Mark
Assim que agradeço a Ema, ela sorri cruzando os braços e me diz firmemente:
— Vamos começar com sua primeira lição: tire seus sapatos e sinta a terra sob seus pés.
Olho para ela com certa surpresa e digo:
— Isso é mesmo necessário?
Ela me olha intensamente e responde:
— Bem, se acha isso muito difícil, sugiro pararmos por aqui. Quer aprender e entender ou não?
Assinto, convencendo a mim mesmo de que preciso quebrar dogmas e paradigmas que tentam me bloquear.
— Está certo, Ema. Você tem razão, eu quero aprender e entender — digo, olhando para ela e tirando meus sapatos, ficando somente de meia.
— Nada disso. Tire as meias também. Seus pés precisam estar totalmente descalços ao tocarem a grama.
Suspiro, hesitando por um momento, mas então faço o que ela diz, tirando as meias e sentindo a grama úmida sob meus pés. O contato com a terra é estranho, uma sensação que não estou acostumado.
Ema sorri, satisfeita com minha decisão, e começa a caminhar, me guiando pelo campo.
— A primeira coisa que você precisa entender, Mark, é que a terra é viva. Ela sustenta tudo o que temos, e devemos tratá-la com respeito. Sinta a textura da grama, a umidade do solo. Este é o fundamento de tudo o que precisa entender.
Enquanto caminhamos, começo a perceber detalhes que nunca notei antes: a suavidade da grama, o cheiro da terra, a leve brisa que passa pelo campo. Ema para em um ponto específico e se agacha, tocando o solo com as mãos.
— Veja aqui, Mark. O solo é rico e fértil. Isso é porque ele tem sido cuidado e respeitado por gerações. Se você quer transformar suas terras em um negócio agropecuário, precisa entender e respeitar a terra da mesma forma.
Eu me agacho ao lado dela, imitando seus movimentos e tocando o solo com as mãos. A sensação é poderosa, quase como se a terra estivesse se comunicando comigo. Levanto os olhos para encontrar os dela, e há um entendimento silencioso entre nós.
— Você está certa, Ema. Nunca parei para pensar na terra dessa maneira. Sempre vi as propriedades como ativos, números em uma planilha. Mas isso é diferente. É mais profundo.
Ela assente, um sorriso suave nos lábios.
— É assim que deve ser. E isso é apenas o começo. Há muito mais a aprender. Você está preparado para o desafio?
Olho para ela, sentindo uma nova determinação se formar dentro de mim. Assinto com firmeza.
— Sim, Ema. Estou preparado.
Levantamo-nos e continuamos a caminhar pelo campo, sentindo a conexão com a terra fortalecer a cada passo. Ema me ensina sobre as plantas nativas, os ciclos das estações, a importância da biodiversidade. A cada nova lição, sinto minha compreensão e respeito pela terra crescer.
E então vejo o momento em que uma borboleta de cor única, que nunca vi antes, pousa suavemente no ombro de Ema. A cena é tão simples, mas há algo puro e genuíno nela que me faz sorrir espontaneamente. Ema se detém no meio de sua explicação, percebendo minha distração.
— O que foi? — ela pergunta intrigada, com o cenho franzido.
— Nada, é apenas uma borboleta que está no seu ombro — digo ainda sorrindo.
Ela olha para o ombro e leva os dedos suavemente até a borboleta, que se move do seu ombro para a ponta dos seus dedos. Ema observa a borboleta com um sorriso sereno.
— Ela deve ser uma das espécies que circulam o rio mais à frente. Como tenho parte da minha propriedade além do rio como uma reserva natural, muitas espécies únicas vivem lá, incluindo essas adoráveis borboletas — diz Ema, ainda sorrindo e olhando para a borboleta em sua mão.
Sinto uma onda de admiração por Ema e sua conexão com a natureza. Este pequeno momento, tão simples e belo, encapsula algo profundo sobre ela e a vida que escolheu viver. Ela coloca a borboleta de volta no ar, e a vemos voar lentamente, desaparecendo na direção do rio.
— Você realmente entende e respeita este lugar, Ema. É inspirador — digo, sentindo uma nova onda de respeito por ela.
Ema sorri, um brilho nos olhos.
— Aprendi com meus pais e avós. Eles me ensinaram a importância de viver em harmonia com a terra. Não é apenas sobre tirar dela, mas também sobre cuidar e retribuir.
— E é isso que você quer me ensinar? — pergunto, querendo confirmar o que já começava a entender.
— Sim. Mais do que isso, quero que você sinta. Que você se conecte de verdade com a terra, com o que ela pode oferecer e com o que você pode oferecer de volta.
Assinto, absorvendo suas palavras. Sinto que estou no início de uma jornada que vai mudar não apenas a forma como vejo a terra, mas também como vejo a mim mesmo e meu lugar no mundo.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Marilene Lena
Conexão com a natureza, com a vida...
2024-08-16
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