Mark
Conforme cavalgamos de volta para a casa de Ema, ela vai explicando cada detalhe do rancho, apontando para diferentes áreas e explicando como cada uma delas contribui para a vida na propriedade. Eu absorvo suas palavras com interesse genuíno, fazendo perguntas ocasionalmente para entender melhor.
Ao chegarmos à casa, Ema cuidadosamente leva os cavalos até o estábulo, onde os deixa com água fresca e feno. A tranquilidade do ambiente rural contrasta com a agitação que eu estava acostumado na cidade.
Caminhamos juntos até a frente da casa, onde somos recebidos pela senhora que conheci na feira. Ela aparece na porta com um sorriso caloroso.
— Menina, o almoço está pronto — anuncia, olhando para Ema e depois para mim.
Percebendo que já é tarde e o sol está alto no céu, Ema concorda com um aceno de cabeça.
— Obrigada, Tere. Pode colocar mais um lugar na mesa por favor? Mark irá almoçar conosco — diz Ema, voltando-se para mim.
Antes que eu pudesse protestar, Ema interrompe minhas palavras com gentileza.
— Você deve estar com fome depois de cavalgar tanto.
A senhora assente, reforçando o convite com sua voz amável:
— É verdade. Aqui sempre haverá comida para quem tem fome.
Ema sorri concordando com a senhora, e eu não consigo evitar um sorriso leve diante da generosidade delas.
— Se é assim, então aceito o convite. Obrigado pela hospitalidade, Ema, senhora — digo, sentindo-me genuinamente grato.
Adentramos a casa juntos, e assim que meus pés tocam o assoalho de madeira polida, uma sensação de aconchego e acolhimento me envolve. Observo a decoração simples, mas charmosa, que parece refletir a personalidade acolhedora de Ema.
— O que foi? — pergunta Ema, notando minha admiração.
— Sua casa emana um calor especial. Parece estranho dizer isso, mas é a primeira vez que me sinto tão bem ao entrar em um lugar desconhecido. É acolhedora, Ema, assim como você — respondo sinceramente, percebendo que minhas palavras saíram mais intensas do que eu pretendia.
Ela me encara por um momento, parecendo absorver minhas palavras sem dizer nada. O momento de silêncio entre nós é interrompido pela voz da senhora, que retorna para nos guiar até a mesa.
— Venham, ou a comida irá esfriar — diz, com um sorriso gentil.
Ema me lança um olhar breve antes de nos dirigirmos para a mesa onde o almoço já está preparado. Ao chegarmos lá, percebo imediatamente a presença do senhor de bigode, que me observa com um olhar perspicaz, e do garoto, cujo olhar parece perfurar minha alma. É evidente que ele não tem nehuma simpatia por mim.
— Sente-se, Mark. Fique à vontade — convida Ema, enquanto ela mesma se acomoda à mesa.
Dou um breve aceno de cabeça em resposta e me sento, tentando ignorar a tensão palpável no ar. Lucas, o garoto, mantém seu olhar fixo em mim, sem esboçar qualquer expressão amigável. Decido quebrar o gelo, mesmo que de forma sutil.
— Obrigado pelo convite, Ema. Estou ansioso para experimentar essa comida que parece deliciosa — digo, tentando manter um tom amigável.
Ema sorri gentilmente, percebendo a tensão, no ambiente. A senhora, que está ocupada preparando os últimos detalhes, volta-se para mim com um sorriso caloroso.
— Espero que goste. Comer bem é o primeiro passo para entender a vida no campo — disse ela, colocando um prato com comida caseira diante de mim.
Agradeço com um aceno de cabeça e começo a saborear a refeição. Apesar da tensão inicial, o ambiente acolhedor e a comida deliciosa aos poucos começam a relaxar minha guarda.
Ema e a senhora, que descobri chamar-se Tereza, conversam animadamente, enquanto Lucas permanece mais reservado à minha frente. O senhor de bigode, que até então observava em silêncio, decide romper a tranquilidade com uma pergunta direta.
— E então, quais são seus planos, rapaz? — ele pergunta, olhando-me com um misto de curiosidade e avaliação.
Limpo a garganta, sentindo um nó se formar no estômago diante da expectativa que paira sobre mim. Após tomar um gole do suco natural, tento formular uma resposta clara.
— Bem, como devem saber, inicialmente eu tinha planos de construir um shopping aqui na região. No entanto, depois de refletir e aprender mais sobre o potencial dessas terras, decidi mudar de rumo. Agora, meu objetivo é transformar as propriedades que adquiri em um negócio agropecuário — respondo, escolhendo minhas palavras com cuidado.
Antes que qualquer um pudesse reagir à minha declaração, vejo Lucas cerrar o punho sobre a mesa, seus olhos faiscando de raiva enquanto me encara intensamente.
— Você só não construiu seu shopping porque a Ema se recusou a vender o rancho. E agora, essa sua repentina vontade de aprender sobre a vida no campo me parece algum tipo de plano ardiloso. Eu não confio em você, engomadinho. E minhas mãos estão coçando para quebrar essa sua cara — ele diz, sua voz carregada de desconfiança e hostilidade.
O silêncio pesado se instala à mesa. Ema, visivelmente surpresa e desapontada com a explosão de Lucas, interrompe o clima tenso.
— Lucas! Qual é o seu problema? — pergunta ela, sua voz misturando surpresa e uma ponta de chateação.
Lucas olha para Ema, seus punhos ainda cerrados, respirando profundamente para tentar se acalmar. Ele parece pronto para continuar seu desabafo, mas então o senhor intervém.
— O que você está pensando que está fazendo, garoto? Eu ainda sou seu pai, e te dou um cascudo se for preciso. Cale essa sua boca — diz o senhor, sua voz carregada de autoridade e um toque de decepção.
Lucas, com os punhos ainda cerrados, olha furioso para todos ao redor da mesa, inclusive para mim.
— É sério, pai? Vocês realmente estão iludidos com o teatrinho desse aí, mas a mim ele não engana — diz Lucas, seu olhar fixo e desafiador.
Antes que a tensão na sala escalasse para algo mais sério, eu decido intervir, sentindo a necessidade de esclarecer minha posição e minha sinceridade.
— Eu não te culpo por duvidar de mim, Lucas. Comecei com o pé esquerdo aqui, e por isso peço desculpas. Mas estou genuinamente disposto a mudar, radicalmente se necessário. Ema fez com que eu questionasse tudo o que eu acreditava ser certo. Só tenho a agradecê-la por isso. Ela despertou sentimentos que eu achei que estivessem perdidos, mas que na verdade estavam apenas adormecidos dentro de mim — digo, buscando ser o mais sincero possível.
Suspiro profundamente, sentindo um peso sendo retirado dos meus ombros ao colocar minhas palavras para fora, e continuo:
— É como se ela tivesse reacendido uma chama em meu coração, fazendo-o pulsar forte outra vez.
Um silêncio pesado se instala na sala após minhas palavras. O olhar de cada pessoa ao redor da mesa revela uma mistura de desconfiança, surpresa e talvez, em alguns casos, uma ponta de esperança.
Ema quebra o silêncio, sua voz suave cortando a tensão.
— Assim que aceitei te ajudar, eu já dei uma chance para que você prove isso, Mark — ela diz com firmeza, mas também com compaixão em seu olhar.
O senhor Joaquim olha para mim, seu semblante ainda sério, mas parecendo mais contemplativo agora.
— Acredito que todos merecem uma segunda chance, mas isso não será fácil. Espero que esteja pronto para trabalhar duro e provar seu valor — ele fala com uma voz grave, deixando claro que suas expectativas são altas.
Lucas permanece em silêncio por um momento, sua expressão endurecida. Então, ele finalmente solta os punhos e suspira profundamente.
— Eu ainda não confio plenamente em você, engomadinho. Mas se Ema e meu pai estão dispostos a dar essa chance, quem sou eu para discordar completamente? Apenas não pense que pode enganar a todos aqui — ele diz com uma voz dura, mas sua postura mostra um leve sinal de aceitação relutante.
Eu assinto, compreendendo a gravidade da situação e o desafio que tenho pela frente.
— Entendo, Lucas. Vou trabalhar duro para reconquistar a confiança de todos vocês — respondo, decidido a seguir adiante com determinação.
A senhora Tereza, que até então observava em silêncio, sorri suavemente.
— Rapaz, o tempo dirá se suas intenções são verdadeiras. Mas por enquanto, vamos continuar o almoço. A comida está esfriando — ela diz, sua voz acalmando um pouco o ambiente tenso.
Assentimos em uníssono, retomando o almoço com uma atmosfera mais leve, mas com um entendimento mútuo de que há muito trabalho a ser feito para restaurar a confiança quebrada.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Nadja
eles lavam a mão para comer
2024-08-17
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