Entrevista

Istambul, Istinye Park, Turquia...

— Senhor Osman, a Melisa Dongel o espera para a entrevista.— Aylin minha secretária, me avisa.

Se tem uma coisa que eu gosto é da minha privacidade, só aceitei dar essa entrevista porque a Esra, minha relações-públicas, disse que seria importante para a imagem da minha empresa.

Sempre evitei as câmeras e mesmo assim esse pessoal da TV e revistas não me deixam em paz. Essa vai ser a primeira vez que falo para uma emissora, e como as perguntas eram apenas sobre os meus negócios, não vi problema em conceder para eles essa entrevista.

Entro na sala e lá está ela, a senhorita insistente Melisa Dongel, é uma bela mulher solteira e adora uma farra, e o jeito que ela me olha dá para saber que é mais uma que adoraria ter uma noite de sexo comigo. Se ela não fosse uma jornalista, quem sabe eu a deixaria sem nem poder se sentar no outro dia.

— Boa tarde, senhor Osman Osberk, é uma honra para mim poder entrevistá-lo.— Olho para a mão dela estendida.

— Boa tarde, senhorita Melisa, não fez seu dever de casa direito, se não saberia que eu não pego na mão de ninguém se não estiver devidamente higienizada. Isso na sua frente é álcool.— Falo apontando para o álcool na mesa de centro.

— Perdão, senhor Osman, já higienizei minhas mãos, fiz meu dever de casa direitinho. — Ela fala.

— Eu não vi, então faça de novo.— Falo serio.

Ela, um tanto sem graça, passa o álcool novamente em suas mãos, e dessa vez eu estendo a mão para um cumprimento.

Após nos acomodarmos, ela dá início à entrevista.

— Senhor Osman, quando tudo começou? 

— Meu pai morreu de tuberculose, deixando para minha pobre mãe uma dívida altíssima que ela não conseguiu pagar. Então, perdemos nossa casa e passamos a morar de aluguel, fomos despejados várias vezes, minha mãe chorava. Teve uma noite que dormimos no banheiro de uma rodoviária, até que um dia minha mãe conseguiu um emprego de babá e a sua patroa muito generosa permitiu que eu também ficasse na casa, eu sempre dizia para minha mãe: eu vou crescer e lhe dá uma mansão, você terá sua casa e ninguém mais vai te jogar para fora. Sempre me encantei por construções e os detalhes de decoração das casas e prédios na verdade isso começou depois que perdemos a nossa casa, quando passávamos em frente a um edifício falava para minha mãe: quando crescer, quero construir um prédio assim. E ela dizia: Tem que estudar e se formar na área para construir um prédio assim, ser um engenheiro civil, arquiteto. Tudo começou nesse exato momento, e acho que o fato de ficarmos sem nossa casa também influenciou na minha formação.

— Quem vê o senhor assim hoje não imagina que passou tantas dificuldades. Quando foi a virada de chave? O senhor se tornou um dos homens mais poderosos de Istambul.

— Trabalhei muito para isso, comecei a faculdade com dezoito anos, quando ganhei uma bolsa de estudos, com meus vinte e três me formei em engenharia civil. Comecei trabalhando na empresa de um dos meus professores da faculdade, foi quando trabalhei no projeto que ajudou a mudar a minha vida, nunca havia recebido tanto dinheiro, comprei a casa para minha mãe. Ainda estava trabalhando na mesma empresa quando voltei para faculdade, dessa vez para estudar arquitetura, fui ficando conhecido e aos meus trinta anos abrir minha empresa de arquitetura, Arte Osberk que tinha apenas dois funcionários, eu e meu amigo Burak, e com um ano já tínhamos quinze funcionário, no terceiro ano conseguimos fazer um projeto incrível e foi a minha virada de chave.

— A sua empresa completará sete anos, como estão os preparativos da festa? 

— Isso eu também quero saber, até agora não me passaram os relatórios, RH terá trabalho essa semana.— Falo e ela ri.

— Para terminar essa entrevista, sei que essa pergunta não estava na lista, mas a minha chefe adicionou ela de última hora. O senhor é o solteiro mais cobiçado de Istambul, nunca foi visto com uma mulher, por que não tem uma namorada? 

Essa pergunta me irrita profundamente, não gosto de improvisos, não gosto que invada minha privacidade.

— Senhorita Melisa Dongel, diga à sua chefe que a minha vida pessoal só diz respeito a mim, essa entrevista acaba aqui.— Falo, laçando um olhar frio e me levanto, retirando-me da sala.

— Senhor Osman, vamos finalizar a entrevista, corta, corta a gravação! — Melisa grita para os cinegrafistas.

Ela segura em meu braço, mais uma coisa que me irrita.

— Tire as suas mãos cheias de germes de cima de mim, senhorita Dongel.— Falo friamente.

— Perdão, senhor Osman, mas por favor, termine a entrevista.

— Não, já decidir.

Após sair daquela chata entrevista, entrei em meu escritório e me servi de uma dose de uísque.

Fui para uma reunião e seguir com Burak para um bar aonde sempre vamos para relaxar na sexta-feira a noite.

— A Ayla disse que a tal jornalista saiu chorando, o que fez? Você precisa ser mais amigável, meu irmão.— Ele fala irônico.

— Sabe que gosto da minha privacidade, você é o único que tem acesso a tudo na minha vida. 

— O único que atura esse seu humor amargo.— Ele fala fazendo graça. 

— Você é um idiota! — Falo socando o braço dele.

— E você é um otário! 

Ficamos ali por um tempo, e entre doses de uísque percebo que estou bêbado o suficiente para chegar na minha casa e apagar.

— Eu amo você, Burak, é um irmão que eu nunca tive.

— Começou a se declarar, com certeza está bêbado.— Ele fala. 

— Sim, seu filho da mãe.— Falo.

— Vou te ajudar a chegar até o seu carro.— Ele fala.

Chegamos no meu carro Hilal, meu motorista ajuda o Burak a me colocar no banco traseiro do carro.

— Se cuida, irmão. E Hilal fala para Zeynep caprichar no café amargo amanhã.— Burack da instrução para o Hilal.

— Eu estou consciente, seu idiota!— Falo.

Hilal entra no carro e dá partida. Quando chegamos, Zeki o meu segurança, ajuda a abrir a porta do carro e me leva até o meu quarto. Eles já sabem que toda sexta à noite eu chego assim em casa.

— Obrigada, Zeki.

— Boa noite, patrão.

Deito na minha deliciosa e confortável cama, amo essa minha vida, não ter ninguém para encher a minha paciência é a melhor parte, eu nunca vou casar, quero viver assim, sexo sem compromisso, voltar para casa a hora que eu quiser e sem ter que dar satisfação da minha vida. 

Acordo com o barulho do meu alarme, com dificuldade abro os olhos, eu acho que continuo bêbado e alucinado, porque parece que tem uma princesa da Disney dormindo na minha cama. Esfrego os olhos, me beliscando para garantir que estou acordado. 

Osman Osberk

— Aí, meu Deus!— Exclamo, tocando nela, é verdade! Tem uma jovem fantasiada de princesa na minha cama! 

Isso só pode ser uma brincadeira de mal gosto do Burak, eu vou matá-lo! 

— Jovenzinha, pode abrir os olhos!— bato no ombro dela. 

Ela solta o longo suspiro e empurra minha mão ainda de olhos fechados.

— Me deixa dormir, Asnam...— ela resmunga baixo.

É uma ótima atriz, pego o copo com água, mesinha e jogo na cara dela.

— Chega dessa palhaçada!— Esbravejo e então ela abre os olhos.

E em seguida, grita feito uma louca.

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Comments

Maria José Diniz

Maria José Diniz

amando este livro tem uma vivência legal

2025-02-14

1

Maria Isabel

Maria Isabel

Já tô gostando que homem lindo 😍

2024-12-24

0

Bernadete Lopes

Bernadete Lopes

kkkkkkkkk princesa da Disney!!!

2024-12-16

0

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