Taya...
Cada vez mais fico encantada com esse mundo. Agora, diante de mim, há uma carruagem com quatro rodas.
— E como ela anda sem cavalos? — pergunto curiosa.
— O motor faz ela andar. Vou te mostrar. — Ele diz e abre a tampa, que ele me explicou ser chamada de capô, revelando o motor.
— Então, esse motor e todas essas outras partes fazem o carro andar?
— Exatamente.
— Uau! Eu gostaria muito que o Aslan visse isso.
— Quem é esse Aslan de quem você tanto fala? — ele pergunta.
— Meu guardião. Foi ele quem me deu o anel como amuleto, e graças a esse anel eu vim parar aqui, em vez de ter que viver sofrendo como esposa reprimida do príncipe Cuskun. — Digo, sentindo um arrepio só de lembrar daquele nojento.
Ele abre a porta do carro, mostrando-se um verdadeiro cavalheiro. Em seguida, coloca um cinto em mim e explica que é o cinto de segurança, e que seu uso é necessário e importante.
— Pronta para conhecer um pouco da Turquia? — ele pergunta, parecendo animado.
— Sim, estou muito curiosa para ver como é lá fora.
Ele entra e senta-se no banco ao meu lado, fico observando tudo curiosamente.
— Aqui é o volante, é como se fosse as rédeas do cavalo — ele diz.
Ele me mostra uma chave e coloca onde ligar para fazer o tal carro andar e, quando ele gira aquela chave, faz um barulho que me leva a ter um susto absurdo, grudo em seu braço com medo, ele ri tanto que chega a engasgar.
— Não tem graça, Osman, você quase me causou um ataque do coração — digo irritada.
— Tem graça, sim, sabe quando foi a última vez que ri dessa forma? Eu era um garoto— ele diz, ajeitando a sua postura e ficando sério.
Ele falou de um jeito como se há muito tempo não fosse feliz. Fico impressionada quando o carro começa a andar, estou com muito medo, mas não vou dar a ele o gostinho de zombar de mim. Enquanto o carro vai andando, eu vou olhando a paisagem, é tudo estranhamente bonito, não tão quanto sardônia, mas é bonito, vejo outros carros e outras pessoas. Tampo os meus olhos quando vejo um homem e uma mulher se beijando com roupas íntimas!
— O que foi?—Osman pergunta, vendo que minha expressão agora é de total surpresa.
— Aquele homem e aquela mulher lá traz, você viu? Eles estão de roupas íntimas e ainda se beijando— digo, levando a mão à boca sem acreditar no que vi.
— Não são roupas íntimas, são roupas de fazer exercícios, e bem provável que seja um casal de namorados ou até mesmo casados; por isso, estão se beijando. Aqui nesse mundo é super normal. — Ele diz numa tranquilidade. Como isso é normal? Anelzinho pilantra, tinha que me mandar para um mundo de pervertidos! Penso olhando para o anel que está em meu dedo polegar.
— Esse é o anel que te trouxe para cá? — ele pergunta, com curiosidade.
— Acho que sim — respondo, olhando para o anel.
— Ele é estranho, parece muito antigo.
— E é. É um anel que pertenceu à família do Asnam, passado de geração em geração — explico, enquanto uma onda de saudade do meu amigo me atinge. Sinto falta de o enlouquecer com as minhas brincadeiras.
— Quantos anos você tem? — ele pergunta.
— Vinte e cinco. E você?
— Trinta e sete.
— Já está ficando velho, hein? — provoco, sabendo que ele não aparenta a idade que diz ter.
Ele me encara, erguendo uma das sobrancelhas.
— Você é a primeira a me dizer isso.— Ele responde, olhando para o espelho do carro.
— Pois é, pensei que tivesse uns quarenta e cinco anos.— Digo, tentando segurar o riso ao ver a expressão de total incredulidade no rosto dele.
Se você quer acabar com a autoconfiança de um homem bonito e vaidoso, basta dizer algo que fira o orgulho de sua aparência.
Após o meu comentário, ele permanece em silêncio pelo resto da viagem. De vez em quando, o pego me olhando de soslaio, com o semblante fechado. Me perco observando a paisagem, notando coisas estranhas ao meu redor. Essas pessoas se vestem de maneira totalmente desavergonhada. Há umas espécies de torres, bem grandes e altas. Eu queria evitar perguntar para o senhor carrancudo ao meu lado, mas minha curiosidade é mais forte.
— O que são essas construções tão altas? Por que tem tantas?
— São prédios e edifícios. Daqui a algumas horas, você vai entrar em um deles. Existem muitos porque estamos passando pelo centro comercial— lojas de roupas, joias, etc.
No meio da conversa, aquela coisinha preta começa a tocar novamente, desta vez encaixada no painel do carro.
— Irmão, como vai sua amiga de tão, tão distante? — Uma voz ecoa do aparelho.
— Você é um idiota, Burak! O celular está no viva-voz, então cuidado com o que vai falar. Seja rápido, que estou dirigindo.— Ele responde friamente.
Após um tempo de conversa, fico ansiosa para que termine logo, só para poder perguntar como o tal Burak estava ali falando com ele. Tenho certeza de que, pelo tamanho, ele não poderia estar dentro do carro.
— Tchau, Burak! — Ele diz, enquanto Burak ainda tagarela do outro lado.
— Eu ainda não terminei de falar, mano. — Burak reclama.
— Terminou porque eu não quero mais falar. — Ele responde.
— Filho da mãe! Você não tem coração; eu sou seu único amigo, seu idiota! — Burak xinga, e eu acho engraçado. Ele me lança um olhar feio, e eu levo a mão à boca para conter o riso.
— Vai à merda, Burak! — Ele diz, apertando o objeto que silencia a voz de Burak.
— Ele é um idiota! — Ele comenta, se referindo a Burak.
— Não posso concordar com você, porque passei pouco tempo com o Burak. Só posso falar sobre você, já que estamos há algumas horas juntos. — Respondo.
— E o que pode dizer sobre mim? Além de me dizer que tenho cara de velho. — Ele pergunta, claramente ainda afetado pelo comentário anterior.
— Melhor não dizer mais nada. Não quero arrumar uma inimizade com você, já que é o único em quem posso confiar. Esse anel me levou até você, e se eu disser algo que você não goste e me mandar embora, o que farei nesse mundo onde não sei como as coisas funcionam?
— Então, está pensando coisas ruins sobre mim, porque se fossem coisas boas, você não hesitaria em falar. — Ele observa.
— Se eu disser, promete que não vai me mandar embora? — Pergunto.
— Não vou mandar você embora. Pode dizer.
— Acho você metido e arrogante. E deveria tratar melhor seus amigos. — Digo de uma vez.
— Eu não sou metido, muito menos arrogante. E o Burak... ele é irritante às vezes.
— Isso é o que você diz, mas eu gostei muito do Baruk. — Digo, e ele resmunga algo que não entendo.
— Vou te deixar com ele, então.
— Não pode me deixar com ele, eu tenho que ficar com você. Você é meu guardião. — Respondo.
— Nem vem com essa história. Não sou guardião de ninguém. — Ele diz, gesticulando com a mão.
Percebendo que essa conversa não ia terminar bem, decido me manter em silêncio. Como ele havia dito, chegamos a um edifício, e é difícil não reparar em tudo quando se está em um lugar desconhecido.
— Elevador, essa é Taya. Taya, esse é o elevador. — Ele diz, me apresentando a uma pessoa que não consigo ver.
— Quem é o elevador? Não tem ninguém aqui.
— Estou sendo irônico. Isso aqui na nossa frente é um elevador, uma maneira de chegar a um andar do prédio mais rápido e sem se cansar. O elevador vai nos levar ao topo deste edifício.
— Então está debochando de mim? Acha isso certo? — Pergunto, estreitando os olhos para ele.
— Você me chamou de velho, arrogante e metido. Então, sim, acho certo. — Ele responde com um sorriso satisfeito.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Anita Kenney Souza Leão
Muito boa a historia.Estou gostando
2025-03-20
0
Francineth Couri
adorando a história, morrendo de rir
2024-12-03
0
Maria Lima De Souza
kkkkkkkkkk, gente tô passada de tanto rir
2024-11-25
1