Mark
Sinto a lâmina do canivete afundar levemente na pele do meu pescoço, causando um leve ardor. Em seguida, sinto algo quente e viscoso escorrendo, e logo percebo que ela me cortou.
As mãos de Ema começam a tremer ligeiramente. Ela retira o canivete do meu pescoço e me olha com os olhos lacrimejando, a voz um sussurro cheio de dor e confusão:
— Olha o que me fez fazer...
Levanto uma mão devagar, sem movimentos bruscos, tentando acalmar a situação.
— Ema, me escuta...— digo, tentando manter a voz calma e firme, mesmo sentindo a dor do corte.
Ela respira fundo, tentando se recompor, enquanto os olhos dela se enchem de culpa e arrependimento.
— Eu... eu não sei o que deu em mim. Você me provocou tanto... — ela diz, quase num lamento.
A dor do corte é secundária em comparação com a emoção crua que vejo nos olhos dela. Levantamo-nos do chão e tento aproximar-me lentamente, dela.
— Ema, eu exagerei. Me desculpa, de verdade. Eu só queria entender você melhor — falo, com sinceridade.
Ela me olha com uma expressão que não consigo identificar e me diz:
— Não se aproxime mais das minhas terras ou de mim.
E assim, ela sai praticamente correndo de minha casa. Fico por um momento estático, sem reação. Eu devia comemorar por ter conseguido tirá-la do sério e vê-la como ela realmente é, mas por que isso me parece indiferente agora? Por que estou sentindo essas coisas estranhas?
Enquanto observo Ema sair pela porta, a adrenalina da cena anterior ainda corre pelas minhas veias. O corte no pescoço pulsa levemente, uma lembrança tangível do que acabou de acontecer. Gerald se aproxima silenciosamente, trazendo um pano limpo e uma solução antisséptica para limpar o ferimento.
— Senhor, vamos cuidar desse corte — diz ele, com uma calma profissional.
Assinto, ainda perdido em pensamentos. Deixo Gerald limpar e tratar o corte, mas minha mente está longe. Tento processar os eventos da noite. Eu consegui provocar Ema, consegui vê-la além da fachada dura que ela construiu. No entanto, a satisfação que eu esperava sentir não veio. Em vez disso, há uma sensação de vazio e algo mais... arrependimento?
Gerald termina de cuidar do corte e me observa com uma expressão preocupada.
— Senhor, está tudo bem?
Olho para ele, finalmente saindo do meu transe.
— Sim, Gerald, está tudo bem. Apenas... uma noite intensa.
Gerald assente, parecendo entender mais do que ele deixa transparecer. Ele se retira discretamente, deixando-me sozinho com meus pensamentos.
Ando pela sala, a elegância da decoração contrastando com o tumulto dentro de mim. As palavras de Ema ecoam na minha mente. "Não se aproxime mais das minhas terras ou de mim." A intensidade do seu olhar, a dor e a raiva misturadas em sua voz, tudo isso me afeta de uma maneira que não consigo explicar.
Sento-me em uma das cadeiras, olhando para o copo de vinho meio vazio na mesa. Tomo um gole, mas o sabor, que normalmente aprecio, parece amargo neste momento. Tento racionalizar meus sentimentos, mas é difícil. Ema é uma adversária formidável. No entanto, essa admiração parece estar misturada com algo mais profundo.
Por que estou sentindo isso? Será possível que, no meio dessa batalha de vontades, eu tenha começado a me importar com ela? A ideia é perturbadora, mas não consigo afastá-la.
Levanto-me e caminho até a janela, olhando para a noite lá fora. As estrelas brilham intensamente, e a tranquilidade da paisagem rural contrasta com a tempestade dentro de mim. Tento imaginar o que Ema está pensando agora. Será que ela também está refletindo sobre o que aconteceu? Ou está apenas focada em se manter longe de mim?
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Atualizado até capítulo 47
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