CAPÍTULO 12

...🌈|EU NÃO VOU MATAR VOCÊ AGORA, MAS VOCÊ VAI IMPLORAR DE JOELHOS PARA MORRER.|🥀🍃...

No dia seguinte quando eu acordei, ele ainda estava dormindo entre os meus braços.

Eu nunca imaginei que iria gostar tanto de acordar com ele enroscado no meu corpo daquele jeito, como eu estava gostando aquela manhã.

Beijei a testa dele e saí de seu abraço, colocando o travesseiro no meu lugar.

Fui para o banheiro, tomei uma ducha e coloquei uma sunga vermelha, um short jeans fino e uma camiseta térmica de praia.

Saí do quarto e desci as escadas com os pés descalços.

Fui para a cozinha e preparei um café da manhã completo para ele e para mim, mas quando olhei na geladeira, não tinha qualquer fruta.

Desci as escadas e fui na direção da casa lateral.

Quando eu estava perto de entrar na casa, escutei o nome de Oliver e parei.

— Eu tenho certeza, eu não estou maluco, aquele que eu vi ontem quando chegamos era o Oliver, e no dia da apresentação, eu escutei o senhor Átila falar o nome Oliver também. — Um dos rapazes disse.

— É impossível, você lembra que o Oliver estava a beira da morte quando nós... Você sabe. — Um outro disse.

— Droga, por que vocês nunca acreditam em mim? Eu estou dizendo que a pessoa na casa é ele. — O primeiro insistiu.

— Eu não acho que seja, o Oliver não tem nada que chame atenção de alguém como o Corvaque, ele é insosso e sem graça. — Outro falou com desdém.

— Eu achava ele uma graça, ele era adorável. — Outra voz se pronunciou.

— O Adam falou senhor Oliver, eu tenho certeza. — O primeiro falou com aflição na voz.

— Oliver é um nome tão comum. — Outro disse.

— Vocês não acham estranho, que o próprio Corvaque tenha nos chamado? Como ele sabe que existimos? — O primeiro perguntou com insistência.

— Mas que merda Nando, será que você se sente culpado pelo que fez com o Oliver que agora ele está assombrando você? — Um deles falou.

— Mesmo se for o Oliver que conhecemos, nada muda, ele me ama tanto quanto ama a própria vida. — Escutei Rômulo falar e fechei a mão em punho, sentindo o ódio penetrar por cada poro do meu corpo.

— Eu fiz? Todos nós fizemos. — O primeiro se defendeu.

— Sim, todos nós. — O outro falou e alguém riu.

— Eu acho que nós devemos tomar cuidado, o senhor Corvaque é muito cruel quando quer, e eu escutei falar que ele mata por muito menos. — O primeiro falou.

— Não se preocupe, eu tenho o Oliver na palma da minha mão. — O Rômulo falou.

Abri a porta e todos os que estavam sentados ficaram de pé.

Sorri para eles.

— Bom dia. — Falei para todos.

— Bom dia senhor, não o vimos chegar. — Rômulo falou.

— Estou sem frutas na casa principal e não encontrei o Adam e nem o Camilo. — Falei para ele.

— O Adam saiu para comprar frutas e o Camilo foi comprar uma tenda na outra vila. — Ele respondeu.

— A outra equipe já está no cais, porque vocês ainda estão aqui? — Perguntei para eles.

— Estamos saindo agora. — Ele respondeu.

— Então vamos voltar juntos. — Falei e sorri.

— Sim senhor. — Eles disseram e saíram.

— Vocês vieram de carro, não foi? — Perguntei.

— Sim senhor. — Ele respondeu.

— A estrada está boa para passar? — Perguntei.

— Não muito. — Ele respondeu.

— Ah! Eu queria levar o Oliver de volta por terra, mas acho que não será possível, caso contrário, ele vai reclamar que eu não cuido bem dele. — Comentei.

— Há muitos buracos. — Rômulo comentou.

— Que bom que estão me dizendo isso agora, eu vou mandar arrumar a estrada, o Oliver gosta muito de praia e eu tenho o costume de fazer toda e qualquer vontade dele. — Falei para ele quando chegamos a casa.

— Que bom que pudemos ajudar. — Ele disse.

— Vocês podem me ajudar a descer com as coisas? — Perguntei para eles.

— Claro, senhor. — Ele falou.

Comecei a subir as escadas e fui na direção da cozinha.

Peguei uma das bandejas e entreguei a um deles.

— Eu soube que você já trabalhou com o crime organizado antes. — Comentei com o Rômulo.

— Eu trabalhei para um traficante que era mais ajeitado para fazer negócios, somente isso, nada comparado ao que o senhor tem. — Ele disse enquanto ia com a bandeja para as escadas.

— Vocês sentem falta de fumar? — Perguntei.

— E como. — Ele respondeu e riu.

— Eu também sinto, mas o Oliver odeia profundamente qualquer coisa relacionada ao cigarro, eu tenho o costume de mimar ele, qualquer coisa que ele me peça eu faço, é um pagamento a ele por ele suportar alguém possessivo, ciumento e intragável como eu. — Falei para ele.

Um dos rapazes tremeu com a bandeja e eu olhei para ele.

— Desculpe, senhor. — Ele falou.

Sorri para ele.

Adam entrou e acenou brevemente com a cabeça.

— Bom dia, senhor. — Ele falou.

— Bom dia Adam, vocês estão dispensados. — Falei para os rapazes.

— O senhor Oliver me pediu frutas ontem, mas já era noite, eu saí para comprar, porque ele gosta de frutas frescas. — Adam se explicou.

— Vá chamar ele para o café da manhã, eu vou lavar as frutas e colocar na fruteira. — Falei para ele.

— Sim senhor. — Ele disse e foi na direção das escadas.

Eu subi logo atrás e fui para a cozinha onde estavam as frutas.

Adam desceu e veio na minha direção.

— Como estamos de alimento? — Perguntei para ele.

— A dispensa de trás está abastecida, as carnes estão no freezer da dispensa também. — Ele respondeu.

— Mande alguém trazer uma caixa de carne mais tarde, o Oliver está cozinhando para todos? — Perguntei.

— Sim senhor. — Ele respondeu.

— Mande trazer o Murilo e quando tiver um tempo, mande abastecer a dispensa, ficaremos o resto do verão. — Falei para ele.

— Sim senhor. — Ele disse e saiu.

Lavei todas as frutas e guardei algumas na fruteira e outras eu comecei a cortar.

Quando terminei, vi o Oliver descer as escadas com uma camisa de linho de algodão verde clara, com mangas longas e um decote em V com três botões fechando ele.

O short jeans era um pouco justo e com alguns rasgos nas coxas.

Os cabelos estavam nas laterais do rosto e estavam brilhantes e viçosos.

A pele continuava tão clara como sempre.

Parecia que ele não tinha colocado o pé na praia durante aquele mês inteiro.

Ele foi na direção da porta de madeira da sacada e abriu os dois lados, mostrando a vista do mar.

— Você está me ignorando? — Perguntei para ele e saí de trás do balcão da cozinha com os dois pratos com fruta.

Ele me olhou de lado.

— Você sabe o que é ser ignorado? — Ele perguntou e foi na direção das escadas.

Senti um sorriso no meu rosto e fui atrás.

Assim que desci as escadas, vi ele sentar a mesa.

Coloquei os pratos nela e sentei de frente para ele.

— Por que mesmo aqui você usa camisa de manga longa? — Perguntei para ele.

— Minhas cicatrizes. — Ele respondeu áspero.

— Somos só nós dois. — Comentei.

— E mais trinta e três seguranças. — Ele falou.

— É só fazer de conta que eles não estão aqui, muito simples. — Falei para ele e tomei um gole generoso do meu café.

— Você é melhor do que eu fazendo isso. — Ele falou e começou a comer uma fatia de pão.

— Pensei que você tinha dito que tentaria se controlar. — Falei para ele com a testa franzida.

Ele respirou fundo.

— Então é melhor você parar de falar comigo pelo menos hoje, porque se não eu vou comentar um crime passional. — Ele falou e pegou o copo de leite.

Ele provou e depois virou um gole generoso.

Um pouco do leite deslizou pelo canto da boca dele e eu senti um arrepio na pele com a imagem que se formou na minha mente.

Um mês, um mês inteiro de puro estresse, sem cigarro e Oliver para relaxar.

Pisquei os olhos e desviei para a praia.

— A casa é muito bonita, foi você quem a escolheu? — Perguntei.

— Eu nem sabia da existência dela, até você me confinar aqui. — Ele respondeu curto e áspero.

Antes de mandar ele para lá, eu não tinha tanta paciência.

Então porque agora, eu estava levando aquilo como uma brincadeira?

Um dia sem falar com ele.

Por que parecia tão difícil cumprir aquele pedido agora?

Franzi a testa quando minha cabeça doeu e continuei o café da manhã em silêncio.

Quando nós terminamos, ele reuniu as louças e levou para o balcão que tinha na parte de trás da mesa onde estávamos.

Eu não tinha notado aquela cozinha até olhar para ela naquele momento.

Era menor do que a do segundo andar e a do churrasco.

Fui para a varanda e olhei para o mar.

Deitei no sofá que ficava de frente e fiquei olhando para o forro de madeira da varanda.

— O que você quer comer no almoço? — Escutei a pergunta.

Senti um sorriso no meu rosto.

Então eu ainda tinha regalias? Seria possível que...

Sentei no sofá e olhei para ele a minha frente.

— O que você fizer eu vou comer, mas...

— Fala logo o que você quer comer, antes que eu me aborreça...

— Eu quero comer você antes de tudo, mas você está aborrecido. — Falei para ele, antes dele terminar a frase.

O rosto dele corou e ele olhou para os lados a procura de alguém.

Nesse momento de distração, segurei a mão dele e puxei ele para o meu colo.

Ele me olhou por debaixo dos cílios longos enquanto o rosto dele ficava ainda mais vermelho.

Gargalhei baixo e deslizei a costas dos dedos da mão livre no rosto dele.

— Eu já fiz tantas coisas com você e você ainda sente vergonha quando eu flerto assim? — Perguntei.

Os cílios longos tremularam e ele olhou para meus lábios com lascívia.

Ele aproximou o rosto e me deu um beijo casto demorado.

Quando ele se afastou, os olhos fitaram os meus e ele se ajustou no meu colo.

— Pensei que você tinha me mandado embora e me dado a casa, o Adam, o Camilo e os outros seguranças como um pagamento por serviços prestados. — Ele murmurou aborrecido.

Não era tão difícil quanto eu pensava, levar ele na conversa.

Mas então por que o meu eu atual deixou ele ficar tanto tempo aborrecido?

Ele gostava?

O Edgar tinha falado que eu era punido com sexo, talvez o meu eu atual quisesse esse castigo vez ou outra.

— As coisas estavam um pouco fora do controle em Savana e em Suzano, alguns dos nossos depósitos foram explodidos, algumas plantações queimadas, você estava se recuperando, eu não queria que ficasse preocupado com essas coisas. — Falei para ele.

Os olhos redondos fitaram os meus com preocupação.

— Você não está machucado? — Ele perguntou com a voz cheia de preocupação.

A mão deslizou nos meus ombros, costas e por último peito.

Senti um arrepio na espinha e reprimi o gemido.

— Está tudo bem, eu estou bem, só estou esgotado, foram dias fodidos. — Falei para ele e suspirei.

Ele franziu a testa com preocupação e me abraçou com carinho.

— Que bom que você não se machucou. — Ele sussurrou e acariciou meus cabelos.

Então era fácil vencer ele.

Sorri.

— Foi um estresse terrível. — Comentei excessivamente pesaroso.

Ele afastou o rosto e acariciou o meu com os polegares.

— Você quer ir a praia? Ou quer dormir mais? — Ele perguntou.

— Acho que preciso dormir mais um pouco. — Falei e caprichei na expressão miserável.

Ele me abraçou de novo e acariciou meu cabelo.

— Vamos subir então, a cama é mais confortável do que esse sofá duro. — Ele falou e se levantou.

Agora eu entendia porque o meu eu atual gostava tanto dele, e o que o Edgar tinha dito sobre ele não ser interesseiro.

Eu tinha falado depósitos e plantações e ele se preocupou só comigo, ele tinha gerido o negócio durante cinco meses, devia saber que um depósito com brinquedos custava milhões e que o custo de uma semeadura era também alto.

E ainda assim, ele estava preocupado comigo.

Isso fez meu coração acelerar e eu sorri.

“Isso faz você dar o seu melhor.”

Já estávamos subindo para o terceiro andar quando eu voltei a mim.

Entramos no quarto e ele me levou para a cama.

Pegou o controle e apertou um dos botões.

As portas de vidro das varandas se fecharam e as cortinas também.

Ele ligou o ar-condicionado, me olhou e acariciou meu cabelo.

— Enquanto você descansa, eu vou preparar algo para você. — Ele disse e me beijou na testa.

Antes dele se afastar, eu puxei ele pela cintura e o abracei.

Meu rosto ficou na altura da parte superior do abdômen dele.

— Você pode me dar um beijo? Eu vou dormir melhor. — Falei para ele e olhei para cima.

Quando foi que eu fiquei assim?

Ele olhou para mim e sorriu.

Seus dedos deslizaram no meu cabelo, mas antes de terminar a carícia, ele puxou para trás.

Senti um arrepio na nuca e fiquei olhando para ele.

Ele abaixou a cabeça e plantou um beijo casto nos meus lábios.

— Assim? — Ele perguntou.

Antes que eu pudesse responder não, ele provou meus lábios em um beijo de verdade.

Mas antes que eu pudesse me empolgar, ele afastou os lábios.

— Ou assim? — Ele perguntou no meu ouvido.

Senti ele chupar o lóbulo da minha orelha e arrastar os dentes de leve.

Eu gemi.

Eu estava tão sedento dele que antes dele começar a me provocar, eu já estava excitado.

Eu poderia lutar contra quem viesse, se o prêmio fosse aquele.

Se sempre fosse ele.

Eu estava em uma urgência de provar e de sentir ele que nem percebi ele se afastando.

Agarrei ele pela cintura, antes que fosse tarde e coloquei ele contra o colchão.

Ele espalmou as mãos e virou o rosto com um sorriso safado.

Deslizei a mão por debaixo dele e desprendi o botão do short e baixei o zíper.

Puxei o short e a cueca e fiz o mesmo com os meus.

Deslizei a mão na pele lisa das costas, por debaixo da camisa e tirei ela dele, cobri o corpo pequeno com o meu e deslizei meu pau em sua entrada.

Fiquei roçando a glande por um tempo enquanto escutava seus gemidos roucos.

Me enfiei nele e escutei seu gemido rouco e longo.

Deslizei o nariz entre os fios do cabelo loiro e deslizei a mão esquerda na mão esquerda dele.

Comecei a me movimentar e sentir aquela sensação de segurança.

O cheiro dele era como uma droga e a pele tão macia era uma delícia de tão gostosa.

Ele gemeu gostoso contra o colchão e eu aumentei a velocidade.

Quando vi o rostinho doce, eu senti um arrepio na pele e parei.

Agora eu estava com uma vontade do caralho de beijar ele.

Porra!

Saí de dentro dele e fiz ele virar de frente.

Ataquei a boca dele sedento daquele gosto e me encaixei na entrada dele de novo, deslizando para dentro e sentindo meu corpo tremer com a sensação.

A língua dele deslizou na minha e ele chupou de leve, antes de gemer baixinho quando eu comecei a movimentar de novo.

Deslizei a mão na coxa lisa e descansei a cabeça no pescoço dele enquanto me enterrava nele.

Suas mãos agarraram a minha nuca e uma subiu para o meu cabelo e a outra desceu para as minhas costas.

Aquele arrepio de prazer que eu tinha sempre que ele arrastava as unhas no meu couro cabeludo era meu fraco.

Senti um arrepio na espinha e meu pau pulsar, e eu não me segurei, eu só me deixei levar.

Um tremor percorreu meu corpo e a minha respiração áspera e desregulada contra a pele branquinha molhada de suor, me fez perceber que eu tinha dependência dele.

Rolei para o lado enquanto ainda ofegava e depois virei de lado.

— Diga que sentiu a minha falta. — Murmurei o pedido e deslizei os dedos em seu rosto.

— Eu senti muito a sua falta. — Ele sussurrou e me beijou.

Continuei o beijo e deslizei a mão e seu abdômen, sentindo as cicatrizes nas mãos.

Segurei o pau ereto e comecei a masturbar devagar.

Os dedos dele deslizaram para os meus cabelos e ele apertou os fio e enfiou a língua na minha boca.

Quando comecei a movimentar mais rápido, a boca rosinha se desprendeu da minha e ele fechou os olhos deixando ela entreaberta.

Fiquei olhando para ele enquanto ele absorvia o prazer e meu coração acelerou com aquela visão.

Quando ele gozou um sorriso de satisfação aflorou em seu rosto e a respiração ofegante se tornou uma gargalhada baixa e infantil.

Deitei na cama ao lado dele e mirei o teto.

— Agora eu entendo porque o meu eu atual aceitou parar de fumar. — Falei com a voz rouca e olhei para ele.

O rosto bonito estava tranquilo e sereno.

— Ele sabe dos ganhos dele. — Ele falou e a voz aveludada estava rouca.

Quando ele olhou para mim, ele sorriu daquele jeitinho infantil que quebrava até o Edgar.

— Sempre que eu vejo você sorrir desse jeito, eu me imagino um pedófilo pervertido, você tem dezenove, com uma carinha pós foda de quinze. — Falei para ele.

— Agora eu tenho vinte. — Ele disse.

— Quando você completou? — Perguntei para ele.

— Dia sete de julho. — Ele respondeu.

— Desculpe se eu não estava com você. — Falei para ele.

Eu pedindo desculpas era algo que eu realmente não me imaginava fazendo.

— Tudo bem, eu estou acostumado, hum, no dia vinte e sete de julho, fez um ano que nós nos conhecemos. — Ele disse.

— Mesmo tendo esquecido de você, e das coisas que nós vivemos, eu sinto como se conhecesse você a muitos anos. — Falei para ele.

— Você foi a melhor pessoa que entrou na minha vida depois da minha mãe e do meu pai. — Ele disse.

— Para o meu eu atual ter feito o que fez por você, você também devia ser a pessoa mais importante da vida dele. — Falei e olhei para o teto novamente.

Agora ele possivelmente era a pessoa mais importante para o meu eu do passado também.

Senti um sorriso no meu rosto.

Ele realmente tirava de mim, apenas o melhor.

Os sentimentos rodavam ao meu redor e aos poucos se encaixavam no lugar devido.

Alguns eu conhecia bem, mas havia outros que estavam chegando com aquelas sensações que ele provocava em mim.

Olhar para ele, era como olhar as nuvens com formatos de barco, eram as que me deixavam feliz durante a infância, dissipavam as preocupações durante a adolescência e as que eu considerava sorte já na vida adulta.

Senti ele se levantar da cama e depois de um tempo, eu fui atrás dele.

Quando entrei no banheiro, ele já estava debaixo do chuveiro.

Depois de repensar sobre o que ele tinha dito, eu lembrei da conversa que tinha escutado de manhã.

Eu precisava provocar um encontro entre ele e o tal Rômulo.

Na minha presença é claro.

Entrei debaixo do chuveiro com ele e abracei seu corpo pequeno.

Ele se virou de frente e sorriu daquele jeitinho infantil.

— Vamos ficar o resto do verão, o que você acha? — Perguntei para ele.

— Você não tem que trabalhar? — Ele perguntou e me abraçou pelo tronco, descansando o queixo na parte inferior do meu tórax.

— Eu posso trabalhar daqui. — Falei para ele.

— E o Marsalis? — Ele perguntou.

— Ele não vai conseguir perturbar por um tempo. — Falei para ele.

O sorriso infantil surgiu no rosto dele de novo e os olhos brilharam.

— Então vamos ficar, eu adoro a praia. — Ele disse com entusiasmo.

— Então o Oliver adora a praia, mas está tão branco quanto a última vez que eu vi ele. — Brinquei.

Ele gargalhou ainda de forma infantil.

— A primeira semana aqui, eu tostei nessa praia, quando o Adam viu, ele ficou imaginando as mil formas que você mataria ele se me visse daquele jeito, o Camilo comprou mil litros de protetor solar. — Ele disse e gargalhou mais.

Fiquei olhando para ele e senti meu coração acelerar.

Era a primeira vez que eu sentia meu coração acelerar com algo tão simples.

— Hum, eu vou mandar desenvolver um bloqueador que consiga deixar você do jeitinho que é, e ainda assim passar o dia na praia. — Falei e apertei seu nariz bonito com o indicador e o médio dobrados.

Ele sorriu e depois ficou me olhando.

— Estou feliz por você estar aqui comigo. — Ele falou suavemente.

Deslizei os dedos entre os cabelos loiros avermelhados e beijei a testa dele com carinho.

— Vou levar você para cortar o cabelo. — Falei para ele.

— Eu não quero, a última vez que você me levou para cortar o cabelo, eu tive o desprazer de conhecer o Marsalis. — Ele disse com um bico.

— Ele não vai nos perturbar aqui. — Falei para ele.

— Eu não quero sair de casa. — Ele disse.

— Eu percebi que você quase não sai, estava querendo levar você, para tirar você um pouco de casa. — Falei para ele sem conseguir acreditar que eu estava falando aquilo.

— Eu não tenho muitas companhias para sair e não gosto de sair sozinho, além do quê, eu prefiro ficar em casa, tem tudo o que eu preciso e você não fica surtando para saber onde eu estou e com quem. — Ele disse.

Eu ri do comentário e peguei o sabonete e a esponja de banho.

— Surtando? — Perguntei.

— Eu sempre acho que você vai sacar a arma e matar quem quer que olhe para mim. — Ele disse e eu comecei a lavar ele.

— Se eu sou tão ciumento com você, o que fez você acreditar que eu compartilharia você com o Marsalis? — Perguntei para ele com a testa franzida.

— Você tinha acabado de acordar, tentou me enforcar e me deu uma bofetada, eu podia saber que você era possessivo mesmo sendo babaca, mas eu não consegui acreditar muito nisso. — Ele disse.

— Eu fiz tudo isso com você e você ainda me chama de babaca? — Perguntei para ele rindo.

Rindo!

— Eu sei que a sua antiga versão não me ama como a versão atual, mas eu já percebi que as duas gostam do que o meu corpo proporciona, eu sei que o seu eu antigo não desperdiçaria um encaixe tão perfeito por uma falta de respeito, não seria o Mikhail que gosta de sexo. — Ele respondeu.

Eu fiquei calado, porque eu já não tinha tanta certeza sobre a minha versão antiga não amar ele.

Quando terminamos o banho, colocamos nossas roupas novamente e descemos para o segundo andar.

Ele foi para a cozinha e eu para a sala.

— Edgar acaba de chegar. — Adam falou ao entrar na sala.

Olhei para Oliver e franzi a testa, ele sabia porque eu tinha recrutado aqueles oito.

— Eu quero falar com ele em particular, vamos juntos. — Falei para ele e nós descemos.

Assim que cheguei no primeiro andar, vi o tal Rômulo de longe, eu precisava provocar o encontro.

— Você! — Chamei.

Ele me olhou e veio na minha direção.

— Estou aqui senhor. — Ele disse.

Olhei o meu relógio de pulso e vi que ele marcava nove da manhã ainda.

— Daqui a vinte, vinte e cinco minutos, vá na dispensa de trás e traga uma caixa de carne bovina, algumas caixas de cerveja e cinco garrafas do martini para o Oliver também. — Falei para ele.

— Sim senhor. — Ele falou e saiu.

Segui com Adam para o porto da casa e encontrei Edgar subindo as escadas de acesso.

— Bom dia. — Ele falou.

— Bom dia Edgar, tem um tempo que estou querendo falar com você sobre algo, venha comigo um momento. — Falei para ele.

— Claro. — Ele falou e me seguiu.

Fomos para o bosque que tinha a esquerda da ponte, que no dia anterior eu não tinha visto e parei quando já estávamos distantes o suficiente.

— Quem é esse Rômulo e os amigos? Qual a relação deles com o Oliver? Por que eu convidei eles e os coloquei em preto e branco? — Perguntei para ele.

— Ele é o ex-namorado do senhor Oliver. — Ele respondeu.

Fiquei um tempo em silêncio e franzi a testa.

— Ex-namorado? — Perguntei sem conseguir acreditar.

As coisas que o Irlan tinha me contado sobre o antigo parceiro do Oliver vieram na minha memória.

“Ele disse que durante o seu último relacionamento, o parceiro dele era  constantemente violento com ele, ele contou que ele tinha o costume de colocar uma bala em um revólver calibre 38 e brincar de atirar nele enquanto tinham relações.”

Senti um tremor percorrer o meu corpo, e as especulações de Romeo e Otávio vieram a minha mente também.

“No final do ano, fomos visitar uma galeria de artes, lá nós vimos uma parede com pinturas perversas de uma silhueta branca sendo estuprada por sete silhuetas escuras, nos quadros menores eram outros abusos.

Em uma das pinturas, a mão da sombra estava cinza, eu achei que era a mão da sombra, mas podia ser uma arma?

Será que o Oliver conhecia quem fez aquelas pinturas?

Será que a sombra branca era ele?”

Senti uma pontada na cabeça e me apoiei no Edgar.

As imagens claras e límpidas de uma parede com quadros pornográficos de uma sombra escura com uma silhueta branca, a expressão de dor de Oliver e os sentimentos que eu senti naquele momento, tudo, veio a minha memória.

Abri os olhos e balancei a cabeça quando as lembranças se encaixaram em algum lugar da parte em branco da minha cabeça.

Mas não deu nem tempo de relaxar quando outra lembrança veio.

‘”Naquela noite, eu fui vê-lo para dizer que eu o amava e implorar a ele para ficar comigo, sim, eu o amava mais do que a mim mesmo.

Eu era como um peixinho que precisava do mar para viver.

Quando eu cheguei no bar que ele costumava ir com os amigos, ele me olhou com desdém, como se eu fosse uma doença que ele não queria pegar.

Mas ainda assim, cega pelo amor como eu estava, eu simplesmente me ajoelhei aos pés deles e levantei os olhos para ele.

Os olhos que um dia ele disse ser os mais incríveis que ele já tinha visto.

— O que você está fazendo aqui? — Ele perguntou amargo.

— Você pode me dar mais uma chance? Eu prometo que eu serei muito boa para você e farei o que você quiser. — Falei para ele.

Os olhos cor de mel que eu tanto adorava fitaram os meus com um brilho perverso.

— Tudo o que eu quiser? — Ele perguntou e sorriu.

Eu assenti.

Nós fomos para a casa dele naquela noite, e quando eu entrei no quarto, eu vi os sete amigos dele.

— O que é isso Nero? — Perguntei para ele sem conseguir entender.

— Você disse que faria tudo o que eu quisesse. — Ele falou.

Senti lágrimas em meus olhos.

— Você quer que eu transe com cada um deles? — Perguntei para ele.

Ele sorriu.

— Não minha doce criança, com todos eles ao mesmo tempo. — Ele disse e sentou.

Tentei fugir pela porta, mas antes que eu pudesse me seguraram.

— Se você me ama como diz que ama, faça isso por mim docinho, eu tenho essa fantasia de ver você com eles. — Ele falou.

Senti lágrimas de desespero deslizarem por meu rosto e tentei correr do quarto, mas ele me segurou.

Ele me deu um tapa forte que me fez cair no chão, e os amigos dele me chutaram.

Quando eles pararam rasgaram as minhas roupas e me colocaram no meio deles.

Eu lembro de ter pedido ajuda para ele.

Lembro de ter dito para ele que o amava.

— Por que você tem que ser tão sem graça? Foi por isso que eu me cansei de você. — Ele falou.

Eu chorei tanto naquela noite, que no dia seguinte, eu não conseguia mais chorar.

Eu senti as mãos dele em mim.

Eu sabia bem o que estava por vir e antes que eu pudesse me preparar, senti em minha pele a dor.

Os amigos dele me seguraram e eu senti quando eles entraram em mim, dois ao mesmo tempo.

Aquela sensação foi como se estivesse me rasgando.

Aquele devia ser o último nível da miséria humana.

Mas tudo podia ficar pior, e ficou pior quando eu senti um deles se enfiar na minha boca.

Quando os dois primeiros terminaram, vieram os outros.

Enquanto eu chorava e silenciosamente pedia socorro, ele simplesmente fitava meus olhos com aquele sorriso no rosto.

Eu ainda sou capaz de lembrar do meu próprio sangue escorrendo pelas minhas pernas, enquanto eles dilaceravam o meu corpo.

Foi naquela noite que eu entendi que talvez o problema fosse realmente eu, aquele foi somente o primeiro.

No dia seguinte, quando eu tentei ir embora, ele não me deixou ir.

Eu fiquei presa naquela casa, durante cinco meses, ele era como o sol na minha escuridão, eu o amava tanto quanto eu me amava.

— Por que você não para de chorar!? Mas que merda! Eu não aguento mais escutar seu choro! — Ele gritou.

Já tinham passado três dias desde a primeira vez, quando ele trouxe outra mulher.

Ele disse que eu não era suficiente para suprir as necessidades dele e que eu era muito gorda, por isso não estava aguentando ser estuprada todos os dias por aqueles homens asquerosos.

Foi quando eu tentei o suicídio.

Ele não teve coragem de me levar ao hospital.

Ele só me colocou em um latão de lixo, e eu estava tão magra que conseguiram me colocar em um latão pequeno.

Quando finalmente me tiraram de dentro daquele latão com os pulsos sangrando, eu já estava nas últimas.

Quando eu saí do hospital, eu decidi me avaliar.

Minha avaliação foi encontrar outra forma de morrer, sem deixar ninguém preocupado.

Foi aí que me ocorreu a ideia de ir embora para longe de tudo aquilo.

Quando eu entrei no avião uma semana depois, eu pensei que poderia realmente esquecer o pesadelo, mas sempre que eu fechava os olhos, o pesadelo vivido naqueles meses me assombrava, e eu simplesmente não conseguia seguir em frente sem danos.

Mas estar longe e não cair na tentação de amar ele de novo era o maior êxito que eu poderia ter.”’

A dor que eu senti enquanto estava lendo aquele trecho de livro era estarrecedora.

Balancei a cabeça e pisquei os olhos.

Assim que a lembrança passou, eu olhei para Edgar.

— Uma galeria de artes com quadros pornográficos. — Falei.

— Em dezembro do ano passado. — Ele confirmou.

— O que esse Rômulo estudou? — Perguntei para ele.

— Artes. — Edgar respondeu.

Outro tremor percorreu o meu corpo e a minha respiração ficou suspensa por um momento.

— Os quadros, os quadros eram dele? — Perguntei.

— Eram. — Ele respondeu.

— Onde estão esses quadros agora? — Perguntei para ele.

— O senhor Oliver queimou. — Ele respondeu.

As coisas foram se encaixando na minha cabeça gradualmente.

O trecho do livro, os quadros, as especulações do Romeo e do Otávio, e o que o Irlan tinha contado.

Tudo foi se organizando e todas as inseguranças que o Oliver tinha iam preenchendo as lacunas e dando certeza a teoria que eu tinha acabado de formar com base naquelas informações.

Olhei para Edgar e depois na direção da casa.

Olhei meu relógio e senti um calafrio ao ver que aquele tempo que eu achei que tinha sido pouco, na verdade tinha sido vinte e cinco minutos.

— Merda! — Exclamei e corri na direção da casa.

Quando eu cheguei no primeiro andar, não tinha nem sinal do Rômulo.

Subi as escadas, enquanto escutava os soluços perturbadores do Oliver.

— Não se aproxime! — Escutei Oliver gritar com a voz vacilante.

Quando finalmente cheguei ao segundo andar, olhei na direção da cozinha e parei imóvel.

Rômulo sorriu e deu um passo a frente.

O filho da puta estava cheio de si enquanto coagia ele.

— Oli, eu sei que você não quer fazer isso, você não gosta de me machucar, porque você sabe as consequências. — Ele falou em um tom frio e sem emoção.

Oliver prendeu a respiração quando ele deu mais um passo e seu corpo tremeu.

Aquilo era nada menos que medo.

Eu não consegui mexer um músculo do meu corpo.

Eu estava entorpecido com o medo que ele estava sentindo, com aquele controle que o desgraçado exercia nele.

— Fica longe. — Oliver soluçou as palavras enquanto as lágrimas deslizavam em abundância pelo rosto pálido.

— Abaixe a faca, agora. — Ele disse em tom ameaçador.

Oliver prendeu a respiração e os cílios longos tremularam quando ele começou a abaixar a faca.

O filho da puta sorriu.

— Agora me entregue devagar. — Ele ordenou.

Ele colocou a faca na mão dele e Rômulo sorriu enquanto dava um passo à frente.

Oliver soluçou com desespero e balançou a cabeça em negativa quando ele se aproximou.

Ele estendeu a mão sobre a cabeça dele e acariciou os cabelos loiros.

Senti um arrepio na pele e asco ao ver a cena.

— Você não foi um bom garoto Oli, o que eu faço com você? — Ele perguntou e deslizou a mão no rosto pálido.

O corpo do Oliver tremeu e ele soluçou novamente, enquanto mais lágrimas deslizaram pelo rosto dele.

Ele parecia estar entorpecido no lugar do mesmo jeito que eu estava.

— Acho que os rapazes e eu podemos brincar um pouco com você, o que você acha? — Ele perguntou e sorriu, enquanto deslizava os dedos nos lábios pálidos de Oliver.

Senti as lágrimas deslizando pelo meu rosto e franzi a testa.

Eu estava com ódio, mas aquelas lágrimas não eram por isso.

Aquelas lágrimas eram de dor, de dor por ele.

“Se você quer só me usar, seja violento, para que eu odeie você.”

A voz dele surgiu em minha cabeça.

Balancei a cabeça e apertei os olhos, mas minha cabeça doeu novamente.

“Mikhail, eu sei que eu sou sem graça, irritante e emotivo demais, mas você poderia… Você poderia gostar de mim? Só um pouquinho, se você gostar de mim só um pouquinho e não me descartar, eu farei tudo o que você quiser, eu vou amar você tanto quanto eu amo agora, ainda que você tenha outros… Eu não vou importunar você, hum.

Oliver, eu não quero outros, eu quero você, é impossível só gostar de você agora, porque eu já amo você.

Você pode me amar sem me dividir com ninguém?”

Era um diálogo mais longo de nós dois.

A dor cessou e eu abri os olhos.

Ele já estava mais perto do corpo trêmulo e pequeno.

O poder que ele parecia ter sobre ele, era assustador.

— Você me ama, não é Oli? Eu também amo você, nós vamos ficar juntos para sempre. — Ele sussurrou e um sorriso macabro surgiu em seu rosto.

Ele era alguém ruim, mas eu era muito pior do que ele.

Quando ele falou aquelas palavras eu senti meu corpo formigar de ódio e dei um passo à frente.

Mas antes que eu pudesse sacar a minha pistola, escutei o disparo partido do meu lado.

Rômulo deu um pulo assustado e olhou na nossa direção.

— Afaste-se agora! — Edgar exclamou.

Os olhos do rapaz se arregalaram e eu fui na direção de Oliver.

— Oliver. — Chamei e busquei seus olhos.

Ele ainda parecia entorpecido.

— Oliver! — Exclamei e ele se assustou.

Ele piscou os olhos e me olhou.

Ele buscou ar e seu corpo tremeu antes dele começar a soluçar.

— Mikhail... Eu não queria, eu não queria, eu juro. — Ele soluçou as palavras enquanto balançava a cabeça em negativa e seu corpo tremia compulsoriamente.

Senti meu corpo aliviar quando ele respondeu.

Edgar pegou o monte de lixo e ele olhou para Oliver.

— Oli, por que você está fazendo isso? — Ele perguntou com o rosto miserável.

— Tire ele daqui agora! — Gritei para o Edgar.

— Oli você não pode deixar ele me matar, você me ama. — Ele falou antes de Edgar puxar ele escada abaixo.

— Não, não, a culpa é minha, a culpa é minha, eu, eu não fui um bom garoto....

Ele murmurou enquanto seu corpo tremia e as lágrimas deslizavam pelo rosto pálido.

Funguei e segurei ele pelos ombros.

— Oliver, me escuta, não é culpa sua. — Falei para ele com a voz embargada pelo choro que eu estava segurando.

Os olhos azuis fitaram os meus.

— A culpa é do Oli, o Oli provocou, o Oli estava chorando sem parar, o Oli é profundamente irritante, o Oli pediu para brincar com todos, porque o Oli gosta, o Oli gos...

O resto da frase ficou no ar quando ele soluçou e recomeçou o choro desesperado, enquanto o corpo dele tremia.

— Oliver...

— O Oli ama o Rômulo. — Ele sussurrou entre soluços.

Senti meu coração afundar no meu peito e minha cabeça doer um pouco.

— Olha pra mim, Oliver. — Chamei.

— O Oli ama o Rômulo... Ele ama o Rômulo, ele tem que chorar baixinho, tem que suportar a pele queimando e o cano frio do revólver, porque o Oli ama o Rômulo. — Ele sussurrou com o olhar perdido.

— Oliver! Droga! Olha pra mim! — Gritei.

Ele se assustou e olhou para mim.

— O Oli...

Lágrimas novas surgiram em seus olhos enquanto ele fitava os meus.

— O Oliver não ama o Rômulo, o Oliver ama o Mikhail, lembra? O Oliver fez uma doação de sangue clandestina, o Oliver deixou o trabalho dele, o Oliver passou cinco meses no hospital com ele, o Oliver sofreu três atentados de morte para proteger ele, o Oliver passou por muitas coisas para ficar com o Mikhail, porque o Oliver ama ele, o Oliver ama o Mikhail, o Oliver tem medo do Rômulo, porque o Rômulo machuca o Oliver, o Rômulo não é bom para o Oliver. — Falei do mesmo jeito que falava.

Os olhos azuis finalmente ganharam foco e ele fitou os meus olhos.

Ele soluçou e o corpo relaxou ao me ver.

— Kil... Kil você demorou. — Ele soluçou as palavras.

Senti o alívio penetrar a minha pele e cobri o corpo pequeno em um abraço protetor.

— Me desculpe, me desculpe. — Sussurrei enquanto abraçava ele.

Quando ele ficou mais calmo, levei ele para o quarto e dei os remédios que o Irlan tinha receitado para ele.

Deitei na cama com ele e o abracei com carinho até o remédio fazer efeito e ele adormecer.

Quando ele já estava dormindo pesado, beijei a testa dele e levantei da cama.

Saí do quarto e Adam e Camilo se colocaram a porta.

— Os remédios que ele tomou são bem fortes, ele não vai acordar até pelo menos a madrugada, não saiam dessa porta até que eu volte. — Falei para eles e desci para o segundo andar, depois desci para o primeiro.

Assim que sai para a varanda Edgar apareceu.

— Traga-os aqui. — Falei para ele.

— Sim senhor. — Ele falou e saiu.

Depois de pouco tempo, ele voltou com os oito, amarrados com cordas nos pés e mãos.

Eles foram colocados de joelhos a minha frente e eu respirei fundo, colocando as mãos nos bolsos do short jeans.

Caminhei até o Rômulo e olhei para o Edgar.

— Solta ele. — Falei.

Edgar soltou prontamente.

Os olhos escuros fitaram os meus em um desafio.

— Você acha que eu tenho medo de morrer? — Ele perguntou.

— Vamos lutar, se você me vencer, eu deixo você ir, se eu vencer você fica. — Falei para ele.

Um sorriso surgiu no rosto dele.

— Está bem. — Ele disse.

Começamos a girar em círculos e ele tentou dar o primeiro golpe, mas eu desviei e chutei ele.

Ele se equilibrou e virou de frente para mim.

Ele tentou me acertar a segunda vez e eu segurei a mão dele e virei, depois virei o braço dele para trás com força.

Antes dele me dar uma cabeçada, enfiei o braço livre atrás da nuca dele e empurrei com força, soltando ele novamente.

Ele caiu no chão e eu comecei a chutar ele com força, descarregando todo o meu ódio.

— Você sabe porque você está apanhando? — Rosnei a pergunta alternando um chute e uma palavra.

Peguei ele pelo colarinho da camisa branca e fitei os olhos dele.

— Porque o Oli aprendeu a foder gostoso comigo, toda vez que ele mamar você, você vai lembrar de mim, porque eu ensinei ele a chupar gostoso daquele jeito. — Ele falou e riu.

— Você se acha muito, não é? Por conseguir descontrolar e controlar ele daquela forma, você se acha muito bom. — Falei enquanto sorria.

— Eu sou muito bom e você nunca vai conseguir controlar ele como eu controlo. — Ele disse.

Sorri mais.

— Você se acha bom porque consegue fazer o Oliver chorar? Você se sente bem com isso? Eu vou ensinar a você como fazer alguém chorar de verdade. — Falei para ele.

Um sorriso surgiu em seu rosto novamente.

— Pode vir. — Ele falou.

Eu ri baixo e aproximei mais meu rosto do dele.

— Você se acha capaz de tudo, por ser um sádico controlador, não é? — Perguntei para ele.

— Eu sou capaz de tudo. — Ele disse e sorriu enquanto fitava os meus olhos.

Eu ri novamente.

— Só para você saber, eu não sou o Oliver, e acho que você perde na disputa de quem é mais pirado, porque eu sou um sádico psicopata e eu tenho o costume de transformar gente como você em comida de cachorro. — Sussurrei no ouvido dele.

Ele riu.

— Vá em frente e me mate. — Ele falou.

Gargalhei baixo e fitei os olhos dele.

— Eu não vou matar você agora, mas você vai implorar de joelhos para morrer, fazer o quê, o Oliver tem uma certa inclinação para gostar de gente que não presta e eu Rômulo, eu sou o seu pior pesadelo. — Falei para ele e o joguei no chão novamente.

— Podemos levar eles? — Edgar perguntou.

— Leve os outros. — Falei para ele.

Edgar e os outros levaram os amigos dele e ficamos só nós dois.

— Você acha que o Oliver vai deixar você fazer o que quiser comigo? — Ele perguntou.

Eu sorri para ele.

— Ao contrário de você, eu sou muito ciumento e não gosto de dividir o que é meu, mas não se preocupe, ele não vai saber, eu vou tratar de fazer ele esquecer você, e o primeiro passo, vai ser tirar você do caminho, mas antes, eu vou brincar um pouco. — Falei e sorri para ele.

— Os Corvaque permitem que você faça o que quer com quem eles recrutaram? — Ele perguntou.

Eu gargalhei alto dessa vez.

— Deixa eu contar um segredo para você, eu... Sou o Corvaque legítimo, quem manda nessa porra sou eu. — Falei e dei um soco nele que o fez desmaiar.

Edgar voltou um tempo depois e amarrou ele.

— O que devemos fazer com eles? — Ele perguntou.

— Eu tenho alguns conhecidos da rua que gostam de brincar juntos, dê um de cada vez para eles, depois, inicie a tortura no nível seis, só não mate. — Falei para ele.

— Sim senhor. — Ele falou e saiu arrastando Rômulo.

Voltei para dentro e subi as escadas, entrei no quarto e depois de uma ducha, deitei na cama com ele.

Virei de lado e o rosto pálido estava voltando ao tom normal novamente.

— Parece que você realmente é capaz de me fazer amar você em pouquíssimo tempo. — Falei e acariciei a maçã esquerda do rosto bonito.

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Comments

Fátima Alfiery

Fátima Alfiery

nem consigo ir dormir. história prende a gente de tão boa. parabéns

2025-03-23

1

Gilvaneide Siqueira

Gilvaneide Siqueira

posta mas por favor

2024-10-01

0

gloria maria Fernandes de amorim

gloria maria Fernandes de amorim

choro, sofro e simplesmente apaixonada por esta história

2024-09-27

2

Ver todos

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