Vai embora

Desço as escadas correndo, com o coração acelerado, e dou de cara com Dylan, que já está na sala, observando pela janela. O olhar dele está fixo em Dorvan, que, do lado de fora, continua com sua cena patética, gritando e balançando o taco de baseball. A tensão no ar é quase palpável.

— Ele continua obcecado por você, Ally? — Dylan pergunta, sem desviar os olhos da janela. O apelido escapa dos lábios dele com naturalidade, como se o tempo não tivesse passado. "Ally?" Eu penso, meu estômago revirando. Quem deu essa intimidade para ele chamar minha mãe de um jeito tão pessoal?

— Vamos dizer que ele é muito... insistente. — Ela responde, tentando minimizar a gravidade da situação, mas não consegue esconder o desconforto.

Dylan vira para ela, com uma expressão de incredulidade.

— Isso não é só insistência, isso é problemático. Ele sempre faz isso? — A preocupação na voz dele é clara, misturada com um toque de irritação crescente.

Minha mãe suspira, como se já tivesse passado por essa conversa antes.

— Sim, mas normalmente ele desiste e vai embora. — A resposta soa quase resignada, como se ela já estivesse acostumada com o comportamento perturbador de Dorvan.

Dylan estreita os olhos.

— Desde quando isso acontece?

— Desde sempre, Dylan. Ele só parou quando nós dois estávamos juntos, porque ninguém nessa cidade é louco o suficiente para mexer com você. — Minha mãe responde, agora com um sorriso irritado no rosto, uma mistura de sarcasmo e frustração.

O comentário dela paira no ar, pesado, como se evocasse um passado que ambos preferiam esquecer, mas que está se tornando impossível de ignorar. O fato de Dorvan ter parado só por medo de Dylan não é exatamente um consolo — apenas uma constatação de como a presença dele ainda afeta tudo.

Dylan, sem perder tempo, toma uma decisão.

— Vou falar com ele. — Ele diz com firmeza, e antes que minha mãe ou eu possamos reagir, ele simplesmente abre a porta e sai, determinado a resolver aquilo de uma vez por todas.

Eu fico parada, meu coração na garganta, observando pela janela enquanto Dylan se aproxima de Dorvan. A sensação de que algo grande está prestes a acontecer toma conta de mim, e por um segundo, não sei se estou mais preocupada com o que Dorvan vai fazer ou com o que Dylan está prestes a dizer.

Observo pela janela enquanto Dylan se aproxima de Dorvan com passos firmes, o rosto sério, emanando aquela confiança característica que parece intimidar qualquer um. Dorvan, por outro lado, cambaleia, balançando o taco de baseball descontroladamente, visivelmente embriagado. A garrafa de whisky agora tombada no chão ao lado dele é prova do quanto ele se afundou na própria loucura.

Minha mãe, parada ao meu lado, segura a respiração, os olhos arregalados. Eu não sei se ela está mais preocupada com o que Dorvan pode fazer ou com a forma como Dylan vai lidar com a situação. Por mais que ele seja controlado, o temperamento de Dylan pode ser imprevisível quando se trata de proteger aqueles que ele ama.

Dylan para a uma distância segura, mas o bastante para que Dorvan perceba sua presença. Ele cruza os braços, os músculos tensos, e mantém o olhar fixo no homem.

— Mark. — A voz de Dylan sai firme e controlada, mas com um tom grave que traz uma ameaça implícita. — Acho que já deu por hoje, não acha?

Dorvan vira a cabeça devagar, como se estivesse tentando focar em Dylan, mas os olhos turvos e o rosto vermelho denunciam que ele está longe de estar sóbrio. Ele balança o taco com um movimento desajeitado, rindo amargamente.

— Keer! — Dorvan exclama, com a voz arrastada pelo álcool. — Eu sabia que você ia aparecer... sempre aparecendo pra salvar a sua princesinha, hein?

Dylan permanece imóvel, observando cada movimento de Dorvan com atenção, os olhos azuis brilhando de forma perigosa. Ele não responde imediatamente, o que faz o silêncio crescer, tenso e pesado.

Minha mãe segura meu braço, como se tentasse evitar que eu saísse correndo atrás de Dylan. Ela sabe que qualquer movimento brusco poderia piorar a situação.

— Eu vou te dar uma chance de ir embora antes que isso fique feio, Dorvan. — Dylan finalmente fala, seu tom baixo e controlado. Ele dá um passo à frente, e Dorvan dá um passo para trás, tropeçando levemente no próprio pé. — Porque se continuar aqui, você sabe que eu não vou deixar passar.

Dorvan tenta rir de novo, mas a risada sai entrecortada. Ele levanta o taco de baseball como se fosse usá-lo para ameaçar Dylan, mas todos nós sabemos que ele está longe de conseguir manter qualquer controle sobre seus movimentos.

— Quem você pensa que é, hein? — Dorvan grita, balançando o taco sem rumo, os olhos selvagens. — Você não manda aqui. Você não tem mais nada com ela!

O rosto de Dylan endurece, a mandíbula travando. Eu posso sentir o ar mudar, como se uma tempestade estivesse prestes a estourar. Ele dá mais um passo à frente, desta vez mais ameaçador.

— Eu sou a última pessoa com quem você quer brigar agora, Dorvan. — Ele avisa, a voz gélida. — Solta o taco e vai embora, enquanto você ainda pode.

Por um segundo, parece que Dorvan vai recuar, mas então ele tropeça para frente, levantando o taco de baseball com um grito incoerente. Antes que eu possa reagir, Dylan se move com uma rapidez impressionante. Em um piscar de olhos, ele desarma Dorvan com um movimento preciso, o taco caindo ao chão com um som oco.

Dylan empurra Dorvan para trás, com força, mas sem perder o controle. Dorvan cai de costas no gramado, a expressão surpresa tomando conta do seu rosto.

— Volta pra casa, Mark. — Dylan diz calmamente, enquanto Dorvan se contorce no chão, tentando se recompor. — E se você aparecer aqui de novo, vai se arrepender.

Dorvan, humilhado e ainda cambaleante, tenta se levantar, mas a queda parece ter tirado a pouca dignidade que lhe restava. Ele murmura algo incompreensível, e, com passos trôpegos, finalmente se afasta, deixando o taco e a garrafa para trás.

Dylan se vira lentamente e volta para a casa. Quando ele cruza a porta, há um silêncio pesado no ar. Minha mãe parece aliviada, mas ao mesmo tempo, preocupada com as consequências do que acabou de acontecer.

— Ele podia ter batido em você. — Ela diz brava.

Dylan, ainda com a respiração controlada, a encara com uma mistura de tristeza e firmeza.

— Ally, e mais fácil o seu irmão bater em mim; do que o Dorvan.— Ele diz suavemente. — Mas se ele aparecer aqui de novo, você vai me ligar, e isso não é um pedido Hart.

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