Osman...
Eu já havia ligado para o médico, que também é meu amigo e o melhor neurologista de Istambul. No entanto, ele não está na Turquia no momento.
As roupas que encomendei com Silla chegaram, e agora talvez seja um pouco difícil, pois preciso conversar com Taya para trocar de roupa. Vou até a sala onde ela já está há meia hora, observando fascinada o aquário. Como um gato, ela acompanha os peixes com os olhos. Fico ali parado, observando-a por um tempo. Ela pode não estar muito bem da cabeça, mas isso não diminui sua beleza: seus longos cabelos ondulados e loiros, sua pele clara, seu rosto delicado com traços finos e seus lindos olhos azuis. Se estivéssemos algumas décadas atrás, ela certamente seria a mulher mais bela daquela época. Eu diria que ela é a mulher mais bela que já vi em toda a minha vida, e olha que já viajei quase o mundo todo.
Por um momento, minha outra cabeça, que não é a de cima, parece se animar.
"É melhor sairmos desse caminho. Ela não é do nosso tipo, amigão. Nosso tipo são mulheres sem nenhuma inocência, e ela é inocente demais para nós. Ela é do tipo que casa e forma uma família, enquanto nós somos do tipo que prefere aproveitar cada segundo da liberdade de solteiro."
— Por que está aí parado como um guarda real? — ela pergunta, sem tirar os olhos do aquário.
— Eu... trouxe algumas roupas para que você possa tomar banho e se trocar. Vamos ao médico, lembra que falei que te levaria ao médico? — digo. Finalmente, ela tira os olhos do aquário e me olha.
— O médico não vem até aqui? — ela pergunta.
— Depende da situação, às vezes ele vem.
— Em Sardônia, sempre que adoecemos, o médico vai até o castelo.
— Como é Sardônia? — pergunto, curioso para saber se ela consegue descrever esse lugar imaginário.
— É lindo. Agora é verão, e fora do castelo há um lindo campo de flores gigantes. Suas pétalas, quando banhadas pelos raios de sol, parecem ouro; é de doer os olhos! Tem enormes montanhas repletas de pedras sardônicas, por isso é chamado de Reino de Sardônica. Há grandes árvores, macieiras, lagos e cachoeiras — ela diz, e seus olhos brilham como se estivesse realmente lá, nesse mundo que só existe em sua cabeça. Pobre moça, tão bonita e completamente perdida em um mundo imaginário.
— Sardônica deve ser realmente muito bonita. Aqui, no meu país, não é tão bonito quanto Sardônica, mas também temos lugares incríveis — digo, fingindo acreditar nela.
— Espero conhecer todos os lugares incríveis que há no seu reino — ela diz, sorrindo, parecendo um anjo.
— Então, venha comigo. Vou te levar até o quarto de hóspedes, onde você pode se acomodar.
— Sim.
Levo-a até o quarto de hóspedes e mostro-lhe o banheiro.
— E aqui é o banheiro. Tem toalhas limpas neste armário — explico.
— E como se toma banho aqui? — ela pergunta. Oh, céus, sinto-me como um professor de berçário.
— Você entra nesta parte aqui — digo, segurando sua mão para entrar na área do box do banheiro.
— E aqui, basta aproximar a mão e você liga o chuveiro, e a água começa a sair.
Ela leva a mão.
— Não ago... — Tarde demais. Ela aproxima a mão.
— Ai, meu Deus! — ela grita, apavorada com a água quente e forte que sai do chuveiro, molhando nós dois. Ela se agarra a mim.
Aproximo minha mão para desligar o chuveiro.
— Agora você aprendeu na prática.
— Sim! — ela diz, afastando-se e passando a mão no rosto para tirar a água.
— Vou deixá-la sozinha para aproveitar seu banho.
Vou para o meu quarto, tiro a calça de moletom molhada e tomo um banho. A lembrança do momento em que ela se agarrou a mim no banheiro vem à minha mente. O que está acontecendo comigo? Conheço essa mulher há apenas algumas horas, e não entendo por que estou assim. Deve ser a preocupação com a situação.
Afasto esses pensamentos da minha mente, termino o banho e visto uma roupa casual: calça jeans azul, blusa polo vermelha e mocassins vermelhos. Coloco um Rolex e um óculos escuro. Depois de pronto, ligo mais uma vez para o doutor Emir.
— Dr. Emir, meu grande amigo, estou precisando urgentemente vê-lo.
— Na próxima semana, estou aí em Istambul.
— E onde o senhor se encontra no momento? — pergunto, olhando pela janela do meu quarto a vista do jardim.
— Estou em Nicósia. Para ser exato, neste momento estou no American Medical Center — ele diz.
— Eu vou até você.
— É tão urgente assim?
— Digamos que sim. É uma consulta sigilosa para uma pessoa, então é melhor que essa consulta aconteça aí mesmo, em Nicósia.
— Tudo certo, então. Espero você aqui.
Após me despedir do Dr. Emir, vou até o quarto de hóspedes e bato na porta, o som ecoando levemente no corredor silencioso.
— Está pronta?
— Eu... não... Essas roupas, se é que se pode chamar isso de roupas, não cobrem o corpo direito. Quando não mostram as pernas, mostram as costas. E tem outra coisa que estou com vergonha até de falar — ela reclama do outro lado da porta, sua voz carregada de desconforto.
A porta se abre um pouco, e eu vejo uma pequena fenda através da qual ela está espiando, com uma expressão de frustração.
— Sei que essas roupas são totalmente diferentes do que você está acostumada a vestir, mas aqui no meu país as mulheres costumam se vestir assim. Não tem nenhuma que você gostou?
— Não, é tudo muito estranho.
— Posso entrar e tentar ajudá-la?
— Estou apenas enrolada na toalha — ela responde.
— Tem uns roupões no mesmo armário. Pega um e vista; assim, você ficará mais à vontade.
Depois de muita hesitação, ela finalmente me permite entrar. As roupas estão espalhadas sobre a cama, e as outras sacolas ainda estão fechadas.
Começo a abrir as sacolas e encontro um vestido vermelho de tamanho clássico. Ele tem alças largas e uma gola em V. Vejo lingeries espalhadas pelo chão, e ela nota meu olhar sobre as peças.
— Essas roupas pequenas são roupas íntimas né?— Ela pergunta.
— Sim, são.— Respondo.
— São tão pequenas. A maior que encontrei é um pouco apertada e bastante estranha — ela comenta.
— Você vai se acostumar a usá-las. E acredito que esse vestido ficará ótimo em você — digo, mostrando o vestido vermelho para ela.
Ela pega o vestido da minha mão. Saio do quarto para que ela possa se trocar e, após algum tempo, ela aparece. Uau! Ela está deslumbrante!
— Agora vamos! Meu amigo, que é neurologista, vai examiná-la. Vamos encontrá-lo em Nicósia, que fica próximo daqui — explico.
Vamos para a garagem para ir até o heliporto. Escolho um conversível para que ela possa apreciar melhor a paisagem ao longo do caminho.
— O que é isso? — ela pergunta ao ver o carro.
— Em Sardônia, vocês andam a cavalo e em carruagens, certo?
— Sim — ela responde.
— Aqui temos o carro, que é como uma carruagem moderna. Temos outros meios de transporte que você logo conhecerá.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Anonymous
O quinto livro que leio da autora Kelly 😍
2025-01-21
1
Denise Gonçalves das Dores
Quero só ver o que ele vai fazer quando descobrir que ela fala a verdade.
2024-12-22
0
Maria José Diniz
parabéns parece um conto de fada pra adulto romântico rsrsrsrs
2025-02-14
0