Eu nunca havia visto minha mãe nesse estado. Ela era a personificação da tristeza, com os olhos inchados e o rosto molhado de lágrimas. A visão dela assim me despedaçava por dentro. Cada soluço, cada lágrima, era como um golpe no meu coração.
Minha vontade era partir para cima do Dylan e bater nele com toda a força que eu tinha, para que ele parasse de fazer minha mãe sofrer. Tia Nanda deu um remédio para ela dormir, pois sabia que ela não conseguiria relaxar sem ajuda.
— Vamos subir? — meu tio pergunta, com a voz cheia de preocupação.
— Não, gosto de dormir no sofá — minha mãe responde, deitando-se ali. Eu me sento ao seu lado, sentindo a necessidade de estar perto dela, de oferecer algum conforto.
— Mãe, eu juro que só fui atrás dele para questioná-lo sobre o abandono — digo, tentando manter minha voz firme apesar da dor. — Eu não preciso dele. Eu tenho você, eu amo você, eu nunca vou precisar dele.
Ela me puxa para um abraço, e eu me aninho em seus braços, buscando consolo e tentando oferecer o mesmo.
...⁜...
Acordo de madrugada com o som de uma discussão acalorada entre meu tio e minha tia. Eles ficaram em nossa casa, preocupados com minha mãe e comigo.
— Não acredito que fez isso! — meu tio fala, claramente bravo. — Como pode deixar esse infeliz do Dylan dormir no café?
— Eu ia deixá-lo na rua? — responde minha tia, defensiva.
— Ele é um Keer! O pai dele é dono de mais da metade da cidade! — diz Alan, indignado. — Como você pode ajudar esse homem, que só machuca a minha irmã?
— O Dylan ainda é o Dylan, e ele é meu amigo, goste você ou não — responde Nanda, a voz carregada de frustração.
— Não acredito que estou ouvindo isso — Alan diz, com um tom de deboche. — Seu amigo ABANDONOU minha irmã GRÁVIDA.
— Você não sabe de tudo, Alan! — Nanda rebate, sua voz tremendo de emoção.
— Você sabe? — meu tio está claramente bravo, a raiva pulsando em cada palavra.
— Sei bem mais do que você — ela diz, respirando fundo, tentando manter a calma.
Por longos minutos, o silêncio reina na casa. Sinto a respiração da minha mãe em meu pescoço, ela me aperta como se tivesse medo de que eu fosse fugir dali.
"Desculpa, mãe. Nunca mais vou fazer você passar por isso na sua vida," penso, apertando os braços dela. Eu não deveria ter ido atrás dele, deveria ter deixado meu avô na loucura dele.
— Vai mesmo ficar do lado do Dylan? — meu tio quebra o silêncio, a voz cheia de incredulidade.
— Vou ficar do lado que eu acho certo — Nanda responde com firmeza. — E eu sei que o Dylan não está completamente errado nessa história.
— Até você entender que esse cara é um mau caráter, que destruiu minha irmã — Alan diz, com uma raiva quase palpável. — Até entender isso, vou ficar na casa do meu pai.
— Ok, acho que vai ser melhor mesmo, porque eu vou continuar interagindo com o Dylan, como sempre fiz — Amanda diz, decidida.
...⁜...
Acordo e vejo que Bruce está sentado no sofá ao meu lado. Ele tem uma expressão péssima, e tenho certeza de que ouviu toda a discussão dos pais.
— Foi mal — digo, me sentindo péssimo com tudo isso. Querendo ou não, é tudo minha culpa. Fui eu que decidi ir atrás dele, fui eu que convenci meu primo a gastar toda a mesada que tinha para ir comigo até Seattle. Eu fiz minha mãe sofrer por dias, eu trouxe ele até aqui e a fiz chorar. Fiz tudo isso. É tudo minha culpa. Mexi na vida de todos por puro egoísmo.
Sinto um braço forte me puxar, e ao olhar para o lado, vejo minha mãe. Permito-me libertar todas as lágrimas que estava guardando desde que saí daquela casa em Seattle. Choro com tudo que tenho, sentindo o peso do arrependimento e da culpa me esmagar. Minha mãe me segura com firmeza, e no abraço dela, encontro um pouco de consolo em meio ao caos que eu mesmo criei.
Minha mãe me segura firme, acariciando meu cabelo enquanto eu choro no seu colo. Cada lágrima que escapa parece aliviar um pouco do peso que carrego. Não há palavras, apenas o som dos meus soluços e o silêncio reconfortante do abraço dela.
— Vamos tomar café? — a voz do Bruce soa clara , tentando aliviar a tensão no ar.
— Vamos — respondo, forçando um sorriso.
ㅡ Não, não os dois podem ir tomar um banho. - a Tia Nanda. - Ambos dormiram sem banho, podem tomar banho, Bryan empresta algumas peças de roupa para o seu primo.
...⁜...
Descemos para a cozinha e encontramos minha mãe, já de pé, preparando o café da manhã. Seus olhos ainda estão vermelhos, mas ela tenta se mostrar forte para nós.
— Agora que estão cheiroso, podem comer— ela diz, com um sorriso cansado. — Dormiram bem?
— Sim, mãe — respondo, tentando parecer normal.
O café da manhã é silencioso, com apenas o som dos talheres e pratos. Todos nós estamos perdidos em pensamentos, tentando processar os acontecimentos das últimas horas. Quando terminamos, minha mãe olha para mim com uma expressão séria.
— Bryan, precisamos conversar — ela diz, e meu coração aperta. — Vamos dar uma volta.
Saímos de casa e começamos a caminhar pelo bairro. O sol está brilhando, mas o dia parece nublado para mim. Minha mãe segura minha mão, e sinto um misto de segurança e culpa.
ㅡ Eu foi trás de respostas. - Digo, quebrando o silêncio.
ㅡ Por que não perguntou para mim, eu lhe responderia sem problemas. - Ela diz, e olho para o chão, cheio de olhas caídas, pois logo o inverno se aproxima.
ㅡ Mesmo que a senhora diga, que não liga, é mais que óbvio que liga mãe. - Digo pisando pro proporcionalmente das olha que que vão fazer "creck". - Não queria que pense que não é o suficiente para mim, você é! nunca deixo me faltar nada, me deu amor, carinho e todo que qualquer filho poderia pedir eu não queria que pensa-se o contrário.
— Bryan, eu me preparei por anos para falar sobre o seu pai, para falar sobre esse assunto tão delicado — ela começa, a voz suave, mas firme. — Mas você precisa entender que certas coisas são mais complicadas do que parecem. Eu sei que você queria respostas, mas algumas verdades são difíceis de enfrentar.
— Eu só queria saber por que ele nos deixou, mãe? — digo, a voz embargada. — Queria entender o que aconteceu?
— Eu sei, querido. Eu sei — ela diz, apertando minha mão. — E eu deveria ter te contado antes. Eu deveria ter te dado essas respostas. Mas eu estava com medo. Medo de te machucar, medo de reviver a dor.
ㅡ Ele nos abandonou! - Digo tentando parecer forte.
ㅡ Seu pai não é perfeito, nunca foi. - Ela diz. - Mas eu também tenho uma parcela de culpa em tudo isso. - Eu paro de andar e a encaro. - Eu machuquei o Dylan, como eu nunca tinha feito com ninguém. - Seu olhar aponta um culpa e um arrependimento sem igual nesse momento. - Eu e ele fomos vítimas de uma força maior.
ㅡ O que quer dizer com isso?
ㅡ Que as coisas não são preto do branco, meu filho. - Ela toca meus cabelos loiros. - A vida tem um tonalidade cinza.
Ficamos em silêncio por um momento, apenas ouvindo o som dos nossos passos na calçada. Finalmente, ela para e me olha nos olhos.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 40
Comments
Angela S Silva
porque não fala logo que fica usando metáforas, deixando só homem so culpado
2024-11-25
3