Tentamos conversar com os meninos várias vezes, mas nada parecia adiantar. Eles simplesmente se recusavam a falar. Nanda e eu decidimos, então, deixar o assunto de lado por um tempo, esperando que, com o passar dos dias, eles se sentissem mais à vontade para nos contar o que aconteceu.
Mas a nossa rotina não conseguiu voltar ao normal. Cada dia é um exercício de ansiedade para mim. Enquanto dou aula, não consigo parar de pensar no que meu filho fez. Os cenários mais horríveis passam pela minha mente: será que fizeram algo com ele? Será que ele viu algo que não deveria? Será que ele ouviu algo?
O medo de chegar em casa e não ter meu filho por perto me persegue constantemente. Bryan parece ter mudado de forma drástica; ele não vai mais ao campo, nem ao rinque, nem visita a casa do tio. Ontem, quando cheguei em casa, encontrei os equipamentos de hóquei dele jogados no lixo — equipamentos que ele lutou tanto para comprar.
Bruce já voltou ao seu comportamento alegre e brincalhão, mas Bryan permanece envolto em uma aura de tristeza e introspecção. Ele raramente sorri e passa a maior parte do tempo com a cabeça baixa, mergulhado em pensamentos que eu não consigo acessar. Eu o observo com preocupação, meu coração apertado a cada vez que vejo seus olhos cansados. Ele está mais distante, e mesmo quando tenta se animar, a tristeza nunca está totalmente escondida.
Eu me esforço para manter a rotina normal. Preparo refeições, tento conversar e, mesmo que minha voz seja alegre, meu coração está pesado.
...⁜...
Converso com Alan e Nanda sobre a situação, discutindo o que poderia ter levado os meninos a fazer algo tão arriscado. Cada vez que tento tocar no assunto com Bryan, ele desvia o olhar e dá respostas curtas e evasivas, alegando apenas que foram assistir a um jogo.
— Tentei falar com o Bruce, mas nada. — Nanda diz, colocando um café em minha frente. — Ele continua dizendo que não foi nada de mais, mas posso ver que está mentindo.
— O Bryan jogou fora todos os equipamentos de hóquei dele — verbalizo, e meu irmão me encara surpreso. — Ele mal fala comigo, só responde.
— Precisamos arrancar a verdade dele — diz Alan, com uma expressão de determinação. — Mesmo que Bruce finja estar feliz, dá para ver que está se forçando a sorrir e brincar.
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Meu irmão e cunhada subiram até nossa casa. Quando entramos, encontramos os meninos na sala, em frente à TV. Bruce está completamente focado em um jogo, enquanto Bryan está com a cara fechada e os olhos inchados — devia ter chorado escondido mais uma vez.
— Então, meninos — Alan começa, com um tom de voz que mistura preocupação e firmeza. — Sabemos que vocês mentiram sobre o motivo da viagem. Precisamos saber a verdade. O que realmente aconteceu?
Bryan olha para o chão, claramente desconfortável. Bruce, ao seu lado, finge interesse na televisão, evitando o contato visual.
— Só fomos ver um jogo — Bryan diz finalmente, sua voz baixa e hesitante.
— Mas não faz sentido — Nanda intervém. — Vocês estavam fora por dois dias. O que foram fazer em Seattle?
Bryan hesita, olhando para Bruce, que dá um leve empurrão no braço do primo, como um sinal. A atmosfera está carregada de uma verdade não revelada.
— Não podemos dizer mais nada — Bryan responde, seus olhos evitando os nossos.
— Por favor, Bryan. Não estamos aqui para te punir — digo, tentando manter a calma. — Só queremos entender o que aconteceu. Estamos preocupados com vocês.
Mas Bryan e Bruce permanecem em silêncio. A tensão na sala é palpável, e sinto que há algo mais profundo e doloroso por trás da resistência deles.
— Eu juro que não fizemos nada — Bruce diz, com um tom de exasperação. — Nós...
— Não fizemos nada — Bryan interrompe, franzindo a sobrancelha e com uma expressão de frustração. — Só fomos assistir a um jogo.
— Em Seattle? Sem me avisar? — Começo a perder a paciência. — Bryan, pare de mentir. Eu quero a verdade.
ㅡ Perdeu toda aquela coragem, Rapaz? - Antes que eu possa continuar, uma voz grave e densa, toma o ambiente, eu jamais poderia esquecer se tom da minha vida. Olho para trás e vejo Dylan, meu Dylan, agora barbado e com o cabelo um pouco maior. Ele está fisicamente maior do que a última vez que nos vimos.
Antes que eu possa falar algo ou dar sequer um passo, Alan corre na direção de Dylan e tenta faz o meur um soco. O Jogador desvia com facilidade e faz meu irmão cair no chão, sem esforço.
— Acho que precisamos conversar, Ally! — Dylan diz, olhando no fundo da minha alma.
A sensação de choque e confusão é quase avassaladora. O que está acontecendo? Por que Dylan está aqui agora?
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Atualizado até capítulo 40
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