Os meninos saíram com o Alan. Meu irmão mal olhou para a cara da esposa quando veio buscá-los. Amanda, minha melhor amiga, está no meio de uma tempestade emocional, dividida entre o amor por mim e pela amizade antiga com Dylan.
— O que ele disse? — pergunta Amanda, quebrando o silêncio pesado que paira entre nós.
— Que só abriu o e-mail depois que Bryan foi até lá. — respondo, sentindo a mágoa nas minhas palavras. — Mas como acreditar nisso? São quase 15 anos. Por que ele não abriria o e-mail?
— Porque você é a Alice Morgan Hart! — Nanda responde com uma ênfase que me faz parar. — Sabe muito bem que Dylan não pensa direito quando o assunto é você.
— Você acredita nele?
— Sim — ela afirma sem hesitação. — Mas sei que você precisa acreditar nele também. Você passou todos esses anos achando que ele te ignorou, que te abandonou.
— Não tem como provar isso — digo, começando a arrumar a mesa em um gesto automático.
— Claro que tem. O e-mail tem a função de mostrar quando foi visto. — Nanda me olha com uma mistura de desafio e apoio. — Podemos tirar esse medo de você. Eu sei que, no fundo, você acredita nele. Mas parte de você está apavorada.
Medo. Sempre fui movida por isso. Medo de não passar na faculdade, de não ter amigos. Quando conheci Dylan, ele era a personificação da coragem impulsiva. Ao seu lado, meus medos pareciam desaparecer, substituídos por uma confiança nova e vibrante. Mas depois de tudo que aconteceu, cada medo voltou, mais forte, agora acompanhado do medo por Bryan também.
Estamos sentadas na frente do computador há alguns minutos. Abri o e-mail, e Amanda me observa, esperando que eu dê o primeiro passo.
Realmente acredito que Dylan não viu nada. Conheço-o bem o suficiente para saber que ele é teimoso e orgulhoso demais, especialmente depois de eu ter magoado tanto. Vi no olhar dele que ainda carrega ressentimento.
— Abre logo isso — Amanda bufa ao meu lado. Respiro fundo, digito o nome dele e, juntas, procuramos o e-mail certo. Abro o envio e vejo a confirmação de leitura: Dylan leu o e-mail quatro dias atrás, durante a madrugada.
— Ele não sabia — sussurro, mais para mim mesma do que para Amanda.
— Sim, ele não sabia — ela diz suavemente. — Mas você já sabia disso, no fundo.
As palavras de Amanda ecoam em minha mente, enquanto o peso de anos de mágoa e desconfiança começam a se dissipar. Mas com a verdade vem também a necessidade de enfrentar o que vem a seguir. Encarar Dylan de novo, resolver o passado e, talvez, abrir caminho para um futuro onde Bryan e eu não sejamos mais definidos pelo medo e pelo ressentimento.
— O que eu faço agora? — pergunto, minha voz quase um sussurro.
— Você fala com ele. Sem raiva, sem acusações. Apenas a verdade — Amanda responde, segurando minha mão. — Vocês precisam disso. Bryan precisa disso.
ㅡ Você bem sabe, que eu não posso falar toda a verdade para ele. - Digo e ela me olha.
ㅡ Ainda tem medo?
ㅡ Olha ao seu redor Amanda, você acha que tudo que está acontecendo com meu pai, com o café e com a gente, não é culpa dele?
ㅡ Eu sei, mas talvez contar para o Dylan ajude. - Ela diz tentando me convencer.
ㅡ Acho melhor não, e se ele decidir se vingar?! - Questiono. - Aquele homem é ruim, não pouparia esforços para nos machucar.
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Atualizado até capítulo 40
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