Acordo

Eu não acreditava no que estava vendo. O que ela estava fazendo aqui? Como teve coragem de aparecer depois de tudo que fez comigo?

— Taya, fica aqui. Já volto — digo para Taya, que apenas concorda e permanece onde pedi.

Caminho na direção dela, que tira um frasco de álcool da bolsa e passa nas mãos com aquela cara cínica.

Berna

— Quanto tempo, Osman. Como vai? — ela pergunta, estendendo a mão, que eu ignoro.

— Não vai pegar na minha mão? Passei álcool, não tem nenhum germe — ela diz com sarcasmo.

— O que você está fazendo aqui, Berna? — pergunto.

— Vim prestigiar você. Sempre soube que se tornaria um grande arquiteto, só não tinha tempo para esperar você se tornar um — ela diz, cínica.

— Você não tem vergonha na cara? Nem precisa responder, porque só alguém sem vergonha na cara apareceria aqui depois de tudo que fez — digo, sentindo a raiva crescer.

— Eu vim porque te amo. Apesar do que fiz, isso não significa que meu sentimento não seja verdadeiro. Eu apenas fui racional e pensei no meu futuro — ela diz.

— Você não vai estragar minha noite, não mesmo. Então saia daqui! — digo com vontade de gritar, mas controlo o tom para não chamar atenção, falando firme e baixo.

— Eu não vou a lugar nenhum até que possamos conversar, e você me perdoe. Eu me arrependo de verdade. Eu era imatura e ambiciosa, reconheço isso, mas os anos passaram e percebi que nada daquilo era bom se você não estava comigo para compartilhar — ela diz, e sua voz vacila, o cinismo se desfazendo, dando lugar a uma expressão triste e arrependida.

— Tudo bem, depois que o evento acabar, podemos conversar, dez minutos e nada mais — digo, e ela me dá um sorriso.

Olho para trás e vejo que Taya nos observa discretamente, ou pelo menos é o que ela acha. Uma ideia maluca me ocorre, e embora eu saiba que não deveria fazer isso, não quero que Berna continue me perturbando.

— Fico feliz que tenha aceitado conversar comigo. Vou esperar ansiosa — ela diz.

— Agora preciso ir, minha namorada me espera — digo, satisfeito ao ver a expressão de surpresa em seu rosto. Ela definitivamente não esperava por essa.

— Você está namorando? Quem é ela? — pergunta, incrédula.

— Acho que você não a conhece, mas é aquela loira ali, Taya, luz da minha vida — respondo com orgulho, sabendo que minha falsa namorada é a escolha perfeita para deixar Berna com ciúmes e gritando de raiva por dentro.

— Você disse que nunca mais teria um compromisso sério. O que te fez se envolver com ela? — Ela pergunta, e percebo um tom de raiva em sua voz.

— Ela é incrível. Além de ser linda, é um encanto de mulher. Se a conhecesse, nem precisaria explicar por que me apaixonei. Agora preciso ir, aproveite a festa — digo, saindo com um sorriso vitorioso no rosto.

Agora só preciso convencer a fera a fingir ser minha namorada. Que merda eu fiz? Ela vai me matar. Aproximo-me de Taya e a pego pela mão, conduzindo-a para um lugar mais reservado.

— Quem era aquela moça? — ela pergunta enquanto caminhamos.

— Alguém que eu preferia não ter visto — respondo.

Chegamos a um escritório, abro a porta e entramos.

— Por que estamos aqui? — ela pergunta.

— Porque preciso de um favor seu. Espero que me ajude e que não fique brava comigo — digo, já temendo sua reação.

— Não estou gostando da sua expressão. O que você quer? — Ela pergunta, se aproximando do meu rosto e estreitando os olhos, como sempre faz quando quer descobrir algo.

— Finja ser minha namorada, só por hoje, por favor? — peço. Ela me olha surpresa e, em seguida, fecha a cara.

— Namorada? Igual àquele casal que vimos outro dia, se beijando na rua? — ela pergunta.

— Sim, mas não precisamos nos beijar, só ficar ao meu lado, se mostrar carinhosa. Eu disse para Berna que você era minha namorada — explico, e ela me dá um tapa forte no braço.

— Você não pode me envolver nos seus problemas, isso não é justo — ela diz.

— Eu sei, não sei onde estava com a cabeça, mas agora não posso voltar atrás. Por favor, me ajuda? Pode me pedir o que quiser depois — imploro, já imaginando que vou me arrepender dessa promessa, porque o sorriso travesso que ela faz me preocupa.

— Posso pedir o que eu quiser, é? — ela pergunta, com um sorriso no rosto e uma sobrancelha erguida.

— Nem tudo, mas o que eu puder, faço — digo, tentando voltar atrás.

— Então não poderei te ajudar — ela diz, indo em direção à porta.

Filha da mãe, onde ela aprendeu essas coisas?

— Está bem, faço o que você quiser — digo, sem outra saída.

— Nesse caso, eu aceito, mas vou logo avisando que minha lista de exigências é bem grande — ela diz, e já vejo que estou muito ferrado.

— Tudo bem, estou nas suas mãos agora — digo, e ela ri.

— Então vamos, namorado, está sendo deselegante deixando seus convidados esperando — ela diz, com sarcasmo.

— Vai me chamar de amor e tem que demonstrar que está perdidamente apaixonada por mim — digo, e ela revira os olhos.

Voltamos para a festa, e cumprimento alguns convidados que já estão no local. Berna não para de nos olhar, e estou adorando ver a cara de cobra dela. Meus colegas do ramo estão encantados com Taya, que apresentei como minha namorada. Ela é super delicada e simpática com todos, como uma verdadeira princesa.

— Osman, com todo respeito, você é um homem de sorte. Essa mulher parece de outro mundo — Kadir diz, olhando Taya da cabeça aos pés. Por algum motivo, isso me deixa desconfortável.

— Adivinhou, eu sou mesmo de outro mundo — ela responde, rindo. Aperto a mão dela para que não fale mais, mas ela disfarçadamente pisa no meu pé enquanto continua rindo. Eu quero estrangulá-la, porque isso doeu.

— Kadir, aproveite a festa, mas agora preciso fazer meu discurso de agradecimento — digo, me despedindo e saindo.

Já afastados, lanço um olhar de reprovação para Taya.

— Você quase esmagou meu pé — reclamo.

— E você quase esmagou a minha mão, amor — ela responde com ironia.

— Você é terrível, já me arrependi dessa loucura — digo.

— Tarde demais para arrependimentos, meu amor — ela diz, apertando minhas bochechas.

— Para com isso — peço.

— Você disse para eu ser carinhosa — ela retruca.

— Não como se eu fosse um bebê e você aquelas tias chatas que adoram apertar bochechas — digo, impaciente.

— Você tem que me ensinar, eu nunca namorei — ela confessa.

— Vou te ensinar na prática. Namorados fazem assim — digo, colocando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha e beijando levemente seu pescoço. Ela encolhe os ombros e fecha os olhos. Parece que gostou.

— Aprendeu direitinho. Normalmente, essa reação de fechar os olhos é de quem está realmente gostando do carinho — digo, dando a ela um sorriso convencido. Ela cora.

— Para você ver como aprendo rápido. Agora está na hora do seu discurso, Burak está te esperando — ela diz, olhando para Burak no púlpito.

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Comments

Elis Alves

Elis Alves

Não seja ingrata, vc não era problema dele e o mesmo te ajudou

2025-01-27

3

Elis Alves

Elis Alves

Tá certo, está falida e veio buscar o dinheiro do otário né perua?

2025-01-27

3

Rayelle Machado

Rayelle Machado

😂😂😂😂😂

2025-01-10

2

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