É cansativo. Isso estava se tornando pior. Sinceramente, já não sei mais o que pensar.
— Celine, já pegou tudo? — lá estava nós dois, prontos para irmos ao encontro de Arthuro e Liara.
No trabalho, foi uma correria, mas o que me incomodou mais, foi ter sido frustrado em algumas investigações que estava fazendo.
— Sim, vamos de uma vez. — apesar da expressão dela parecer normal, senti que ela estava irritada com alguma coisa.
Não fiz perguntas, Celine já aparentava que não responderia. Estava preocupado sobre o que aconteceria nessa viagem, talvez finalmente eu descobrisse pistas sobre Aisha. Ainda era perigoso, já que o próprio suspeito me disse o nome de Liara. Alguém que possivelmente tem a ver com a morte dela, também pode ser uma ameaça para mim.
Chegamos ao ponto de encontro, e então entramos no carro. Tivemos um cumprimento simples, e não trocamos nenhuma palavra durante o caminho. Celine estava incomodada olhando para o banco da frente, onde Liara estava. Era nítido que ela a odiava por algum motivo.
Mais tarde, quando enfim chegamos ao lugar, reparei na paisagem. Realmente era um belo lugar, digno de turismo. A cidade inteira era assim. Celine não parecia animada, na verdade, eu também não estava, mas tentei não deixar transparecer. Quando estacionamos, seguimos Arthuro até os quartos em que ficaríamos. Eram todos no mesmo corredor, então o meu e de Celine ficaram perto. Ela entrou e eu fiz o mesmo. Realmente era um quarto grande, me senti nostálgico. Até mais do que na minha própria casa, por quê? Queria tanto saber…
Alguém bateu na porta do meu quarto, e quando abri, era Liara, me chamando para comer algo. Arthuro estava na porta de Celine. Nós quatro descemos, ao que parece, eles já haviam mandado a diarista comprar algumas coisas.
— Aqui, seu favorito! — Liara me entregou pão integral com geleia de morango.
— Meu favorito? — perguntei.
— Você gostava bastante, César. — Arthuro sorriu, enquanto encheu o copo de Celine com suco.
Acho que ela e eu tivemos o mesmo pensamento, pois nos olhamos. Mais tarde, decidimos ir à praia. Achei que seria privada, mas estava realmente cheio de pessoas. Celine estava com um vestido leve e curto, ao contrário de Liara, que estava com um biquíni.
— Celine? — havíamos acabado de chegar, mas ela estava olhando atentamente para o mar. Era um olhar triste, como se estivesse lembrando de algo que a machucou. Ela não me ouviu, eu queria perguntar, mas…
— Vem comigo! — Liara me puxou em direção à água, e Arthuro começou a falar com Celine.
Fiquei olhando para trás, até o momento que Liara chamou minha atenção de novo.
— Decepcionante! Não me diga que está se apaixonando por ela? Esperei tanto para ter uma chance com você, então outra mulher aparece? Haa… — ela suspirou irritada.
— … — apaixonado? Não, sei que não. Bom, eu me sinto estranho em relação a Celine, mas nada mais que isso.
Ela jogou água no meu rosto, meu olho começou a arder por conta do sal. Liara agarrou o meu braço novamente, e quando abri os meus olhos de novo, olhei para trás. Celine estava me encarando estranhamente.
— Se você continuar assim, não vai ser tão divertido quanto eu imaginei. — Liara suspirou. — Deve se divertir um pouco enquanto não lembra do passado! Aisha era um empecilho na sua vida, lembrar dela vai te causar dor de cabeça! — Celine havia chegado com Arthuro no momento em que Liara disse isso.
Por que ela diz isso? A Aisha das minhas memórias é problemática, mas sinto que falta a parte boa dela que ainda não me lembrei.
— Ei, por que vocês dois estão quietos? Vamos nadar! Daqui a pouco voltaremos para almoçar. — Arthuro disse.
Apesar disso, sinto que eu e Celine não nos divertimos nada. Voltamos para almoçar, Arthuro e Liara tentaram começar conversas, mas nunca rendia, pois estávamos distraídos, presos em nossos próprios pensamentos. Liara continuou grudada em mim, não pude conversar com Celine durante todo o tempo que chegamos.
Algumas horas se passaram, e eu estava mentalmente esgotado. Minha cabeça estava doendo, e Liara falando tantas coisas me deixou ainda pior. Eu queria dormir, mas ela me arrastou até a praia a noite. Ela me obrigou a sentar na areia, e então começou a digitar algo no celular. Após terminar, ela se sentou ao meu lado.
— A Aisha, ela foi o seu primeiro amor. — percebi que ela entrou propositalmente nesse tópico para prender minha atenção. — Diferente de você, ela teve um namorado na adolescência. Ela nunca disse isso a você, porque aquela pessoa foi alguém que não durou na vida dela. Mas, existe um porém no meio disso, mesmo que ela não lembrasse quem ele era, aquele homem nunca a esqueceu.
— Onde está tentando chegar, Liara? Se Aisha nunca me disse, não é direito seu me contar! — claramente ela tem intenções ocultas.
— Estou te dizendo que Aisha não era totalmente inocente quanto você acreditava fielmente! — ela me empurrou de repente, fazendo com que eu repousasse sobre a areia. — Na sua frente, ela era como um anjo, alguém que precisava de ajuda. Uma mulher que sofreu a vida toda, que nunca mereceu o mal que lhe causaram, mas… o que ela fez comigo, você nunca se importou em saber! Acha que eu a odiava sem motivo? Tenha certeza de algo, César, vocês não se conheceram por acaso! Ela te roubou de mim, se aproximou porque sabia que eu te amava desde a primeira vez que te vi! — ela subiu em cima de mim, estava chorando. Suas palavras pareciam sinceras.
— Nós conhecíamos? — foi tudo que consegui perguntar a ela.
— Tanto você agora, quanto no passado, não lembrava de mim, porque para você, César, eu sempre fui irrelevante! Nunca me notou, apenas Aisha! Eu te amo há muito tempo, te amo antes de você se apaixonar por ela, mas você a escolheu! — ela acariciou o meu rosto.
Então, Liara olhou para algum lugar, e tentou me beijar. Obviamente eu não aceitei aquilo, o que a revoltou mais.
— Continua me machucando com sua rejeição… — ela saiu, limpando as suas lágrimas.
Permaneci ali, olhando para o seu iluminado. Aquela situação me deixou tenso.
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Atualizado até capítulo 44
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