Carta

“Não posso, é tão difícil de entender?”. Era uma mensagem minha, acima, Aisha dizia: “Deixe esse caso, por favor!”. As conversas estavam incompletas, mas pude entender por quê. Morávamos juntos, então nossas conversas eram pessoalmente, mas quando não nos víamos, entrávamos em contextos que já havíamos começado a falar pessoalmente.

Comecei a voltar às mensagens antigas, analisando tudo. Éramos bem carinhosos, mas nossas mensagens sempre eram poucas e curtas.

— “Aisha, quem é ele?”. — foi uma pergunta que fiz a ela. — “Você sabe muito bem”. — foi a resposta dela.

Fiquei em silêncio, tentando entender tudo. De quem falamos nessa conversa?

Deixei de lado isso, e comecei a cuidar dos outros casos que eu tinha. Mais tarde, a cliente que liguei ontem, fez o restante do pagamento que faltava, e me agradeceu pela conclusão do caso. De fato, eu notei que não era complicado fazer aquele trabalho. Eu me sentia revigorado, era como se eu realmente fosse amante da investigação.

Celine veio algumas vezes à minha sala, confesso que ela realmente estava sendo necessária, e fazendo um bom trabalho. Apesar de que percebi que sou muito perfeccionista, quando me dei conta, já estava apontando defeitos e detalhes em tudo.

E assim se passou um mês desde que voltei a trabalhar lá. Todos os dias foram uma loucura, eu estava me readaptando aquele ambiente, enquanto continuava procurando informações sobre a morte de Aisha. Eu sonhava todos os dias com uma mulher, e comecei a perceber que era ela. Lembranças, momentos, estavam voltando à minha mente lentamente. Infelizmente nada sobre quem eu era, mas apenas sobre minha vida ao lado dela.

Celine pegou carona comigo por quinze dias, depois disso, Arthuro deu a ela um carro da empresa, então a própria começou a dirigir para o trabalho. Meio que eu estava me acostumando a ir com ela, mas tudo bem, prefiro estar sozinho. Não falamos mais sobre o que aconteceu entre nós na minha casa, trocamos poucas palavras desde então, a maioria dos nossos assuntos era sobre trabalho.

— Quem é você, Aisha? — fui sozinho ao cemitério, já era a quarta vez que ia lá.

Estava realmente me esforçando para saber algo sobre ela, mas tudo que me lembrava, era que fomos um casal apaixonado. Não sei sobre sua personalidade, gostos, seu rosto. Revirei a casa, mas não encontrei documentos dela. Quando fui à funerária, me disseram constar que Aisha cresceu sozinha, e não tinha nem mesmo um sobrenome comum. Era estranho pensar isso, já que não tem como ela não ter um, pois ela já tinha vinte e sete anos, ao menos ela poderia ter escolhido um.

— Prometo que vou descobrir quem fez isso com você! Aisha, não sei como me sentia sobre você, porque esses sentimentos ainda não voltaram para mim, mas tenha certeza de que quando eu lembrar, vou chorar por você! — ainda não conseguia fazer isso, não sentia tristeza exatamente.

Eu estava confuso, repleto de dúvidas. Nesse dia, eu voltei para casa mais cedo. Continuei procurando pistas pela casa, ao menos queria encontrar o celular dela, ou algo do tipo. Liguei algumas vezes para o número, mas estava fora de área, significava que não estava em casa.

Voltei para o quarto, e então encarei o guarda-roupa. Acabei decidindo olhar, notei que o estilo dela era muito peculiar, e um pouco infantil. Eu ri de alguns vestidos de modelos estranhos, alguns bem antigos. Acho que ela gostava bastante do jeito que as pessoas se vestiam antigamente. Tentei imaginar como seria ver a minha namorada essas roupas, mas eu nem me lembro dela para sequer fazer isso.

Ao pegar mais algumas roupas, notei uma caixa. Eu puxei, e então abri. Havia cartas, e uma foto de ultrassom.

Eu peguei, lendo o que estava escrito atrás:

— “Pietra, cinco meses”. — havia algumas cartas direcionadas a este mesmo nome, e a letra definitivamente não era minha.

“Para minha amada filha, Pietra. Hoje a mamãe descobriu que você é uma menininha. Sabe, seu pai e eu ficamos muito felizes por saber da sua existência. Estamos ansiosos para o seu nascimento, nós te amamos muito, minha pequena!”.

— Uma criança? Ela estava grávida? — peguei a próxima carta para ler, mas a campainha tocou.

Deixei a caixa no chão, e atendi. Era Celine, estava com uma pasta de documentos na mão.

— Olá, desculpe por aparecer tão de repente. Posso entrar? — ela sorriu, como sempre.

Permiti que ela entrasse, então Celine me entregou os documentos.

— Sobre Arlan, eu descobri algo. — ela parecia séria. — Sua cliente, a esposa dele, está tentando matá-lo! — fiquei surpreso quando ela disse isso.

Abri os documentos percebendo ser verdade.

— Então, por que ela está investigando ele? — de fato, ainda parecia estranho.

— Não percebeu ainda? Nosso trabalho é seguir, investigar e descobrir informações, isso inclui tirar fotos e estar nos lugares privados onde o investigado está. — nesse momento, eu liguei os pontos.

Ela queria que eu fosse acusado no lugar dela, afinal, quem estava o seguindo era eu. Tinha documentos, fotos, e provas, coisas que me causariam problemas.

— A empresa sempre pede que os clientes assinem os contratos antes de aceitar um cargo, e esse documento fica guardado com Arthuro. Existe apenas um problema, na semana em que ele estava com você no hospital, alguém invadiu a empresa, e alguns documentos importantes sumiram, incluindo o que continha a assinatura da esposa de Arlan.

— Entendo, deve ser por isso que ela me ligou alguns dias atrás. Ela queria que eu mandasse as fotos, e mais algumas coisas, mas como existe a política da empresa, eu avisei que ela teria que ir até lá primeiro. — Arthuro me explicou algumas coisas, sobre como mesmo nossa empresa sendo registrada, nosso trabalho é considerado quase ilegal se o suspeito fazer uma denúncia.

Para nossa segurança, nunca divulgamos dados para fora, até mesmo as fotos, mostramos pessoalmente, ou quando há um julgamento no tribunal, onde o próprio investigador se torna testemunha.

— Muitas pessoas te odeiam, sem contar que se ela te acusar, fariam questão que você fosse preso. Já descobriu casos de corrupção e outras coisas, faz sentido que ela queira que você seja acusado de assassinato. — tive um pressentimento, e se houvesse mais um envolvido?

Primeiramente, por que aquela mulher pensaria em mim? Obviamente alguém deu a ideia a ela, e essa pessoa me odeia.

— Fique tranquilo, Arthuro pode parecer estranho às vezes, mas ele é muito inteligente. O que sumiu foi a cópia do documento, ele fez três cópias e guardou em lugares separados. O original está bem escondido, ninguém da empresa tem acesso, pois não está lá.

Isso me deixou mais aliviado, afinal, eu não sabia quando poderia ser acusado.

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