BÔNUS

OLIVER

Fechei os olhos e me imaginei em uma praia bonita, com um mar belíssimo e azul.

Antes que eu pudesse sorrir com a imagem que tinha se formado na minha cabeça, eu senti minha pele arder e logo em seguida o cheiro de pele queimada.

Aquela pele era minha.

Era a quinta queimadura, por tanto era o quinto cigarro.

O cheiro daquela coisa me dava enjôo, mas eu não podia dizer ao Rômulo sobre isso, ele não aceitaria de uma forma amigável.

— Você me ama, não é Oli? — Escutei a pergunta, mas não me dignei a responder.

Aquilo era a minha personalidade escrota vindo a tona novamente.

Eu odiava a minha personalidade.

Por causa dela, o Rômulo me achava irritante e cansativo.

Senti o meu rosto arder com a bofetada forte e ele entrar mais em mim, com força.oe

— Responda! — Ele exclamou.

Doeu.

Não o tapa, mas a entrada forte em mim.

— Eu amo. — Sussurrei para ele enquanto me dividia na dor.

— Seja um bom menino e eu vou dar o que você quer. — Ele falou.

Eu sabia bem o que eu queria.

Rebolei a bunda e senti ele entrar novamente em mim.

Olhei por cima do ombro, do jeito que ele tinha ensinado e mordi o lábio inferior, fechando os olhos em agrado.

Ele gemeu.

— Porra Oli. — Ele murmurou rouco.

Ele começou a entrar mais forte e a dor aumentou.

Quando ele estava perto de gozar, ele tirou o pau de dentro de mim e masturbou um pouco antes de gozar na minha bunda.

Ele deixou o corpo cair ao lado do meu e suspirou.

Estiquei o corpo ainda sentindo as dores.

Ele me olhou.

— Você é uma delícia. — Ele falou e sorriu.

Aquele sorriso que me desmanchava.

— Nós podemos ir a praia? — Perguntei para ele.

— Mas caralho, você é irritante, eu já falei que nós não vamos. — Ele falou e saiu.

Levantei da cama e fui para o banheiro.

Quando olhei no espelho me senti magro demais.

Mas ele gostava do meu corpo daquele jeito.

Na noite seguinte ele traria os amigos.

Suspirei pesadamente e fui para debaixo do chuveiro.

Liguei a água fria e senti meu corpo tremer quando tocou a minha pele.

Depois de um longo banho, entrei no quarto e coloquei minhas roupas.

Sai do quarto e fui direto para a cozinha.

Quando abri a janela da sala, o vizinho da casa ao lado estava na sacada da casa dele.

Ele acenou e sorriu para mim.

Sorri de volta e virei encontrando o Rômulo bem a minha frente.

— Você conhece? — Ele perguntou.

— Ele se mudou a três dias. — Falei para ele.

— Você sabe a hora também? — Ele perguntou com ironia.

Franzi a testa e baixei os olhos.

— Ele só tem o costume de dizer bom dia quando eu saio para colocar o lixo no latão. — Falei para ele.

Senti sua mão deslizar no meu rosto e tremi.

Quando os dedos chegaram ao meu queixo, ele agarrou o meu pescoço.

Prendi a respiração.

— Se eu encontrar você flertando com o vizinho de novo, você não vai gostar do que eu vou fazer com você. — Ele ameaçou em tom baixo e me soltou.

— Desculpe. — Sussurrei sem fôlego.

— Vá fazer a comida, os caras estão vindo hoje. — Ele falou.

Senti meu corpo tremer ao escutar a informação.

Me aproximei dele e o abracei por trás.

— Você poderia não permitir que eles... Você sabe, eu gosto quando somos só nós dois. — Falei para ele.

Ele segurou os meus pulsos e apertou.

— Eu sei que você gosta Oli, você gosta dos meus amigos e eu gosto de ver você com eles, eu sempre me sinto inspirado. — Ele falou naquele tom.

Aquele tom que me deixava morrendo de medo.

— Sim, eu gosto. — Sussurrei baixo.

Ele virou de frente e sorriu.

— Bom garoto. — Ele falou e acariciou minha cabeça.

Fui para a cozinha e comecei a fazer o jantar.

Os amigos dele chegaram perto das dezenove horas.

Tinha um deles que me odiava, acho que porque ele gostava do Rômulo.

Comecei a preparar a mesa do jantar, enquanto eles estavam sentados no sofá e quando terminei, eles vieram para a mesa.

Nos sentamos e eles começaram a se servir.

Quando todos eles terminaram, eu servi meu prato com o que tinha ficado nas travessas.

Quando fui dar a primeira garfada, um deles olhou para mim.

— Não coma tanto hoje Oli, não quero ficar com o meu pau todo sujo de merda. — Um deles falou.

Senti meu rosto corar e eles riram.

— Eu já ensinei ele a ficar limpinho. — Rômulo falou enquanto ria.

Fiquei em silêncio e não consegui comer mais nada.

Aquela foi uma das piores noites da minha vida.

Mas eu aguentei firme por ele.

Porque eu o amava.

Os dias que se seguiram, não foram diferentes daquele.

Mas eu já estava tão acostumado, que não sentia tanto quanto no início.

— Vamos lá, eu sei que você gosta de dois paus no seu cuzinho. — Escutei um deles falar enquanto se enfiava em mim.

A dor, não havia nada além disso.

Senti a mão de um deles correr na minha pele e o asco subir a minha garganta.

A mão áspera deixava o caminho que percorreu ardido.

— Eu sei que você quer Oli. — O outro falou.

Eu tinha aqueles sete como os príncipes do inferno.

Era uma boa referência.

— Já estamos nisso a dois anos, pensei que vocês iriam parar. — Escutei a voz irritante, mas que sempre me salvava.

— Por que você está enchendo a paciência com suas reclamações? — Um dos que estava masturbando o pau perguntou.

Senti uma lágrima deslizar no meu rosto quando os dois que me penetravam perderam o ritmo.

Gemi de dor e um deles gargalhou.

— Veja como você gosta Oli. — Ele falou e os dois começaram a se movimentar mais rápido.

Fechei os olhos e tentei imaginar uma praia deserta, onde só eu estava, as ondas me levavam e traziam em uma suavidade gostosa.

Senti o líquido quente em minhas costas e os dois finalmente me deixaram.

Tudo finalmente tinha chegado ao fim.

Eles se vestiram e saíram do quarto, me deixando na cama.

— Oli, limpe essa bagunça que você causou. — Escutei o Rômulo falar.

Senti as lágrimas novamente e dessa vez deixei elas virem.

No dia seguinte, quando finalmente tive a oportunidade de sair um pouco de casa para tomar um sol e ver outros rostos.

O vizinho da casa ao lado veio falar comigo.

O sorriso deslumbrante no rosto dele, me encantou de imediato.

— Olá, tudo bem? — Ele perguntou.

Sorri para ele.

— Tudo bem. — Falei para ele.

Eu estava todo machucado, todo queimado, mas eu não me importava tanto.

Talvez se eu ficasse doente o Rômulo fosse me mimar, como no início do nosso relacionamento.

— Eu me chamo Heitor, e você? — Ele perguntou e estendeu a mão.

— Oliver. — Respondi.

— É um prazer conhecer você Oliver, eu me mudei a pouco tempo, será que você pode me dizer onde tem uma conveniência por aqui, eu não quero ir no centro para comprar coisas básicas. — Ele falou.

— Claro, eu estou sem algumas coisas em casa, podemos ir juntos, a conveniência fica no segundo quarteirão, é bem próximo. — Falei para ele.

— Ah! Ótimo, ótimo, eu vou pegar a minha carteira e volto. — Ele falou.

Ele entrou na casa dele e depois de um tempo voltou.

— Podemos ir? — Perguntei.

— Cla...

— Para onde você vai Oli? — Escutei a voz do Rômulo.

Senti um arrepio na pele.

— Eu vou na conveniência, estou sem material para fazer a comida que você pediu. — Falei para ele.

— Eu trouxe tudo para você. — Ele falou.

— Você se lembrou? — Perguntei sem acreditar.

— Como esquecer, você adora esse prato tanto quanto eu. — Ele falou e sorriu.

Aquele sorriu deslumbrante.

Meu coração acelerou e eu sorri para ele também, olhei para o vizinho que aguardava e sorri cordialmente.

— É só você seguir rua acima, fica bem no canto da rua entre o segundo e o terceiro quarteirão. — Ensinei para ele.

Ele sorriu e segurou minha mão.

Depois de levar aos lábios e plantar um beijo nela, ele sorriu para o Rômulo.

— Muito obrigado, vocês são muito prestativos. — Ele falou e se foi.

Rômulo me olhou e nós entramos novamente em casa.

Quando a fechadura da porta fez clik, eu senti a mão pesada na altura da minha orelha, foi com tanta força que eu caí no chão.

Me ajoelhei rapidamente e olhei para ele sem entender.

Ele soltou a sacola no chão e me puxou pelo colarinho da camisa.

— Você pensa que eu sou um idiota? — Ele perguntou com os olhos arregalados.

Fiquei calado enquanto as lágrimas deslizavam pelo meu rosto.

Um soluço escapou dos meus lábios.

Ele odiava quando eu chorava soluçando.

— Rômulo, eu amo você, eu não fiz nada. — Sussurrei olhando no olhos dele.

Ele sorriu e me beijou furiosamente.

Os dentes dele se chocaram contra os meus e meus lábios foram feridos.

Ele se afastou e me deu um soco dessa vez.

Senti a dor lancinante e o sangue escorregar pelo meu rosto.

— Você não foi um bom garoto Oli. Ele falou e sorriu.

Eu tremi.

Ele arrancou a minha roupa e me segurou pelo pescoço com força.

Enquanto eu sufocava, eu fitava os olhos dele com desespero.

Ele me soltou novamente e socou meu rosto de novo.

Eu caí no chão e ele começou a me chutar com força.

Quando eu estava quase desacordado, ele pisou no meu rosto com a bota coturno.

— Você ainda quer flertar com aquele filho da puta? — Ele perguntou.

Solucei e ele apertou mais.

— Se eu encontrar você com ele outra vez, eu não serei tão bonzinho. — Ele disse.

Eu tinha sentido algo se quebrando no meu corpo e fiquei parado, mas quando eu tentei levar ar aos meus pulmões doeu ao ponto de eu querer gritar.

Me controlei ao máximo e comecei a respirar devagar, sem profundidade.

— Levanta daí e vai fazer o que eu mandei! — Ele exclamou e me puxou pelo braço, me colocando de pé.

Senti a ardência na minha pele, mas a dor nas costelas era muito maior.

Os dias passaram e eu estava com tanta dor que eu mal podia respirar.

Era um sábado, preparei a comida e ajustei tudo, fui para o quarto e deitei na cama.

Eu peguei no sono rápido.

Quando escutei os ruídos, já tinha alguém tirando a minha roupa.

Senti o primeiro, o segundo e o terceiro.

Acho que o meu espírito já estava fora do meu corpo, porque eu não estava sentindo mais nada.

Seria aquele o meu final?

Eu perdi a consciência, mas não me importei muito com o que se passava ao redor.

Eu estava confiante de que aquilo iria passar e eu teria o meu encontro com o diabo.

— Oliver, você pode me ouvir? — Era a voz da Beatrice.

— Oliver. — Agora era a voz do Fabiano.

Abri os olhos e vi os dois.

— Graças a Deus. — Beatrice falou aliviada.

— O que aconteceu? — Perguntei.

— Encontraram você em um latão de lixo na frente da casa do seu vizinho a um mês atrás. — Ela respondeu.

Fechei os olhos novamente e senti um calafrio.

— Vocês podem me deixar sozinho. — Pedi em um sussurro.

Escutei os passos e depois a porta se fechar.

Se eu já tinha lido todo tipo de romance e nenhum retratava o amor daquela forma que o Rômulo demonstrava, o que eu ainda estava fazendo lá?

...***...

— Quem é aquele? — Perguntei para Alicia a garota do cabelo rosa que era secretaria do Ian.

— Quem? — Ela perguntou e olhou na direção.

— Aquele cara com o brutamontes? — Perguntei.

— Aquele é o Otávio Jackson, trabalha por esporte, o boy dele é podre de rico. — Ela respondeu.

— Ele não se incomoda com aquele cara lá em cima dele? — Perguntei.

— Aquele é o Heron, ele é o segurança dele, a um tempo atrás ele sofreu uma ameaça de morte, por causa do marido dele, tomou três tiros, aí o marido dele decidiu colocar esse cara no pé dele. — Alicia disse o histórico completo do rapaz.

— Oliver, entra aqui, deixa eu mostrar o que a diretoria quer de você. — Escutei Ian falar.

Entrei no escritório dele e fechei a porta.

Depois de conversar sobre todo o assunto, fui convidado pela Alicia e pela Joana para ir em um pub que elas tinham descoberto.

Eu não queria sair, mas eu não podia dar mais bandeira do meu estado deplorável do que eu já estava dando.

Já que eu estava me obrigando a sair, eu me daria ao luxo de ir além e tirar um pouco do estresse.

Peguei o celular e mandei uma mensagem para o Heitor.

Eu tinha conseguido o contato dele graças a Beatrice, e nós passamos a conversar com frequência.

Naquela semana ele estava ficando em Savana para um evento de trabalho.

Chegamos ao pub e eu pedi um Martini.

Mandei a localização do lugar para ele e esperei.

As duas começaram a conversar e eu apenas afirmava, sem escutar muito a conversa.

O Otávio de quem a Alicia tinha falado mais cedo estava no pub também.

— O marido dele é dono. — Escutei a voz da Alicia.

Dois caras grandões passaram perto de nós e um deles sentou na mesa do Otávio.

Os cabelos negros eram ondulados e pareciam bem tratados, a pele dele tinha um tom bonito e corado e ele usava preto, até mesmo a camisa dele do terno era preta.

O rosto bonito de nariz teimoso e queixo arrogante, davam a ele um ar imponente.

Ele deslizou os dedos nos cabelos e eles deslizaram para o rosto dele de forma sexy.

— E ele? — Perguntei.

— Hum, eu não sei. — Ela falou.

— Meu marido está mandado mensagem, eu preciso ir, Oliver, você vai ficar mais? — Alicia perguntou.

— Vou, estou esperando alguém. — Falei para ela.

— Nesse caso você não vai ficar sozinho, eu também já estou indo. — A Joana falou.

— Está bem, nos vemos. — Falei para elas.

As duas foram embora e o barman se aproximou.

— Mais um senhor? — Ele perguntou.

Afirmei para ele.

— Você conhece aquele homem que está sentado na mesa do Otávio? — Perguntei para ele.

— O senhor Jackson ou o senhor Negrini? — Ele perguntou.

— O de cabelo escuro e olhos dourados. — Falei para ele.

— Aquele é o senhor Negrini, ele é o melhor amigo do senhor Jackson. — Ele respondeu.

Eu estava atraído por ele, pela presença impactante e pela figura imponente.

— Negrini. — Repeti o sobrenome.

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Comments

Janetf Ferreira

Janetf Ferreira

O mix de sentimentos que este capítulo causou em mim não está Escrito... chorei muito 🥺🥺😭

2024-12-27

1

linn_🍋🍎

linn_🍋🍎

......

2025-03-13

0

Ver todos

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