Voltei para o meu quarto após toda aquela situação problemática. Queria que as horas passassem mais rápido, não aguentava mais esse lugar. Já estava preocupado pelo que Liara poderia fazer de novo.
Alguém bateu na minha porta. Era Celine, que estava muito estranha.
— Vamos à praia! — não foi um pedido, seu tom de voz era autoritário.
Não sei exatamente porque, mas não consegui questionar, apenas a segui até a praia. Já passava das três da manhã, o que ela poderia querer comigo? Foi que ficou martelando na minha mente até que chegássemos até lá.
— Ce-… — eu ia dizer o nome dela, mas fui cortado com seu grito.
— CALA BOCA! — em choque, eu me aproximei dela tentando entender o que estava acontecendo.
Ela me empurrou para a água gelada, e eu caí ainda sem ter uma reação concreta. Não sabia se ficava surpreso ou assustado. Celine estava chorando, e começou a me bater.
— FOI POR CAUSA DELA? FOI POR ISSO QUE FEZ AQUILO, CÉSAR? — não me defendi, esperei que ela desabafasse até que pudesse enfim perguntar o que estava acontecendo.
Celine continuou me olhando fixamente, parecia estar com ódio.
— O que eu fiz? Não saberei se não me dizer… — ao ouvir minha pergunta, Celine avançou sobre mim novamente, dessa vez, ela me afogou, como se quisesse me matar.
Mas por quê? Eu sentia que ela não ia me matar realmente, fiquei calmo, e então ela me soltou. Arfei por ar, cuspindo a água salgada da minha boca.
— Eu te odeio tanto, César… te odeio, te odeio, te odeio… — ela ficou repetindo. — Por que você a deixou te tocar? ELA IA TE BEIJAR! — Celine parecia estar surtando.
Eu a abracei, meu coração estava acelerado, mas permaneci sem sentir medo. Celine e eu ficamos assim até que o sol nascesse. Foi muito estranho estar com ela ali, como se eu já tivesse passado por isso uma vez.
Ainda havia mais um dia para ficar lá, mas eu senti que havia algo muito errado.
Fomos dormir, e acordamos novamente às nove horas, com o chamado de Arthuro. Eu estava cansado, e ela também. Percebi que Arthuro estava nos olhando estranhamente, e então chamou Celine para conversar. Ao mesmo tempo. Liara também me chamou, e foi nesse momento que comecei a estranhar as coisas.
— Quero ir ao banheiro. — me soltei dela, e fui em direção ao banheiro. Desviei do caminho depois.
Queria encontrar Arthuro e Celine, pois algo estava me incomodando.
— Eu sei, não precisa ficar me lembrando disso… — escutei Celine dizer.
— Você sabe que o único que está do seu lado, sou eu, certo? Deixei tudo em suas mãos, não faça com que meus esforços sejam em vão! — foi tudo que escutei, já que Liara me puxou.
Ela saiu me arrastando sem me deixar dizer alguma coisa. Por mais estranho que parecesse, comecei a acreditar que Arthuro também não se importava com Liara. O que realmente há nessa relação?
— Ouvir a conversa dos outros é falta de educação! — ela parecia nervosa.
— Liara, por que está tão afobada? — ela me puxou outra vez.
— Você me deixou sozinha. Mentiu para mim, isso é bem chato, sabia? Assim faz parecer que está interessado em Celine! — era uma mentira, ficou claro para mim quando ela desviou o olhar.
Eu não disse nada, apenas a deixei sozinha de novo, indo até a praia. A cena do que aconteceu na noite anterior, voltou à minha mente. Tanto Liara, quanto Celine estavam me deixando confuso.
Mais tarde, Arthuro veio falar comigo.
— Como você está? — ele me ofereceu uma bebida.
— Não sei dizer, é tudo tão confuso... — eu suspirei.
— Ainda não conseguiu lembrar de nada? — ele perguntou, enquanto abriu a cerveja.
— Ultimamente, não fiz nenhum progresso. — isso me deixou frustrado.
— Fique tranquilo, logo você lembrará de tudo! Como está prosseguindo a investigação sobre Aisha? — ele me olhou diretamente quando a mencionou.
— Não tive evoluções. — não poderia dizer que a namorada dele é suspeita, mas pior de tudo, eu estava começando a desconfiar de Arthuro.
— Estou disponível para te ajudar no que precisar! Aisha precisa de justiça. Sei que a amava muito, então isso também é por você. — ele sorriu.
— ... — primeiro, fiquei em silêncio. — Celine e você parecem mais próximos. — toquei nesse assunto repentinamente, e Arthuro abriu um sorriso ainda maior.
— Não poderia dizer exatamente "próximos". Mas realmente estamos sendo amigáveis. Ela é uma boa mulher! — ao falar de Celine, Arthuro pareceu feliz.
Isso me fez desconfiar ainda mais.
— Liara... ela não sente ciúmes? Você também, não se importa que ela ande comigo? — sua expressão não mudou em nada. Ele ainda parecia sorridente.
— Está tudo bem. — foi a única resposta dele.
Ficamos em um silêncio constrangedor, mas acredito que apenas eu achei isso. Ele estava estranhamente feliz.
Mais tarde, nós fomos fazer compras. Comecei a me sentir nostálgico novamente. Alguns lugares, eu realmente já estive por aqui. As lojas, o centro da cidade, até mesmo aquela praia, a casa...
Liara continuava tentando falar comigo, e Celine ficava me olhando. Me senti cansado, apenas queria voltar.
— César... — então, em um momento, Celine veio até mim, justamente quando Liara e Arthuro foram comprar algumas coisas.
— Ah, Celine... — não me sentia confortável em falar com ela.
— Eu estou com fome, por que não vamos até aquele restaurante? — ela sorriu.
— Mas falta Arthuro e Li-... — ela pegou meu braço.
— Por favor, vamos! — eu acabei aceitando.
Nós entramos, era um lugar simples, mas aconchegante. O menu também não tinha tantas opções, nós fizemos o pedido, e então...
— Tem um quadro de fotos com mensagens, por que não vamos olhar? — ela fez essa sugestão.
Celine me puxou até lá. Havia muitas fotos, todas com mensagens.
— É um lugar para casais. — ela ficou apontando para algumas fotos.
Fiquei em silêncio, observando as fotos, até que uma especificamente me chamou atenção.
Mãos entrelaçadas...
Era o único casal que não mostrou o rosto. Ao lado, havia duas bebidas, e também um macarrão.
— "Que seja eterno, e seja lindo. Quero que seja você, sempre... Doze dos dez de dois mil e vinte dois". — ela leu o que estava junto à foto. É uma foto de dois anos atrás.
Poderia ser...? Essa mão, definitivamente, parece a minha...
— Ah, nosso pedido está pronto, vamos sentar? — voltamos ao nosso lugar.
A bebida que pedimos, até mesmo a refeição... é a mesma da foto.
Foi mesmo coincidência?
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Atualizado até capítulo 44
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