deixe ele sair de dentro de casa, acho que ele pegou uma insolação. — Falei para ele.

— Sim senhor. — Ele disse.

Desliguei e voltei ao trabalho.

Quando o relógio marcou onze e meia da manhã, eu liguei para o Átila novamente para saber de Oliver, depois liguei a tarde e a noite as dezenove, para saber se já tinha jantado.

Quando o relógio marcou vinte e duas horas, desliguei as máquinas e ajustei tudo para sair, mas antes de sair do escritório, Niel entrou apressado.

— Senhor, nós tivemos um problema com um do navios de cargas. — Ele falou.

— O que aconteceu, tentaram roubar alguma coisa? — Perguntei para ele.

— Não senhor. — Ele respondeu.

— Então o quê? — Perguntei impaciente.

— A tripulação inteira foi brutalmente assassinada, quando nossos homens chegaram encontraram apenas partes dos corpos. — Ele informou.

— Quais partes foram tiradas? — Perguntei para ele.

— Alguns sem os globos oculares, outros sem a língua, outros sem dedos anelares e outros sem a genitália. — Ele respondeu.

Ele franziu a testa e tocou no ponto em seu ouvido.

— É o Niel. — Ele disse.

Ele arregalou os olhos e me olhou por um momento, depois desligou.

— O que foi agora? — Perguntei para ele.

— As partes foram jogadas na entrada da sua casa a pouco tempo atrás. — Ele respondeu.

— Ligue para o Átila imediatamente e diga para ele enviar as partes de volta e não contar nada ao Oliver sobre isso. — Falei para ele enquanto saía do escritório.

Encontrei Tio no caminho.

— Já está sabendo? — Ele perguntou e começou a seguir ao meu lado.

Liam apareceu e se juntou a nós.

— Todas as partes tiradas são indicativas, os dedos anelares, eram dos tripulantes casados, os olhos tirados, todos eram de tripulantes com olhos azuis, e as língua e genitálias foram tiradas aleatoriamente. — Ele falou.

— Então a minha tática não funcionou. — Falei com raiva.

— Tática? — Tio perguntou.

— Quando eu deixei o Alexandre fazer o que fez com o Oliver, eu achei que ele acreditaria que eu não me importo com ele e voltaria a apontar para nós dois, mas acho que não funcionou. — Falei para ele e suspirei pesadamente.

— Talvez ele esteja querendo tirar a prova dos nove. — Liam falou.

— Como assim? — Perguntei para ele.

— Pode ser que ele tenha acreditado, mas está querendo tirar a última prova. — Ele falou.

— Mas como ele veria? — Perguntei para ele.

— Hanna. — Tio falou.

— Não é segredo para nós que ela joga dos dois lados. — Liam falou.

— Sim, você está certo, então ela vai para casa hoje, para ver qual será a minha reação com relação a isso. — Falei.

— Mas o que ela quer ver exatamente? — Perguntei para eles.

— Ela sabe que você perdeu a memória, então ela sabe que o seu antigo eu, torturaria o Oliver para ele aprender que esse tipo de coisa acontece no meio, como você queria dizer quando disse para ninguém ajudar o Oliver na reunião. — Tio falou.

— Ela sabe que o senhor é frio e calculista. — Liam falou.

Deslizei os dedos nos cabelos e senti um calafrio.

Eu me importava com aquilo.

— Não acho que aquele rapaz vai suportar mais uma. — Falei para eles.

— Infelizmente ele tem que suportar para o bem dele, o caminho que você escolheu, é um pouco assustador, mas no final, acho que realmente pode gerar um bom resultado. — Tio falou.

— Você estava reticente a dois dias. — Falei para ele, querendo que ele fosse oposição naquilo.

— Porque eu não tinha entendido o que você estava fazendo, como sempre você pensa no todo, acho que agora, essa é a única forma de proteger o Oliver. — Ele falou.

— Então eu vou para casa e você vai para o navio, logo mais eu encontro você. — Falei para ele e saí com André e Jean.

Assim que o carro estacionou em casa, Átila trouxe o saco com os pedaços dos corpos que eu tinha mandado ele deixar em casa enquanto estava no carro.

— Diga para o Oliver descer. — Falei para ele.

— Boa noite querido. — Escutei a Hanna falar.

Como Tio tinha previsto.

— O que você faz aqui? — Perguntei para ela.

— O Alexandre me pediu para vir ver você. — Ela falou.

— Seu primo é muito atencioso. — Falei para ela.

— Ele parece gostar de você. — Ela disse com ironia.

—Traga aquela mesa de ferro inoxidável do canil, que é usada para o veterinário olhar os cães. — Falei para Jean.

Ele saiu e pouco tempo depois voltou.

Os homens que traziam a mesa colocaram ela no meio do pátio e se afastaram.

— O Alexandre me falou que você tinha ganhado alguns presentes dele, mas não me contou o que era. — Ela comentou e o ruído do salto alto batendo suavemente contra o chão aproximou mais.

— Você verá agora, abram os sacos e espalhem o conteúdo na mesa. — Falei para eles.

Nesse momento Oliver saiu de dentro de casa, ele ainda parecia doente, mas não tanto quanto no dia anterior.

— Eu quero dormir, o que você quer? — Ele resmungou enquanto coçava os olhos.

Senti meu coração se contrair e fechei as mãos em punho com um ódio descomunal.

Ele parecia só um menino inocente e a cada novo dia, parecia que eu tirava a inocência dele de alguma forma.

Inferno!

— Chegue mais perto da mesa. — Falei para ele.

Ele se aproximou mais, mas não olhou para a mesa.

Senti os olhos da Hanna em mim e eu olhei para ela.

A testa estava franzida e os olhos arregalados.

— O que você vai fazer com ele? — Ela perguntou.

Me aproximei da mesa e olhei nos olhos dele.

— Me dê a sua mão. — Falei para ele.

Ele finalmente abriu os olhos e olhou as partes das pessoas na mesa.

Ele deu um passo atrás e olhou para mim.

Seu rosto estava como uma cera de vela.

— O que você vai fazer? — Ele perguntou em um sussurro rouco.

— Obedeça. — Falei para ele com firmeza.

Ele franziu a testa, prendeu a respiração e me deu a mão depois de se aproximar novamente.

A mão macia estava quente, e a palidez do rosto dele dizia que a febre tinha aparecido novamente.

Segurei firme a mão dele e coloquei sobre o monte dos pedaços.

Lágrimas deslizaram pelo rosto adorável e eu me senti um filho da puta.

— Mikhail...

Hanna tentou.

— Você vê essas coisas? — Perguntei e apertei a mão dele sobre os pedaços.

— Mikhail, não faça isso, eu não gosto dele, mas isso é demais até para mim. — Escutei a Hanna pedir.

— Você também está com pena dele? Não estou reconhecendo você Hanna. — Falei para ela ainda olhando o rosto pálido.

— Foi você que fez isso? — Ele perguntou com um fio de voz.

— E se fosse eu? Você ainda iria querer estar comigo? — Perguntei para ele.

Ele não respondeu a pergunta e olhou para nossas mãos.

— Mikhail, você pode ser cruel como for, mas eu sei que você não faria isso, você me tirou disso lembra? — Hanna perguntou com aflição.

— Você está fazendo isso porque me ama, certo? — Ele sussurrou a pergunta com os olhos meigos nos meus.

Pela primeira vez eu senti vontade de chorar.

"E o que vai acontecer depois? Quando você se cansar de mim? Eu não quero ser o brinquedinho de um riquinho presunçoso que acha que pode tomar posse de alguém, como se esse alguém não tivesse vontade própria."

As palavras amargas atravessaram a minha cabeça enquanto eu olhava nos olhos dele.

Era a voz dele com toda a certeza.

"Isso Oliver! Você acertou, eu sou mesmo o riquinho egocêntrico e presunçoso que acha que pode qualquer coisa que quiser, se não for na paz é na força, eu sou assim."

Agora era a minha voz, também estava amarga e cheia de angústia.

"Então por que você tem que ser tão doce e amável comigo?..... Por que você tem que ser gentil e carinhoso, por que você tem que me fazer amar você se você só vai me usar?"

Aquela última lembrança que cruzou minha memória, estava cheia de angústia e dor.

Eu realmente arrastei aquele garoto para tudo aquilo?

— Mikhail por favor, esse rapaz, você sabe que ele ainda é muito jovem, ele não precisa passar por isso agora. — Hanna falou.

— Kil... Você só está fazendo isso para me proteger, não é? — Ele soluçou as palavras enquanto as lágrimas deslizavam pelo rosto pálido.

Senti meu coração afundar no meu peito enquanto os olhos azuis fitavam os meus, ele parecia ver dentro de mim.

Quando ele me chamou pelo apelido eu senti um certo desespero porque aquele apelido era como a parte humana que existia em mim.

Era como meu pai, minha mãe e meu avô me chamavam quando eu era criança, quando eu sorria e brincava, quando eu era apenas eu.

O desespero na voz dele em acreditar que aquilo tudo era para o bem dele, me deixou profundamente comovido e a partir daquele momento eu não queria mais machucar ele, eu queria só proteger.

Soltei a mão dele quando essa certeza veio com força e senti as lágrimas virem, mas eu engoli elas.

Eu engoli o choro porque eu precisava terminar aquilo o quanto antes.

— Você precisa aprender, que nem sempre alguém vai estar aqui para tapar os seus olhos, essa é a minha vida, se você quer mesmo estar nela, é bom que você aprenda isso agora, mas se você não tiver sangue frio para isso, saia daqui e nunca mais volte. — Falei para ele e dei dois passos atrás.

Ele me olhou por um momento e depois olhou para a mão que tinha sido colocada sobre as partes mutiladas, seu rosto já pálido, ficou ainda mais e ele correu na direção do jardim e começou a vomitar.

Senti um arrepio na pele e uma vontade esmagadora de seguir ele.

Tinha vinte seguranças olhando a cena, mas nenhum se aproximou dele para ajudar.

Hanna se aproximou, mas Átila não deixou ela passar.

— Eu só quero ajudar ele. — Ela falou.

— O senhor Corvaque deixou bem claro que não deseja que a senhorita se aproxime do senhor Oliver. — Átila falou para ela.

Oliver levantou o rosto e olhou para ela.

— Você ainda tem a arrogância de me recusar? — Hanna perguntou para ele.

— Você ainda tem a audácia de vir na minha casa? — Oliver perguntou com a voz rouca e fraca.

Hanna deu um passo a frente, mas foi impedida novamente por Camilo que entrou do outro lado.

Eles protegeram ele dela, mas não tocaram nele em momento algum.

Oliver deu as costas para ela e entrou em casa.

Um dos seguranças apareceu com uma bacia de água e eu lavei as mãos.

André me entregou o lenço e eu sequei a mão.

— Coloque tudo dentro do saco novamente, vamos para o navio. — Falei para ele.

— Sim senhor. — Ele falou e acenou para o outro que tinha o saco na mão.

Hanna se aproximou e me olhou com os olhos amedrontados.

— O que você está tentando fazer? Ela perguntou.

- Estou apenas fazendo o que o meu eu de agora não fez, ensinando que as coisas aqui são diferentes do mundo normal. — Falei para ela e entrei no carro.

Jean deu partida e eu finalmente podia sentir tudo abertamente.

"Kil... Você só está fazendo isso para me proteger, não é?"

Aquela pergunta tinha provocado algo desconhecido em mim.

— Por que ninguém ajudou ele, enquanto estava passando mal? — Perguntei para André.

— Não temos permissão para trocá-lo, somente Adam e Edgar podem. — Ele respondeu.

Depois de uma hora, nós chegamos no navio.

Tio ainda estava passando as mercadorias para outro navio.

— Como foi? — Ele perguntou assim que eu me aproximei.

— Se ele não me odeia agora, ele realmente me ama de verdade. — Falei para ele.

— Ele não desistiu de você quando você deixou o Alexandre fazer aquilo com ele, tocar em partes de gente morta não vai fazer ele recuar. — Romeo falou quando chegou ao meu lado.

Respirei fundo e olhei os panos de seda preta sobre os corpos.

— Mande os corpos para os nossos legistas, para fazerem o possível para tornar os corpos apresentáveis para as famílias. — Falei para Liam que parou ao lado de Romeo.

— Sim senhor. — Ele disse e saiu.

— Vamos ajudar a colocar a mercadoria para o outro navio. — Falei para os dois ao meu lado.

— Vamos. — Romeo concordou.

—Eu não tenho mais idade para isso, vou entrar em contato com as famílias. — Tio falou e saiu.

— Mande avisar que estamos em alerta preto. — Falei para André enquanto íamos na direção das mercadorias.

— Sim senhor. — Ele disse e saiu.

— Senhor, Adam acaba de chegar em Suzano novamente. — Jean falou.

— Está bem, assim que ele estiver em casa, diga para ele fazer o Oliver comer. — Falei para ele.

— Você ainda quer que ele coma alguma coisa depois do que você fez? — Romeo perguntou enquanto pegava uma caixa.

— Irlan disse que ele precisa de cuidados. — Falei para ele pegando outra caixa.

— Cara, porque você fala isso tão friamente? Parece que é uma obrigação. — Romeo falou.

— Porque é uma obrigação, eu não conheço esse rapaz, mas me preocupa o fato de todos falarem que eu arrastei ele para minha vida sem pensar nas consequências, eu estou pensando que eu me tornei um inconsequente na vida adulta e para piorar, alguém que gosta de um pirralho de dezenove anos cheio de problemas. — Falei para ele pegando outra caixa.

— Se você tentar se abrir só um pouco, acho que vai se entender mais. — Ele disse chegando ao meu lado.

— Eu já me abri o suficiente e agora, sempre que eu olho para ele, eu vejo nos olhos bonitos o quanto ele confia em mim e aí eu me sinto culpado por não ser bom o suficiente para dar a segurança que ele espera. — Falei para ele.

— É por isso que não está dando certo, você está querendo dar a ele segurança, quando o que ele precisa mesmo é do seu carinho e do seu afeto. — Romeo falou.

Suspirei.

— Você já me viu amando antes? — Perguntei para ele.

— Eu sei que parece uma coisa de outro planeta agora, mas vai na minha, você é tão boiola por ele quanto eu sou pelo Otávio. — Ele disse.

Enquanto falávamos sobre isso, vimos o dia raiar levando as caixas para o outro navio.

Quando tudo finalmente acabou, nós voltamos para nossas casas.

Assim que cheguei, fui tirando a camisa e entrando.

— Onde está o Oliver? — Perguntei ao Átila.

— No quarto senhor. — Ele respondeu.

Olhei o relógio e já passava das dez da manhã.

Corri na direção da escada e subi rapidamente.

Quando cheguei na entrada do quarto, Adam estava saindo com uma bandeja.

— Bom dia senhor. — Ele disse.

— Ele está comendo bem? — Perguntei.

— Sim senhor, tomou o café da manhã e agora fez um lanche, já tomou todos os remédios, mas ele ainda está um pouco abatido. — Ele informou.

— Você o fez comer? — Perguntei para ele sem conseguir acreditar.

— O senhor me ameaçou da última vez se eu não o fizesse comer, eu acho que depois de três meses, eu aprendi a lidar com os três mil humores do senhor Oliver. — Ele disse sem graça.

Senti vontade de rir, mas me controlei.

Três mil humores.

— Você pode ir. — Falei para ele e entrei no quarto fechando a porta atrás de mim.

Fui para o interior do quarto, mas não encontrei ele.

Fui para a sacada que dava para o lado que o sol deitava e o vi sentado no sofá.

O rosto bonito estava sobre os joelhos que estavam dobrados e seguros pelos braços.

Me aproximei e sentei ao seu lado.

O céu estava azul e claro.

Eu não sabia nem como iniciar a pergunta.

— Eu estou bem. — Ele respondeu a pergunta que eu queria fazer.

— Oliver, as coisas que eu disse...

— Está tudo bem Kil, quando você insistiu em mim, juntou cada pedacinho do meu coração e me fez amar você, eu não entendi muito bem o que você queria, mas ontem, eu percebi que você só queria que eu fizesse o mesmo por você. — Ele sussurrou e olhou para mim.

Seus olhos adoráveis estavam cheios de algo profundo e límpido.

Meu coração se contraiu e eu senti vontade de chorar.

— Eu não queria, eu não queria fazer aquilo. — Falei para ele com a voz rouca.

Ele sorriu e engatinhou na minha direção, e montou em mim.

Ele fungou enquanto as lágrimas deslizavam por seu rosto inocente.

— Eu sei que você não queria, você não se lembra, mas você me disse antes de tudo isso acontecer, que você era obsessivo e persistente quando se tratava de algo que você gostava, e disse também que achava que seria meio pirado amando alguém, nós não somos diferentes nesse aspecto. — Ele sussurrou.

Ele descansou a testa na minha e seus olhos estavam presos nos meus.

— Desculpe se eu não consigo lembrar de você. — Falei para ele com a voz fraca.

— Vamos fazer um acordo então. — Ele propôs.

Sorri.

— Eu sou muito bom fazendo acordos. — Falei para ele e me permiti sorrir.

— Enquanto o meu Mikhail não voltar, vamos manter uma relação de respeito mútuo, eu não vou interferir nos seus negócios e também vou me controlar para não brigar com você o tempo todo, quanto a você, você só precisa me prometer que não vai me mandar embora e nem me dividir com ninguém, de resto nós vamos levando. — Ele falou com a voz mansa.

— O seu Mikhail consegue suportar os seus três mil humores? — Perguntei para ele.

Ele sorriu.

— Claro que ele consegue, acho que ele gosta da minha personalidade, ele tem o costume de brincar com a cara do perigo. — Ele falou enquanto sorria.

— Ele é bom para você? — Perguntei.

— Muito bom, carinhoso, paciente, amável e muito protetor, tanto que chega a ser sufocante. — Ele disse.

— Então ele me mataria se soubesse que eu deixei você ser tocado pelo Alexandre? — Perguntei.

— Você e quem obedeceu você. — Ele disse e riu.

— O que ele costuma fazer no tempo livre? — Perguntei.

Ele riu.

— Sexo. — Ele respondeu.

Senti um sorriso no meu rosto.

— Pelo menos isso não mudou. — Falei.

— Ele também gosta de jogar com o Romeo e gosta de convidar ele e o Otávio para jantar, as sextas-feiras ele tem o costume de ir a um dos pubs que ele tem e beber uísque e conversar com esses dois. — Ele disse.

Fiquei olhando para a boca rosa pálida, enquanto ele falava.

— Quantas vezes por semana vocês dois têm relações? — Perguntei para ele.

— Sempre que ele quer. — Ele respondeu e começou a desmanchar o nó da minha gravata.

— Se ele quisesse você agora...

— Bastaria um beijo. — Ele sussurrou e abriu os dois botões da minha camisa.

— Por que você é tão acessível para ele? — Perguntei com a voz rouca.

— Ele e eu temos um acordo, se ele estiver estressado demais, eu sempre vou estar disponível para ele. — Ele respondeu e deslizou o nariz no meu e tirou meu blazer.

— Mesmo se ele fez merda? — Perguntei deslizando a mão nas coxas roliças debaixo da calça flanela.

— Mesmo se ele fez merda, eu não quero que ele fume, então eu tenho que oferecer outro método para relaxar ele. — Ele sussurrou e rebolou em cima de mim.

Engoli em seco e gemi baixo.

Sem dúvida aquele era um bom método.

— E se a merda for grande e você estiver muito puto com ele? — Perguntei para ele e movimentei o quadril.

— Eu prometi que nunca negaria meu corpo a ele, mesmo que eu esteja profundamente aborrecido com ele. — Ele murmurou e deslizou a língua abaixo da minha orelha e mordeu levemente o lóbulo.

Gemi baixo novamente e deslizei as mãos para sua bunda redonda e macia, apertando e empurrando na direção do meu pau.

— Por que você prometeu isso para ele? — Perguntei com a respiração ofegante e beijei o pescoço de pele clarinha.

Eu já tinha deduzido que além do sexo, uma das coisas que provavelmente me levaram a gostar dele, foi a pele.

Era macia tipo seda e era tão clara que parecia transparente, além de ter uma leve coloração rosada.

Eu era tarado por pele branquinha e a dele era ainda mais clara do que a do Ítalo, que era branquelo também.

Ele gemia enquanto nossos corpos roçavam um no outro.

Aquele gemido também deveria atrair o meu eu atual, porque me atraía profundamente também.

Suas mãos deslizaram do meu peito até os ombros, depois ele fechou a mão em torno do meu pescoço e fitou meus olhos com suas pupilas quase completamente dilatadas de puro desejo.

— Porque a única certeza que ele tem depois de um dia fodido, sou eu. — Ele sussurrou e enfiou a língua na minha boca, apertando levemente meu pescoço com as unhas.

Eu não gostava daquilo e tinha matado um parceiro antigo quando ele tinha apenas deslizado a mão no meu pescoço, porquê eu tinha deixado e estava até gostando dele fazendo aquilo?

Nossos lábios estavam unidos e ele chupou a minha língua, provocando um tremor no meu corpo.

A mão que estava no meu pescoço deslizou no decote da camisa, abrindo os botões com facilidade.

Quando ele chegou no final, ele interrompeu o beijo e olhou para baixo.

Senti suas mãos no meu abdômen com urgência e olhei para baixo.

Me estiquei e ele conseguiu um melhor acesso ao meu cinto.

Depois de desafivelar, ele abriu o botão e puxou o zíper.

A mão deslizou para dentro e ele agarrou meu pau.

A mão livre deslizou para os meus cabelos e as unhas deslizaram no meu couro cabeludo no momento que ele provou os meus lábios novamente.

Deslizei a mão para sua cintura e senti ele movimentar a mão.

Virei ele no sofá e chupei seu lábio inferior, meu joelho direito estava no sofá e a outra perna estava dando o apoio.

Deslizei as mãos nas laterais do cós da calça e puxei ela até as dobras dos joelhos.

Segurei o meio dela e empurrei para a frente, me dando total visão da sua entrada e do pau clarinho de glande rosada.

Eu estava ofegante quando ri e olhei para ele.

— É, o meu eu de antes não pode negar que o meu eu atual tem um bom gosto do caralho, porque você é uma delícia. — Falei com a voz rouca.

Ele riu e eu masturbei o meu pau com a mão livre, enquanto segurava a calça dele.

Empurrei mais para a frente e a bunda se ergueu mais.

Deslizei o meu pau na entrada dele, lambuzando com meu líquido e quando já estava bem molhado, eu comecei a penetrar.

Ele gemeu e eu empurrei mais a calça, fazendo meu pau entrar mais nele.

Gemi alto e ele também.

Comecei a movimentar e ele começou a se masturbar.

A carinha de satisfação era uma delícia de ver.

Tão inocente e sedutor ao mesmo tempo.

Quando ele mordeu o lábio inferior e apertou os olhos de prazer eu gemi profundamente.

Ele tinha um efeito do caralho em mim.

Eu nunca fui tão atraído por alguém em todos os meus cinco sentidos, mas até o sexto sentido, que até então eu não sabia a existência, era apurado quando se tratava dele.

Inferno de macho gostoso da porra!

Não devia ser atoa que eu estava cadelando por ele, tinha o gosto, o cheiro, um gemido e uma voz de foder a mente e tinha aquela pele que me fazia viajar.

Eu já estava pingando de suor quando meu corpo tremeu anunciando meu orgasmo, bem no momento que ele gozou também.

A expressão leve de satisfação e a forma que o corpo pequeno relaxou foi um segundo orgasmo para mim.

Ele era pequeno e gostoso.

Sai de dentro dele e larguei o meu corpo no sofá.

Quando a minha respiração se estabilizou, eu sentei novamente.

— Eu vou trocar essa porra desse sofá. — Falei para ele.

Ele ainda estava de olhos fechados e com um sorrisinho no rosto.

— Eu senti falta disso. — Ele falou.

— Eu estou pingando de suor, vamos tomar um banho. — Falei para ele.

— Eu estou no efeito gelatina, você pode me levar Kil? — Ele perguntou com a voz rouca de anjo.

Pedindo daquele jeito eu levava ele até a lua se ele quisesse.

Levantei e peguei ele nos braços, quando cheguei com ele no banheiro coloquei ele de pé no chão.

Ele tirou a camiseta de algodão e tirou também a calça que ainda estava presa aos pés.

Ele foi para o box do chuveiro e eu fiquei olhando para ele.

Assim que ele ligou o chuveiro, a água molhou os fios do cabelo e eles se grudaram a testa e ao pescoço.

Vi a água deslizar no abdômen lisinho e senti minha boca secar com a visão dele.

Nem as cicatrizes eram capazes de tirar a perfeição do corpo dele.

Tirei a camisa e ele olhou para mim.

Um sorriso infantil adorável surgiu em seu rosto inocente.

Eu perdi o fôlego, a postura e qualquer tipo de desconfiança bem ali.

Agora não era só o meu eu atual que gostava daquele garoto, o meu eu antigo também gostava.

Entrei debaixo do chuveiro e deslizei os dedos nos fios molhados dos cabelos loiros avermelhados dele, fazendo eles deslizarem para trás.

Ele me abraçou pelo tronco e descansou o queixo na parte inferior do meu peito.

Os olhos brilhantes estavam dóceis e infantis.

Agora eu entendia o que o Daniel tinha dito sobre o fofo e mimado.

Sorri para ele e beijei seus lábios com carinho.

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Comments

gloria maria Fernandes de amorim

gloria maria Fernandes de amorim

continua tá lindo.
que kil recobre logo a memória por favor

2024-09-25

2

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