...🌈|É MUITO FRUSTRANTE NÃO PODER RESOLVER OS PROBLEMAS COM UMA BALA.|👧🏻🪴...
Adam estacionou o carro no pátio da casa bonita de dois andares, atrás do carro que Jean estava.
Oliver olhou para mim.
— Me prometa que seja o que for que meu tio disser para mim, você não vai puxar a pistola do cós e atirar nele. — Ele pediu.
Respirei fundo.
Eu tinha pedido por aquilo, eu tinha feito uma cena porque queria conhecer a família dele, então eu precisava me controlar.
— Tudo bem, mas eu não vou ficar calado. — Falei para ele.
— E desde quando você sabe dialogar sem uma arma na mão? — Ele perguntou sarcástico.
Franzi a testa.
— No escritório um eu nunca uso armas. — Falei para ele orgulhoso de mim.
Ele sorriu.
— Apenas uma caneta que pode provocar colapso em Suzano, Savana e muitos outros lugares ao redor do mundo, você é muito sem vergonha. — Ele disse.
Sorri.
— Mas não é uma arma. — Falei e pisquei para ele.
Ele sorriu e Edgar abriu a porta dele, enquanto Adam abria a minha.
Nós descemos do carro e um dos seguranças que estava no carro de Jean, entrou no nosso e estacionou entre o carro de Jean e o carro de Robert.
Os dois desceram dos carros e Átila e André também.
— Podem ficar dentro do carro, nós vamos demorar um pouco. — Falei para eles.
— Sim senhor. — Eles disseram e entraram.
Me virei e olhei para a casa bonita.
Ela tinha um estilo contemporâneo e parecia grande.
Não chegava nem perto de ser do tamanho da minha casa, mas parecia grande.
Um homem abriu a porta e um vulto de cabelos negros saiu antes dele, pulando no colo de Oliver.
Ele segurou ela e a abraçou com carinho, enquanto ria.
— Tio! — A voz aguda exclamou.
Eu realmente gostava da gargalhada dele.
— O titio sentiu saudades. — Ele falou e colocou ela no chão.
— Tio, você está muito bonito, quando eu crescer, nós vamos nos casar. — Ela falou e as pálpebras tremularam sobre os olhos castanhos.
Franzi a testa e arqueei a sobrancelha direita.
— Ele não pode se casar com você. — Falei para ela.
Ela me olhou e cruzou os braços.
— E quem é você? — Ela perguntou com expressão de nojo.
Era por isso que eu não gostava nem um pouquinho de criança.
— Esse é um amigo do titio. — Oliver falou para ela.
— Amigo? Você quer enganar quem? — O homem que estava a porta perguntou.
Oliver olhou para ele e depois para a menina.
— Você quer sair com o titio para comprar presentes? — Oliver perguntou para ela.
— Nós vamos só nós dois? — Ela perguntou olhando na minha direção.
— Não podemos, temos que ir com todos esses tios. — Oliver respondeu para ela, mostrando Edgar, Adam e eu.
— Mas você vai me dar mais atenção, certo? — Ela perguntou.
— É claro que eu vou, você é a princesa do titio lembra? — Ele perguntou.
Ela me olhou e sorriu debochando abertamente.
— Viu, eu sou a princesa do tio Oliver. — Ela disse para mim.
— Quem se importa. — Falei e mostrei língua.
Ela mostrou língua também.
— Você espera até que eu tome banho e me vista? — Ela perguntou.
— Claro, vai lá. — Ele falou pra ela e se levantou.
Ela olhou para ele.
— Tio, eu vou demorar um pouco e o sol está quente, por que você não espera do lado de dentro? Os seus amigos podem entrar também. — Ela falou.
— É melhor o titio esperar você aqui. — Ele disse para ela.
— Não, eu falei com o tio Davis, pedi para preparar torta para você ontem a noite, além do mais, o sol está quente e a sua pele vai queimar. — Ela disse.
— É melhor não, o titio pode esperar no carro. — Ele insistiu.
— O que você está tentando fazer? Me colocar contra a Live? — Ele perguntou.
— Olívia. — A menina e Oliver disseram ao mesmo tempo.
— Tudo bem, o titio entra com você. — Ele falou.
Os olhos azuis fitaram os meus e eu assenti.
— Vou esperar você no carro. — Falei para ele.
— Você pode entrar também. — A menina disse.
Olhei para ela surpreso.
Nós entramos na casa e a menina puxou Oliver para a sala.
Eu segui o homem e sentei no sofá ao lado de Oliver, enquanto Adam e Edgar se colocaram de pé atrás.
A menina olhou para mim e depois para ele.
— Tio, o seu cabelo está muito bonito, eu sempre gostei do seu cabelo. — Ela disse para ele.
Eu também adorava o cabelo dele.
— Obrigado, o seu também está muito bonito, parece que o pessoal do internato é legal com você. — Ele disse colocando o cabelo cacheado dela atrás da orelha.
— No ano passado todas as garotas pegaram piolhos, foi um caos na escola, cortaram um palmo do meu cabelo. — Ela disse.
— Cabelo cresce, mas os piolhos se não tirar, eles sugam você até a morte. — Ele disse para ela.
— A vovó me disse isso uma vez. — Ela falou.
— Por que você não vai tomar banho e se arrumar? Logo mais o shopping abre. — Ele falou para ela depois de olhar o relógio.
Ela assentiu e correu na direção das escadas, mas parou aos pés dela e olhou para trás
— Tio Davis, você pode mandar servir a torta agora. — Ela falou para o homem de cabelos negros e olhos verdes.
— Está bem querida. — Ele disse para ela.
Ela subiu as escadas e um rapaz de cabelos negros e olhos verdes ao lado de uma mulher que aparentava ter pouco mais de quarenta anos desceram.
— Veja só quem deu o ar da graça. — O rapaz falou.
— Oliver, que bom ver você novamente. — A mulher disse.
Edgar tocou meu ombro e eu olhei para ele.
— Telefone senhor. — Ele disse.
Peguei e atendi, depois de ver que era o Romeo.
— Sou eu. — Falei para ele.
— Os chefes dos conglomerados disseram que receberam propostas sobre os cartéis do Marsalis. — Ele disse.
— Deixa ele continuar, vou falar com o Tio para pedir aos nossos representantes para pedir aumento nos valores, vamos deixar ele acreditar que está no controle de tudo novamente, eu quero ele como um bichinho acuado. — Falei para ele.
— Está bem, eu já deixei todos em alerta. — Ele disse.
— Ótimo, não se envolva muito nisso, se alguém entrar em contato com você para falar disso, transfira para o Tio, ou para Niel. — Falei para ele.
— Está bem. — Ele disse e desligou.
Devolvi o telefone para Edgar.
— Entre em contato com o Tio, diga para ele que nosso arrendatário começou a agir no escritório um, e para incluir essa pauta na reunião de hoje a noite. — Falei para ele.
— Sim senhor. — Ele disse e se afastou.
Voltei a sentar e o rapaz estava ao lado do homem, enquanto a mulher olhava para Oliver que estava com a perna direita cruzada sobre a esquerda.
Preto deixava ele elegante também.
Droga!
Ele parecia sexy sentado daquele jeito.
Ainda era o mesmo Oliver de sempre, só que sem o jeito infantil.
Ele só parecia adorável e elegante.
Meu coração acelerou e senti um sorriso involuntário surgir no meu rosto.
Ele me olhou com o rosto corado e o meu coração errou as batidas.
Ele ficava ainda mais lindo corando.
— Mikhail. — Ele chamou.
Pisquei os olhos e limpei a garganta e desviei os olhos dele.
— Ah.. Eh, oi, desculpe, a senhora disse alguma coisa? — Perguntei para a mulher ao lado do tio dele.
— Você é o que para Oliver? — Ela perguntou.
— Marido, eu sou o marido. — Falei sem perceber.
Ela arregalou os olhos.
— Como? — Ela perguntou com o rosto cheio de surpresa.
— Quer dizer... Amigo, eh, nós somos amigos. — Falei para ela e sorri, colocando o máximo de charme possível rosto.
— Você sabe que não somos amigos tia, por que você ainda faz esse tipo de pergunta? — Oliver perguntou.
Ela sorriu sem graça.
— Diego, vai na cozinha e diz pra Iolanda trazer a torta, a Olívia estava muito ansiosa para que Oliver provasse. — Ela disse.
— Os rapazes não comem durante o trabalho e o Mikhail não come doce. — Oliver avisou.
— Nós tomamos café da manhã, obrigado. — Falei para ela.
— Traga para nós então, Oliver, se você não comer a Olívia ficará magoada. — A mulher falou.
— Você tem razão tia. — Oliver disse para ela e sorriu.
— Você aceita uma xícara de café? — Ela perguntou para mim.
— Com duas colheres rasas de açúcar. — Oliver disse para ela.
— Certo. — Ela falou e olhou para o filho.
O rapaz se levantou e saiu.
— Você tem quantos anos? —O tio do Oliver perguntou.
— Eu tenho trinta. — Falei para ele achando estranho.
— Você já é alguém maduro, por que não procura se casar e ter uma família normal? — Ele perguntou.
Sorri para ele e desviei o olhar respirando fundo para manter o controle e não enfiar uma bala na cabeça dele.
— Eu já sou casado e a minha família de dois é tão normal quanto a sua. — Falei para ele.
Seu filho da puta preconceituoso.
Se ele soubesse quem eu era, ele enfiaria o preconceito dele no cu.
O velho riu debochando.
Eu estava tão satisfeito, mesmo tendo que escutar aquele tipo de coisa, eu estava satisfeito.
Graças aos céus, Oliver tinha nascido com a sorte de não herdar nem mesmo a cor do cabelo daquelas pessoas horríveis.
Por que se ele tivesse aquele mesmo nível de deboche, ele certamente seria apenas um monte de ossos em um túmulo.
— Vocês acham que vão para o céu? O que vocês fazem é repugnante. — O homem disse.
O que fazíamos era sexo, e não era nem um pouco repugnante, na verdade era muito prazeroso, ainda mais quando era uma rodada de cinco.
Um sorriso brincou no meu rosto e eu olhei para ele.
— Eu realmente não vou para o céu, mas não é pela minha orientação sexual. — Falei para ele.
— Você está na minha casa! — Ele exclamou.
— E isso não dá a você o direito de dizer o que quer sem ter respostas, você é tio do Oliver, e eu entendo que ele respeite você, ainda que você não respeite ele, mas nós não temos parentesco nenhum, se você vai falar o que quer, vai escutar o que não quer. — Falei para ele.
— Davis, não seja assim com a visita. — A tia dele disse e o rapaz voltou a sala junto com uma mulher usando um uniforme cinza.
— Como vai o seu trabalho na editora, Oliver? — A tia dele perguntou.
— Mikhail teve alguns problemas de saúde no final do ano e eu quebrei o contrato, para cuidar dele e dos negócios dele. — Ele respondeu enquanto a mulher de uniforme entregava a ele a torta e um copo de leite.
Ela me entregou o café e saiu.
— No que você trabalha? — A tia dele perguntou para mim.
— Eu trabalho no financeiro de uma holding que comanda alguns conglomerados pelo mundo, trabalhamos com coisas diversas. — Falei para ela.
— Uau. — Ela disse.
— Como é o seu sobrenome? — Ela perguntou.
— Negrini. — Respondi para ela.
— A quanto tempo vocês se conhecem? — A mulher perguntou.
— Vai fazer um ano e três meses. — Oliver respondeu para ela.
— Chega de falar dessa pouca vergonha, vamos falar da Live. — O tio dele disse.
— Ela se chama Olívia. — Oliver disse para ele.
— Eu estou pensando em mandar ela para o exterior, para estudar em um internato de lá. — Ele disse.
— Você vai pagar o internato no exterior? — Oliver perguntou.
Ele franziu a testa.
— Você não se comprometeu em pagar o colégio para ela, por que agora me pergunta isso? — Ele perguntou.
— Tio, você está propondo um colégio no exterior, você sabe quanto é o custo de manter alguém fora do país? — Oliver perguntou para ele.
— Você não pensa no melhor para ela? Além do mais, você não está ganhando pelos seus serviços? — Ele perguntou olhando para mim.
Senti meu sangue esquentar e fechei os olhos.
Respirei fundo.
Eu estava pedindo paciência, mas eu queria mesmo era força, pra quebrar o pescoço daquele velho desgraçado.
— Eu penso no melhor para ela, mas eu acabei de romper um contrato com a editora, eu não estou mais ganhando como antes, além disso, tem o plano de saúde dela e da vovó, alimentação, o seguro dos carros, a faculdade do Diego, a hipoteca da casa, o café, eu não posso pensar em mandar a Olívia para o exterior agora. — Ele disse.
— Você está reclamando sobre isso? — Ele perguntou ultrajado.
Aquele tio do Oliver, só servia para testar a paciência de centavos que pessoas como eu tinha.
— Não estou reclamando tio, vocês são a minha família, mas eu não posso fazer isso agora, talvez no futuro, mas agora não. — Ele disse.
— A Olívia não poderá mais ficar no internato durante as férias, você quer que ela veja você nas suas safadezas? — Ele perguntou.
— Tio, sempre que a Olívia sai do internato ela não fica aqui? Eu estou vindo aqui hoje, porque ontem foi o aniversário dela e eu não via ela a anos, você quer que ela fique longe de mim? Tudo bem, eu não venho mais ver ela, você pode fazer ela me odiar se quiser, mas eu realmente não tenho condições de mandar ela para o exterior agora. — Ele disse.
— Como você pode ser tão mesquinho? Você veio até aqui em três carros de luxo, nem para ganhar dinheiro com isso você serve, se bem que você não vale uma ninharia, é tão promíscuo e fácil que ninguém pagaria muito por você. — Ele disse asperamente.
— Tio...
— E você? Não acha que deveria pagar todos nós pela vergonha que passamos ao se dizer marido dessa criatura abominável que infelizmente tem o nosso sangue? — Ele perguntou para mim.
— O Mikhail não tem obrigação nenhuma com você. — Oliver falou para ele.
— Eu tenho que andar de cabeça baixa na rua por sua causa, e você ousa dizer que ele não tem nenhuma obrigação? — Ele perguntou.
Oliver fechou os olhos e respirou fundo.
— Tio, durante todo esse tempo que eu estou aqui em Suzano, eu não tenho saído de casa para nada, eu sei como isso deixa você constrangido. — Ele disse baixo.
— Voltei! — Escutei a exclamação e suspirei aliviado.
— Ainda bem, alguém sairia morto dessa casa hoje se ninguém interferisse. — Murmurei de mal humor.
A menina desceu as escadas e veio na direção do Oliver.
— Nós podemos ir tio. — Ela falou para ele.
— Então vamos, o titio vai comprar muitos presentes legais para você. — Ele disse para ela e se levantou.
Levantei também e segui para a porta, acompanhando Oliver.
— Nós não terminamos de conversar. — O homem protestou.
— Nós terminamos sim tio, ninguém sai do país por enquanto. — Oliver falou decisivo e saiu pela porta.
Eu saí logo depois e nós entramos no carro.
— Tio, você não vai se casar comigo por que você é casado com ele? — A menina apontou para mim.
— Hum... Nós somos da mesma família, é por isso que nós não podemos nos casar. — Ele respondeu.
— Mas ele é o seu namorado? — Ela insistiu enquanto Adam saia da casa.
— E se eu fosse, você acharia estranho? — Perguntei para ela.
Ela olhou para mim.
— Não, eu também gosto de pessoas grandes. — Ela falou.
Apontei para ela e pisquei.
— Eu não perdoei você por querer se casar com o meu monstrinho, mas eu admito, você tem um ótimo gosto para escolher amigos. — Falei para ela.
— Mikhail. — Oliver repreendeu.
— Você já perguntou a ela o que ela acha sobre isso? — Perguntei para ele.
— Ela é só uma criança. — Ele falou.
— Edgar me disse uma vez que os adultos de hoje, foram as crianças de ontem, quanto você sofreu quando aconteceu tudo o que aconteceu dentro da sua família? Se você tivesse entendido as coisas naquela época como algo normal, você não seria alguém coagido hoje. — Falei para ele.
Os olhos azuis fitaram os meus confusos.
— Você? Está sendo sensato? — Edgar perguntou.
Eu ri e bati no ombro dele.
— Olívia, você acha estranho que eu goste e cuide do seu tio? — Perguntei para ela.
Ela me olhou por um momento.
— Não acho, mas eu acho estranho que ele goste de você. — Ela respondeu.
Estreitei os olhos e mostrei língua para ela.
Oliver riu.
— Viu, ela me insultou, mas disse que não acha estranho. — Falei para ele.
— A Sofia e a Duda tem dois pais e o Gustavo tem duas mães, a professora disse que correto é estar com quem a gente ama, mesmo que essa pessoa seja menino, ou menina. — Ela falou.
Oliver olhou para ela surpreso e depois sorriu.
— Só vamos deixar esse ser o nosso segredo, está bem? — Ele perguntou para ela.
— Não se preocupe, eu sei como o tio Davis é obtuso. — Ela falou.
Oliver gargalhou baixo.
— Você sabe o que isso significa? — Ele perguntou.
— É claro que eu sei, eu vou ser uma escritora melhor que você. — Ela disse e torceu o nariz pequeno.
— Só não cometa os mesmos erros que o titio. — Ele disse e abraçou ela.
— Tio, você sabe que você fica mais bonito vestido com roupas claras, não sabe? — Ela perguntou.
— Eu concordo com você. — Falei para ela.
Oliver sorriu.
— Você sabe que o tio Davis não gosta, é melhor evitar problemas. — Ele falou e apertou o nariz bonito da menina.
Chegamos ao shopping e entramos.
Olhei para a garota.
— O inverno está chegando, pode pegar o que você quiser, eu vou pagar. — Falei para ela.
— Mikhail. — Oliver advertiu.
— E você, apenas siga ela. — Falei para ele.
— Você vai para o escritório? — Ele perguntou.
— Vou esperar no café. — Falei para ele.
— Traga um chá com leite para mim, você quer alguma coisa princesa? — Oliver perguntou para ela.
— Eu quero falar um momento com ele. — Ela disse.
Franzi a testa e segui ela até um banco.
Parei e ela subiu nele.
— O que você quer, coisinha pequena e chata? — Perguntei para ela.
— O tio Oliver parece gostar de você, então, eu quero dizer que você não se parece nem um pouco com os príncipes dos contos de fada. — Ela falou.
— Seu tio não é princesa. — Falei para ela e cruzei os braços.
— Mas ele é muito bonito e carismático. — Ela disse.
— Eu sei que ele é. — Falei para ela.
— Então fala sempre pra ele como ele é bonito e incrível. — Ela disse.
Franzi a testa.
— Por que você está dizendo isso? — Perguntei.
— Porque ninguém é legal com ele, quando você olha para ele, você sorri como um bobão, o titio é muito bonito, ele merece alguém que olhe pra ele assim. — Ela disse.
Sorri para ela.
— Eu vou cuidar bem do seu tio, eu prometo. — Falei para ela.
Ela sorriu e me abraçou.
— Então você é o meu tio legal. — Ele disse e correu na direção do Oliver.
Ele sorriu para mim e se foi com a menina.
Fiquei olhando enquanto os dois se afastavam e senti meu coração esquentar.
— A versão atual estaria orgulhosa se visse você agora? — Sussurrei a pergunta enquanto olhava para ele.
— Eu trouxe o seu tablet. — Edgar falou.
— Vamos para o café. — Falei para ele.
Nós seguimos para as escadas rolantes e fomos para o café.
Assim que sentei, iniciei o planejamento do que eu desejava fazer para o aniversário do nosso casamento.
O tempo passou rapidamente e quando eu vi já estava escurecendo.
O carro estacionou no pátio da casa e a Olívia olhou para ele.
— Princesa, o titio vai passar um tempo sem vir ver você novamente, mas você pode falar comigo pelo telefone, tudo bem? — Ele perguntou para ela.
— Tio, você prometeu que não viria aqui, mas não disse nada sobre o colégio, o diretor é muito legal e ele não vai contar ao tio Davis que você foi me ver. — Ela sugeriu.
— Você é muito esperta. — Falei para ela.
— É claro que eu sou, a minha mãe me ensinou alguns truques. — Ela disse e piscou para mim.
Sorri para ela.
— Você vai ganhar um bom presente de ano novo. — Falei para ela.
— Eu quero uma boneca. — Ela disse.
— Eu pensei em dar um carro esportivo com um motorista, mas se você quer uma boneca, tudo bem. — Falei para ela.
Ela franziu a testa.
— Você é doente? Eu só tenho dez anos. — Ela disse.
Franzi a testa.
— Tudo bem, na primavera, nós podemos fazer um piquenique, o que você acha? — Oliver perguntou para ela.
— Ótimo. — Ela disse e abraçou ele.
Desci do carro assim que Edgar abriu a minha porta e Oliver saiu pelo outro lado com ela.
Os seguranças abriram os porta-malas e tiraram muitas sacolas.
Nós entramos e o homem olhou para as sacolas.
— Boa noite. — Oliver falou.
— Oh, boa noite Oliver. — A tia dele falou.
— Eles podem levar as coisas no quarto dela? — Oliver perguntou para ele.
— Podem. — Ela falou.
Os rapazes subiram com as sacolas e a pequena Olívia, e eu olhei para o tio do Oliver.
— Fique longe da minha família com essa aberração. — Ele falou com repulsa na voz.
— Não se preocupe, eu não deixaria o Oliver perto de alguém como você. — Falei para ele.
— Eu não vou voltar aqui tio. — Oliver disse para ele.
— Se cuide Oliver. — A tia dele falou.
Ele assentiu e olhou para o rapaz.
— Eu já depositei a sua mesada Diego, e também a mensalidade da faculdade. — Ele disse para o rapaz, que sorriu para ele.
— Eu vou devolver Oliver. — Ele disse.
Oliver sorriu e assentiu.
A garotinha desceu as escadas com os seguranças atrás dela e veio na nossa direção.
Ela parou na frente de Oliver e segurou as mãos dele.
— Nós vamos conseguir tio. — Ela disse e piscou para ele.
Ele sorriu para ela.
— Nós vamos. — Ele falou.
— Até outro dia. — Ela disse e beijou o rosto dele.
— Até outro dia princesa. — Ele falou e beijou a testa pequena.
Voltamos para casa em silêncio.
Quando chegamos, ele entrou e eu fui para a sala de reuniões.
Eu vi que ele não parecia muito bem, mas ele parecia estar querendo um tempo sozinho.
Depois de discutir com os representantes dos conglomerados e conversar com o Tio sobre os cartéis do Marsalis, eu voltei para a casa principal.
Subi as escadas, atravessei o corredor e entrei no quarto.
Tudo estava iluminando pela luz fraca do frigobar.
Fui para o interior do quarto, entrei no closet e no banheiro, tomei uma ducha, coloquei uma calça de flanela e voltei ao quarto.
Quando deitei na cama, me virei para ele.
— Você já dormiu? — Sussurrei a pergunta.
— Ainda não. — Ele respondeu.
Puxei ele para os meus braços e aspirei o cheiro do cabelo dele.
— Foi cansativo para você, não foi? — Perguntei para ele.
Ele se aninhou em meus braços.
— Não era eu quem estava lá, é cansativo esconder quem eu sou, por isso passei tanto tempo sem ver eles. — Ele disse.
— Você não precisa ir mais, eu não quero que você passe por isso de novo. — Falei para ele.
— Ainda é a minha família. — Ele falou.
— Não é, a sua família é a Olívia, o Otávio, o Romeo, o Daniel e eu, só, quem não aceita você como você é de verdade, não tem direito de ter alguém tão... Tão incrível. — Falei.
— Desculpe se fiz você passar por isso. — Ele disse.
— Obrigado por ter me permitido passar por isso com você. — Falei para ele.
— Eu tenho muito medo que tudo isso seja apenas um sonho e você não seja real, e quando eu acordar eu ainda esteja vivendo um grande pesadelo. — Ele falou.
Beijei a testa dele, seu nariz bonito, as maçãs do rosto e finalmente eu provei seus lábios, castamente.
— Isso parece um sonho? — Perguntei para ele.
Ele me abraçou pelo pescoço e se aconchegou mais.
— Eu amo você. — Ele sussurrou.
Senti um sorri no meu rosto e deslizei os dedos entre os fios do cabelo sedoso.
Ele adormeceu, mas eu fiquei olhando para ele sob a luz fraca que vinha da única luz acesa.
Como foi que ele me fez amar ele tão rápido?
Eu queria guardar ele de tudo o que deixava ele triste.
Na manhã seguinte, quando acordei, ele ainda dormia.
Levantei, entrei no closet e no banheiro.
Depois de uma ducha longa, saí e coloquei um terno preto.
Calcei os sapatos, coloquei o relógio, os meus anéis e saí do closet para o quarto.
Olhei para ele agarrando meu travesseiro apertado e sorri.
Subi na cama e beijei a testa dele.
Os cílios longos tremularam e ele me olhou confuso.
— Já está saindo? — Ele perguntou.
— Eu tenho que ir ao escritório um hoje, você vai ver a sua avó? — Perguntei.
Ele sentou na cama e assentiu.
Os cabelos loiros estavam cobrindo apenas a testa agora.
Eu tinha notado que ele tinha aparado as pontas.
— Você pode pedir ao Murilo para fazer bolo de chocolate com calda e raspas de chocolate? — Ele perguntou.
Sorri para ele e acariciei o rosto bonito.
— Tudo o que você quiser. — Falei para ele.
Um sorriso brincou em seu rosto.
Era um sorriso preguiçoso e sonolento que deixava ele inocente.
Puxei ele para os meus braços e apertei o corpo dele com carinho.
Ele agarrou o meu tronco com as pernas e o meu pescoço com os braços.
— Você podia ir comigo hoje também? — Ele pediu e piscou os olhos suavemente enquanto um sorriso adorável surgia nos lábios carnudos e vermelhos.
Os olhos grandes e azuis eram de fato como o mar aberto, porque durante a manhã, eles ficavam límpidos e de um tom escuro de violeta.
Era algo realmente incrível.
Senti um sorriso surgir no meu rosto sem que eu pudesse controlar.
— Pedindo assim eu levo você nas costas. — Falei para ele.
Um sorriso de entusiasmo surgiu no rosto corado e eu senti meu coração acelerar.
— Então eu vou...
Antes que ele pudesse terminar, tomei os lábios dele com carinho.
Era muita pretensão minha, beijar ele naquela cama e achar que aquele desejo que não tinha fim não iria me fazer querer o que eu estava querendo naquele momento.
Virei ele na cama enquanto beijava ele e a língua deslizou para minha boca, deslizando na minha suavemente.
Chupei a língua dele enquanto nossos lábios seguiam a sincronia, me afastei um pouco e tirei o blazer.
Voltei a beijar ele e senti seus dedos entre os fios do meu cabelo e as unhas no meu couro cabeludo.
Beijei o pescoço e chupei a clavícula e o meio do tórax, deslizei a língua no mamilo e chupei de leve.
Olhei para o rosto dele e os olhos estavam fechados, enquanto os lábios estavam entreabertos.
A respiração dele estava áspera e seu peito subia e descia de forma sensual.
Deslizei a língua na parte inferior do tórax e chupei.
Meu celular tocou, mas eu não dei atenção.
Cheguei ao abdômen liso, chupei acima do umbigo e deslizei a língua nas cicatrizes.
Meu celular tocou novamente e Oliver me parou.
— Pode ser importante. — Ele disse ofegante.
Descansei a testa no abdômen dele e engoli em seco, sentindo a frustração e a companheira dela.
Peguei o celular enquanto tocava e olhei para a tela.
Era o Romeo.
Deslizei o dedo na tela e suspirei.
— Espero que seja algo muito, muito importante, porque se não for, eu juro que eu vou fazer você engolir esse celular. — Falei para ele asperamente.
— Bom dia para você também. — Ele disse.
— Estava sendo. — Falei rispidamente e sentei na cama.
— Estou desconfiado de que há um funcionário que está passando informações sobre os conglomerados do exterior. — Ele disse.
— De onde ele é? — Perguntei.
— Devon. — Ele respondeu.
— Eu estava planejando visitar os conglomerados antes do final do ano, esse é um bom incentivo, você pode marcar para mim. — Falei para ele.
— O que você acha de novembro? — Ele perguntou.
— Ótimo, deixe tudo organizado para nós dois. — Falei para ele.
— Está bem. — Ele falou e eu desliguei.
Olhei para Oliver e ele estava me olhando.
— Onde nós estávamos? — Perguntei e fui para cima dele, mas fui impedido.
— Não temos tempo agora, já são quase oito, eu quero fazer tudo o que resta hoje. — Ele falou e se levantou da cama.
Quando vi a pele alva da bunda redonda eu olhei para ele.
— Você estava pelado o tempo todo? — Perguntei.
Ele me olhou.
— Eu estava, você sabe que eu não gosto de dormir vestido. — Ele respondeu.
— Droga, eu deveria ter acordado você na hora que eu acordei. — Resmunguei.
— Eu vou tomar banho. — Ele disse e me deu as costas novamente.
Dei uma palmada na bunda dele e ele parou e me olhou com os olhos cheios de surpresa.
A palma da minha mão se desenhou rapidamente na pele bonita, em um vermelho provocante e eu olhei para o rosto dele.
O rubor cor de cereja se espalhou nas maçãs pálidas e ele piscou os olhos com timidez.
— Agora eu vou querer fazer isso sempre. — Falei enquanto olhava a reação dele.
Ele mordeu o lábio inferior e fitou meus olhos com aquela malícia inocente que eu não entendia como ele era capaz.
— Eu vou gostar. — Ele murmurou e desviou os olhos.
Ele foi para o banheiro e eu senti o sorriso quase me partir a cara.
Levantei e peguei o blazer.
Coloquei ele novamente e sai do quarto.
Desci as escadas e encontrei Edgar aos pés dela.
— Vá ao escritório dois e traga todos os documentos nos quais eu preciso trabalhar, eu vou sair com o Oliver hoje novamente. — Falei para ele.
— Sim senhor. — Ele disse e saiu.
Atravessei a sala de jantar e entrei para a cozinha encontrando Murilo atrás do balcão com seus subordinados.
— Bom dia senhor, algum pedido específico para hoje? — Murilo perguntou.
— Faça bolo de chocolate com calda e raspas por cima, é para o monstrinho. — Falei para ele.
— Está bem. — Ele disse e eu saí.
Fui ao escritório e depois de enviar alguns e-mails, voltei para a sala de jantar.
Oliver entrou com uma calça jeans preta, uma camiseta branca com manga longa e nos pés um par de tênis.
Ele sentou no lugar dele e sorriu para mim.
Tomamos o café da manhã em silêncio e depois de escovar os dentes, fomos para o carro.
A clínica de repouso onde a avó dele morava, era um lugar bonito e arborizado.
Nós entramos e ele foi ao balcão.
— Bom dia, o doutor Patrício me pediu para vir, eu sou Oliver De Luca. — Ele disse.
— Senhor De Luca, bom dia, o doutor Patrício está aguardando o senhor no consultório dele. — A moça que aparentava ter pouco mais de vinte anos respondeu.
— Obrigado. — Ele disse para ela.
A garota ficou olhando para ele enquanto se afastava e eu arqueei a sobrancelha.
Segurei a mão dele e ele olhou com a testa franzida.
— Vamos. — Falei.
Nós entramos no interior do prédio e seguimos pelo corredor, depois dobramos a direita e seguimos reto até o final, onde a porta de madeira escura entreaberta mostrava o nome Geórgia.
Oliver entrou sem bater e eu estranhei.
O homem moreno de cabelo escuro e olhos verdes penetrantes olhou para cima e sorriu.
— Ei Lilico, você esqueceu que tem amigos? — Ele perguntou e se levantou.
Oliver riu enquanto o homem dava a volta na mesa.
— Como vai Pat? — Ele perguntou assim que o cara cobriu ele em um abraço.
Senti um amargo na língua e cruzei os braços para não puxar o filho da mãe e fazer ele bater a cabeça na mesa umas cinco vezes.
— Eu vou bem, e você? Nunca mais escutei o seu nome depois que eu saí da faculdade. — Ele disse.
— Eu fui para Savana. — Oliver falou para ele.
— Savana, muito grande e agitada para este velho. — Ele disse e bagunçou o cabelo de Oliver.
Oliver sorriu e me olhou.
— Esse é Mikhail Negrini, meu marido. — Oliver apresentou.
O homem me olhou e estreitou os olhos.
— Ele está me olhando como se estivesse planejando a minha morte. — Ele falou.
— Não se preocupe com isso, ele é um pouco ciumento. — Oliver falou e sorriu.
Olhei para ele.
— Eu espero lá fora se quiser. — Sugeri aborrecido.
— Não seja ranzinza, Patrício foi meu colega de dormitório na universidade. — Oliver falou.
— Fique tranquilo, nós só dormimos juntos por um ano. — O homem falou.
— Você não veio ver a sua avó? — Perguntei para Oliver.
— Sim, vamos falar da sua avó. — O tal Patrício falou e voltou para a cadeira atrás da mesa.
— Aconteceu alguma coisa grave? — Oliver perguntou preocupado.
— Sua avó não se lembra de muita coisa como antes, ela me pediu para chamar você. — Ele disse.
— Mas o tio Davis disse que ela não queria me ver. — Oliver comentou.
— O alzheimer é uma doença que ainda não tem cura, sua avó faz o tratamento corretamente, e isso está retardando os sintomas mais graves da doença, mas como eu disse no início, a doença não tem cura, então é natural que ela já esteja esquecendo alguns acontecimentos da vida dela. — Ele disse.
— Mas ela está bem? — Ele perguntou ainda preocupado.
— Ela está bem, só queria ver você. — Ele disse e sorriu.
— Eu posso ver ela agora? — Oliver perguntou.
— Sim, vamos lá, ela está no jardim agora. — Ele falou e se levantou.
Oliver se levantou também e nós seguimos para outro corredor.
Quando saímos pelas portas de vidro, o jardim na verdade era um pequeno bosque de gramado verde e árvores altas que projetavam sombra por toda a parte.
Haviam vários idosos espalhados pelo bosque.
Alguns em mesas de piquenique jogando dominó e xadrez, outros em tapetes quadriculados com cestas de piquenique.
— Se eu for chegar a velhice, acho que quero ficar em um lugar como esse. — Comentei.
— Você vai ficar em casa, eu não vou deixar você sair do meu lado. — Oliver falou e seguiu na direção de uma cadeira de balanço onde uma senhora de cabelos brancos lisos estava.
Me aproximei com ele.
E a senhorinha de expressão carrancuda levantou os olhos.
Quando ela viu ele um sorriso surgiu em seu rosto enrugado.
— Vier. — Ela falou e se levantou.
Oliver ficou parado no lugar.
— Francisca, o Oliver veio especialmente para ver você. — Patrício falou para ela e olhou para Oliver.
— Esse é o meu netinho que eu falei para você doutor, o Vier é muito doce e amável. — Ela falou e sorriu.
— Vó, como você se sente? — Oliver perguntou para ela.
— A vovó tem dor nas costas, mas não me impede de fazer as minhas coisas, sente-se. — A senhora falou para ele.
Oliver sentou.
— Vó, esse é Mikhail Negrini, um amigo que tem cuidado bem de mim, aqueles são o Adam e o Edgar, eles trabalham para o Mikhail. — Ele falou.
— Vocês são muito bonitos, o Vier sempre teve amigos bonitos, desde a infância, na rua de casa, ele costumava brincar com Victor, Dante e Igor, o Victor tinha o costume de carregar ele nas costas quando eles vinham da escola, oh sim, o Victor amava o Vier tanto quanto nós. — Ela falou.
— Victor? — Perguntei.
Um sorriso surgiu no rosto adorável.
— Ele tinha dez anos e Victor tinha quinze, ele carregava o Vier nas costas para que ele não sujasse os sapatos, mas sempre que ele chegava em casa, o Vier estava dormindo, ele subia com ele, tirava os sapatos, cobria ele e depois deitava ao lado dele e ficava olhando, o Victor amava muito o Vier. — Ela disse novamente.
— Você se lembra dessas coisas ainda. — Oliver comentou.
— É claro que eu lembro, quando o Victor faleceu, você chorou por cinco dias seguidos, sua mãe ficou desesperada. — Ela disse e riu.
— Foi disso que nasceu a trilogia Wuilsen. — Ele comentou.
— Você ainda gosta dele? — Ela perguntou.
— Claro, o Victor foi o melhor amigo que eu tive na infância. — Oliver disse para ela.
— Como está a mãe dele? — Ela perguntou.
— Ela tem uma rede de hospitais, sempre está viajando para gerir os negócios, nos encontramos por coincidência em Savana. — Oliver respondeu.
— Igor tem me visitado com frequência, ele sempre vem com um outro rapaz, muito educado e engraçado. — Ela falou.
— Que bom que ele vem com frequência, eu lembro que você gostava muito dele. — Oliver disse para ela.
Ela me olhou e sorriu.
— Você é bem grande meu jovem, nossa família gosta de pessoas grandes, o avô do Vier tinha dois metros de altura. — Ela falou para mim.
— Obrigado. — Falei para ela.
— Continue cuidando do Vier, ele ainda é uma criança. — Ela disse.
— Não se preocupe, eu vou cuidar bem dele. — Falei para ela.
— Ótimo, essa criança cuida sempre de todo mundo, mas no final, não tem ninguém para cuidar dele. — Ela falou e voltou a sua costura.
— Vó, eu sei que você adora tricotar e fazer crochê, vou pedir ao Patrício para lhe trazer algumas linhas. — Oliver falou para ela.
— Obrigado meu netinho, mas como a sua mãe está? — Ela perguntou.
— Melhor que nós dois. — Oliver sussurrou.
— Francisca, nós vamos assistir uns filmes que o meu filho trouxe, você vem? — Uma outra senhorinha perguntou.
— Claro. — Ela disse e se levantou.
Vi ela se afastar e o doutor colocar a mão no ombro do Oliver.
— O Igor tem vindo com frequência, você deveria vir mais também, sua avó sente sua falta. — Ele disse.
— Por que ela consegue se lembrar do Victor, mas não se lembra que eu sou gay? — Oliver perguntou.
— As memórias estão desaparecendo e somente as lembranças mais antigas estão mais claras, é por isso que ela lembra mais da sua infância. — Ele respondeu.
Oliver respirou fundo e assentiu.
— Tudo bem, eu vou tentar vir com mais frequência. — Ele disse.
— Ótimo, venha mesmo, de uns tempos para cá ela tem perguntado bastante de você. — Ele disse.
— Está bem, obrigado Pat. — Oliver falou para ele.
— É sempre um prazer. — Ele disse.
Nós saímos da clínica de repouso e entramos no carro.
Olhei para ele.
— Victor é o V.W da primeira trilogia? — Perguntei para ele.
Um sorriso surgiu no rosto dele.
— Olhe só para você, os livros que foram para a impressão na segunda, já estão com as dedicatórias alteradas. — Ele disse.
Seguimos para o café que ficava ao lado da editora Viena e assim que entramos, um rapaz veio na nossa direção.
— Bom dia, posso guiar os senhores a uma mesa no segundo andar? — Ele perguntou.
— Sim, por favor, você pode pedir o que quiser, é por minha conta. — Oliver disse.
— Essa frase não deveria ser minha? Se bem me lembro você está desempregado. — Falei para ele.
— Não quando o empreendimento é da minha família. — Ele disse e piscou.
Sorri para ele.
— Tudo bem, eu vou sentar em algum lugar e esperar você, enquanto resolvo alguns problemas. — Falei para ele.
— O escritório fica lá em cima também, acho que vou demorar um pouco. — Ele falou.
— Hum, você quer pedir em algum restaurante? — Perguntei para ele enquanto íamos para cima.
— Não, você pode pedir para eles irem em casa, quero comer a comida do Murilo. — Ele falou.
— Está bem. — Falei e peguei o celular.
Mandei uma mensagem para Edgar e assim que chegamos ao segundo andar, eu escolhi uma das mesas mais afastadas do salão.
Oliver foi na direção do escritório que ficava em uma espécie de sacada de vidro que ficava acima da parte esquerda do salão do segundo andar e um dos seguranças trouxe minha pasta.
Ajustei meus documentos e comecei a trabalhar, depois de fazer os últimos ajustes na festa de aniversário do nosso casamento.
As horas passaram e quando Edgar trouxe a comida, me dei conta de que passava do horário do almoço.
Fizemos a refeição e Oliver voltou ao escritório.
Ele desceu novamente já passava das dezesseis horas.
Ele se aproximou e me abraçou pelos ombros.
— Eu falei com Igor, para agradecer as visitas que ele tem feito para a minha avó, eu o convidei para jantar. — Ele falou.
— Só você e ele? — Perguntei sem conseguir esconder o descontentamento.
— Não, vamos nós dois e ele vai levar a pessoa que está com ele. — Ele falou.
— Tudo bem então, onde você quer fazer reserva? — Perguntei.
— Acho que podemos ir ao de sempre, o chefe já conhece o meu gosto. — Ele disse.
— Tudo bem, o que eu não faço pelo meu loiro, branquelo. — Falei e peguei o celular.
Oliver se despediu do pessoal do café e nós voltamos para casa.
Assim que entramos no quarto, ele foi tirando a camisa.
— Eu vou tomar banho primeiro. — Ele disse.
— Vá, eu preciso fazer uma ligação, coloque algo mais quente, está esfriando. — Falei para ele e fui para a varanda do quarto.
Sentei no sofá grande e tirei o celular do bolso.
Procurei o número na lista telefônica e liguei assim que achei.
— É o Hernandes. — A voz gutural falou.
— É o Corvaque, eu quero uma investigação completa sobre Patrício Geórgia filho do dono da clínica de repouso Geórgia. — Falei.
— Sim senhor. — Ele disse.
Desliguei e fui para dentro do quarto.
Entrei no closet e ele vinha saindo do banheiro com a toalha enrolada no quadril.
Olhei para o tórax e para o abdômen.
Me aproximei dele e puxei ele pela cintura.
— Você sabe como eu gosto do seu corpinho? — Perguntei para ele e deslizei meu nariz no dele suavemente.
Ele sorriu e piscou os olhos bonitos com charme.
— Se você gosta, por que quer me arrastar para a academia? — Ele perguntou com um bico.
Franzi a testa e gargalhei baixo.
— Um surto psicótico de ciúme não é suficiente para mim, preciso ter uns três, é por isso que quero você mais gostoso. — Falei para ele e beijei castamente os lábios bonitos.
Ele riu daquele jeitinho que eu adorava.
— Vá tomar o seu banho, estou com fome. — Ele falou.
Beijei seus lábios novamente e fui para o banheiro.
Tirei a roupa e entrei no boxe do chuveiro.
Tomei uma ducha rápida, me sequei e voltei ao closet.
Ele já estava vestido com uma camisa social azul clara impecável, uma calça branca de alfaiataria, um suéter azul escuro nos ombros com um nó nas mangas na altura do peito e um par de tênis branco.
Ele sempre estava bem vestido e cheiroso.
Era impossível não reconhecer o cheiro doce e suave, misturado ao cheiro natural da pele dele.
Era único e inebriante.
Separei um terno e comecei a me vestir.
— Por que você só usa preto, vermelho escuro e azul escuro? — Ele perguntou.
— Porque o sangue não aparece nessas cores. — Respondi e pisquei para ele.
O silêncio reinou por um momento.
E enquanto eu colocava a camisa social preta, olhei para ele.
Ele me olhava surpreso.
— Você espera um tiro ou uma facada todos os dias? — Ele perguntou.
— Não, mas nunca se sabe. — Falei para ele.
Ele ficou em silêncio mais uma vez.
— Eu vou esperar você na sala. — Ele disse.
— Está bem. — Falei para ele.
Depois de colocar os sapatos, arrumei o cabelo e desci as escadas.
Edgar me abordou aos pés das escadas.
—A reserva já foi feita. — Ele disse.
— Ótimo. — Falei e fui para a sala.
Assim que entrei, Oliver se colocou de pé.
— Podemos ir? — Ele perguntou.
— Claro. — Falei para ele.
Saímos de casa e entramos no carro que já estava estacionado no pátio.
— Chegaremos dez minutos atrasados, o trânsito está lento por causa de um acidente que aconteceu ainda a pouco. — Edgar falou.
— Sem problemas. — Oliver falou.
O carro saiu de casa e eu fiquei olhando para fora o tempo todo.
— Eu vou sair para viajar em novembro. — Falei para ele.
— Você vai ficar muito tempo fora de casa? — Ele perguntou.
— O mês inteiro praticamente. — Respondi.
— Está bem. — Ele disse tristonho.
Olhei para ele e segurei suas mãos.
— Vou tentar voltar o mais rápido possível, eu prometo. — Falei para ele.
— Estarei esperando. — Ele disse e sorriu.
Os olhos bonitos brilharam e ele beijou minha mão com carinho.
Senti um arrepio na pele e um profundo desejo de ter ele.
Eu já o amava, mas eu queria lembrar como ele começou a confiar em mim.
Queria entender como o meu eu atual era tão digno de tanta confiança.
Porque segundo o que todos diziam, o meu eu atual não parecia ser tão irracional quanto o meu eu antigo.
Olhei de canto de olho para ele e suspirei baixo.
Aquele garoto ao meu lado era o que eu tinha de mais precioso na minha vida, e eu tinha o estranho pressentimento de que algo aconteceria com ele.
Inferno!
Depois de trinta minutos no caminho que era de vinte, nós chegamos ao restaurante.
Descemos do carro e eu segurei a mão de Oliver.
Nós entramos e depois de falar com a recepcionista sobre a reserva, um rapaz veio para nos levar ao salão privado.
Assim que nós entramos, Igor e Ítalo se colocaram de pé.
Ele sorriu.
— Olá, Oliver. — Ele falou.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
Fátima Alfiery
co.o o Oliver e bobo, tadinho sendo explorado pela família escrota
2025-03-23
0
gloria maria Fernandes de amorim
ainda não entendi porque mickail não recobra a memória?
não tá legal
2024-10-19
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