Amanda observa a minha expressão, lendo a mistura de determinação e ansiedade no meu rosto. Ela suspira, como se tomasse uma decisão interna.
— Tá bom, Dylan — ela diz, com um tom decidido. — Vamos resolver isso agora.
— Agora? Como assim agora? — pergunto, confuso.
— Vou buscar a Ally na escola — Amanda diz, já pegando as chaves do carro. — Você fica aqui e se prepara para conversar com ela. Vocês dois precisam resolver isso.
ㅡ Escola? A Ally está na escola?
ㅡ Óbvio ela é um professora. - Minha amiga diz brava.
— Amanda, não sei se ela vai querer me ver — digo, sentindo uma pontada de medo.
— Ela precisa te ouvir, Dylan. E você precisa ouvir ela — Amanda responde, sem dar espaço para mais discussões.
...⁜...
Depois de alguns minutos de espera ansiosa, ouço a porta se abrir. Amanda entra primeiro, seguida pela Ally. Ela parece surpresa ao me ver, e um pouco hesitante, mas não há mais a tristeza esmagadora que vi em seus olhos antes. Amanda nos dá um olhar significativo antes de sair da sala, deixando-nos sozinhos.
— Oi, Ally — digo, a voz saindo mais suave do que eu pretendia.
— Oi, Dylan — ela responde, cruzando os braços e olhando para o chão.
— Podemos conversar? — pergunto, tentando encontrar os olhos dela.
Ela hesita por um momento, mas finalmente acena com a cabeça, sentando-se no sofá. Sento-me ao lado dela, deixando um espaço respeitável entre nós. O silêncio entre nós é pesado, cheio de coisas não ditas.
— Eu não sabia, Ally — começo, a voz quase um sussurro. — Eu realmente não sabia sobre o Bryan.
Ela fica em silêncio por um momento, os olhos cheios de lágrimas, o rosto angelical agora vermelho e marcado pelo sofrimento. Minhas próprias lágrimas ameaçam cair, mas tento me manter firme. Preciso entender, preciso saber a verdade.
— Alice, você deveria ter confiado em mim — digo, a voz embargada. — Eu nunca teria feito isso com você. Eu nunca teria feito isso com o nosso filho.
Ela engole em seco, as lágrimas escorrendo livremente por seu rosto. Cada lágrima é uma faca no meu coração, cada soluço é uma lembrança do que perdemos.
— Eu estava com tanto medo — ela finalmente admite, a voz quebrada. — Medo de repetir a história da minha mãe. Medo de destruir seus sonhos. Medo de destruir nossos sonhos.
— E ao tentar evitar isso, você nos destruiu de qualquer forma — respondo, a dor evidente em minha voz. — Você nos separou, nos privou de uma vida juntos, de um filho juntos.
Ela fecha os olhos, as lágrimas ainda caindo. Posso ver o peso da culpa em seus ombros, o arrependimento em cada linha de seu rosto.
— Eu sei — ela sussurra. — Eu sei que errei. Mas, na época, parecia a coisa certa a fazer. Eu só queria proteger nosso filho.
— Proteger de quê? — pergunto, a frustração transbordando. — De mim? Do homem que amava você mais do que tudo? Do homem que teria feito qualquer coisa por você e pelo nosso filho?
Ela abre os olhos, e a dor em seu olhar é insuportável.
— Eu estava com medo, Dylan. Medo de que, se as coisas não dessem certo, você acabaria nos odiando. Medo de que você se tornasse como meu pai. Eu não conseguia arriscar isso.
Dou um passo à frente, incapaz de segurar a raiva e a dor que estão me consumindo.
— Então você achou melhor nos afastar? Achar melhor me deixar viver todos esses anos sem saber da existência do meu próprio filho?
Ela desvia o olhar, a culpa estampada em seu rosto. Cada palavra que trocamos é como um soco no estômago, uma ferida aberta que não para de sangrar.
— Dylan, eu... — ela começa, mas a voz falha.
Eu me aproximo, segurando seus ombros com firmeza, mas sem agressividade.
— Alice, eu não sou seu pai. Eu nunca seria como ele. E você deveria ter me dado a chance de provar isso.
Ela olha para mim, os olhos cheios de lágrimas, e percebo que estamos ambos à beira de um colapso emocional.
— Eu sei — ela finalmente admite, a voz quase inaudível. — Eu sei que errei. Mas, por favor, me perdoe. Eu estava tentando fazer o que achava certo.
Solto seus ombros e passo a mão pelo rosto, tentando afastar as lágrimas.
...⁜...
Ela levanta os olhos, seus olhos estão bem inchados.Vejo a dor e a vulnerabilidade neles, mas também uma centelha de esperança.
— Por que não abriu os e-mails? — ela pergunta, a voz trêmula, quebrando o silêncio já que reina a a pelo menos dez minutos.
— Porque, depois do que aconteceu entre nós, eu estava cheio de ressentimento e mágoa — admito. — Eu não queria ver nada que me lembrasse você, então evitei. Isso foi um erro, eu sei disso agora.
— Eu tentei de tudo, Dylan — ela diz, as lágrimas começando a escorrer por suas bochechas. — Liguei, mandei mensagens, e-mails... Eu não sabia mais o que fazer.
— Eu sinto muito, Ally — digo, a voz embargada. — Sinto muito por não ter estado lá para você e para o Bryan. Se eu soubesse da verdade...
Ela balança a cabeça, como se tentando processar. Ficamos em silêncio por um momento, ambos absorvendo o peso das nossas palavras.
— Podemos tentar recomeçar? — pergunto, a voz carregada de esperança. — Não estou dizendo que tudo será fácil, mas quero estar presente para o Bryan e... - Acho melhor não ir por esse caminho por enquanto.- Quero conhecer ele sabe, óbvio se você permitir
Ela olha para mim por um longo momento, a indecisão evidente em seu rosto. Então, lentamente, ela acena com a cabeça.
— Podemos tentar, Dylan. Mas vai ser um longo caminho.
— Estou disposto a fazer o que for necessário — digo, segurando sua mão. — Pelo Bryan.
Ela aperta minha mão de volta, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios.
— Vou conversar com ele, o Bryan é muito teimoso, e tem uma certa raiva de você.
...⁜...
Amanda entra na sala, observando a cena com um olhar satisfeito.
— Não se mataram, né? — ela diz, com um sorriso no rosto.
— Obrigado, Amanda — digo, sinceramente grato.
— Eu sabia que precisavam precisar, ainda mais porque o meu sobrinho precisa disso.— ela responde, antes de nos deixar a sós
— Precisamos conversar com Bryan — digo, tentando controlar a voz. — Precisamos contar a ele a verdade. Ele merece saber.
Ela assente, as lágrimas ainda caindo, mas agora há um brilho de esperança em seus olhos.
— Sim, ele merece saber — ela concorda, a voz trêmula. — Mas eu gostaria de falar com ele. - A Alice diz. - Sozinha, eu preciso.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 40
Comments