Segredo obscuro

Depois de um silêncio constrangedor, decidi ceder, afinal, eu era quem precisava de ajuda. Ainda não entendi a razão de Arthuro escolher uma novata para me ajudar. Um homem sem memória, e uma mulher sem experiência, o que isso poderia se tornar? Provavelmente um caos completo.

— Hum… então, vamos falar sobre esse caso. — mostrei a ela o documento sobre Arlan Castro, mesmo não confiando completamente nela.

Eu não tinha certeza como começar, e acho que ela também não, mas já seria uma boa ajuda.

— Primeiro, gostaria que me chamasse de “Celine”. Não gosto de formalidade, entende? — ela sorriu. — “Arlan Castro”, é aquele empresário rico que possui um grande patrimônio acumulado! Ele herdou tudo do seu falecido tio por ser o único herdeiro vivo. — no fim, ela realmente sabia algumas coisas, não respondi sobre dizer o nome dela, mas se ela queria assim…

— A esposa dele está desconfiando de suas atitudes, até onde está descrito nos documentos, ele constantemente ia até as áreas menos acessadas da cidade. — digitei o nome dele na aba de pesquisa do navegador, e apareceu a maioria das informações que eu já tinha visto no documento.

— Posso fazer uma sugestão? — Celine levantou a mão.

— Claro. — Olhei atentamente para ela.

— Por que não o seguimos? Sei que já deve ter feito isso antes de perder a memória, mas se descobriu algo, provavelmente não deixou anotado. Hoje ele está indo a uma entrevista para a maior rede de televisão do país, e depois disso, possa ser que vá a algum lugar. É melhor estarmos prontos, não acha? — a sugestão dela não era ruim, também havia pensado em algo relacionado.

— Tudo bem, podemos fazer isso. — a entrevista seria feita no período da tarde, mas iria ao ar a noite, no programa de maior audiência.

Já que ainda tínhamos um tempo até lá, peguei o próximo caso, esperando que fosse algo mais fácil a ser resolvido.

— “Aisha”… — eu sussurrei, ficando surpreso ao ver o nome da “minha namorada” aqui.

Senti um olhar estranho em mim, mas quando olhei para Celine, ela estava apenas sorrindo.

— Algo errado? — perguntei.

— Já vamos analisar outro caso? — ela parecia extremamente ansiosa.

— Celine, ainda não conheço a empresa, poderia, por favor, buscar um café para mim? Sei que não é o seu trabalho, mas sinto que realmente preciso disso. — ela abriu levemente a boca, parecendo querer falar algo, mas decidiu ir, ainda com um sorriso no rosto.

Aproveitei a rápida saída dela para analisar o documento. Não havia um sobrenome, ou uma foto dela, igual tinha de Arlan. Na verdade, havia poucas informações sobre ela.

O endereço em comum, que era onde morávamos juntos, naquele mesmo apartamento que fui com Arthuro. Pela data de nascimento dela, tinha a mesma idade que eu, vinte e nove anos. Ela também não tinha família, era órfã, e viveu nas ruas quando era adolescente.

Havia também um nome rabiscado, parecia que alguém riscou com ódio para que não fosse visto, até o ponto de rasgar um pouco da folha.

Era apenas isso que estava lá, mas por que o nome de Aisha estava nesses documentos? Se ela morreu no dia em que sofri o acidente, não faria sentido que eu já estivesse investigando, afinal, eu fui a procura dela assim que soube, segundo as informações que Arthuro me disse.

Guardei o documento assim que escutei passos próximos. Peguei outro para fingir naturalidade, então Celine entrou, com o café.

— Aqui está. — ela me entregou o café, e sentou, também com uma xícara de café.

— Muito obrigado. — encarei o café, e então experimentei.

Não havia dito como queria, mas estava realmente delicioso, acho que ela deve ter escolhido o mesmo que gosta.

Logo, alguém bateu na porta. Novamente era Arthuro, que entrou e cumprimentou Celine.

— Uh? Nossa, você continua exigente! — não entendi porque ele disse aquilo, até o momento que ele apontou para o meu café.

— Exigente? — demonstrei que não estava entendendo.

— Seu café, você era realmente exigente com isso. Bastante forte, pouco açúcar, e a medida do café na xícara sempre tinha que estar no meio exato. Sinceramente, eu sempre questionava porque você era tão estranho, mas você só dizia “não é dá sua conta”. — nesse momento, eu olhei para Celine.

— Como sabia que eu gostava do café assim? — ela me olhou, ainda sorridente.

— Perguntei as pessoas da empresa. — bom, fazia sentido, ao menos.

— Ah, sim, quase esqueci de falar. As pessoas da empresa querem beber hoje, tudo bem por você? Queremos comemorar sua recuperação. — Arthuro disse.

— Não tenho certeza se terei tempo. — afinal, não teria como saber que horas terminaríamos a investigação.

— Entendo, mas se esforce, ok? Você também, Celine! — ele se virou para ela, que parecia visivelmente incomodada.

— Vou pensar a respeito. — Arthuro saiu depois da resposta dela, então notei que Celine estava com uma expressão estranha.

— Aconteceu alguma coisa? — não parecia que ela queria esconder.

— Não, é só que… perdi alguém especial há um tempo, e não acho que seja justo da minha parte ir beber e curtir quando é tão recente a morte dessa pessoa. — ela me olhou afiadamente, como se estivesse me julgando.

— Espero que não seja rude perguntar, mas quem você perdeu? — foi apenas por um segundo, mas sua expressão ficou sombria.

— Alguém especial. — ela me olhou de um jeito que me causou arrepios.

— Entendo. — para cortar o clima ruim, eu peguei o outro documento e analisei. Aquele caso já havia sido descoberto, mas não informei o cliente a conclusão, pois tive meu acidente.

Liguei para ele, pegando o número pelos arquivos do computador, pedindo para que me encontrasse quando tivesse um tempo. Expliquei minha situação e o que aconteceu para o atraso dos resultados, e tudo correu bem.

Pelo menos até antes de Celine e eu irmos procurar por Arlan.

[…]

Mais tarde, ainda naquele dia, fomos até perto do local onde Arlan estaria. Claro, decidimos não invadir e esperar o carro dele sair da emissora. A razão disso, é que agora não sou experiente nisso, poderia me arriscar sozinho se não estivesse com ela.

— Quanta demora, já faz umas três a quatro horas que estamos aqui… — ela resmungou.

— Celine, disse que quer ser uma boa investigadora. Se for assim, não deve questionar o tempo. — normalmente eu era assim? Com uma personalidade tão amarga?

— Sabe, se continuar falando as coisas assim, rudemente, as pessoas não irão gostar de você! — Celine não me olhou.

— Claramente as pessoas que me conhecem, gostam de mim. — isso não era uma mentira.

— Ninguém conhece outra pessoa completamente. Às vezes, pode existir um segredo obscuro por trás da pessoa mais amada do mundo! — senti como se fosse uma alfinetada.

O que ela realmente queria comigo? Uma pessoa que admira outra, não agiria de forma tão estranha. Celine era difícil de compreender, as ações dela eram contraditórias em questão de segundos.

Talvez seja você quem tenha um segredo obscuro, Celine?

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