Confiança

— Então, está gostando do macarrão? — Celine disse.

— Sim, é delicioso. — realmente, estava incrível.

— Acho que facilmente esse lugar seria o seu favorito! Enfim, o que acha de tirarmos uma foto juntos?

— Claro! — ela chamou o dono, que se aproximou com uma câmera.

Celine segurou meu braço, parecíamos um casal apaixonado tirando a foto juntos. O dono me olhou incerto, e eu fiquei pensando se ele me reconheceu? Claro, se naquela foto, for realmente Aisha e eu.

Ele foi até sua copiadora, e imprimiu duas fotos, e entregou a nós dois.

— Escrevam alguma mensagem. — ele sorriu, mas ainda estava me encarando.

— Obrigada, já vamos escrever algo! — o homem saiu, e então Celine se virou para mim. — O que acha que devemos escrever?

— A data de hoje… — foi a única coisa que pensei.

— Pronto, já escrevi, porém… seria melhor adicionar mais alguma coisa. Bom, deixarei assim mesmo. Poderia levar até o dono? — ela me entregou.

Eu me levantei, indo em direção a ele. O homem me olhou fixamente, e eu entreguei a foto.

— Algo errado, senhor? — perguntei.

— Estou surpreso, César. Você terminou realmente com aquela sua namorada? — devido a isso, pude ter certeza que eu e Aisha fomos lá muitas vezes. — É tão estranho, ela era obcecada por você, e tudo que fazia era aceitar aquela paixão estranha. Mas enfim, é bom ter se livrado dela, aquela mulher era realmente louca! — me senti extremamente incomodado quando ele disse essas coisas sobre Aisha.

— Não fale assim dela! Aisha faleceu… — eu disse, um pouco melancólico.

— O quê? E você está bem com isso? Você era realmente dependente dela. — ele não parecia estar mentindo.

— Ei… quando foi a última vez que estive aqui com Aisha? — de repente, me surgiu essa dúvida. Talvez a foto não fosse a última vez que estivemos aqui.

— Vocês dois juntos, foi um mês atrás. Me lembro que ela veio aqui primeiro com seu amigo, e depois com você. — amigo? Será que é Arthuro?

— O nome desse amigo é Arthuro? — questionei.

— Não sei. Escutei apenas um pouco da discussão deles, pois quando estava ficando pior, eu o obriguei a sair.

— Você sabe por que eles discutiram? — é muito estranho, Arthuro e Aisha? O que poderia ser?

— Eu só ouvi quando Aisha começou a gritar. Ela jogou suco no rosto dele, e disse: “Você é o melhor amigo do César, como sequer pode cogitar dizer algo assim para mim? Não tem respeito por ele, ou por mim?”. Ele não gritou, a respondeu calmante, não pude ouvir suas palavras. Tudo que sei, é que ele disse algo que deixou a Aisha com muita raiva. Ele acabou segundo o braço dela, foi nesse momento que eu intervi.

Meu melhor amigo, então, sim, é realmente Arthuro…

— César? — Celine apareceu, tocando no meu ombro. — Você estava demorando, o macarrão vai esfriar!

— Certo… — acabei indo com ela.

Nos sentamos novamente, fiquei observando Celine, que me olhou estranhamente, depois sorriu.

— No começo, eu realmente não queria vir nessa viagem, mas sabe, acho que foi uma boa escolha! — isso me fez ter dúvidas.

— Por que isso mudou? — eu disse, esperando ansiosamente pela resposta dela.

— Porque posso passar um tempo com você! — essa é a razão?

Fiquei em silêncio, pois aquela ''discussão'' que tivemos antes, me fez pensar que Celine estava fazendo o possível para que eu esquecesse o que aconteceu. Nossa conversa não durou muito, já que Arthuro e Liara entraram no restaurante. Eles disseram que nos procuraram muito, e depois fomos arrastados novamente.

Outra vez, ela e eu ficamos afastados por conta daqueles dois, isso era frustrante, já que eu queria falar realmente com ela. O dia passou rapidamente, não iriamos trabalhar na segunda, então eles não estavam com pressa para sair. A noite, fiz o possível para evitar todos, e fui dormir.

[…]

— César, trouxe algumas bebidas! — Arthuro veio novamente a minha casa.

— Não me diga que brigou com a sua namorada outra vez? — já era um costume, sempre que isso acontecia, ele aparecia sem avisar, com bebidas.

— Pois é, foi isso. — isso já estava se tornando uma rotina. — Aliás, onde está Aisha? — Arthuro sempre dizia achar Aisha estranha, sempre perguntava dela.

— Dormindo, mas do jeito que está falando alto, ela vai acordar! Sabe como ela é sensível ao barulho. — Arthuro sempre preferia evita-lá, mas Aisha não confiava nele, e não gostava da nossa amizade.

— Entendo, haha! — ele se sentou, então começou a beber e falar de Liara.

Às vezes, eu me perguntava se eles estavam realmente em discórdia, pois ele sempre falava bem dela, mesmo depois das brigas. Arthuro continuou falando alto, mesmo depois dos meus avisos. Aisha acordou irritada, dessa vez, ela não reclamou porque ele estava em casa, pois sabia que eu não podia impedir a visita dele.

— Me dê um pouco de água, por favor! — por que ele está agindo como se estivesse bêbado? Estava completamente normal há um minuto…

Aisha encheu o copo e o bateu na mesa, passando direto por ele. Arthuro olhou para ela como se estivesse hipnotizado, quando notou que eu estava o olhando, ele sorriu. Aisha voltou para o quarto, e ele ficou por mais uma hora bebendo sem parar.

Por que está encarando tanto o corredor? É a direção do nosso quarto, onde Aisha está...

Então, ele repentinamente ''dormiu''. Estava roncando.

— Você sempre era o último a ficar bêbado… -— por ele ser pesado, eu apenas peguei um cobertor e o deixei em uma posição melhor no sofá.

Depois disso, fui para cama. Aisha estava acordada, me esperando.

— Meu amor-… — ela me cortou antes de terminar de falar.

— Não começa! Você esqueceu do que falei? Não quero esse homem na nossa casa! — Sim, ela sempre dizia isso.

— Aisha, já falei com ele, porém Arthuro é insistente. Se me falasse porque não o quer aqui, eu poderia dizer a ele. — ela nunca me dizia, e isso me deixava preocupado.

Arthuro não falava nada sobre uma possível razão para Aisha odia-ló tanto. Ela deitou na cama, bicuda. Eu a abracei por trás, para que se acalmasse.

— Vou falar com ele outra vez, tudo bem? Você sabe que ninguém é mais importante que você para mim, meu amor! — Aisha amava ouvir isso, e era a verdade, pois ela é o meu mundo.

Mais tarde, acordei percebendo que Aisha não estava na cama, me levantei, procurando por ela, foi quando escutei um barulho na sala. Corri até lá, sem gritar, pois meu extinto dizia para não fazê-lo, e eu estava certo, pois Arthuro estava beijando Aisha a força, que estava chorando e tentando se soltar. Naquele momento, minha mente ficou completamente nublada, eu queria matá-lo por estar fazendo isso com a minha esposa. Eu o empurrei, gritando:

— QUE MERDA ESTÁ FAZENDO, SEU IDIOTA? — tudo que eu queria, era apertar a garganta dele, até que parasse de respirar, mas ao ver minha mulher chorando em desespero, eu apenas a abracei, tentando acalma-lá.

Arthuro não levantou, começou a roncar como se estivesse dormindo por conta da bebida, mas eu… perdi o resto da confiança que tinha nele. Tudo que havia restado depois do término dele com minha irmã, se foi naquele momento.

Liguei para Liara pelo celular dele, que atendeu, mesmo tarde da noite. Ela o buscou, e Aisha conversamos.

— César, eu-…

[…]

Foi uma lembrança que tive enquanto dormia. Isso esclareceu algumas coisas, principalmente que Arthuro mentiu para mim, pois disse que não sabia muito sobre Aisha, e que não a via com frequência. Quem realmente é meu aliado? Se meu melhor amigo está me enganando, em quem posso confiar?

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