Voltamos para a sala, ela estava parecendo abalada de alguma forma, como se estivesse arrependida por alguma coisa.
— Desculpa, mas preciso ir. — ela pegou as coisas e saiu.
Coloquei os pratos sujos na pia, e fui ao banheiro escovar os dentes. Havia duas escovas, uma amarela, e outra azul. Peguei a azul, e fiquei reparando nas coisas. Havia cremes de cabelo, sabonete íntimo, e outras coisas guardadas nos armários do banheiro.
Escovei os dentes, e voltei para aquele quarto após trancar a porta da casa. Era a primeira vez que eu iria dormir lá depois do acidente. As lembranças de Celine e eu me fizeram meu coração palpitar, e isso me assustou. Não posso sentir coisas assim, afinal, eu perdi alguém importante.
— Haa… — suspirei, e fechei os meus olhos.
O sono veio tão rapidamente, estava confortável. E aquele cheiro, ainda estava lá.
[…]
— Você precisa mesmo ir hoje? Sei que Arthuro entenderá se faltar por estar doente! — alguém me abraçou por trás.
— Amor, o que eu te disse? Contanto que a pessoa doente seja você, eu faltarei. Tirando isso, não me importo com mais nada. — me virei, e beijei a testa dela.
Ela se afastou de mim, irritada.
— César, eu não gosto quando você age assim. Parece que o trabalho é a única coisa que passa pela sua cabeça! Sei que faz o melhor para passarmos tempo juntos, mas não acha que está exagerando fazendo tantas horas extras? — ela se sentou no sofá de braços cruzados.
— Estou fazendo isso por nós dois! Precisamos de dinheiro, já que queremos casar, e pretendemos ter um filho! — fui até ela, e toquei sua bochecha.
— César, você realmente me ama? — ela me olhou com expectativa.
— Sim, eu te amo, Aisha! — ela se inclinou para me beijar.
Nesse momento…
[…]
Acordei do meu sonho. Estava sentindo falta de algo, era dela. Seu rosto, eu esqueci dele, mas o calor dos seus lábios ainda eram vívidos em minha mente. Me levantei, um pouco tonto. Tinha que ir para o trabalho, mas ao menos poderia ir ver onde Aisha foi enterrada. Quando saí pela porta, encontrei Celine me esperando.
— Bom dia… — quanto tempo faz que ela está esperando?
— Bom dia. Já que você quer ir ao cemitério, me dê uma carona, vamos passar antes de ir ao trabalho! — seria ainda melhor ir antes do trabalho.
— Tudo bem, vamos. — mas eu estava pressentindo que ela iria querer carona todos os dias.
Entramos no carro, Celine me disse como chegar até lá. Quando saímos, eu estava um pouco nervoso. Ao chegar no túmulo de Aisha, notei que realmente não tinha flores, ninguém a visitava, igual as outras pessoas enterradas.
Celine parou diante do túmulo, e depois se abaixou, tocando no nome “Aisha”, que nem ao menos tinha um sobrenome.
— É injusto. — Celine estava com uma expressão vazia, não pude ter certeza do que estava sentindo.
— Sim, é injusto que ela tenha perdido a vida assim… — eu disse, me abaixando perto dela.
— Você concorda que a pessoa que fez isso, precisa pagar com a mesma moeda, certo? O assassino da Aisha deve ser morto! — ela se virou, olhando diretamente nos meus olhos.
Além da sua expressão, seus olhos também estavam vazios, na verdade, tinha algo, rancor.
— Celine, você sabe que como investigadores, não podemos matar ninguém! Continua sendo um crime. — estaríamos apenas sendo igual à pessoa que fez isso com Aisha.
Celine não disse uma palavra depois disso. Fiquei observando o túmulo, algo estava me incomodando. Precisava saber quem era a Aisha, já havia se tornado uma questão de honra. Se não existia mais ninguém além de mim ao lado dela, devo descobrir logo, afinal, se eu não fizer, quem vai?
Decidi que eu voltaria ao cemitério algumas vezes para visitá-la, é o mínimo que devo fazer, mesmo não me lembrando dela.
Celine e eu fomos ao trabalho. Não trocamos nenhuma palavra durante o caminho, e no escritório, Arthuro me disse que Celine teria sua própria sala, ao lado da minha, e que ela teria seus próprios casos, mas ela trabalharia em conjunto com os meus também, até que eu pudesse me adaptar. Fiquei sozinho na minha sala, decidi analisar novamente o documento sobre Aisha. Realmente não havia nada que me desse muitas pistas, o que me restou o celular, que estava carregado. Acabei esquecendo dele por conta dos acontecimentos do dia anterior, e ficou na tomada por muito tempo.
Retirei e fiz a senha, fiquei estranhando o fato de usar a mesma senha para o computador e celular. Seria algo que meu eu atual não faria.
— O plano de fundo também não me deixa pistas… — era uma foto de duas alianças em uma caixinha.
A rede wi-fi da empresa estava conectada, então a primeira coisa que fiz foi verificar minhas redes sociais. Pude enfim ver o meu perfil pessoal, mas não havia uma foto com Aisha. Era apenas eu sozinho, e fotos que mostravam apenas nossas mãos, e coisas parecidas. Nessas fotos, entrei para ver a legenda, mas eram apenas corações. Sempre havia um comentário, e era dela, também deixando apenas um coração. Eu ia entrar no perfil dela, mas antes verifiquei todas as fotos, e notei que uma delas, havia uma legenda. “É meu desejo”. Era aquela foto do papel de parede do celular, das alianças.
O comentário da Aisha se sobressaiu. “Assim será”. Isso significava que já estávamos planejando nos casar. Entrei no perfil dela, realmente não tinha seguidores, era apenas o meu perfil profissional e o pessoal.
As fotos dela eram exatamente iguais às minhas, sem mostrar o rosto. Era como se estivéssemos tentando não dizer nada sobre a nossa vida juntos. Até mesmo as legendas eram apenas corações. No fim, decidi ir para a minha galeria, pois talvez poderia ter alguma foto nossa. Eu estava curioso para saber como é o rosto dela, e tinha esperanças de encontrar.
Infelizmente, novamente não tínhamos nenhuma foto mostrando o rosto, isso me deixou irritado. Era como se tudo isso tivesse sido feito para que eu não soubesse como ela era.
Respirei fundo, tentando manter a calma. Me restou apenas o aplicativo de mensagens, o contato dela estava salvo como “Minha A.”, e um coração do lado. Ao entrar nas conversas, as primeiras mensagens que apareceram, me fizeram perceber que algo havia realmente acontecido antes do acidente.
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Atualizado até capítulo 44
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