Naquele dia, eu fiquei pensando: estou fazendo as coisas do jeito certo?
Não tinha como ter certeza, afinal, eu não estava avançando em nada. As pistas ainda não estavam claras para mim, e a verdade sobre Aisha que eu precisava saber, me incomodava constantemente. Novamente, fui dormir e sonhei com momentos que tivemos juntos. O rosto dela estava tomando forma lentamente em minha mente, algumas vezes, eu esquecia de suas características importantes, mas tive certeza de algo, ela era linda.
Quando acordei no outro dia, meu telefone empresarial não parava de tocar. Era aquele mesmo número, mas por que estava ligando tão cedo?
— VAI ME DEIXAR PLANTADA AQUI? ESQUECEU QUE SEMPRE NOS ENCONTRAMOS ANTES DE VOCÊ IR TRABALHAR? — ela gritou, quase me deixando surdo.
— Sinto muito, já estou indo. — respondi, tentando acalmá-la.
— Mas que merda é essa? Você está se desculpando? Olha, só vem de uma vez! — ela desligou novamente, sem esperar resposta.
Me apressei e então saí de casa o mais cedo possível. O lugar era um pouco longe, mas consegui encontrar graças ao GPS. Não era um restaurante, tão pouco um café. Era um bar, possivelmente direcionado a pessoas ricas.
— Bem-vindo, César! — o segurança me cumprimentou, e eu apenas acenei.
Pelo visto eu realmente frequentava esse lugar.
— Cara, vai mesmo fingir que não está me vendo? — fui puxado de repente por uma mulher, ela me jogou no banco.
— Não precisa ser tão bruta! — falei sem pensar.
— Você merece isso por me deixar aqui plantada! Enfim, eu trouxe o que você pediu! — ela me entregou um envelope. — Não me peça mais para buscar informações sobre ela, foi muito difícil encontrar isso.
Eu abri, e vi uma ficha com o nome de Aisha.
— Aliás, quando vai contar ao Arthuro que estou viva? — minha atenção saiu dos papéis, para ela.
— Estou pensando… — tentei me encaixar no assunto.
— Você disse que ele conseguiu uma namorada, estou irritada com isso. Por que tenho que continuar me escondendo? Você sabe que ele nunca faria nada de ruim com a pessoa que ama! — ela resmungou no final.
Pessoa que ama? Espera, o que está realmente acontecendo aqui?
— É para te proteger. — estou fazendo certo? Como devo prosseguir e descobrir informações?
— Por que não confia no seu melhor amigo? Haa, eu quero voltar a minha vida normal, nossos pais já morreram, por que apenas eu não posso continuar vivendo como quero? — “nossos pais”, isso significa que ela é minha irmã.
Então, quando Arthuro me disse que todos da minha família morreram, não estava ciente de que minha irmã sobreviveu?
— De qualquer forma, deveria ao menos dizer para a louca da sua namorada. Sabia que ela estava me seguindo um pouco antes de eu sair da cidade? Não sabia que alguém poderia ser tão possessiva! — ficou claro que ela não sabia da morte de Aisha.
— A Aisha… ela foi assassinada há pouco mais de um mês. — o choque foi tão grande, que ela derramou a bebida em sua roupa.
— COMO ASSIM ELA MORREU? — ela acabou gritando.
— Por favor, fale baixo… — as pessoas estavam nos encarando.
— Falar baixo? O que tem com você? Como pode estar tão bem? Você era louco por ela, por isso sempre disse serem perfeitos um para o outro, dois malucos! — pela forma que ela disse, eu amava realmente a Aisha. — Você está bem? Como ela morreu?
— Foi assassinada. — a reação dela foi ainda pior.
— E VOCÊ NÃO ESTÁ PERTO DE ENLOUQUECER? — parece que isso foi o mais chocante.
— … — fiquei em silêncio, tentando assimilar a situação.
— César, a mulher por quem você disse que era capaz de matar, foi assassinada, e você está aqui, me encontrando tranquilamente? Quando vocês brigaram, Aisha sumiu por dois dias, e você quase entrou em depressão! — então, Aisha era mais importante para mim, do que eu pensava…
Eu tive certeza que ao menos poderia confiar nessa mulher à minha frente.
— No dia que Aisha morreu, eu sofri um acidente de carro. Nesse acidente, não tive ferimentos graves, mas bati a cabeça. — olhei para ela, que estava tentando entender.
— Acidente? Você? — ela não parecia acreditar, afinal, eu parecia bem.
— Perdi a memória, na verdade, estou fingindo que entendo tudo que você fala, mas, na verdade, nem sei quem você é… — ela bateu no próprio rosto.
— É um sonho, só pode ser! — segurei a mão dela para que não continuasse com isso.
— É a verdade! Arthuro ficou comigo no hospital, pode olhar nas notícias, falam sobre meu acidente. — ela pegou o celular e pesquisou o meu nome, até que encontrou.
— Não acredito, como isso aconteceu de repente? É por isso que você está agindo tão estranho, você normalmente é frio e irritante! — ela apontou para mim, dizendo isso com rispidez.
— Se você diz. — afastei a mão dela.
Ela ficou me observando por um tempo, até finalmente falar novamente:
— Meu nome é Camile, e eu sou sua irmã mais nova! Tenho vinte e seis anos, nossos pais morreram três anos atrás em um acidente, onde eu também estava, e fiquei internada por um longo tempo. Eu namorava Arthuro na época, mas você começou a desconfiar dele por alguma razão, e logo, me obrigou a me afastar dele. Forjou minha morte, além de não ter me apresentado oficialmente a mulher com quem você morava junto. — tudo isso parecia loucura.
— Então, nem mesmo nossos pais conheciam a Aisha? — foi o que deu a entender.
— Vocês estão juntos há tanto tempo, mas quase ninguém sabia sobre ela. Era como uma sombra ao seu lado, sempre ia atrás de você, mas nunca conversava com outras pessoas. Ela desconfiava de todos, e você mesmo disse ser melhor nossa família não a conhecer. No velório dos nossos pais, eu estava no hospital, e você disse que Aisha não foi. Parece que naquela época vocês tiveram uma briga feia, talvez porque você não tenha apresentado nossos pais, ou algo do tipo. Realmente não sei se era você que não queria fazer isso, ou se era ela que preferia evitar nossos pais. — pelo visto, ninguém realmente sabe sobre Aisha.
Se minha vida ao lado dela era assim, significa que realmente fui a única pessoa ao lado dela? Por que não conheceu minha família? Fui eu que não quis? Ou ela que evitou?
— Então, você continua trabalhando? — ela perguntou.
— Voltei alguns dias depois que tive alta, estou tentando descobrir quem matou Aisha.
— Uh, você é realmente viciado em trabalho, como pode voltar tão rápido? Enfim, espero que encontre quem fez isso, se você se lembrasse de tudo, tenho certeza que já estaria com olheiras. — ela empurrou os documentos para mim. — Já que não lembra, é bom ler essas informações, pelo menos vai saber um pouco mais sobre a mulher que amava.
Talvez agora eu soubesse um pouco mais sobre ela? Queria realmente me lembrar, assim seria bem mais fácil.
— Ei, mas sério, quando posso voltar? Você e Arthuro estão muito bem, são ótimos amigos. Já confirmou que ele não tentou matar nossa família, posso voltar agora? — como eu saberia se é seguro?
Em primeiro lugar, se eu desconfiava de Arthuro, algum motivo tinha.
— Ah, esquece. Falaremos disso depois! Conseguiu se adaptar ao trabalho?
— Estou indo bem, Arthuro preferiu me deixar com uma parceira, ela é minha vizinha.
— Vizinha? Séria aquela Celine? — falei sobre ela antes?
— Você a conhece? — perguntei.
— Me lembro que você a mencionou algumas vezes, ela era uma mulher que Aisha odiava muito. — odiava? Elas não eram amigas?
— Tem certeza disso? — queria confirmar.
— Bom, essas palavras vieram da sua boca. Você disse que uma vez, Aisha estava puxando os cabelos dela, e você teve que apartar a briga. — se chegou a esse ponto, elas realmente não eram amigas.
Celine mentiu? Por que ela fez isso?
— Ah, eu preciso ir. Já que Aisha não está mais viva, vou te ligar pelo seu telefone pessoal, não que seja uma coisa boa, mas ela surtava se qualquer mulher te ligasse! — Camile se levantou para sair. — Boa sorte na sua investigação! Esperarei apenas mais um tempo, então direi a verdade para Arthuro, não posso mais me privar da minha vida por sua causa!
— … — fiquei em silêncio.
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Atualizado até capítulo 44
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