Ele vai ao jogo

Os últimos dias têm sido uma montanha-russa de emoções, e tudo parece estar desmoronando ao mesmo tempo. O Bryan está com raiva do Dylan por causa da briga com o Alan, e o Bruce, por sua vez, está irritado com a mãe por não apoiar o pai. A tensão entre todos está no auge, e para piorar, o jogo importante de amanhã pesa sobre nossos ombros.

A conversa que tive ontem com a Amanda não para de ecoar na minha mente. Suas palavras foram diretas, mas tão verdadeiras que é impossível ignorar: "Foi você quem criou toda essa confusão, quando decidiu terminar com o Dylan há 14 anos. Você que tem que começar a arrumar tudo."

Essas palavras ficaram me perseguindo, como um lembrete constante de que o passado nunca ficou realmente no passado. E agora, parece que é hora de encarar as consequências das decisões que fiz a tanto tempo atrás.

— Vou convidar o Dylan para o seu jogo. — solto, enquanto me sento ao lado do Bryan, que me encara com um olhar cheio de descontentamento.

— Pra quê? — ele responde, a voz carregada de uma mistura de irritação e confusão.

— Porque já passou da hora de você entender as coisas — digo, firme, enquanto ele bufa, claramente contrariando minhas palavras.- Nós ja conversamos.

Sei que não vai ser fácil para ele aceitar isso, mas algo precisa mudar. O Bryan tem carregado essa raiva, esse ressentimento, que não o está levando a lugar nenhum. E quanto mais eu vejo isso, mais percebo que ele está replicando o comportamento do Alan, algo que me preocupa profundamente.

— O Dylan tem todo o direito de participar da sua vida — continuo, a voz um pouco mais suave agora, tentando encontrar o equilíbrio entre ser firme e compreensiva.

— Ele não quis participar da minha vida antes. — Bryan rebate, cruzando os braços. — Ele só apareceu agora, precisou que eu fosse encarar ele. O Dylan nunca esteve lá, mãe.

As palavras dele me cortam, mas respiro fundo, sabendo que essa é a dor falando, não a verdade. Bryan cresceu sem entender o que realmente aconteceu entre mim e Dylan, e é difícil para ele ver além das feridas que foram causadas.

— Eu já falei que a culpa não é dele. Foi que cometi um erro, eu tenho muito mais culpa nisso, do que ele. Mas... as coisas são complicadas, nem tudo é preto no branco. — Sinto a dificuldade de expor a verdade. O fardo do passado é pesado, e Bryan precisa entender que a vida nem sempre segue o roteiro que esperamos.

Bryan vira o rosto, evitando meus olhos. Ele não quer continuar essa conversa, isso é evidente. Mas eu sei que, mesmo em silêncio, ele está ouvindo cada palavra. As emoções estão à flor da pele, e por mais que ele se feche agora, eventualmente essas palavras vão ressoar dentro dele. Ele só precisa de tempo para processar tudo.

— Ele vai ao seu jogo. — concluo, firme, antes de me levantar. — Quer você goste ou não, ele vai estar lá. E é hora de dar uma chance para que as coisas mudem.

— Mãe! — Bryan chama, a voz carregada de frustração.

Eu paro por um momento, sabendo que ele vai resistir, que o conflito entre o pai e o tio pesa muito mais para ele do que eu gostaria de admitir. Mas é hora de ser firme.

— E tem mais uma coisa, Bryan — digo, me virando para ele com um olhar decidido. — Se você continuar indo na onda do seu tio, eu vou garantir que você não tenha mais nenhum contato com ele.

As palavras saem com força, uma ameaça que corta o ar como uma lâmina afiada. Bryan se levanta da mesa, batendo a mão com força, o som ecoando pela sala.

— Você não pode fazer isso! — ele grita, os olhos arregalados em descrença.

— Claro que posso, Bryan. — respondo com calma, mas sem hesitação. — Sou sua mãe, e o que eu mais quero é o melhor para você. Não vou permitir que seu tio continue alimentando esse ódio irracional.

Bryan me encara, o rosto uma mistura de raiva e confusão. Ele não esperava que eu fosse tão firme, e eu sei que essa ameaça o atinge onde dói. Alan é um ídolo para ele, quase como um pai. Mas eu não posso permitir que essa influência continue a envenenar a relação dele com o Dylan.

Enquanto me afasto, sinto o peso do que acabei de dizer. Cada passo é mais pesado que o anterior, e sei que isso vai gerar ainda mais atrito, principalmente com Alan. Ele não vai gostar nada dessa minha postura. Mas às vezes, o certo não é o mais fácil.

Bryan precisa de uma chance para ver o pai por quem ele realmente é, não pela distorção criada pelo Alan ao longo dos anos. E mesmo que isso signifique romper com o irmão que sempre esteve ao nosso lado, é um risco que estou disposta a correr.

Talvez o jogo de amanhã seja mais importante do que eu imaginava. Não é só uma partida para Bryan. É uma oportunidade. O começo de algo novo, onde ele possa enxergar além das mágoas e da rivalidade que cercaram nossas vidas por tanto tempo.

...●...

O Bryan passou o dia inteiro de cara fechada, algo que não é comum entre nós. Geralmente, ele é um menino tranquilo, não é do tipo que se rebela ou discute comigo. Isso só mostra o quanto essa situação com o Dylan o está afetando profundamente. O silêncio entre nós pesa no ar, e eu sinto o quanto tudo isso o chateia.

Uma batida suave na porta me tira dos meus pensamentos. Abro e, para minha surpresa, vejo Dylan ali, com os cabelos molhados, vestindo uma jaqueta simples e segurando uma sacola do café da Amanda. Seu sorriso meio tímido é acompanhado por aquele ar despreocupado que sempre fez parte dele.

— Dylan? — digo, surpresa, mas dou passagem para ele entrar.

— A Nanda me pediu para trazer um tal de *acúmulo* pra você — ele responde, levantando a sacola como se fosse um troféu. — Mas o que é *acúmulo* mesmo?

Dou uma risadinha, enquanto fecho a porta atrás de nós. Ele sempre teve esse jeito despretensioso de lidar com as coisas, o que, de certa forma, torna tudo um pouco mais leve, apesar de toda a tensão.

— São sobremesas ou salgados que fizemos no café, mas não vendemos. Em vez de jogar fora, a gente come. — explico, caminhando até a cozinha, e ele me segue, seus olhos observando o ambiente como se procurasse vestígios do que foi nossa vida anos atrás.

— Ah, faz sentido — ele diz, assentindo enquanto coloca a sacola sobre a mesa.

A presença dele aqui é estranha, mas familiar ao mesmo tempo. Já faz tanto tempo, e ao mesmo tempo parece que nada mudou. Como se, em algum nível, estivéssemos apenas retomando de onde paramos.

— Valeu por me chamar pro jogo — Dylan comenta de repente, com um leve sorriso que não chega aos olhos. Há algo mais profundo ali, uma mistura de gratidão e dor, como se ele estivesse agradecendo por algo que ele não deveria ter que agradecer.

— Não foi nada... eu lhe devo tantas coisas. — digo, tentando quebrar a barreira invisível que parece nos cercar. Mas mesmo enquanto as palavras saem da minha boca, sinto que elas não têm o peso certo. É como se não fossem o suficiente.

Dylan me olha, sua expressão ficando mais séria, os olhos azuis — tão familiares quanto sempre — me observando com intensidade. Ele se encosta na mesa, cruzando os braços, como se estivesse tentando manter a compostura.

— Você não me deve nada, Ally — ele diz, a voz mais baixa, quase sussurrada. — O que eu não entendo é por que você continua mentindo.

ㅡ Mentindo? - O Questiono.

ㅡ Acha mesmo que acreditei nessa história do seu pai? - Ele me encara sorrindo, com um olhar de "eu não sou burro". - Mas aparentemente você não quer entrar nesse assunto, então vou respeitar.

Antes que eu pudesse responder, coisas começam a ser jogadas contra a casa.

ㅡ O seria isso?

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Comments

Angela S Silva

Angela S Silva

que mulher ridícula porque não fala de uma vez a verdade

2024-11-25

1

Angela S Silva

Angela S Silva

concordo plenamente que foi ela que arrumou essa confusão e que e ela que tem que arrumar

2024-11-25

1

Meire Garcia

Meire Garcia

🌷tá muito boa a história ansiosa por mais capitulos

2024-10-15

0

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