Um jogador famoso?

Acordo com um feixe de luz na minha cara. Olho para a janela e vejo o sol brilhando intensamente. Meus olhos se voltam para a cômoda ao meu lado, onde o despertador marca 10:40, piscando na cor verde.

Hoje é sábado, um dia sem aula, sem colégio, sem bullying e sem qualquer outra coisa que tire meu sorriso. Para melhorar, hoje também é dia de hóquei. Mesmo que minha mãe não goste muito, meu tio sempre leva a mim e ao Bruce para o rinque da cidade, onde ficamos jogando por horas. Enquanto isso, ela e minha tia ficam na cafeteria do tio Alan.

Isso é a única coisa que me irrita no sábado, o fato de minha mãe trabalhar tanto. Não sei exatamente por que ela faz isso, mas sei que deve ter um motivo. Talvez seja para garantir que não nos falte nada, ou talvez para manter a mente ocupada.

Desço as escadas correndo, já com meu equipamento de hóquei pronto, ansioso para jogar contra meu primo e mostrar minhas habilidades. Encontro minha mãe na cozinha, preparando o café da manhã.

— Bom dia, meu príncipe. — Como sempre, ganho um beijo na testa. — Hóquei? — Ela diz, claramente sem muita animação.

— Sim, hóquei — respondo com um sorriso.

Meu tio Alan aparece na porta, acompanhado de sua esposa.

— Só tomem cuidado, ok? Não quero meu filho todo machucado. — Minha mãe diz, dando-me um beijo na bochecha.

— Pode deixar, vou cuidar do Bryan — meu tio responde, piscando para mim.

Apenas pego uma maçã e corro para o rinque com meu tio e primo. Ao longo do caminho, passamos pela casa do meu avô.

Minha relação com meu avô é complicada. Sei que ele nunca foi a favor de minha mãe me ter, além de ter alguns problemas com meu pai. Quando ele fica bêbado, acaba falando demais. E considerando a garrafa de whisky em suas mãos, hoje vai ser um daqueles dias puxados.

— Bryan! — Ele chama, a voz rouca e arrastada.

Paro e olho para ele, hesitante. Meu tio Alan coloca a mão no meu ombro, como se me dando força.

— Vamos lá, Bryan. Não temos o dia todo — diz Bruce, impaciente.

— Só um minuto — respondo, caminhando até meu avô.

— Oi, vovô. Tudo bem? — pergunto, tentando soar casual.

— Tudo, tudo. Sabe, garoto, você me lembra tanto o seu pai... — Ele começa, os olhos vidrados. — Dylan, eu cheguei a gostar dele.

Sinto meu coração acelerar ao ouvir o nome de meu pai. Dylan, é um nome legal.Não muitas pessoas falam sobre ele, e as poucas vezes que mencionam, é sempre um mistério.

— Ele... ele poderia ter sido uma lenda, sabe? Mas.....a família.....Ele... — a voz dele vacila, e ele parece perdido em suas memórias. — Ele era um bom menino.

— Bryan! - o Bruce me puxa beavo.- Deixa, o vovô ai, ta bêbado de novo.

Volto para junto do meu tio e primo, e seguimos nosso caminho para o rinque.

...⁜...

Chegamos ao rinque, e o ambiente é eletrizante. O som dos patins cortando o gelo, as risadas e os gritos dos jogadores me fazem sentir vivo. O tio Alan nos guia através de uma série de exercícios, aprimorando nossas habilidades.

Bruce e eu nos enfrentamos em várias partidas, e a competição é acirrada. Ele é naturalmente talentoso, e embora eu também seja bom, não consigo evitar sentir uma pontada de inveja. Bruce tem um pai que o apoia e o treina, algo que eu só posso sonhar.

Mesmo que eu tente evitar, meu avô voltou a despertar em mim, essa dor de não ter ninguém, normalmente eu não ligaria, em ver meu tio brincando e rindo com meu primo.

Depois de algumas horas, voltamos para a casa do tio Alan. O cheiro de churrasco vindo do quintal me faz sorrir. O tio Alan sempre faz um churrasco delicioso depois dos nossos treinos.

Sentados ao redor da mesa no quintal, comendo hambúrgueres e cachorros-quentes, conversamos sobre o treino. Bruce fala animadamente sobre suas jogadas favoritas, e eu escuto, rindo de suas histórias. Apesar da pequena pontada de inveja, realmente gosto desses momentos.

...⁜...

Volto para casa. Minha mãe está na sala, lendo um livro, e sorri quando me vê.

— Como foi o treino? — ela pergunta.

— Foi ótimo! O tio Alan disse que estou melhorando no ataque — respondo com orgulho.

— Fico feliz em ouvir isso, meu amor. Descanse um pouco, você merece — ela diz, voltando ao seu livro.

A noite cai rapidamente, e decido sair para dar uma volta. Caminho pelo bairro, as luzes da rua iluminando o caminho. Encontro meu avô sentado na varanda de sua casa, a garrafa de whisky agora quase vazia. Ele parece ainda mais velho e cansado.

— Oi, vovô — digo, aproximando-me.

— Bryan! — ele exclama, a voz um pouco arrastada pelo álcool. — O que faz aqui?! Veio encher meu saco.

ㅡ Que isso vô. - Bruce duz saindo de dentro da casa.- Meu pai pediu para ver se ele estava bem.

Sento ao seu lado do meu primo, o silêncio preenchido apenas pelo som dos grilos e o ocasional carro passando.

— Sabia que seu pai era um grande jogador de hóquei? — O velho ao nosso lado diz de repente, com a voz carregada de nostalgia.

Minha respiração se prende. Meu pai nunca foi um assunto aberto em nossa casa. Tudo que sei é que ele nos deixou antes de eu nascer.

— O quê? — O meu primo questiona.- Um jogador de hóquei?

— Sim, Dylan Keer. O grande Dylan Keer. — Ele balança a cabeça, como se estivesse lembrando de algo distante. O Bruce parece chocado.

Eu não sei muito sobre os jogadores em sim, sei dos times, minha mãe não me ver nada sobre hóquei muito afundo, agora sem o motivo.

ㅡ Impossível, o Dylan Keer é o maior do mundo. - O Bruce diz incrédulo.

Eu fico em silêncio, processando a informação. Dylan Keer. A revelação me atinge com força, e sinto uma mistura de raiva e curiosidade crescendo dentro de mim.

— Aqui a prova! — Meu avô, joga ao chão uma foto de minha mãe beijando i tal Dylan.

ㅡ Meu deus é ele mesmo. - O Bruce diz sorrindo feliz.

...⁜...

Eu fico em silêncio, virando de um lado para o outro tentando dormir, mas me perdido em meus pensamentos. Meu pai, Dylan Keer, um jogador de hóquei famoso. As peças do quebra-cabeça começam a se encaixar, mas ainda há tantas perguntas sem resposta.

— Eu preciso encontrá-lo — digo, finalmente.

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Comments

Maria Aparecida Santos

Maria Aparecida Santos

e a primeira estória que leio de um garoto. tomara que encontre seu pai.
parabéns Autora.

2024-11-03

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