Madrugada Especial

Acordei com frio na madrugada. Minha janela estava aberta e um vento gelado fazia arrepiar a pele. Minha garganta estava seca, então fui até a cozinha para beber água. Ao voltar para o quarto, percebi que a luz do escritório de Osman estava acesa. A porta estava entreaberta, então caminhei a passos leves até lá. Quando olhei pela pequena abertura, vi que ele estava lá, parecendo escrever ou desenhar algo, sem camisa, exibindo seu corpo másculo. Eu deveria voltar para o meu quarto, mas não consegui evitar admirar o que via. De repente, ele ergueu o olhar e me pegou espionando-o. Que vergonha, fui pega de novo.

— Gosta de me vigiar, né? — ele pergunta.

— Eu vi a luz acesa e vim apagar, só que você estava aí — digo, tentando não desviar o olhar do seu abdômen.

— Eu tive uma ideia boa para um projeto de um shopping. Vem ver — ele me convida.

Me aproximo da mesa e olho para o desenho. Não entendo muito de arquitetura, mas parece que o shopping ficará muito bonito.

— Esse shopping vai combinar modernidade com elementos naturais. A ideia é criar um ambiente acolhedor e elegante, onde os visitantes possam passear, fazer compras e socializar em um espaço que transmita bem-estar — ele me explica, seus olhos brilhando ao falar do projeto, demonstrando o quanto é apaixonado pelo que faz.

— Vai ficar lindo — comento.

— Você deve estar querendo ir dormir e eu aqui te incomodando com meu trabalho — ele diz, sem saber que eu ficaria aqui até o dia clarear.

— Não estou com sono, e eu gosto de ouvir você falar do seu trabalho. Se não se importa, eu gostaria de ficar e ouvir mais — digo.

— Então, sente-se aqui e prepare os ouvidos — ele diz, puxando a cadeira, e eu me acomodo. Ele começa a me explicar com mais detalhes, aproximando-se para me mostrar onde ficará a área do jardim.

— Vai ficar incrível — digo, enebriada com o aroma do seu perfume.

— Acha mesmo? — ele pergunta, virando o rosto para encarar o meu.

— Eu adoraria frequentar esse shopping — respondo, oferecendo-lhe um sorriso gentil.

— Acho melhor irmos dormir, já são duas e meia da manhã — ele diz, olhando para o relógio em cima da mesa.

— Sim, é melhor — concordo.

Ele sorri, levanta-se e estende a mão para me ajudar a levantar também.

Subimos juntos as escadas, e a cada passo, sentia meu coração acelerar. De vez em quando, ele me lançava um olhar acompanhado de um meio sorriso, como se estivesse pensando em algo que eu não conseguia decifrar.

— Por que está me olhando assim? — perguntei, tentando parecer mais tranquila do que realmente estava.

— Eu só estou feliz — ele respondeu, com um tom de voz que parecia esconder algo a mais por trás das palavras.

Continuamos caminhando em silêncio até a porta do meu quarto. Paramos ali, frente a frente, sem dizer nada, apenas nos encarando. Aquele sorriso dele permanecia, me desarmando e me deixando sem saber como reagir. Senti um nervosismo crescer dentro de mim e, antes que pudesse controlá-lo, comecei a rir. Era um riso que não fazia sentido, talvez uma forma de liberar a tensão daquele momento.

Ele logo foi contagiado pelas minhas gargalhadas, e rimos juntos como duas crianças que haviam contado uma piada. Era madrugada, e estávamos ali, rindo sem motivo, como se o mundo lá fora não existisse.

— Você é maluca, do que está rindo? — ele perguntou, tentando recuperar o fôlego, mas ainda com um sorriso nos lábios.

— Você, que é maluco, ficou aí parado me olhando sem dizer nada com essa cara de bobo — retruquei, ainda rindo, mas sentindo meu rosto esquentar com a proximidade dele.

— Então somos dois malucos? E acho que sou mesmo, você me deixa assim — ele disse, e de repente, seu rosto ficou sério. O sorriso se foi, substituído por um olhar intenso, que desceu até minha boca, como se ele estivesse decidido a fazer algo.

Meu coração disparou ao perceber o que poderia acontecer a seguir. Pressenti o momento e, antes que pudesse pensar muito, tomei uma atitude.

— É melhor eu ir dormir, boa noite — murmurei, minha voz saindo mais baixa do que eu pretendia, enquanto minha mão já estava na maçaneta da porta.

Mas ele me surpreendeu ao segurar minha mão, impedindo-me de girar a maçaneta. O calor de sua pele contra a minha fez um arrepio percorrer meu corpo, e o ar parecia de repente mais denso, carregado de algo que eu não conseguia identificar.

— Que foi? — perguntei, tentando parecer indiferente, mas sentindo a avalanche de emoções dentro de mim. Ele estava tão próximo que o calor do seu corpo e o seu cheiro eram quase esmagadores, provocando sensações novas e intensas que eu nunca havia experimentado.

Ele não respondeu de imediato, e a pausa fez meu coração bater ainda mais rápido. Então, com uma voz suave, ele disse:

— Boa noite — mas, em vez de se afastar, ele se inclinou e deu um beijo demorado no meu rosto, tão próximo à minha boca que senti o calor dos seus lábios.

Fiquei ali, parada, sentindo o toque do seu beijo que parecia queimar minha pele. Ele se afastou, mas os efeitos daquele momento permaneceram.

Ele caminhou em direção ao seu quarto e, antes de tocar a maçaneta, deu uma última olhada para trás, me pegando encarando-o feito uma boba. Sorri e entrei rapidamente no meu quarto, escorando-me na porta fechada atrás de mim, tentando entender o que acabou de acontecer. Será que ele está sentindo o mesmo que eu?

Nos conhecemos há pouco tempo, mas parece que faz muito mais. Sinto-me íntima dele, e às vezes tenho medo desses sentimentos e de que eles possam arruinar o que temos agora. Somos bons amigos, mas será que eu queria ser mais do que isso? Será que quero que esse namoro de mentira se torne real? Deito-me na cama, me aconchegando, e toco meu rosto, ainda sentindo o calor do seu beijo. Um sorriso se forma em meus lábios, revivendo o momento de agora a pouco.

Na manhã seguinte, após o café da manhã, ele me levou para sair. Eu adorava passear com ele; era sempre divertido, embora às vezes ainda brigássemos.

— Esse sorvete está maravilhoso. Acho que sorvete é uma das coisas mais gostosas do seu mundo. Eu amo sorvete — digo, saboreando o meu sorvete de olhos fechados.

Quando abro os olhos, vejo que ele está me encarando, do mesmo jeito que fez na madrugada.

— Sabe o que eu amo no meu mundo? — ele me pergunta.

— Não sei, o que você ama? — pergunto, curiosa.

— Amo o fato de você ter chegado nele — ele diz, e fico sem palavras. Sinto minhas bochechas esquentarem, e um sorriso surge em meus lábios.

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Comments

Anita Kenney Souza Leão

Anita Kenney Souza Leão

Estou amando.

2025-03-20

0

Maristela Cuoghi

Maristela Cuoghi

estou adorando a estória, muito linda

2025-02-03

2

Juliana Vicentina da Costa Nerys

Juliana Vicentina da Costa Nerys

Que declaração clichê, mas amei parabéns escritora.

2025-01-19

2

Ver todos

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