Ela Mudou o Meu Mundo

Osman...

Um homem não pode mentir para si mesmo, não pode. Poderia me enganar e dizer que estou fazendo uma cena para provocar a Berna, poderia, mas essa não é a verdade, porque, no fundo, eu sei que sinto cada palavra que estou cantando nesta canção. Não entendo como isso aconteceu, não faço ideia de como começou, mas acho que estou me apaixonando por Taya. Sempre achei que isso seria impossível para mim, mas Taya apareceu como mágica e me mostrou que, sim, o amor pode nascer no meu coração. Ela me mostrou que minha vida de solteiro só parecia boa até eu conhecê-la e perceber como é maravilhoso ter uma companhia para dividir os bons momentos, como tomar um sorvete, assistir a um filme, apreciar um bom vinho em frente à lareira em um dia chuvoso, no café da manhã, e a melhor parte: saber que tem alguém me esperando em casa.

Quando ela me olha com aqueles lindos olhos desafiadores, é a minha perdição; preciso de muito esforço para controlar a vontade de beijá-la.

— Osman, meus pés estão doendo — ela reclama, tirando-me dos meus pensamentos.

— Está cansada? — pergunto, acariciando seu rosto. Ela me dá um sorriso gentil e acena com a cabeça.

— Vou pedir ao motorista para levá-la para casa. Vou precisar ficar um pouco mais, tudo bem? — pergunto.

— Sim, tudo bem — ela responde.

Acompanho-a até o carro, dou um beijo em seu rosto, me despedindo dela.

— Obrigado por hoje! — agradeço.

— Não me agradeça, vou cobrar — ela diz com um sorriso travesso no rosto.

— Eu sei que vai, sua danada! — respondo, e ela sorri.

Fecho a porta do carro e volto para o evento. A festa continuou por mais algumas horas, mas eu não via a hora de tudo acabar para poder voltar para casa e estar perto de Taya. Enquanto me despedia dos últimos convidados, notei que Berna, sentada em uma das mesas, me fulminava com os olhos; acho que ela nunca teve que esperar tanto em sua vida.

— Irmão, foi um sucesso — Burak comenta.

— Sim, foi, e conseguimos novos clientes — respondo, e ele abre um sorriso satisfeito com a boa notícia.

— Isso é ótimo. E a traidora? — ele pergunta, referindo-se a Berna.

— Não sei, ela disse que queria conversar, e como não queria que nada atrapalhasse a noite, disse que ouviria o que ela tinha a dizer — explico.

— Toma cuidado, irmão, uma vez traíra, sempre traíra — ele me aconselha.

— Eu sei disso, e estou vigilante com ela.

— E a Taya? Houve um momento em que o namoro de vocês parecia muito real — ele comenta.

— Não sei dizer, mas algo em mim mudou, e foi ela quem provocou essa mudança — admito, e ele começa a rir.

— A extraterrestre fez você se apaixonar, cara — ele zomba.

— Você é mesmo um idiota, Burak — digo, dando um leve soco em seu braço.

— Concordo com você, o Burak sempre foi um idiota — a voz de Berna ecoa atrás de nós.

— Melhor ser idiota do que traiçoeira como uma serpente. Já comprou sua cama redonda? — Burak provoca, e eu seguro o riso. Ele nunca gostou de Berna e sempre me alertou sobre ela.

— Está me chamando de cobra? — ela pergunta, encarando-o com desdém.

— Se a cobra não se ofender, sim, estou te chamando de cobra — ele responde, dando um tapa leve no meu ombro antes de lançar um olhar debochado para Berna e sair.

— Imbecil — Berna murmura.

— Tchau, Osman. Cuidado, nunca se sabe quando uma cobra pode dar o bote — ele diz, e eu deixo escapar uma risada.

— Acha engraçado o seu amigo zombar de mim? — ela pergunta, irritada.

— Sim, o Burak é engraçado. E sem perder tempo, diga logo o que precisa me dizer — falo friamente.

— Podemos ir para outro lugar? — ela pergunta.

— Não, fale logo; seus dez minutos estão passando — digo, olhando o relógio.

— Eu sei que fui uma filha da puta com você, mas por favor, não me trate assim, Osman — ela implora.

— Pelo menos você tem a humildade de reconhecer, mas infelizmente já é tarde demais, não acha? — pergunto.

— Não, não é, Osman. Sabe que me doeu fazer o que fiz, e eu não tive escolha. Era perder minha casa ou trair você. A casa dos meus pais estava hipotecada, não tínhamos dinheiro, você estava no seu segundo ano de faculdade, e o Kemal tinha tudo o que eu precisava naquele momento — ela diz, chorando.

— Você roubou o meu projeto e deu para o Kemal. Em troca de quê? De uma vida boa e o pagamento da hipoteca da casa dos seus pais? Quando eu vi o Kemal usando o meu projeto e ganhando fama em cima dele, foi terrível para mim. Foi então que percebi que não só havia sido trocado por outro homem, mas também roubado pela pessoa que mais defendi. Você sabia que naquele dia em que terminou comigo eu ia te pedir em casamento? — esbravejo, socando a parede, sentindo a raiva crescer dentro de mim.

— Não sabia. Eu me deixei levar pelas promessas do Kemal. Ele já era um arquiteto formado e começando a ganhar fama, e eu vi uma maneira de conseguir tudo que sempre sonhei. Consegui, mas percebi que nada me fazia feliz como sentar no tapete do seu minúsculo apartamento e comer pizza fria no café da manhã — ela diz, relembrando o passado.

— O que quer de mim? — pergunto.

— Que me perdoe e que me deixe fazer parte da sua vida — ela diz, e eu começo a rir sarcasticamente.

— Não dá, Berna. Posso até perdoar você, mas fazer parte da minha vida não dá mais — digo, me virando para sair.

— Eu te amo — ela diz, agarrando meu braço.

— Me solta, por favor — peço.

— Você ama ela? A sua namorada? — ela pergunta.

— Amo, mais do que um dia amei você — digo, e então ela solta meu braço e seca suas lágrimas.

— Tchau, Berna.

— Eu não vou desistir — ela diz, e eu a ignoro, saindo do local da festa.

Quando saio lá fora, meu motorista já me espera. Entro no carro, me acomodo e solto um longo suspiro, afrouxando a gravata. Chego em casa por volta de uma hora da madrugada. Ouço o barulho da televisão ligada e vou até a sala de entretenimento, onde encontro Taya dormindo. Ela está vestida com seu pijama e encolhida no sofá. Me abaixo e fico admirando seus traços tão delicados: o nariz empinado, a boca rosada, os longos cílios e os cabelos caindo como uma cascata de ouro no sofá.

Desligo a televisão e a pego com cuidado, levando-a para seu quarto. Coloco-a delicadamente na cama e me sento ao seu lado, ofegante por causa do esforço de subir com ela no colo pelas escadas.

— Vou riscar um item da minha lista de pedidos, depois desse seu esforço para me carregar — ela diz com a voz rouca de sono, me pegando de surpresa.

— Você é terrível, estava fingindo e me deixou subir morrendo de cansaço com você — digo, fingindo estar bravo.

— Você tem braços fortes, Osman. Nem foi tanto esforço assim — ela diz, abrindo um olho apenas e dando um sorriso meigo, que faz meu coração bater mais rápido.

— Boa noite, Osman. Vá dormir — ela diz, se aninhando entre as cobertas.

— Boa noite, trapaceira — respondo, puxando a coberta dela. Ela reclama e joga um travesseiro em mim antes que eu alcance a porta, me fazendo rir como um garoto.

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Comments

Adriane Alvarenga

Adriane Alvarenga

Essa Berna é uma cobra....

2025-01-02

0

Elis Alves

Elis Alves

Ahhh, coitadinha, que dó dessa moça, ela queria salvar os pais 😞
Vadia mentirosa e interesseira 🤮🤬

2025-01-27

3

Maria Rosália Mery

Maria Rosália Mery

essa cobra 🐍 vai tentar fazer alguma coisa com o casal mas mais vai se arrepender

2025-01-14

1

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