— Meu Deus! — exclamo, pulando da arquibancada sem pensar duas vezes. O coração acelerado enquanto corro para o gelo, invadindo o rinque sem hesitar. Me aproximo rapidamente e afasto os garotos que estavam começando a se aglomerar.
Diante de mim, Bryan, Bruce e o garoto do time adversário estão no chão, machucados. Meu estômago se revira ao ver Bruce claramente em uma condição pior.
— Nenhum de vocês se mexe, ok? — falo com firmeza, tirando o boné. O garoto do outro time, Josh, me olha com os olhos arregalados, lágrimas escorrendo pelo rosto, e reconheço o medo em seu olhar.
— Você... é o Dylan Keer? — Ele pergunta entre soluços, ainda tentando processar o que está acontecendo.
— Sou, sim. Muito prazer, Josh. — Tento manter a calma, usando minha voz para distraí-lo do pânico. — Você joga muito bem, cara, é um ótimo defensor. Segurou muito o puck hoje.
— Você acha... que eu jogo bem? — Ele soluça, surpreso, tentando manter a atenção em mim e não na dor.
— Claro que sim. Agora me diz, onde está doendo mais? — Pergunto enquanto deslizo a mão pelo cabelo dele, tentando acalmá-lo.
— Meu braço... dói muito. — Josh responde com um gemido, segurando o braço com cuidado.
— Tudo bem, Josh. Vou cobrir seus olhos, tá? — Digo, e ele assente, confiando em mim. Com cuidado, desvio sua atenção enquanto os paramédicos, que já estavam no local, se aproximam para cuidar do braço visivelmente quebrado.
Com Josh seguro e sendo atendido, minha atenção se volta para Bruce. Seu rosto está contorcido de dor, e um olhar mais próximo revela que sua perna está quebrada, além de um corte profundo causado pela lâmina do patins. Os paramédicos começam a trabalhar nele também, imobilizando sua perna com eficiência.
Então, vejo Bryan, caído, ainda processando tudo. Seus olhos estão cheios de lágrimas, o medo estampado em seu rosto, suas mãos está sujas de sangue, tanto dele quanto to Bruce.
O Bryan não quebrou nada, no maximo torceu, o maior problemas são os dois cortes, na perna dele
— Tá doendo. — Ele diz com a voz embargada, tentando ser forte, mas claramente à beira do choro.
Me abaixo ao lado dele e seguro seu rosto, forçando seus olhos a se fixarem nos meus.
— Eu sei que dói, filho, mas não olha pro lado. Só olha pra mim, tá bom? Eu tô aqui, não vai acontecer nada com você. — Digo, mantendo minha voz firme, embora meu coração esteja em pedaços.
...●...
Assim que chegamos ao hospital, os médicos agem rapidamente. Vejo os meninos sendo levados para o atendimento de emergência, e o alívio imediato de saber que estão em boas mãos me atinge, mas ainda assim o nó no meu peito não desaparece. Sento ao lado da Alice, que parece estar tão destruída quanto eu, e noto suas mãos trêmulas. Amanda está no canto brigando fervorosamente com Alan. Ela o acusa de ter incentivado aquela jogada perigosa. Pelo tom dela, fica claro que foi ideia daquele imbecil.
"La Perfección", penso com raiva. Uma jogada tão perigosa que nem os profissionais arriscam, e ele achou que seria uma boa ideia deixar garotos tentarem. O que ele estava pensando?
Alice, com os olhos cheios de lágrimas, me puxa de volta para a realidade. — Como você sabia? — Sua voz está baixa, trêmula, o tipo de pergunta de quem busca alguma lógica em meio ao caos.
— Eu conheço essa jogada. — Suspiro profundamente, passando a mão pelos cabelos. — É extremamente perigosa, até para quem tem anos de experiência no gelo. Assim que vi a colisão, soube que não ia terminar bem.
Ela balança a cabeça em sinal de compreensão, mas as lágrimas finalmente caem. Eu me sinto impotente, desejando que pudesse desfazer tudo o que aconteceu.
Enquanto tento encontrar palavras para confortá-la, vejo os pais do Josh, o menino do outro time, entrando no hospital com rostos carregados de preocupação e raiva. Eles estão claramente indignados, e com razão. O filho deles se machucou gravemente por causa da irresponsabilidade de um adulto que achou que arriscar a segurança dos meninos por uma jogada perigosa era algo aceitável.
A atmosfera no hospital é pesada, com a tensão crescendo a cada minuto. Alan, agora de costas para nós, está sendo confrontado por Amanda com uma fúria que raramente vi nela. E Alice, com os olhos vermelhos, apenas observa, como se estivesse prestes a desabar a qualquer momento.
— Isso nunca deveria ter acontecido. — Murmuro, mais para mim mesmo, enquanto coloco a mão sobre a dela, tentando lhe dar algum consolo.
Alice aperta minha mão, buscando força, mas a dor nos olhos dela é inegável. A cada minuto que passa, a espera parece interminável, como se o tempo estivesse se arrastando apenas para nos torturar. O som distante dos médicos e enfermeiros movendo-se pelo corredor mistura-se com o burburinho das conversas entre os pais do Josh e as enfermeiras.
Amanda continua discutindo com Alan, sua voz ficando cada vez mais alta, ecoando pelo saguão. — Você é completamente irresponsável, Alan! Como pôde deixar isso acontecer? La Perfección? Que tipo de ideia absurda foi essa?
— Eu só queria que eles fossem melhores, que tivessem uma vantagem... — Alan tenta se defender, mas sua voz falha ao perceber a gravidade da situação.
Amanda sacode a cabeça, incrédula. — Uma vantagem? Eles são crianças! Não são profissionais como o Dylan! Você estava arriscando a saúde deles!
Alice aperta meus dedos com mais força, e me viro para ela, vendo as lágrimas escorrerem silenciosamente por suas bochechas. — Eles são só crianças... — Ela murmura, repetindo o que Amanda disse.
Eu quero dizer algo para confortá-la, mas as palavras parecem inúteis diante da situação. De repente, um médico se aproxima, tirando todos nós de nossos pensamentos sombrios.
— Os meninos estão estáveis — ele anuncia, e todos nós soltamos um suspiro de alívio. — O Josh quebrou o braço, mas já o imobilizamos. O Bruce teve uma fratura na perna, que também foi tratada, e estamos monitorando um corte superficial causado pelo patins. Ambos precisarão de repouso, mas vão ficar bem.
— E o Bryan? — Pergunto rapidamente, o coração acelerando.
— Ele está com algumas contusões, mas sem fraturas graves. Precisaremos observar por mais algumas horas para garantir que não haja nenhuma complicação, mas ele também ficará bem.
O alívio que sinto é tão grande que quase me faz perder o fôlego. Alice solta a mão da minha e cobre o rosto, soluçando de alívio. Eu passo um braço ao redor dos ombros dela, tentando acalmá-la enquanto absorvo a notícia.
— Graças a Deus... — Ela murmura entre lágrimas.
Os pais de Josh ainda parecem tensos, mas visivelmente aliviados também. Ainda assim, vejo o pai dele lançar um olhar furioso para Alan, que agora parece muito menor do que sua presença imponente geralmente sugere.
— Isso não vai ficar assim — o pai de Josh diz, com a voz firme. — Alguém vai ter que responder por isso.
...●...
O saguão do hospital parece suspirar junto com todos nós, o ambiente, por um breve momento, parece mais leve. Mas a tensão, embora diminuída, ainda paira sobre nós como uma sombra. O pai de Josh se afasta, balançando a cabeça, enquanto a mãe tenta acalmá-lo. A Amanda ainda está ao lado do Alan, agora em silêncio, mas com o olhar duro, como se as palavras que ela queria dizer ainda estivessem presas, esperando para explodir.
Alice finalmente consegue controlar os soluços e se endireita no banco, enxugando o rosto com as mãos. Ela me lança um olhar de gratidão, mas também de cansaço. Este dia, ou melhor, os últimos dias, pesaram muito sobre ela.
— Preciso vê-los — ela diz, a voz fraca, mas determinada. — Preciso ver o Bryan.
— Você vai vê-lo — respondo, apertando seu ombro de leve. — Eles só estão terminando os cuidados, logo o Bryan vai estar aqui, com a gente.
Ela balança a cabeça, tentando se acalmar, enquanto olhamos ao redor, vendo os outros pais conversando em voz baixa. A tensão no ar é quase palpável.
Alguns minutos depois, uma enfermeira se aproxima com um pequeno sorriso no rosto.
— Vocês podem ver os meninos agora. Estão todos na mesma sala. Por favor, venham comigo.
Nos levantamos rapidamente, com Alice segurando firme no meu braço, enquanto seguimos a enfermeira pelos corredores frios do hospital. Ao entrarmos na sala, o coração de Alice acelera. Ali, deitados nas macas, estão os três garotos — Bruce, Josh, e Bryan. Todos parecem cansados, com pequenos curativos, mas estão acordados e conscientes. O alívio no rosto deles é um reflexo do que sentimos.
Alice corre direto para Bryan, ajoelhando-se ao lado da cama dele e segurando sua mão.
— Meu amor... você está bem? — Ela pergunta com a voz embargada.
Bryan sorri, fraco, mas genuíno.
— Tô bem, mãe. Só meio dolorido. Não precisa chorar.
Alice solta uma risada nervosa, enxugando mais lágrimas, e beija a mão dele. — Eu não consegui evitar...
Eu me aproximo de Bruce, que está deitado, com a perna imobilizada. Ele me olha, e eu faço o meu melhor para sorrir.
— Você foi corajoso lá fora, garoto — digo, tentando aliviar o clima.
Bruce sorri de volta, mas é um sorriso cansado. — Acho que não vou andar por um tempo, mas foi uma jogada e tanto, né?
ㅡ Uma que você nunca mais fazer. - A Amanda diz beijando a cabeça do filho.
— Foi sim — concordo, dando-lhe um leve tapinha no ombro. — Mas na próxima, tentamos uma jogada que não nos coloque no hospital, combinado?
— Combinado — ele ri, mas a dor o faz parar rapidamente.
Olho para Josh, que parece mais tranquilo, agora que seu braço está devidamente imobilizado. Ele me encara com olhos grandes, como se ainda não acreditasse que estava ali, conversando comigo.
— Você foi incrível, garoto. Aguentou firme — digo, abaixando-me para ficar mais perto dele. — Mas agora é hora de descansar, ok?
ㅡ Pode tirar uma foto com o senhor depois, sou muito seu fã. - Ele diz sorrindo.
ㅡ Claro. - Digo, a mãe dele sorri feliz, ao ver o filho feliz.
Josh assente, sorrindo levemente, enquanto sua mãe o observa de perto, acariciando seus cabelos.
Olho pro Bryan está me encarando, enquanto é abraçad o pela mãe.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Zilá Cerqueira
Nossa agora doeu até a alma , que coisa triste, foi esse acidente com ás três crianças 😔
2024-11-03
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