O impacto das palavras me atinge como um golpe no estômago. Fico paralisado, olhando para o menino à minha frente, seus olhos cheios de uma dor que eu não consigo ignorar.
— Quem... quem é você? — pergunto, minha voz vacilando.
— Você por acaso é surdo?! — ele diz, claramente irritado. — Meu nome é Bryan Hart, e você claramente não lembra da minha mãe, Alice Hart.
A revelação me deixa sem palavras. Sinto o chão desaparecer sob meus pés. Tento processar a informação enquanto o garoto me olha com um misto de raiva e expectativa.
— Alice... — digo, tentando encontrar as palavras em meio à minha mente completamente bagunçada.
— Lembra dela? Lembra dela ou ela foi só mais uma das mulheres que você usou e jogou fora? — ele continua, a raiva em sua voz aumentando. Eu não consigo processar nada do que ele está falando.
Mas uma coisa eu sei: nunca achei que ouviria o nome dela de novo. Alice Hart machucou meu coração de um jeito que até hoje deve ter pedaços dele espalhados pelo chão daquela rua. Jamais esquecerei daqueles olhos azuis cheios de lágrimas, com o fundo vermelho, das suas mãos trêmulas me afastando, e das palavras que saíam de sua boca, despedaçando o meu peito em milhares de migalhas.
— Não adianta dizer que não sabia — ele rebate, sua voz elevando-se em frustração. — Minha mãe tentou entrar em contato com você, mas você, como o homem sujo que é, nunca respondeu.
Meu coração aperta ao ouvir isso. Há um turbilhão de emoções dentro de mim: culpa, surpresa e uma tristeza profunda.
— Eu...
— Ela nunca falava sobre você, mas todos ao meu redor sinalizavam o tipo de homem que você é — ele continua a cuspir palavras. — Agora eu sei. Você estava muito ocupado sendo uma estrela do hóquei para ser um pai.
O menino de cabelos negros, que até agora estava em silêncio, finalmente fala.
— Acho melhor irmos, Bryan. Nossos pais devem estar procurando.
— E vamos. A viagem a Napa não é fácil — ele me olha mais uma vez. — Eu tenho pena de você — diz, e sai com o amigo.
Eu não me mexo, não consigo me mover, apenas fecho a porta à minha frente, mas continuo parado no mesmo lugar.
Minha confusão mental passa e saio de casa atrás dos meninos. De chinelo mesmo, corro até a portaria do condomínio.
— Os... dois... meninos? — digo, recuperando o fôlego.
— Pegaram um Uber, não sei para onde foram — o segurança diz.
Mesmo que eu pegue meu carro, não sei onde eles estão agora. Eu ia ficar igual a um imbecil perambulando por Seattle.
Volto para casa e o Apollo está agitado, porém com um único comando ele para de latir e correr pela casa.
Filho. Não faz sentido eu ter um filho. Nada do que o garoto falou faz sentido.
"Minha mãe tentou entrar em contato com você, mas você, como o homem sujo que é, nunca respondeu."
...⁜...
Não consigo dormir, mesmo depois de ter tomado um remédio e deitar na cama, em busca de esquecer essa loucura.
"Minha mãe tentou entrar em contato com você, mas você, como o homem sujo que é, nunca respondeu."
Alice me avisou? Se ela tivesse me avisado, eu teria voltado para casa, teria estado com ela. Ela não me avisou.
Continuo a virar de um lado para o outro na cama. Respiro fundo e fecho os olhos.
— Ah, não ser! — Pulo da cama e corro até meu notebook.
Abro o app de e-mail e, em busca, coloco o nome dela: Alice Morgan Hart. Alguns e-mails aparecem, todos já lidos e respondidos. Menos um, apenas um deles está sem visualização ainda. Com a mão trêmula, clico nele.
"Oi Dylan,
Não sei bem como lhe dizer isso, nem sei se você vai ver isso. Deve estar morrendo de ódio de mim. E acho justo. Eu falei coisas dolorosas, e quase todas elas sem qualquer vontade de proferir contra você.
Sei que lhe machuquei, e sei que não mereço seu perdão e está tudo bem, você não precisa me perdoar por lhe machucar como eu lhe machuquei. Mas eu preciso te dizer algo.
Já tentei te ligar, até mandei SMS, mas acho que você deve ter me bloqueado da sua vida. Eu não faria diferente.
Bem, não sei se essa é a melhor maneira de lhe dizer isso. Acho que não há uma maneira ok, mas este é o melhor que posso fazer agora.
Estou grávida. Eu já estava grávida quando disse tudo aquilo, mas eu não tinha outra escolha. Para o bem da minha família, eu precisava falar aquelas coisas.
Acabei de atingir o quinto mês de gestação, e tive a notícia que nosso filho é um menino. Como você bem sabe, minha família tem uma tradição: o nome dele vai ser Bryan.
E para que no futuro eu não me arrependa, estou lhe mandando isso. Não sei quando irá ler, nem mesmo sei como vai reagir a isso, mas eu precisava falar, precisava tirar esse peso de mim, pois acho que eu nunca seria meramente feliz se não contasse.
Boa sorte com seu primeiro jogo. Beijos, Alice."
Sinto como se tivesse levado outro golpe. As palavras dela ecoam na minha mente. Ela tentou. Ela realmente tentou me avisar, mas eu estava tão perdido na minha dor e raiva que nunca dei a chance de ouvir. Meu coração aperta mais ainda. O arrependimento é um sabor amargo na minha boca.
Fecho o notebook e encosto a cabeça nas mãos. O que eu faço agora?
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Danielle Pereira de Souza
amando ler ❤️🥰 linda história ❤️🥰 mais capítulos ❤️🥰
2024-08-20
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