Dois dias depois:
Não encontrei Celine de jeito nenhum, mesmo sendo vizinhos e trabalhando na mesma empresa, com salas ao lado. Decidi aproveitar esse tempo para descobrir mais sobre ela. Não foi difícil, a vida de Celine não era secreta, comprado à minha e de Aisha.
— Filha única, vinte e seis anos. Largou a faculdade, seu sonho era ser veterinária. — o que mais me chamou atenção, foi que ela deixou a faculdade uma semana depois do meu acidente.
Os pais dela já estavam mortos, e Celine tinha uma vida mediana, não era rica, mas também não precisava se preocupar com as contas do mês. Fazia trabalho voluntário em várias instituições, e é vegetariana.
— Vegetariana… mas ela não comeu almôndegas quando foi a minha casa? — pelo menos duas pessoas me confirmaram isso.
Descobri a maioria dessas coisas com as pessoas que ela conhecia. Outra coisa que me deixou intrigado, foi que ela se afastou de repente de todos os amigos, e sim, foi de forma brusca e dura. Tanto que nenhum deles queria tentar contato com ela.
— Tirando isso, ela mora naquele lugar há quase dez anos, e não teve nenhum relacionamento afetivo. — bom, não que isso seria algo estranho, é completamente normal.
No final, acabei deixando de lado o assunto de Celine, pois o que ela me disse antes, aconteceu. Arlan foi assassinado, e já estava em todas as notícias. Já imaginava que logo chegariam policiais atrás de mim, por isso, entreguei algumas coisas a Arthuro. Provas e vídeos que eu mesmo gravei para mostrar que eu não estava lá no momento do ocorrido.
Mesmo não sabendo o momento exato que aconteceria, criei álibis, estava pronto para que viessem atrás de mim. Confesso que demorou mais do que eu esperava, chegaram apenas à tarde.
— César Vilela, você está preso pelo assassinato de Arlan Castro! — os policiais disseram as partes burocráticas, que eu segui com eles sem questionar.
Arthuro foi chamado, e ele iria chegar lá após mim, a pedido meu, que queria ter certeza de algo. Assim que cheguei a delegacia, havia repórteres, que tentaram falar comigo. Segui o caminho algemado, então notei um homem sorrindo ironicamente para mim na entrada. Quando passei por ele, ouvi algo, ''não vai escapar dessa vez'', junto a uma gargalhada debochada. Observei bem o rosto dele, e fui empurrado para dentro da delegacia.
Uma mulher que estava chorando desesperadamente, quando me viu, gritou:
— ASSASSINO! — pude reconhecer, era a viúva de Arlan, vi a foto dela anteriormente.
Fui levado a uma sala para ser interrogado, e aquele mesmo homem que antes estava na porta, se sentou de braços cruzados diante de mim. Olhei atentamente para a sua expressão sorridente. Ele me conhecia bem, e sua expressão de felicidade parecia inabalável. Era engraçado pensar que ele acreditava que já estava ganho, mas ao menos posso ter um tempo para conhecer meu provável “inimigo”.
— Quão descuidado você foi dessa vez! Soube que perdeu a memória, é ruim porque não vai ser tão satisfatório quanto eu esperava, mas, isso continua sendo revigorante! — ele apertou o botão para começar a gravar. — César Vilela, por que matou Arlan Castro?
Olhei para ele, analisando bem que resposta eu deveria usar para responder sua pergunta.
— Por nenhum motivo, afinal, eu, quanto você, sabemos muito bem que fui falsamente acusado. Não preciso deixar mais claro que isso para o homem que está tentando me derrubar há tempos! — eu ri, enquanto ele parou a gravação, sua expressão ficou áspera.
— Brincadeiras agora? Sabe muito bem que isso não vai te ajudar! — ele ignorou completamente o que eu disse, e recomeçou a gravação.
Ele repetiu a pergunta, e eu fiquei em completo silêncio. Ainda era bom para esse homem, afinal, eu não era capaz de me defender daquelas acusações, naquele momento ao menos.
Poucos minutos depois, Arthuro chegou, com todas as provas ao meu favor. Claro, pedimos para mostrar a mais policiais, não confiamos nesse homem. A expressão amarga e ríspida, repleta de ódio, foi completamente direcionada a mim. Era inegável que não era apenas um inimigo comum, esse homem tinha rancor de mim. Não houve uma resposta dele sobre esse assunto, mas como Arthuro, ele apresentou provas contra a viúva de Arlan, algo que nem mesmo eu sabia.
— Você realmente conseguiu me tirar de lá em poucas horas. — eu disse, enquanto estávamos no carro.
— Não foi exatamente eu, afinal, foi você que conseguiu as provas a seu favor. — Arthuro sorriu.
— Mesmo assim, você conseguiu provar que a esposa de Arlan que armou tudo. — ele ficou quieto por um segundo, então…
— Foi Celine. Ela me disse querer provar sua inocência, e realmente o fez em poucos dias. Fiquei chocado, afinal, ela nunca trabalhou com isso, mas foi muito eficiente! — foi Celine?
Nesse momento, me senti mal por desconfiar dela e investigar sua vida. Deveria agradecer a ela depois.
Arthuro me levou para casa, disse que seria melhor não ir trabalhar o resto do dia. É engraçado que ele não me perguntou nada sobre eu ter voltado a morar na minha própria casa de repente, sem nenhum aviso, mas depois entendi que ele sempre foi o tipo de pessoa que não questiona minhas decisões.
Ele disse que levaria minha mala de volta para casa depois, e eu entreguei a ele o celular que me emprestou. Sinceramente, preferia ficar no trabalho do que em casa, pois não tenho nada para fazer. Procurei algo para me distrair, e a acabei indo até o escritório.
O computador estava bloqueado, tentei a mesma senha, mas não era igual a do trabalho. Procurei alguma pista nas gavetas, mas não encontrei. Peguei meu celular, e olhei em algumas notas, eu anotava todas as minhas senhas lá. Não especificava que senha pertencia a cada lugar, então fui tentando algumas, até conseguir desbloquear.
Tinha alguns arquivos do trabalho, e outros pessoais, projetos, e negócios que eu estava começando sozinho. Decidi olhar o histórico do meu computador, e fiquei surpreso ao ver minhas pesquisas.
— Eu estava tentando arrumar outro lugar para morar? — acessei minha caixa de entrada do e-mail, e notei que eu já estava conversando com algumas imobiliárias.
Meus requisitos eram: uma casa maior, que tivesse vista para a natureza, em um lugar mais isolado, onde não tivesse vizinhança.
— Então, Aisha e eu pretendíamos nos mudar? — tudo apontava para isso, afinal, até o momento, todas as pistas apontavam que nossa relação ia bem.
Continuei olhando tudo, quando o meu telefone empresarial tocou. Atendi depois de dois toques, o número não estava salvo lá.
— César, é você? — era uma voz feminina.
— Sim, com quem falo? — eu perguntei.
— Camille! Não salvou meu número? Mas tanto faz, preciso falar com você urgentemente, é sobre a Aisha! Vou chegar à cidade amanhã, então me encontre no lugar de sempre! — ela não parecia saber que perdi a memória, e preferi não dizer.
— Me diga o endereço. — o que fazer? Ela provavelmente desconfiaria.
— De novo com isso? Idiota! — ela disse o local, e eu anotei.
Ela desligou sem deixar que eu dissesse qualquer coisa.
Talvez possamos ser amigos próximos?
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 44
Comments