Eu continuo olhando para a porta, esperando o Bryan. Esperando ele aparecer com sua camisa toda suada e suja, sorrindo, feliz da vida de ter jogado os três tempos do jogo.
Faz dois dias que ele e o Bruce sumiram. O xerife disse que relataram tê-los visto entrando em um carro e saindo da cidade.
Meu coração parou quando ouvi isso. Primeiro, suspeitamos de sequestro, mas o motorista que os levou foi pego e disse que só aceitou uma corrida do aplicativo, para levá-los até a estação, e foi isso. O xerife confirmou essa alegação.
— Toma um pouco de água — diz Alan, me dando um copo e encarando sua mulher, também nervosa.
Eu conheço meu irmão; ele está tão nervoso quanto nós duas, mas pelo menos um de nós tem que se manter firme.
O xerife disse que ia verificar com o pessoal da estação para onde eles foram. Estamos aqui esperando o retorno.
— Será que estão dormindo? — A voz de Bruce se faz presente por trás da porta. Nós nos levantamos de imediato.
— Acho que não. Minha mãe não dorme enquanto estou na rua — Bryan diz.
E antes que eu possa abrir a porta, Alan faz isso e dá de cara com o xerife e os dois meninos atrás dele. Corro até meu filhote e o abraço com toda a força.
— On... onde... você estava? — digo aos prantos.
— Não chora, mãe. Por favor, não chora. — Ele se afasta um pouco e limpa minhas lágrimas. — Eu prometo que nunca mais faço isso, eu prometo — Bryan também começa a chorar, e eu volto a abraçá-lo.
...⁜...
O xerife pediu para falar conosco, e os meninos subiram para o quarto do Bryan. Tento me recompor na frente da autoridade presente.
— Como os achou? — Nanda pergunta.
— No caso, foi o pessoal da estação que ligou para a delegacia e avisou que os dois estavam lá. Por segurança, eles ficaram detidos em uma sala até que eu chegasse.
— Onde estavam? — pergunto.
— Segundo o rapaz da bilheteria, os dois compraram passagens para o trem para Seattle.
— Seattle? — Alan questiona. — O que eles dois foram fazer em Seattle?
— Eles voltaram no trem que está indo de Seattle para Miami — o xerife diz. — Bem, eu os questionei, mas os dois parecem ter um pacto de silêncio em relação a essa viagem.
— O Bruce vai ter um pacto com a cinta assim que chegarmos em casa — Nanda diz, com uma ponta de frustração.
...⁜...
Quando o xerife sai, subo as escadas com o coração ainda pesado. Bryan está sentado na cama, olhando para o chão. Bruce está ao lado dele, com o mesmo olhar culpado.
— Vocês querem me contar o que aconteceu? — pergunto, tentando manter a calma.
Bryan levanta a cabeça lentamente, seus olhos ainda vermelhos de tanto chorar. Ele abre a boca para falar, mas Bruce o interrompe.
— Não podemos, tia. Fizemos uma promessa.
Sinto um nó na garganta. Meu filho, meu pequeno Bryan, passou por algo que o fez fazer uma promessa de silêncio. Minha mente corre com possibilidades, todas elas horríveis.
— Bryan, por favor... — minha voz falha, e ele finalmente olha para mim, sua expressão suavizando um pouco.
— Mãe, eu prometi. Não posso contar. Mas eu juro, nunca mais vou fazer isso de novo.
— Prometo também, tia. Foi uma aventura idiota. — Bruce murmura, sua voz baixa e cheia de arrependimento.
Eu me sento ao lado de Bryan e pego sua mão. A angústia em seus olhos me atinge profundamente.
— Vocês dois sabem que o que fizeram foi muito perigoso, não sabem? — digo, minha voz tremendo. — Eu estava apavorada.
Bryan assente, apertando minha mão.
— Eu sei, mãe. Eu sei.
Eu o abraço novamente, sentindo seu pequeno corpo tremer contra o meu. Sinto uma onda de alívio misturada com medo do desconhecido. Não sei o que aconteceu nesses dois dias, mas uma coisa é certa: preciso estar aqui para ele, não importa o que aconteça.
...⁜...
Enquanto eles sobem para o quarto de Bryan, Alan, Nanda e eu trocamos olhares preocupados. Há algo mais nessa história, algo que eles não estão nos contando. E enquanto me sento na sala, estou apenas aliviada por Bryan estar em casa, seguro em meus braços.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Maria Aparecida Santos
quanto sofrimento, dessas famílias
2024-11-03
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