Entrelaçadas

No domingo, lá estava eu, indo visitar o túmulo de Aisha. Senti necessidade disso, depois que tive outro sonho com ela. Notei que já havia alguém lá, era Celine. Ela estava parada, passando a mão pelo nome de Aisha.

Quando cheguei perto, Celine olhou para mim, limpando suas lágrimas.

— Desculpe, não sabia que você viria hoje. — ela passou direto por mim, e decidi não incomodar.

Talvez agora eu entendesse melhor a situação de Celine, afinal, sua salvadora morreu no mesmo dia em que a salvou.

— Aisha, Aisha… — meu amor, a mulher que sinto falta.

No sonho que tive na noite anterior, me lembrei de alguns momentos do início do nosso relacionamento. Me lembro de abraçá-la, e beijá-la, dizer como a amava.

Agora, o vazio que já estava sentindo antes, estava crescendo, como se existisse um buraco dentro do meu peito.

— Parece que já estou quase chorando por você… — quero me lembrar, quero descobrir quem fez isso com você!

Na verdade, eu te quero de volta, mesmo sem saber direito quem você é...

[…]

No dia seguinte, fui bem cedo ao trabalho. Pretendia descobrir quem era a mulher que foi a melhor amiga de Aisha. Decidi não contar a Celine sobre a minha investigação, pois senti que seria melhor assim.

— Não tem informações na internet, acho que vou ter que perguntar por aí… — uma mulher que não era famosa, isso é meio óbvio. Também não encontrei redes sociais com esse nome, talvez ela usasse diferente.

O dia foi corrido, como Arthuro mesmo disse, eu era popular, ao ponto que começaram a chegar diversos pedidos para mim. Notei que realmente não consigo evitar, acabo me dedicando demais ao trabalho.

— César, Arthuro pediu para irmos até a sala dele. — Celine apareceu, me dizendo isso.

— Certo. — saímos imediatamente.

Quando entramos, havia uma mulher ao lado dele. Era a mesma que disse ser a sua namorada naquele dia.

— Querida, espere só um minuto, ok? — ela sorriu para ele, mas, notei que quando Arthuro se virou, ela sorriu de um jeito tanto estranho.

Ele veio até mim, então parou no caminho olhando para trás.

— Celine, não vai entrar? — ao me virar, percebi que ela estava tensa, e olhando fixamente para a namorada de Arthuro.

O que está acontecendo?

— Celine? — Arthuro perguntou novamente.

— Ah, desculpe. Não achei que teria outra pessoa aqui. — ela entrou, mas tentando suavizar sua expressão.

Logo, ela parecia a Celine habitual, mas ainda estava estranha.

— Bom, como César perdeu a memória, terei que apresentá-la de novo, e também, Celine não a conhece. Essa é Liara, minha namorada! — Liara? O nome dela é Liara?

— Liara Dominic? — perguntei sem querer.

— Isso, por acaso, se lembra dela? — Arthuro me olhou confuso.

— Não, é só que eu a encontrei quando foi te buscar no outro dia, na confraternização. Claro, não nos apresentamos, mas ouvi alguns colegas comentando sobre ela. — tomara que ele acredite.

— Haha, espero que tenham falado bem de mim! — mas quem respondeu foi ela.

Liara, a mulher misteriosa que eu procurava, apareceu diante dos meus olhos. Ela chegou perto de mim, e estendeu sua mão.

— É um prazer te conhecer, de novo… — ela sorriu, e eu estendi a mão para pegar, mas ela me puxou, demonstrando que eu deveria beijar a mão dela.

Olhei para Arthuro, mas ele achou normal a situação.

— Um bom cavalheiro beija a mão de uma dama! — entendi que Arthuro achava normal, por ela ser uma mulher requintada, de classe alta. Suas roupas, jeito, e até o estilo demonstravam isso.

Sem escolha, eu tive que beijar a mão dela. Então, notei que ela passou de relance os dedos pelos meus lábios antes que eu me afastasse. Quando nossos olhos se encontraram de novo, ela passou os dedos na própria boca, como se fosse um beijo indireto.

Senti calafrios quando notei isso, ela sorriu, fingindo que nada aconteceu. Então, quando olhei para Celine, percebi que ela estava apertando tantos os dedos na palma da mão, que estava começando a sangrar, por ter unhas grandes.

— Celine… — sussurrei. Mesmo sem entender, eu segurei a mão dela, apenas assim ela se acalmou.

— Haha, não precisam ficar tensos! Enfim, chamei vocês aqui para fazermos uma viagem juntos! Liara que sugeriu, ela quer que César e eu possamos ficar mais próximos, como antes. Escolhi chamar a Celine, já que é sua parceira! — ele parecia tão inocente, até mesmo entendi as más intenções daquela mulher.

Eu estava olhando para Arthuro, mas quando olhei para ela… parecia estar com tanto ódio, olhando diretamente para as nossas mãos entrelaçadas.

O quê?

— Então, o que me dizem? — Arthuro estava esperando a resposta.

Celine parecia estranha, mas eu precisava saber mais sobre essa mulher. Seria desrespeitoso com minha parceira de trabalho, mas… eu não estaria perdendo algo importante para saber mais sobre a morte se Aisha?

— Nós vamos. — Celine respondeu de repente, ela sorriu, como se estivesse tudo bem.

Obviamente, ela ainda estava afetada, então não tinha certeza da razão de aceitar. De fato, fiquei aliviado que ela quis ir.

— Sim, nós vamos. — concordei, e aquela mulher ainda estava me olhando.

— Ótimo! Sei que vocês estão ocupados, mas vamos no final de semana, ok? César, espero que isso te ajude se sentir bem, por isso, vou escolher um lugar onde você disse já ter ido com Aisha, talvez possa te trazer alguma memória! — ele sorriu alegremente.

Liara era a única que ainda estava encarando nossas mãos entrelaçadas, mas depois de um tempo, Arthuro também percebeu, e deu uma risadinha esperta.

Saímos de lá, e eu pedi que Celine fosse à minha sala.

— Sim? — ela perguntou.

— Você não gosta de Liara? — talvez ela já a conheça também.

— Está enganado, foi isso que pareceu? Apenas estava me sentindo mal. — não tinha certeza se era mentira, pois ela estava completamente normal.

— Entendo, mas me diga se quiser desistir de ir. — afinal, ainda sinto que tem algo muito errado nessa situação…

— Não se preocupe, eu vou ficar bem. — ela sorriu, e então saiu.

Fiquei sozinho novamente, pensando naquela mulher. Ela realmente me conhecia, mas torço para não ter acontecido algo a mais entre nós no passado. Talvez ela seja a única a “gostar” de mim?

Era uma completa incerteza, e eu apenas saberia se me lembrasse do passado.

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Comments

Marli Da Silva Gouvêa Castro Rosa

Marli Da Silva Gouvêa Castro Rosa

será que ela era apaixonada pela Aisha?

2024-11-30

1

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