Já enfrentei muitos perigos em Sardônica; se Asnam me visse hoje, apavorado dentro daquele helicóptero, ele nem acreditaria. Matei escorpiões gigantes, javalis e muitos outros monstros fora do reino. Eu amava viver perigosamente, mas tudo isso era em terra firme. Estar tão alto, longe do chão, foi terrível. Aquele elevador subia tão alto, sem que eu soubesse como, e acho que descobri algo de que tenho medo: tenho medo de altura.
Estamos agora em uma sala reservada, e parece que Osman é alguém muito importante. Todos o tratam com muito respeito, todos, menos eu. Mas preciso me controlar, já que ele está me ajudando. Após um tempo de espera, o médico apareceu. Ele era mais jovem, diferente do médico do reino de Sardônica, que já estava bem velhinho.
— Osman, quanto tempo, meu amigo! — cumprimentou Emir, abraçando Osman e dando-lhe tapas nas costas, gesto que Osman retribuiu.
— Muito trabalho, Emir.
— E sua mãe, como está? — perguntou Emir.
— A cada dia, ela deixa de ser quem era. Às vezes, foge e dá bastante trabalho — respondeu Osman, com tristeza evidente na voz.
— Gostaria de dizer que temos a cura, mas infelizmente a medicina ainda não avançou tanto.
— E essa é a minha paciente? — pergunta ele a Osman, abrindo um sorriso gentil para mim.
— Ela mesma. Taya, este é o Dr. Emir — apresenta Osman.
— Prazer em conhecê-la, Taya — cumprimenta o médico, estendendo a mão.
— O prazer é meu, senhor Emir.
— Nada de senhor, apenas doutor Emir — diz ele de um jeito divertido.
— Tudo bem, doutor Emir — respondo, sorrindo.
Ele nos conduziu até seu consultório. Ao contrário de Osman, o Dr. Emir é bastante extrovertido. O consultório dele estava decorado com ilustrações de cérebros e uma escultura de uma cabeça cortada ao meio, revelando parte do cérebro. Havia também algumas imagens que ele explicou serem reais, mostrando o cérebro de um paciente. Curiosa e sem entender como isso era possível, perguntei:
— Como consegue essas imagens? Como as tira?
— Temos uma máquina aqui para isso. Se quiser, podemos ver o seu cérebro — ele sugere.
— Posso ver primeiro como a máquina funciona? — pergunto, intrigada.
— Sim, claro. Venha comigo.
Nós o seguimos até outra sala, toda branca, com uma parede de vidro e alguns aparelhos estranhos.
— Taya, esta é a máquina com a qual fazemos a tomografia, conhecida como tomógrafo, e esta outra é para a ressonância magnética — ele explica, apontando para os equipamentos.
Entro na máquina, que faz um barulho estranho, mas minha curiosidade supera o medo, mesmo com Osman e o doutor ficando atrás do vidro.
Depois que saímos de lá, o doutor e Osman continuam conversando por um bom tempo dentro do consultório. Osman me pediu para esperá-lo em outra sala. Entediada de tanto esperar, decido explorar o hospital e conhecê-lo melhor.
Comecei a caminhar pelo hospital, observando tudo ao meu redor. Passei por um corredor com vários quartos onde as pessoas pareciam muito doentes. Em outra ala, encontrei mulheres grávidas com barrigas enormes. Continuei andando e cheguei a um lugar mais silencioso, onde pessoas estavam conectadas a vários aparelhos. Um medo súbito tomou conta de mim, e, sem pensar, saí correndo. Acabei me esbarrando em alguém.
— Perdão, senhor — digo, tentando recuperar o fôlego.
— Não pode correr aqui, está em um hospital — ele responde, com um tom irritado.
— Eu sinto muito, não sabia que não podia correr aqui.
— Em que mundo você vive? Não sabe que não se pode correr em um hospital? — ele pergunta, ríspido.
— Eu morava em Sardônica, senhor, no mundo das pedras preciosas — respondo, o que o faz começar a rir.
— Como não percebi antes? Fugiu da ala psiquiátrica, né? Vem, vou te levar de volta — ele diz, agarrando meu braço e começando a me arrastar. Sinto medo e tento me soltar, mas ele me segura com força.
— Me solta! Eu não vou a lugar nenhum com você, não te conheço. Se meu guardião estivesse aqui, você levaria uma boa surra por sua insolência — digo, lutando contra ele, mas ele não me solta de jeito nenhum.
— Você precisa voltar para sua ala, não pode ficar aqui — ele insiste. Desesperada, começo a gritar por Osman.
— Osman, me ajuda!
— Não pode gritar aqui, moça.
— Então me solta!
— Tire suas mãos dela! — ouço a voz grave de Osman atrás de mim. Imediatamente, o homem me solta, e corro para perto de Osman, que me envolve em um abraço protetor.
— Essa moça fugiu da ala psiquiátrica — diz o homem, com arrogância.
— Ela não fugiu de lugar nenhum, ela está comigo — Osman responde, firme.
— Mas senhor...
— Mas nada. Você é despreparado e não merece o emprego que tem. Não sabe como agir em situações desconhecidas — Osman retruca, sua voz cheia de autoridade. Naquele momento, ele me parece um rei, todo-poderoso. O homem, agora envergonhado, abaixa a cabeça.
— Vamos, Taya — diz Osman, e eu o sigo sem hesitar.
Ao sairmos dali, percebo que Osman está irritado.
— Está tudo bem? — pergunto, mas ele me responde apenas com silêncio. Decido não insistir e fico quieta.
Nos despedimos do Dr. Emir, que me assegura que tudo está bem com o meu cérebro. Ele até me deu uma imagem dele. Vou guardar com carinho, e, se um dia eu reencontrar Asnam, farei questão de mostrar a ele — afinal, agora tenho a imagem do meu próprio cérebro.
Já no helicóptero, me sinto mais tranquila desta vez, observando e admirando a vista.
Chegamos à casa do Osman já era noite. Diferente de Sardônica, não há tochas acesas, e sim algo colado ao teto que ilumina todo o ambiente.
— Tentei encontrar sua família, mas não há nada sobre você, então você terá que ficar comigo por um tempo — ele finalmente diz algo depois de tanto silêncio, apesar de suas palavras serem frias.
— Não quero incomodá-lo, basta que me ensine como viver nesse mundo e eu me viro sozinha — digo.
— Veremos como vamos fazer.
Após nos sentarmos à mesa para jantar, observei que ele não comeu quase nada, parecia preocupado.
— Está preocupado? — pergunto.
— Bastante.
— Posso saber por quê?
— Muitas coisas, mas também estou com raiva, muita raiva, e você me deixou com raiva — ele diz.
— Me desculpa, não queria deixá-lo com raiva.
— Quando eu dou uma ordem, gosto que a cumpram. Eu pedi para você esperar e não sair daquela sala, mas você parece que não escutou nada do que eu disse. Quero ajudar você e preciso que me ajude, mantendo-se longe de confusão — Ele diz num tom de voz firme.
Eu queria mandá-lo pastar, mas sei que também errei. Não pensei que uma voltinha naquele hospital fosse causar tantos problemas. O celular dele toca e ele atende. Agora sei que aquela coisinha pequena é um celular e que eles o usam para se comunicar. Ele me explicou durante nossa caminhada até o hospital.
— Mas como deixaram ela fugir de novo? — Ele esbraveja falando com alguém no celular.
— Já estou indo para ir — ele diz e desliga.
— Vem, vamos precisar sair— ele diz e pega na minha mão, conduzindo-me até o carro.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Francisca Nubia Da Silva De Castro
Historia diferente e divertida demais! 😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂
2025-02-14
4
Raiane Marceli
🤣🤣🤣🤣
2025-01-20
3
Vanda Farias de Oliveira
também não gosto de elevador se poder evitar
2024-11-27
1