Saí do colégio correndo, o coração batendo forte no peito enquanto atravessava as ruas apressadamente. A preocupação me consumia: onde a minha mãe tinha ido?
Bruce havia me contado que tia Nanda havia armado um encontro entre minha mãe e Dylan. A ideia de minha mãe perto daquele homem que a machucou tantas vezes me enchia de ansiedade e raiva.
Quando chego em casa, vejo minha mãe na sala. Ela me encara, com um sorriso tenso no rosto, e aponta para o sofá ao seu lado. Sento-me ao seu lado, sentindo um nó se formar na garganta enquanto engulo seco.
— Acho que precisamos falar sobre o Dylan — ela diz, sua voz carregada de uma mistura de determinação e vulnerabilidade.
Eu a olho nos olhos, tentando entender o que ela realmente sente. O rosto dela ainda mostra os sinais do choro recente, os olhos um pouco vermelhos, mas há algo mais ali: uma resolução que eu não tinha visto antes.
— Mãe, ele te machucou tanto. Não quero ver você sofrer de novo — digo, a voz baixa, tentando esconder o tremor nas minhas palavras.- Não a nada que justifique o abandono que sofremos, você bem mais que eu.
Ela suspira, passando a mão pelo cabelo e me olhando com uma expressão suave, mas firme.
— Eu sei, Bryan. E você tem todo o direito de se sentir assim — ela diz, segurando minha mão. — Mas há coisas que você não sabe, coisas que nem eu sabia até recentemente.
Minha curiosidade e preocupação aumentam, mas fico em silêncio, esperando que ela continue.
— Quando você foi até Seattle e encontrou o Dylan, você trouxe à tona uma verdade que ele não conhecia — ela começa, a voz dela se tornando mais firme. — Ele não sabia sobre você, Bryan. Ele nunca soube que eu estava grávida, porque nunca viu os e-mails que mandei.
— Mas... como isso é possível? — pergunto, confuso e cético.
— Ele explicou que estava magoado, ressentido, e que evitou qualquer contato comigo por anos. Quando finalmente abriu os e-mails, foi por sua causa — ela diz, me olhando nos olhos. — Ele está aqui agora porque quer fazer parte da sua vida, da nossa vida, se você permitir.
Fico em silêncio por um momento, tentando processar tudo isso. A raiva que sentia começa a se dissipar, dando lugar a uma confusão profunda.
— E você? O que você quer, mãe? — pergunto finalmente, querendo entender o que ela realmente sente.
Ela sorri, um sorriso triste, mas sincero.
— Eu quero que você tenha a chance de conhecer seu pai, de ter uma relação com ele, se isso for o que você deseja. E quero que a gente tente reconstruir o que foi perdido, mesmo que seja difícil.
Suspiro, sentindo uma mistura de emoções conflituantes. A ideia de perdoar Dylan e permitir que ele entre em nossas vidas novamente é assustadora, mas vejo a esperança nos olhos da minha mãe e isso me faz querer tentar.
— Ok, mãe. Vamos tentar — digo finalmente, segurando a mão dela com firmeza. — Mas vou estar de olho nele. Qualquer sinal de que ele vai te machucar de novo, eu não vou hesitar em afastá-lo.
Ela ri suavemente, apertando minha mão de volta.
— Eu sei, Bryan. E agradeço por isso.
Ficamos ali, sentados no sofá, em um momento de compreensão e aceitação. É um novo começo, um passo em direção à cura, e estamos dispostos a enfrentá-lo juntos.
Depois daquela conversa intensa com minha mãe, sinto que um peso enorme foi tirado dos meus ombros. Ela vai me dar a chance de conhecer Dylan, mas sei que o caminho pela frente não será fácil. Saio de casa e encontro meu tio Alan no quintal da casa do vovô, preparando-se para uma partida de hóquei de rua com Bruce.
— Ei, Bryan! — ele chama, sorrindo. — Quer se juntar a nós?
Eu concordo com a cabeça, tentando afastar as preocupações por um momento. Começamos a jogar, e por um tempo, tudo o que importa é o jogo. Bruce e eu formamos uma boa dupla, e a competição amigável com meu tio nos faz rir e esquecer dos problemas por um momento.
Depois de algum tempo, Alan sugere uma pausa. Sentamos na varanda, suados e cansados, mas satisfeitos. Ele olha para mim com um olhar mais sério, o que me faz perceber que ele quer falar sobre algo importante.
— Bryan, sei que você está passando por muita coisa agora — ele começa, suspirando. — E quero que você entenda algumas coisas sobre a família Keer.
Eu olho para ele, curioso e um pouco apreensivo. Alan raramente fala sobre essas coisas, então sei que o que ele tem a dizer é importante.
— A família Keer tem uma presença forte aqui em Napa e em Seattle. Eles são poderosos, ricos, e influentes. O pai do Dylan, Friderick Keer, praticamente manda na cidade — ele diz, com um tom amargo na voz. — Eles possuem vinhedos, negócios, e têm uma rede de influência que se estende por todos os cantos.
Bruce, que estava sentado ao meu lado, ouve atentamente, os olhos arregalados.
— Isso significa que eles têm o poder de fazer a vida das pessoas um inferno ou um paraíso — Alan continua. — E muitas vezes, eles usam esse poder para controlar e manipular as situações a seu favor. O Dylan, quando mais jovem, era impulsivo, arrogante e muitas vezes não pensava nas consequências de suas ações. Ele tinha o mundo aos seus pés e não valorizava o que tinha.
Eu escuto cada palavra, sentindo a raiva e o ressentimento em seu tom. Meu tio sempre foi protetor, e agora entendo melhor por que ele tem tanta desconfiança de Dylan.
— Mas... e agora? Ele não parece ser o mesmo homem que você está descrevendo — digo, tentando conciliar a imagem do Dylan que conheci recentemente com a do passado.
Alan suspira, passando a mão pelo cabelo.
— As pessoas podem mudar, Bryan. Eu quero acreditar que ele mudou. Mas você precisa estar ciente de onde ele vem e do tipo de pressão e expectativas que essa família impõe — ele diz. — Quero que você tome suas decisões com sabedoria. Você é jovem, mas é esperto. Não deixe que a influência deles te mude ou te manipule.
— Vou ficar de olho nele, tio — digo, com determinação. — Vou proteger a mamãe e a mim mesmo, custe o que custar.
Bruce, que estava quieto até agora, finalmente fala.
— Eu nunca imaginei que tudo fosse tão complicado — ele diz, olhando para mim e para o tio Alan. — Mas estamos juntos nisso. Vou te ajudar, Bryan.
Sorrio para ele, grato pelo apoio.
— Obrigado, Bruce. Vamos enfrentar isso juntos.
Alan sorri, apesar de tudo.
— Vocês são bons meninos. Apenas lembrem-se de que têm uma família que os ama e que sempre estará aqui para apoiá-los. Vamos enfrentar o que vier juntos, como uma família.
Sinto um calor no peito ao ouvir isso. Com minha mãe, tio Alan, tia Nanda e Bruce ao meu lado, sinto que posso enfrentar qualquer desafio. E com a chance de conhecer meu pai, mesmo com todas as incertezas, sinto que estamos caminhando para uma nova fase de nossas vidas.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Maria Aparecida Santos
decisão acertada. que eles se entendam e se dêem uma nova oportunidade.
2024-11-03
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