Fragrância

Depois de fazer alguns exames, enfim recebi alta. De fato, Arthuro estava um pouco mais aliviado, ele me levou diretamente para a sua casa. Era um lugar grande, foi notável que ele tinha dinheiro.

— Seu quarto será esse, o que precisar, pode me pedir! Está com fome? — ele tentou sorrir, mas parecia tenso.

— Não, obrigado. — andei pelo quarto, mas ele continuou me observando atentamente. — Algum problema? — parei no lugar, esperando por uma resposta.

— Sei que é um momento complicado para você, mas assim que se sentir confortável, poderia voltar para o trabalho? Você é o meu melhor funcionário, as pessoas estão pedindo que volte logo… — franzi a testa, e o encarei.

Tudo bem que ele esteja precisando, mas quem em sã consciência pediria isso a alguém que perdeu a memória e acabou de sair do hospital.

— Daqui a três dias, pode ser? — ele concordou.

Sinceramente, eu sabia que ficaria entediado, e também, isso poderia me ajudar a recuperar a memória. Arthuro me emprestou algumas roupas, marcamos de ir juntos no outro dia a apertamento que eu morava com minha namorada. Durante a noite, eu tive aquele mesmo sonho, não conseguia alcançar aquela mulher.

— Chegamos. — Arthuro estacionou o carro, e eu olhei para aquele grande prédio.

Passando pela portaria, algumas pessoas me cumprimentaram e lamentaram pela minha perda. Não me lembrava de nenhum deles, mas todos pareciam me conhecer bem, também a Aisha. Ainda não sentia nada quando falavam sobre ela, talvez fosse normal devido a minha situação, mas sentia que era errado da minha parte.

— Mil e cem… — era o número do apartamento. Por alguma razão, esse número ficou marcado em minha mente.

O chaveiro tinha um desenho de coração, com duas iniciais, ''C&A''. Arthuro abriu a porta, e colocou a chave em um suporte na parede. Ele parecia conhecer tão bem o local.

— Vou procurar sua mala, assim podemos levar mais roupas! — Arthuro entrou em um quarto, e eu fiquei observando os detalhes da casa.

A casa estava extremamente limpa, não havia um grão de poeira sequer. Não havia fotos, ou coisas que me dessem uma pista sobre quem eu era, ou sobre Aisha. Continuei andando, até chegar em quarto. A cama estava bagunçada, mas era apenas um quarto de hóspedes. Não havia nada que pudesse me ajudar.

Segui para o outro quarto, mas também não tinha nada. Antes que eu pudesse entrar no último, notei uma porta diferente aberta, era um escritório pessoal. Papéis estavam espalhados pela mesa e chão.

— ''César". — Pertenciam a mim, eram meus documentos de trabalho.

Crimes, adultérios, roubos, todos os assuntos diversos poderiam ser encontrados ali, eu tinha muitos clientes.

O computador tinha senha, então não consegui desbloquear. Havia um telefone fixo, e a última ligação marcada, era exatamente do número dela. Não estava salvo carinhosamente, apenas ''Aisha''.

— Talvez no meu celular esteja diferente, devo perguntar a Arthuro. — afinal, não estava entre os pertences que me foram entregues.

Sai de lá, indo em direção ao quarto que faltava, havia um som vindo de lá. Era Arthuro, pegando minhas roupas do guarda-roupa e colocando na mala.

— Ah, aí está você! Então, estou pegando as roupas que você mais usava! — ele sorriu, e continuou pegando as roupas.

Nesse quarto, havia um cheiro doce e forte de perfume feminino, era como se alguém tivesse despejado em tos os lugares a mesma fragrância. Esse cheiro me parecia familiar, de certa forma. Tinha uma penteadeira, alguns produtos de cabelo estavam jogados por cima dela.

A cama estava impecável, mas com um cheiro ainda mais forte daquela fragrância. Não era enjoativo, embora eu achasse exagerado. Passei a mão por lá, estava fria, como era de se esperar. Ainda não sentia emoção alguma, mesmo na casa e no quarto onde dormia com a mulher que eu ''amava''.

— Terminei! — Arthuro fechou a mala, e se levantou.

— Ei… por que você conhece também o meu apartamento? — foi uma dúvida que me surgiu.

— Não é óbvio? Sou seu melhor amigo, eu vinha aqui sempre que a Aisha não estava. — Tive vontade de questionar, mas ele disse algo novamente: — Paguei uma vizinha para limpar a casa por você, mas acho que ela deixou o perfume da Aisha cair. Esse cheiro sufocante é tão ruim. As poucas vezes que a via, sempre estava usando esse perfume.

— Ela não deveria arrumar todos os cômodos? O quarto de hóspedes está bagunçado. — não fazia ideia da razão disso me incomodar.

— Sério? Ela deve ter esquecido então. Vamos? Tenho que ir trabalhar hoje a tarde, tudo bem para você ficar sozinho na minha casa? — ele pegou a mala e começou a andar.

— Sem problema. — eu o segui para fora, ele trancou a porta.

Nesse momento, a porta de uma vizinha se abriu.

— Oh, bem em tempo! — Arthuro sorriu para a mulher. — Como está se sentindo hoje, Celine? — a mulher me olhou com uma expressão estranha, e depois sorriu.

— Estou bem! Aliás, esse é o investigador César Obraitt? — ela se aproximou.

— Sim, é ele mesmo! César, essa aqui é Celine Darcy. Foi ela que contratei para limpar a sua casa, mas ela também é uma grande fã sua! — ele puxou minha mão, para que assim eu a cumprimentasse.

— É um prazer conhecê-la, Celine! — ao pegar a mão dela, para beija-lá, senti um choque em mim. Levantei meu olhar de relance, ela estava sorrindo, como se não tivesse sentido o mesmo.

Acho que foi apenas eu…

— Então, Celine, mesmo que não tenha experiência, tenho certeza que vai se sair muito bem no seu primeiro dia! — disse Arthuro.

Então, logo notei algo, ela estava levemente com o cheiro daquele mesmo perfume de antes. Quando nossos olhos se encontraram, sua expressão parecia realmente de admiração. Isso significa que tenho uma certa fama, vou conseguir me reerguer e suprir as expectativas dessas pessoas?

— Foi bom te encontrar, mas temos que ir agora. Te vejo no trabalho amanhã! — isso me fez perceber que ela iria trabalhar na empresa dele.

Nós nos viramos para sair, mas ela puxou abruptamente o meu braço.

— Estou realmente ansiosa para trabalhar com você! — senti algo estranho, mesmo com o sorriso dela. Foi uma sensação esmagadora, como se aquelas palavras fossem uma ameaça.

Ela se afastou, e eu fiquei encarando a porta fechada.

— César? Precisamos ir! — Arthuro me puxou.

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Comments

Fênix

Fênix

Aqui pensando com meus botões. Será que ele é msm amigo do César?

2025-02-20

1

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