...🌈|A MINHA ARMA VAI PEDIR CONTA DA SUA OUSADIA.|🍁🍂...
Na manhã seguinte, quando acordei, ele não estava mais ao meu lado na cama e meu corpo estava pegajoso.
Levantei da cama e fui para o banheiro, tomei uma ducha fria e longa e saí para o closet.
Coloquei um terno e quando comecei a colocar o anel da minha família, vi a aliança no meu dedo anelar.
Tirei e olhei, ela era dourada, com três pequenas pedras de diamante em linha reta e o nome Oliver sobre as três pedrinhas, escrito em uma linha vertical.
Respirei fundo e coloquei ela na gaveta.
Sai do closet e desci as escadas, onde André me esperava.
— Bom dia, senhor. — Ele falou.
— Vamos para o escritório dois. — Falei para ele.
— Sim senhor. — Ele disse enquanto me seguia.
Assim que entrei no carro, Jean deu partida e saiu.
— Quando Edgar volta? — Perguntei para André.
— Dentro de cinco dias senhor, mas eu acho que ele virá antes, o senhor Oliver avisou a ele que o senhor acordou. — Ele disse.
Olhei para fora e depois pisquei os olhos com raiva da curiosidade que eu estava sentindo.
— E ele? — Perguntei.
— Ele foi para a universidade. — Ele respondeu.
— Universidade? — Perguntei.
— Sim senhor, ele foi convidado para um simpósio. — Ele respondeu.
— O que ele faz? — Perguntei para ele.
— Ele é escritor, e sempre é convidado para esses simpósios de literatura. — Ele respondeu.
— Como ele é geralmente? — Perguntei para ele me mortificado por estar tão interessado naquele garoto.
Se bem que ele era uma delícia, e a pele dele era o caralho de atraente.
Senti um arrepio na espinha só de lembrar o jeitinho que ele se ajeitou debaixo de mim naquela madrugada.
— Ele é gentil com todos, mas nunca se aproxima muito de nós, ele tem mais contato com o Edgar, o Adam e o Camilo. — Ele respondeu.
— Por que ele não se aproxima de vocês? — Perguntei curioso.
— O senhor não gosta. — Ele respondeu e eu senti sinceridade em sua voz.
— Então porque eu deixo o Adam e o Edgar? — Perguntei para ele.
— Acho que o Adam, porque ele está com ele desde o início, acho que o senhor permite porque ele sabe lidar com o temperamento do senhor Oliver, o Edgar eu acho que nem preciso dizer, o senhor confia nele de olhos fechados. — Ele respondeu.
— Mas vocês não são da equipe do Adam? — Perguntei para ele.
— Nossa equipe se dissolveu quando o senhor Oliver impôs ao senhor somente um segurança, o Adam acabou se tornando o segurança pessoal dele e o Átila assumiu a função de administrador da segurança da mansão principal. — Ele respondeu.
— Agora o Adam não tem uma equipe? — Perguntei para ele.
— Hum, não senhor, ele é para o senhor Oliver, como o Edgar é para o senhor. — Ele respondeu.
— Se o Adam está de férias, quem está com o Oliver agora? — Perguntei e estranhei o nervosismo em minha voz.
— Como o senhor Oliver foi ameaçado de morte três vezes, o senhor Onan junto com o senhor Liam e o Edgar, acharam por bem colocar a equipe cinco e seis para fazer a proteção dele, as duas equipes estão sendo lideradas pelo Átila e pelo Robert, como o senhor Oliver sempre está saindo nós revezamos na organização da segurança da casa. — Ele respondeu.
— Por que ele sai de casa se foi ameaçado tantas vezes? — Perguntei sem entender.
— O senhor Oliver é teimoso e vem de uma realidade diferente da nossa, foi por isso que o senhor deixou ele livre para ir onde quiser. — Ele disse enquanto Jean estacionava o carro na frente do escritório dois.
Assim que André abriu a porta do carro, eu desci e segui para dentro.
— O belo adormecido está de volta. — Escutei a voz da Hanna.
Olhei para ela e sorri de canto.
— O que faz aqui? Há um tempo que não vem me visitar. — Falei e fui entrando.
— Só queria saber como você estava. — Ela disse e seguiu ao meu lado.
— Bem. — Falei para ela.
— Preciso dizer uma coisa. — Ela falou.
— Estou escutando. — Falei e sentei na cadeira de couro.
Ela sentou em uma das cadeiras à frente da minha e cruzou as pernas.
— Meu primo ainda está furioso sobre a concessão do cassino, ele quer se vingar de você, já que não conseguiu matar o seu precioso Oliver, ele vai tentar sequestrá-lo e vai torturar ele, até você assinar os documentos que ele quer. — Ela falou.
— Ele me fará um favor sequestrando aquele pirralho teimoso, desde que acordei, ele tem me dado nos nervos, só não matei ele ainda porque ninguém deixou. — Falei enquanto ligava o computador.
— Por que você….
— Eu não faço a mínima ideia de quem seja esse rapaz que está na minha casa. — Falei sem deixar ela terminar.
— Então você não se lembra de nada? — Ela perguntou.
— Absolutamente. — Falei para ela.
Ela sorriu, parecia muito contente com isso.
— Hum, está bem então, vamos almoçar juntos hoje, o que acha? — Ela perguntou.
— Pode ser, tem um tempo que não nos vemos. — Falei para ela.
— Eu tenho que resolver alguns assuntos, mas podemos nos encontrar no nosso restaurante favorito. — Ela disse e saiu.
Parei o que eu estava fazendo e franzi a testa com desconfiança.
Niel passou pela porta depois de um longo tempo e me olhou com um sorriso.
— Seja bem vindo de volta, senhor. — Ele disse.
— Traga todos os relatórios desses meses que eu fiquei fora. — Falei para ele.
André passou pela porta.
— O senhor Oliver falou com o senhor? — Ele perguntou colocando o tablet na minha frente.
Levantei os olhos para ele e levantei.
— Ele esteve aqui? — Perguntei para ele.
— Sim senhor, ele disse que o simpósio foi cancelado porque três professores estavam doentes. — Ele disse.
Respirei fundo e deslizei os dedos nos cabelos.
Caralho! Eu já tinha batido nele sem querer e agora ele tinha escutado o que eu tinha dito para a Hanna, ele iria embora de vez.
Franzi a testa e sentei em meio a confusão que estava na minha cabeça.
Por que eu me importava tanto se ele iria embora ou não?
E se o Liam tivesse dito a verdade e o meu eu de agora gostasse tanto daquele garoto ao ponto de dar a vida por ele?
"Por que você Oliver, você é quem eu quero, e ninguém, ninguém vai tocar em você para machucar, nem mesmo eu."
Essa frase era minha?
Se aquela frase era minha, então eu realmente gostava do garoto?
Balancei a cabeça quando ela começou a doer e olhei para Niel.
— Traga os relatórios mensais e semanais. — Falei para ele.
— Sim senhor, nós estamos com brinquedos novos no depósito. — Ele falou.
— Vocês não estão babando o ovo do Oliver agora? Porque não fala para ele supervisionar? — Perguntei para ele com desdém.
— O senhor Oliver não tem permissão para entrar no depósito de brinquedos e nem na sala de jogos. — Ele falou.
Olhei para ele e arqueei a sobrancelha.
— Por que não? — Perguntei.
— O senhor Onan tinha sugerido ensinar ao senhor Oliver sobre os brinquedos e os jogos, mas o Edgar disse que o senhor não queria envolver o senhor Oliver nisso. — Ele respondeu.
— Pelo menos isso, agora traga os relatórios. — Falei para ele.
Assim que ele colocou as cinco pastas grandes sobre a mesa, eu me senti aliviado.
Comecei a ler os relatórios desde o dia em que eu sofri o atentado até o dia anterior.
Terminei de ler, já passava das oito horas da manhã.
Levantei e estiquei meu corpo.
Saí do escritório e voltei para casa.
Tudo estava silencioso e calmo.
Subi as escadas e entrei no quarto.
O garoto não estava mais.
Tomei uma ducha fria, porque já estava fazendo calor e saí do banheiro pelado, depois de me secar.
Fechei as janelas, às cortinas, liguei o ar-condicionado e deitei do meu lado da cama.
Assim que deitei apaguei.
Acordei com as batidas ruidosas na minha porta e peguei a minha pistola.
Coloquei minhas calças e fui na direção da porta.
Assim que abri, apontei a pistola.
Não tinha ninguém.
— Tio Mik, você está brincando de atirar água também? — Escutei a pergunta e olhei para baixo.
O menino de pele escura e olhos verde avelã sorriu para mim.
Oliver apareceu só de sunga e uma camisa térmica como a do menino.
Ele olhou para a pistola e colocou o pequeno para atrás dele.
— Hum, me desculpe por isso, eu não achei que você estivesse aqui. — Ele disse.
— Essa é a minha casa, onde mais eu estaria? — Perguntei para ele.
— Pensei que estivesse com a sua amiga Hanna. — Ele comentou.
— Tio Oli, quem é Hanna? — O menino perguntou.
— Ninguém importante, vamos descer. — Ele disse e começou a sair, mas eu o segurei.
Olhei o rosto dele e franzi a testa.
— Por que você não usa bloqueador solar? Seu rosto está ficando vermelho. — Falei e fiz o rosto dele virar, mostrando a marca da minha mão.
Senti meu corpo inteiro ficar desconfortável com a marca e soltei ele.
— O tio Oli está ficando igual a um tomate. — O menino disse e riu.
— Podia ser uma cereja, não é? Você sabe que eu não gosto de tomate, e me parecer com um me agrada menos. — Ele falou.
O menino sorriu.
— Eu também não gosto de tomate. — Ele falou conspiratório.
Oliver riu e o meu coração acelerou.
— Falando em tomate, eu fiz comida, mas coloquei na beira da piscina, se quiser se juntar a nós, fique à vontade. — Ele disse e foi na direção das escadas.
Entrei no quarto e fui para o closet, coloquei uma cueca preta e um short jeans preto com rasgos na coxa.
Calcei um par de chinelos e saí do closet e do quarto.
Sem camisa.
Desci as escadas e encontrei Átila no caminho.
— Bom dia senhor, os novos seguranças desceram da montanha hoje cedo, à noite o mais tardar, eles estarão no pátio para apresentação. — Ele falou.
— Deixe isso para o final de semana, estou muito ocupado com o trabalho nos escritórios. — Falei para ele.
— Sim senhor. — Ele disse e saiu.
Continuei meu caminho e fui para a piscina, assim que cheguei, Oliver estava com o menino sentado do lado da piscina fazendo bolhas de sabão.
Fui para a cozinha que ficava na lateral e me servi de comida.
Sentei em uma das cadeiras ao redor da mesa e fiquei olhando enquanto os dois brincavam.
Ele parecia uma criança também, e perto do menino, isso era ainda mais perceptível.
— Você deveria me agradecer por ser um bom amigo. —
Escutei a voz do Romeo.
Olhei para ele, que sentou ao meu lado.
— Por que você está dizendo isso? — Perguntei para ele e comi mais.
— Seu garoto emagreceu, mas ele ainda está saudável, eu não consegui controlar ele algumas vezes, como no dia da doação de sangue, mas de resto eu me virei bem. — Ele disse.
Olhei para ele.
— Estou frustrado por não lembrar de nada, pelo que todos falam, eu mudei da água para o vinho em poucos anos e agora estou cadelando por um moleque que tem jeito de criança. — Falei para ele.
— Eu não sei bem o que aconteceu na vida do Oliver, mas pelos altos que ele deixa escapar sem querer, a vida dele foi bem fodida. — Ele disse.
— Estou tentando ser tolerante com tudo isso, mas não é da minha natureza. — Falei para ele.
— Acho que se você conseguiu uma vez, você consegue duas. — Ele disse.
— Eu bati nele sem querer no dia que eu cheguei em casa, e naquela mesma noite, ele…
— Ele transou com você? É normal, pelo que você me diz, quando ele está com raiva de você, ele tortura você na cama. — Ele disse e riu.
— Isso não é benefício para mim? — Perguntei para ele.
— Não quando ele passa a noite inteira, você disse a um tempo atrás que faria cinco séries a mais na academia, para poder dar conta do fogo dele, acho que isso deve significar alguma coisa para você. — Ele disse e se levantou.
Vi ele caminhar na direção dos dois e beijar o menino.
Fiquei olhando enquanto Oliver sorria animado.
Ele parecia inocente e doce com o cabelo longo e molhado cobrindo a metade do rosto.
Ele afastou uma parte e colocou atrás da orelha enquanto ainda fazia bolhas de sabão.
Eu fiquei com eles pelo resto da tarde.
Quando deu dezesseis horas, Oliver levou o menino para dentro e eu também entrei.
Depois de uma ducha e colocar um short jeans e uma camiseta, desci as escadas.
Os dois já estavam na sala, sentados no sofá.
Oliver estava com uma camiseta azul clara de manga longa e um short jeans fino, azul claro.
O menino estava usando uma camiseta vermelha escura e um short fino com pequenos pontinhos vermelhos.
Sentei no outro sofá e liguei a televisão.
Quem diria que em uma quarta-feira eu estaria assim, sentado na sala como se tivesse apreciando a vida familiar.
— Fique aqui um pouco, eu vou buscar uns doces que eu fiz. — Oliver falou e o menino assentiu.
Assim que ele saiu, o menino veio para o meu lado e ficou de pé.
— Tio, você está estranho com o tio Oli. — Ele falou e cruzou os braços.
— Eu não sou assim o tempo todo? — Perguntei para ele.
— Não é, você gosta de brincar e você disse que a comida do tio Oli é a sua favorita, você também disse que o tio Oli é o seu menino fofo e mimado. — Ele disse enquanto o pé insistia batendo no sofá.
— Fofo e mimado? Eu disse isso? — Perguntei para ele.
— Você disse. — Ele afirmou com a cabeça.
— Olha o que eu trouxe. — Oliver falou entrando na sala com um prato de biscoitos escuros com pequenos pontinhos brancos.
— São os meus favoritos! Yes! — O menino exclamou com entusiasmo e pegou dois.
Ele sentou do meu lado e deu uma mordida em cada um.
— Tio você quer? — Ele perguntou com a boca cheia.
Olhei para ele com as bochechas gordas cheias e tirei um lenço do porta lenço que Oliver trouxe na outra mão.
— Não fale com a boca cheia. — Falei severamente para ele e limpei o canto sujo da sua boca.
Ele fez um bico amuado e foi sentar ao lado do Oliver.
— Está tudo bem, o tio Mik só está ensinando você. — Ele falou para o menino.
Franzi a testa e arqueei a sobrancelha.
— Eu vou para o escritório. — Falei e saí.
Depois de um longo tempo, ele entrou no escritório.
— Você não sabe bater? — Perguntei para ele.
— Eu não preciso bater. — Ele falou enquanto entrava.
Olhei para ele e me levantei.
— Escuta aqui…
— Escuta aqui você Mikhail, você me tratar como se eu fosse ninguém, tudo bem, agora você falar com Daniel daquele jeito, eu não vou permitir. — Ele falou apontando o dedo na minha cara.
Será que ele não tinha nenhum tipo de respeito por mim? O que eu era para ele? Um palhaço.
Segurei seu pulso e apertei, mas ele não fez nem careta de dor.
— Será que eu não ensinei você a me respeitar? — Perguntei para ele.
— Eu não sou um subordinado seu que deve abaixar a cabeça quando você levanta a voz, eu sou seu companheiro Mikhail. — Ele disse com os olhos nos meus.
— Eu não reconheço você. — Falei friamente.
Ele sorriu.
— Você nem mesmo se reconhece, olhe para você agora, e eu estou falando com o Mikhail de vinte e seis anos, eu não sei se sinto raiva ou pena de você, ninguém respeitava você de verdade, todos só tinham medo de você. — Ele falou com acidez.
Senti um amargo na língua quando escutei aquelas palavras e apertei mais o pulso dele.
— Quem você pensa que é? — Perguntei para ele.
— Eu estou dizendo apenas a verdade. — Ele disse.
— É melhor que eles tenham medo, do que sejam como você. — Rosnei com raiva.
— Sim, e na primeira oportunidade que tiverem, enfiem uma bala no meio da sua testa, como aconteceu dois anos atrás, você acha mesmo que essa máscara de mafioso sanguinário faz alguém respeitar você? Eu só vejo nela o quanto você está com medo. — Ele sussurrou com o rosto próximo ao meu.
Os olhos azuis como o mar aberto estavam com as pupilas dilatadas quase cobrindo a íris.
Por que as palavras dele me afetavam tanto?
— Eu só não mato você…
— Por que ninguém deixou? Minta o quanto quiser para si mesmo. — Ele falou enquanto sorria com presunção.
Tirei a pistola do cós e apontei para a cabeça dele.
— Não me desafie. — Falei para ele.
— Vamos lá Mikhail, não tem ninguém aqui agora, atire. — Ele falou e tocou a testa no cano.
Senti um calafrio na espinha e uma sensação estranha.
Parecia que o meu corpo não queria fazer aquilo.
Senti minha cabeça latejar e soltei a pistola, a dor era insuportável.
"Eu não vou machucar você, será que você pode acreditar em mim? Eu procurei você no início, porque você me deixou fraco com aquela mamada, mas depois, eu queria cuidar de você e ter você ao meu lado, será que nós podemos tentar?"
Fechei os olhos com força quando o rosto borrado dele, ou eu achava ser o rosto dele surgir diante dos meus olhos.
Ele parecia terno e adorável.
"Eu acredito em você."
Era a mesma voz, a voz dele.
A dor terrível amenizou e eu abri os olhos.
Eu já estava sentado na cadeira de couro e o rosto preocupado estava diante do meu.
Deslizei a mão na testa, enquanto minha cabeça ainda latejava e respirei fundo.
— Você está gelado. — Escutei ele falar com preocupação.
— Eu estou bem. — Falei e tentei afastar ele, mas sem sucesso porque minhas mãos estavam fracas demais.
Ele deslizou a mão no meu rosto e eu fitei os olhos dele.
Ele parecia estar realmente preocupado.
Os fios finos do cabelo loiro deslizaram para o rosto quando a brisa suave e quente de final de primavera penetrou pela porta da varanda do escritório.
Senti meu coração palpitar quando o cheiro penetrou minhas narinas e eu fiquei automaticamente mais calmo.
Ele sentou no meu colo e me abraçou com carinho.
O aperto fez meu corpo enrijecido relaxar instantaneamente.
Aquele efeito do caralho que ele tinha em mim, era surreal.
Seus dedos deslizaram no meu cabelo e seus lábios tocaram os meus, foi aí que eu me rendi completamente.
Ele podia me pedir um rim naquele momento e eu daria, eu daria rindo.
Meu pau não entendeu que aquilo era apenas um carinho e ficou duro igual pedra.
Eu fiquei com raiva dele e do meu próprio corpo por isso.
Deslizei a mão no quadril magro e subi com ela pelas costas, sentindo os relevos na pele dele.
Sua língua deslizou para minha boca, em busca de companhia e eu deslizei a minha língua na dele, enquanto nossos lábios trabalhavam em conjunto com elas.
Nós dois éramos realmente compatíveis e por um motivo estranho eu adorava isso.
Senti as unhas deslizarem no meu couro cabeludo e gemi do fundo da garganta, contra os lábios dele.
Senti seus lábios molhados em meu pescoço e suas mãos hábeis abrindo o botão do meu short e baixando o zíper.
Ele puxou o short e a cueca um pouco e meu pau saltou para fora completamente duro.
Ele me fitou e sorriu de um jeito safado.
Olhei na direção da porta entreaberta e depois para ele.
— O menino….
— Ele já foi. — Ele falou e sua voz parecia a voz de um anjo.
— E se alguém…
— Ninguém entra sem bater. — Ele disse com os olhos ainda nos meus.
Senti uma das mãos penetrar entre minha camiseta e meu corpo e deslizar em minha pele até o peito.
A mão passeou por ali e a outra segurou meu pau.
Ele movimentava a mão mexendo o punho, subindo por um lado e descendo pelo outro, às vezes sem pressão, às vezes com pressão.
Soltei um longo gemido e suspirei áspera e ruidosamente.
Eu queria fechar os olhos para sentir, mas os olhos dele estavam cravados nos meus.
Ele deslizou a língua no lábio superior e mordeu o lábio inferior.
Senti meu corpo estremecer.
Maldito!
Ele deslizou a língua na glande e eu gemi, sem conseguir absorver aquele prazer intenso.
Quando ele me engoliu todo, até a base, suas unhas se cravaram na minha pele e despencaram até o meu abdômen deslizando para a direita no quadril.
Meu corpo tremeu e eu agarrei os braços da cadeira jogando a cabeça para trás.
Eu não sei se eu gargalhava, ou se eu gemia com a sensação de sentir a garganta dele.
Inferno!
Voltei a olhar para ele e os olhos redondos e inocentes fitaram os meus novamente.
Como ele conseguia?
Ele estava engolindo o meu pau inteiro igual a um profissional do sexo e me olhava com aqueles olhos doces e adoráveis de menino inocente.
Senti a garganta dele de novo, de novo e de novo.
As unhas riscaram meu quadril novamente e meu corpo tremeu enquanto meu pau pulsou na boca dele.
Soltei um gemido longo e rouco e senti a garganta dele de novo.
Senti suas unhas na minha coxa e apertei mais o braço da cadeira.
Quando as unhas deslizaram da minha coxa para o quadril, o meu corpo tremeu novamente, o meu pau pulsou e eu me desmanchei na boca dele, sentindo o meu corpo inteiro entrar num estado profundo de êxtase.
Eu já tinha tido orgasmos, mas nada comparado aquilo, nem daquele jeito.
Ele me vestiu novamente como se eu fosse um incapaz e na verdade eu realmente estava incapaz naquele momento.
Seus olhos adoráveis ficaram ao nível do meu quando ele se apoiou nos braços da cadeira e se inclinou para a frente.
Seus lábios tocaram os meus castamente e ele sorriu de um jeito infantil que me deixou desarmado.
— Não se esforce muito, você vai conseguir lembrar em algum momento. — Ele sussurrou e se afastou.
Vi ele sair do escritório como se nada tivesse acontecido e pela primeira vez na vida eu me senti usado.
Naquele momento eu entendi porque eu tinha dito "demônio pra foder".
Tio passou pela porta assim que ele saiu e eu ainda estava largado impotente naquela cadeira.
— Sua reunião com os locatários dos cassinos é agora, o Niel já organizou a sala de reuniões e todos já estão aí. — Ele falou.
Assenti e virei a cadeira.
— Me dê uma mão aqui. — Falei e estendi a mão.
Minha voz estava fodida.
— Você está bem? Se quiser posso marcar a reunião para outro dia. — Ele falou e segurou minha mão.
— Eu estou bem. — Falei para ele depois que ele me puxou.
— Oliver disse que você teve uma dor de cabeça. — Ele disse.
— Eu estou bem. — Falei para ele e firmei as pernas.
O filho da puta tinha me deixado mole.
— Não parece bem, eu vou ligar para o Raimundo. — Ele disse e enfiou a mão no bolso para pegar o celular.
— Eu estou realmente bem, vamos. — Falei para ele.
Quando chegamos a sala de reuniões, ele estava sentado na cadeira à direita da minha.
Assim que me viram, todos se levantaram.
— Boa noite. — Falei para eles e fui sentar no meu lugar.
— Boa noite, senhor. — Todos eles responderam.
— Boa noite. — Tio falou.
— Boa noite, senhor. — Todos responderam.
Sentei na minha cadeira, de frente para Oliver e Tio sentou na cadeira da cabeceira.
Alexandre estava na mesa também.
— Por que há tantos seguranças aqui? Pensei que você confiasse nos seus sócios. — Ele falou para o Tio.
— Sócio? Que eu me lembre você apenas comprou o serviço do cassino do senhor Corvaque, por três anos. — Oliver comentou.
Tio olhou para Alexandre e sorriu.
— Foi um ótimo negócio que fizemos. — Ele falou.
— Não achei que o Oliver participasse desse tipo de reunião. — Ele falou enquanto olhava mortalmente para ele.
— É a última vez, já que o Mikhail está de volta. — Tio falou para ele.
A reunião iniciou e Tio começou a falar sobre a rentabilidade dos cassinos e todas as coisas que eu sabia de cor.
Oliver começou a falar sobre o crescimento de lucros, os juros percentuais mensais e relatórios financeiros de cada cassino alugado.
Eu fiquei olhando para ele enquanto ele falava.
Ele realmente era inteligente e falava bem.
Tio continuou falando e Niel também falou.
Quando a reunião terminou, todos os locatários se cumprimentaram e nos cumprimentaram.
Alexandre foi na direção do Oliver, mas Átila, Robert, André, Camilo e Jean formaram uma parede ao redor dele.
Foi até engraçado, ver ele sumir no meio dos brutamontes.
— Se precisa falar alguma coisa, basta dizer ao senhor Onan. — Átila falou para ele.
Alexandre sorriu.
— Eu só queria cumprimentar o jovem Oliver uma última vez, antes dele desaparecer… Das reuniões. — Alexandre falou e sorriu.
— Saiam da frente, não é educado deixar de cumprimentar um locatário que deu tanto dinheiro para nós. — Falei para os cinco.
Átila me olhou cauteloso, mas não saiu.
— Tudo bem Átila. — Oliver falou e saiu do meio deles.
Assim que ele saiu, Alexandre puxou uma pistola do cós e apontou para a testa do Oliver.
O corpo pequeno enrijeceu e o meu também, mas tentei não transparecer.
Analisei a pistola rapidamente e percebi que era uma réplica de brinquedo, uma réplica quase perfeita, não fosse o cano que deveria ser quadrado ser levemente arredondado.
No mesmo tempo que ele puxou a pistola, os cinco ao redor do Oliver puxaram as deles.
Assim como os dois homens do Marsalis que estavam com pistolas reais.
— Abaixem as armas. — Falei para os cinco.
Átila me olhou como se eu tivesse pedido para ele dar um tiro na própria cabeça.
A aflição nos olhos dele refletia a dos outros.
— Por que não estão obedecendo? Será que Oliver tem mais poder do que eu na minha casa agora? — Perguntei para eles.
Os cinco abaixaram as armas com relutância.
— Mikhail, o que…
— Guardem. — Falei para eles interrompendo a pergunta do Tio.
Eles guardaram a contragosto.
Os homens do Marsalis abaixaram as deles e guardaram também.
— Se afastem, o terno de vocês foi caro para sujar com sangue. — Falei para os cinco.
Vi lágrimas nos olhos de Oliver, quando sua respiração saiu trêmula.
O rosto dele ganhou um ar infantil, como se fosse uma autodefesa.
— Uau Mikhail, você foi de oito a oitenta e agora está indo de oitenta a oito de novo. — Alexandre falou.
Eu ri.
— Pode matar, estou tentando fazer isso desde o dia em que acordei, mas você vê como meus subordinados são leais a ele? Até o Tio se encantou com o rostinho dele. — Falei para ele.
Alexandre riu e se aproximou dele.
Eu engoli o meu ódio.
E eu nem sabia porque estava com ódio.
— Mikhail. — Tio falou em advertência.
Alexandre segurou ele pelo braço e puxou ele para si.
As costas de Oliver se chocaram contra o tronco de Alexandre e ele deslizou o cano da pistola de brinquedo no rosto pálido.
O corpo dele tremeu, provavelmente porque o cano estava frio.
— Mas ele é realmente adorável, você não acha? — Ele perguntou e segurou o rosto dele com força.
— Não acho, é apenas um moleque que gosta de se intrometer. — Falei para ele e cruzei os braços.
Alexandre riu, fez o rosto do Oliver virar e olhou no rosto dele.
— Você vê como ele não se importa com você? Você pode ter muito mais de mim. — Ele sussurrou no ouvido dele.
Oliver fechou os olhos e sua respiração saiu trêmula novamente, aquela expressão no rosto dele era pura repulsa.
Um soluço escapou de seus lábios e as lágrimas deslizavam abundantemente enquanto ele apertava a camisa azul clara de manga longa e gola no estilo social com apenas dois botões no decote V.
Porque ele estava daquele jeito? Era só uma arma, se ele já tinha sido ameaçado três vezes com uma antes, ele já deveria ter se acostumado.
Se ele estava comigo, ele deveria saber dos riscos.
— Você está no nosso território, solte o Oliver agora. — Tio ordenou com a voz fria.
— Onan, se o seu sobrinho está deixando, porque eu deveria escutar você? — Alexandre perguntou e riu.
— Se você vai matar ele, faça isso agora, que eu quero ver. — Falei para ele, puxei a cadeira e sentei cruzando as pernas.
Ele gargalhou.
— Mikhail! — Tio exclamou em repreensão.
Continuei com os olhos em Alexandre e sorri para ele.
— Eu acenderia um cigarro, mas parece que o Oliver também influenciou todo mundo a parar de fumar. — Falei para ele.
Alexandre gargalhou.
— Tudo bem, eu vou matá-lo agora. — Ele disse e ficou olhando para mim.
— Você não tem coragem? Eu tenho. — Falei para ele e tirei minha pistola do cós apontando para o Oliver.
Eu confiei nos meus instintos e apertei o gatilho.
Como esperado, o Marsalis desviou e a bala se enfiou na parede.
Ele gargalhou e deslizou a arma no rosto do Oliver, enquanto ele soluçava.
— É uma pena que você não quer ficar comigo Oliver. — Ele sussurrou no ouvido dele, sorriu e apertou o cano acima da orelha dele.
Oliver abriu os olhos e prendeu a respiração no momento em que Alexandre apertou o gatilho.
Ele gargalhou e empurrou ele.
— Para sua sorte, hoje eu só estava brincando. — Ele falou enquanto gargalhava.
— Vamos brincar juntos da próxima vez, não é divertido apenas assistir você e ele. — Falei para ele e sorri, vendo o corpo de Oliver tremer ao escutar minhas palavras.
Os olhos de Alexandre fitaram os meus e ele sorriu também.
— Será um prazer. — Ele falou e saiu com os seguranças dele.
Vi Oliver se levantar com dificuldade enquanto seu corpo ainda estava trêmulo.
— Oliver…
Tio se aproximou dele para ajudar, mas eu o segurei.
— Ele tem que aprender…
— Porra nenhuma Mikhail! Olha o que você está fazendo com essa criança! — Tio gritou as palavras e se afastou de mim, mas quando ele tentou tocar no Oliver, ele se afastou.
Ele saiu em passos lentos e pesados enquanto soluçava e tremia.
— Eu vi que a pistola era de brinquedo! Por que você está fazendo disso um grande caso?! — Exclamei no mesmo tom.
Tio me segurou pelos braços e fitou meus olhos.
— Quando esse menino vê uma arma na frente dele, ele passa mal ao ponto de precisar ser hospitalizado, isso não é uma brincadeira Mikhail, você passou dos limites. — Ele disse e saiu.
Franzi a testa e olhei para a bala que estava enfiada na parede.
Respirei fundo e deslizei os dedos nos cabelos.
— Mande arrumar isso. — Falei para o Átila.
— Sim senhor. — Ele disse e saiu junto com os outros.
Saí do escritório e fui na direção da casa.
Procurei ele por todos os cômodos do andar de baixo e depois subi as escadas.
Assim que entrei no quarto vi ele na cama através das cortinas brancas transparentes que dividiam o quarto em duas partes.
— O tio estava fazendo tempestade em um copo de água. — Murmurei mal humorado e fui para o banheiro.
Depois de um longo banho frio, coloquei uma cueca e fui para a cama.
Ele estava deitado de costas para mim e eu não fiz questão de conversa também.
Na manhã seguinte, eu levantei e fui para o banheiro, depois de um longo banho, eu me sequei e coloquei um terno azul escuro.
Coloquei meus anéis e calcei meus sapatos.
Sai do closet e ele ainda estava deitado.
Saí do quarto e fui para o escritório um, passei a manhã inteira e voltei para casa depois do almoço.
Fui para a cozinha e estava apenas Murilo e a equipe da cozinha.
— Ainda tem alguma coisa de comer? — Perguntei para ele.
— Sim senhor, vou mandar preparar a mesa, o senhor Corvaque vai comer agora? — Ele perguntou.
— Ele ainda não comeu? — Perguntei.
— Hum, eu pensei que ele tinha saído com o senhor, ele não tomou café da manhã e o Átila passou o dia no escritório do Edgar. — Ele respondeu.
Franzi a testa e sai da cozinha.
Agora ele tinha ido embora?
A pergunta pairou em minha mente.
Enquanto eu subia as escadas eu me sentia mais apreensivo com isso.
Assim que entrei no quarto vi ele na cama.
Eu não entendi porquê, mas respirei aliviado.
Me aproximei da cama e cruzei os braços.
— Você vai ficar fazendo manha o dia inteiro? Se você está comigo agora, você tem que aprender a manter a calma. — Falei para ele.
Não houve resposta.
— Vamos Oliver, não é para tanto. — Falei e subi na cama.
Puxei ele pelo braço e seu corpo inerte virou.
O rosto dele estava pálido e os lábios estavam secos.
— Merda! — Exclamei e deitei a cabeça no peito dele.
Escutei os batimentos fracos do coração insistente dele.
As palavras do Tionan vieram em minha cabeça e eu peguei ele nos braços.
Sai do quarto e desci as escadas rapidamente.
Quando Átila viu, ele levou a mão ao ouvido e assim que eu saí pela porta de casa, o carro estava à espera.
Coloquei ele dentro e entrei também.
Jean pisou no acelerador e seguiu pela pista livre da entrada da propriedade em uma velocidade assustadora.
Assim que chegou ao portão de saída, ele virou todo o volante e seguiu pela rua de vizinhança escassa.
Assim que ele saiu na avenida, ele apertou o botão do volante e a pequena plaquinha saiu na frente.
Os carros abriram passagem e nós chegamos ao hospital dez minutos depois, de uma viagem que levaria meia hora.
Antes de eu pensar em abrir a porta do carro, Átila já estava abrindo ela.
Saí com ele e fui na direção da entrada.
Nem precisou eu falar com a moça na recepção do hospital.
O Irlan apareceu com quatro enfermeiras e uma maca.
Coloquei Oliver nela e ele levou ele.
Não demorou muito, Tionan, Romeo e um moreno bonito entraram no saguão do hospital.
O moreno veio na minha direção deixando um rastro de ódio pelo caminho.
Quando ele chegou na minha frente, ele me deu um soco forte que fez meu rosto virar.
Voltei a virar o rosto e olhei para ele com a testa franzida.
Ele tentou vir na minha direção outra vez, mas Romeo segurou ele.
— Calma amor. — Romeo falou.
Dei um passo na direção dele, mas Tio me segurou.
— Você mereceu. — Ele disse.
— Eu não quis encontrar você desde o dia em que você saiu do hospital, porque o Romeo me falou que você voltou a ser esse babaca escroto que você está sendo, e acredite em mim Mikhail, eu não ia encontrar você ainda, porque eu queria me preparar para dizer umas coisas numa boa para você, mas como você já foi escroto o suficiente, eu vou dizer isso para você agora. — Ele falou.
— Amor, nós estamos no hospital. — Romeo tentou parar ele.
— Você não é dono do mundo e nem de ninguém, para de querer ser escroto com o Oliver porque ele não merece isso, ele suportou você esses meses todos e tolerou a sua vida de merda enquanto você estava inconsciente! — Ele gritou as palavras e tentou se soltar do aperto do Romeo.
— Eu não pedi nada disso. — Falei para ele sentindo suas palavras doerem mais que o soco.
— E nem precisava, seu imbecil! Porque ele ama você e faria de tudo para que você estivesse tranquilo! Ele deixou o trabalho dele para cuidar de você, e deixou a vida dele para estar na sua! Sabe o que é passar por coisas dolorosas para caber na vida escrota de alguém como você!? — Ele cuspiu as palavras dolorosas.
— Como assim? Ele deixou o trabalho? — Perguntei surpreso.
— Ele finalizou a parceria com a editora e agora está ganhando uma ninharia pelo trabalho incrível dele, mas você não procurou saber sobre isso, não é?! Você só pensou no seu pau e em como ele está sendo bem tratado pelos subordinados que você ameaçou para isso! — Ele gritou as palavras.
Romeo tapou a boca do moreno e o Irlan se aproximou.
— Como ele está? — Tio perguntou.
— Se ele fosse encontrado um pouco mais tarde, seria tarde demais, a crise foi severa dessa vez, eu recomendo o acompanhamento psicológico para ele, ele está abaixo do peso novamente e ainda não se recuperou da doação de sangue clandestina que eu já descobri que vocês fizeram. — Irlan respondeu.
— Doação de sangue clandestina? — Perguntei descrente que escutei aquilo mesmo.
Senti os socos nas minhas costas e me virei apenas para ver o Romeo agarrando o moreno pela cintura novamente.
— Crise de quê? — Perguntei para Irlan.
— O Oliver sofre de ansiedade grave, provavelmente algo que aconteceu com ele engatilhou alguma lembrança traumática. — O Irlan falou.
— De fato aconteceu. — Tio falou.
— Venha comigo por um minuto, Mikhail. — Ele me chamou.
Segui ele e quando chegamos em uma parte que tinha poucas pessoas, ele parou e me olhou.
— Há três meses atrás, depois do segundo atentado à vida do Oliver, ele me contou por que tem tanto medo de arma de fogo. — Ele disse.
— Pelo que todos me disseram, ele nunca fala sobre o passado com ninguém. — Falei para ele.
— Ele me contou porque estava muito nervoso, eu tinha acabado de voltar de Savana para cuidar dele, e ele ainda estava hospitalizado, ele disse que queria contar e eu o escutei. — Ele disse.
— Então fala Irlan. — Falei para ele.
— Vamos ao meu consultório. — Ele falou.
Eu segui ele para o consultório dele que ficava no quarto andar e sentei diante da mesa dele.
— Pode começar. — Falei para ele.
— Ele disse que durante o seu último relacionamento, o parceiro dele era constantemente violento com ele, ele contou que ele tinha o costume de colocar uma bala em um revólver calibre 38 e brincar de atirar nele enquanto tinham relações. — Ele disse.
Senti meu estômago revirar e um sentimento diferente de tudo que eu já tinha sentido durante a minha vida inteira.
— Ele falou o nome dessa pessoa? — Perguntei para ele.
— Não falou, mas eu também prestei atenção ao corpo dele durante esse ano que eu tenho sido o médico dele e percebi que as cicatrizes que ele tem na região do abdômen e torácica foram causadas pelas brasas de cigarro. — Ele falou.
Franzi a testa.
— Será que foi por isso que eu proibi meu pessoal de fumar? — Perguntei para ele.
— Pensando sobre as coisas que ele me contou, eu insisto que ele precisa de ajuda psicológica, seja mais cuidadoso com ele também, você perdeu a memória, mas ele não perdeu, você tem um problema, mas ele tem vários, faça ele comer bem e não fique mostrando armas para ele deliberadamente, isso pode afetar a saúde dele. — Ele falou.
— Eu tenho o costume de dormir com a minha arma debaixo do travesseiro, no dia seguinte a minha volta para casa, eu perguntei ao Oliver sobre ela e ele disse que estava no lugar, e de fato estava, ontem nós discutimos no escritório e eu apontei a pistola para ele, mas ele não ficou com medo, ele também não ficou com medo das armas dos nossos seguranças, isso significa alguma coisa? — Perguntei para ele.
— A mente humana é complexa, espere um pouco. — Ele falou e tirou o celular do bolso.
Mexeu durante um tempo e depois levantou e foi para a porta.
Ele abriu e uma jovem de cabelos castanhos entrou.
— Você me chamou? — Ela perguntou.
— Você é mais entendida do que eu sobre algumas coisas, e meu amigo quer tirar umas dúvidas sobre uma situação que ocorreu com o parceiro dele, você poderia ajudar? — Ele perguntou.
— Claro. — Ela disse e Irlan fechou a porta novamente.
Ela sentou na cadeira dele e ele puxou uma outra para sentar.
— Nós não podemos falar abertamente sobre isso, então vamos usar um objeto comum para falar, tudo bem? — Ele perguntou para ela.
— Tudo bem, contanto que esteja claro, para que eu possa entender, pode usar. — Ela disse e deu de ombros.
— Ótimo, você pode falar Mikhail. — Irlan falou para mim.
— Bem, o meu parceiro tem medo de… Hum, caneta, ele fica muito nervoso quando outras pessoas usam caneta perto dele, mas quando sou eu e os meus subordinados que fazem a segurança dele, ele não sente esse medo, eu realmente não entendo. — Falei para ela.
— Bem, o seu parceiro já construiu uma relação de afinidade e segurança com você e com as pessoas que estão fazendo a segurança dele, por isso, ele não sente medo, a questão não é o objeto em si, mas o que a pessoa que está usando o objeto faz o seu parceiro lembrar, por exemplo, quando você usa uma caneta perto dele, vocês discutem e você o ameaça com a caneta, ele vai se sentir seguro mesmo no meio de uma discussão, porque ele tem em você a certeza de que mesmo que você se aborreça com ele, você não vai usar a caneta para machucar ele. — Ela concluiu.
— E se eu por acidente usei a caneta com ele? — Perguntei.
— Hum, eu não posso afirmar que a confiança foi quebrada, mas eu tenho quase certeza, e uma vez que isso acontece, é muito difícil recuperar. — Ela falou.
Me recostei na cadeira e franzi a testa.
Eu estava novamente confuso com o fato de estar me importando tanto com ele.
— É só. — Falei para ela.
— Você parece um pouco perdido, tem certeza que entendeu? — Ela perguntou.
— Minha cabeça está um caos. — Falei para ela e suspirei derrotado.
— O Mikhail sofreu um acidente e perdeu algumas memórias, por isso ele parece confuso. — Irlan falou para ela.
— Entendo, você quer lembrar? — Ela perguntou.
Olhei para ela e franzi a testa.
Era uma pergunta que eu não tinha feito a mim mesmo.
— Eu sinceramente não sei. — Falei para ela.
— Para se lembrar, você precisa querer primeiro. — Ela disse e se levantou.
— Muito obrigado pelo tempo Karina, até outra oportunidade. — Irlan falou enquanto ela ia para a porta.
— Se precisar, é só chamar. — Ela disse e saiu.
Ele olhou para mim.
— Somos amigos há anos, e quando você era ruim, você já era legal por debaixo dos panos, não seja ruim para a pessoa que ama você e por quem você fez tanto. — Ele falou.
Saí do consultório do Irlan e fui para o meu quarto vip no décimo terceiro andar.
Assim que entrei no quarto, o moreno veio na minha direção.
— O que o Irlan disse? — Ele perguntou.
— Que provavelmente o que aconteceu ontem, provocou um gatilho do passado. — Falei para ele.
— No livro não fala de armas, fala só do estupro coletivo e de uma dor na pele, mas o que significa? — Ele perguntou.
— Que livro? Que estupro coletivo? — Perguntei para ele.
— Eu dei um para você, estava marcado, você provavelmente escondeu para o Oliver não ver. — Ele disse.
— No final do ano, fomos visitar uma galeria de artes, lá nós vimos uma parede com pinturas perversas de uma silhueta branca sendo estuprada por sete silhuetas escuras, nos quadros menores eram outros abusos. — Romeo falou.
O moreno à minha frente franziu a testa.
— Em uma das pinturas, a mão da sombra estava cinza, eu achei que era a mão da sombra, mas podia ser uma arma? — Ele perguntou.
O que o Irlan tinha me contado pouco tempo antes sobre o antigo parceiro do Oliver penetrou a minha mente em imagens.
— Será que o Oliver conhecia quem fez aquelas pinturas? — Romeo perguntou olhando para ele.
— Será que a silhueta branca era ele? — O moreno perguntou.
Minha cabeça doeu e eu fechei os olhos apertados.
A lembrança de uma pilha de telas quebradas penetrou a minha mente.
"Oliver, me deixa ajudar você, por favor."
Minha voz estava angustiada e diante dos meus olhos estava apenas um borrão do rosto dele, agora eu tinha certeza que era ele porque era idêntico ao seu rosto de pânico quando o Alexandre fez tudo aquilo com ele.
Nas lembranças turvas havia fogo.
"Não faça isso, por favor, não se machuque."
Eu parecia realmente sentir dor quando disse aquela frase e a imagem do sangue surgiu em um borrão.
Minha cabeça latejou ao ponto de me deixar tonto.
Me apoiei no espelho inferior da cama hospitalar e balancei a cabeça tentando tirar as imagens da mente.
Senti alguém me segurar e abri os olhos.
— Você está bem? — O moreno perguntou com os olhos nos meus.
Outra onde dor veio e o rosto do moreno surgiu claramente diante dos meus olhos, ele tinha sangue na camisa branca, bem na altura do ombro direito.
"Você está bem?"
Ele parecia pior do que eu.
Alguém apareceu atrás dele e apontou a arma na minha direção, mas antes que eu pudesse sentir a bala penetrar minha pele, ele estava a minha frente novamente e o outro tiro acertou seu ombro esquerdo.
"Otávio!"
A voz cheia de angústia era do Romeo e o terceiro disparo partiu da arma do homem a nossa frente, ele atirou nele de novo, só que no quadril dessa vez.
Romeo descarregou a pistola nele e correu em nossa direção.
A lembrança terminou aí.
Era a primeira lembrança clara que eu tinha.
Abri os olhos e fitei os olhos preocupados.
— Otávio, seu nome é Otávio, não é? — Perguntei para ele.
Um sorriso surgiu em seu rosto.
— Você lembrou? — Ele perguntou.
— Não, não tudo, você…
Parei de falar e puxei a abertura da camisa dele para o lado.
— Ei! Não tara no meu moreno não. — Romeo disse e tirou a minha mão antes que eu pudesse ver.
— Cala a boca. — Otávio falou para ele e começou a abrir a camisa.
Quando ele chegou ao fim, ele abriu e mostrou o dorso.
— Você lembrou disso? — Ele perguntou.
Franzi a testa e olhei as três cicatrizes.
— Você fez isso por mim? — Perguntei para ele.
— Claro que não seu idiota, foi porque o meu amorzinho se preocupava com você e tinha você como um irmão, eu não queria que ele ficasse triste, mas naquela época se eu soubesse o babaca que você era, eu tinha deixado aquele cara cravejar você de bala. — Ele respondeu.
Franzi a testa e arqueei a sobrancelha direita.
— Por que a gente entrou na furada de se interessar por esse tipo de pessoa? — Perguntei para o Romeo enquanto olhava para Oliver.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
Maria Odilia Conceição da Silva
Que história incrível.Parabens.
2025-02-04
1
gloria maria Fernandes de amorim
poderia continuar?
2024-09-20
0
♡ la vida en la muerte ♤
Pode pesar bastante, estou doida para que o Corvaque descubra tudo.
2024-09-11
4