Mark
E aqui estou eu, nesse fim de mundo, por conta dessa insolente que se chama Ema. Seja lá quem essa mulher seja, este lugar será meu. Ela pode dar o preço que quiser, que eu cobrirei.
Enquanto meus seguranças seguram o guarda-chuva sobre mim, a chuva forte que começou a cair parece se intensificar. Logo vejo aquele garoto que foi chamá-la retornar com uma garota? Não, ela não pode ser a proprietária.
Observo-a parar seu cavalo a centímetros de mim. Neste instante, um trovão rasga o céu. Ela desce do cavalo, completamente molhada pela chuva. Seus cabelos lisos grudam em seu rosto, enquanto meu olhar se volta para sua roupa: uma calça jeans surrada e uma camiseta preta simples.
Meus olhos se dirigem para seus pés descalços. Ela entrega o cavalo ao garoto e caminha em minha direção. Seus olhos verdes fixam-se nos meus enquanto ela diz:
— O que deseja?
Pego o guarda-chuva das mãos dos seguranças e me encaminho mais próximo a ela, minha altura a fazendo parecer ainda mais pequena em minha frente.
— Chame Ema Martins — digo firmemente, minha voz cortando o ar gélido provocado pela chuva.
Ela me olha ainda mais profundamente e responde:
— Você está falando com ela. Sou Ema, a proprietária deste rancho. E sei bem quem você é, e minha resposta é não, como sempre.
Minha surpresa é evidente, mas não deixo transparecer. Respiro fundo, tentando manter a compostura diante desta garota que, apesar da aparência simples, tem uma determinação que não posso ignorar.
Olho ao redor, observando o rancho. Mesmo sob a chuva, é evidente que este lugar é bem cuidado, com cada detalhe revelando o carinho e o esforço investidos aqui.
— Srta. Martins, — começo, tentando adotar um tom mais conciliador. — Entenda, não estou aqui para causar problemas. Minha oferta é mais do que justa. Este rancho pode se tornar algo muito maior, algo que beneficiaria a todos. Pense nos empregos, no desenvolvimento...
— Beneficiar a quem? — Ela me interrompe, sua voz carregada de incredulidade. — A você? Ao seu bolso? Esta terra tem história, é parte de quem eu sou. Não está à venda, não importa o quanto você ofereça.
A intensidade de suas palavras me atinge mais do que qualquer argumento racional poderia. Sinto uma frustração crescente, mas também uma estranha admiração por essa insolente que se recusa a ser comprada.
— Ema, — digo, tentando uma abordagem diferente. — Pense no futuro. O mundo está mudando, e segurar-se ao passado não trará nada de bom. Posso ajudar a transformar este lugar em algo grandioso.
Ela balança a cabeça lentamente, um sorriso triste e resoluto se formando em seus lábios.
— O futuro que você imagina não é o que eu quero. O valor deste rancho não está no dinheiro, mas nas memórias, nas raízes que ele representa. Perdi meus pais há três anos, e foi aqui que eles me ensinaram tudo o que sei. Não vou abrir mão disso por nada.
Sinto um nó na garganta ao ouvir suas palavras, e percebo que meu plano, jamais conseguirá surtir efeito. Olho ao redor mais uma vez, sentindo a chuva fria escorrer pelo meu guarda-chuva, e finalmente entendo que algumas coisas são inegociáveis.
— Entendi, — digo finalmente, minha voz mais suave. — Eu comprei todas essas fazendas ao redor do seu rancho. E acredite, comprar ele é fundamental, pois irei interligar essas terras e abrir aqui um grande shopping.
Ela respira fundo, e o garoto se aproxima dela dizendo:
— Quer que eu coloque ele para fora, Ema?
Olho com o cenho franzido para esse moleque. Quem esse roceiro pensa que é? Mas então a voz dela surge, firme:
— Não será preciso, Lucas. Ele já está de saída — diz ela, me olhando profundamente.
Eu me encaminho mais, parando a centímetros dela. A borda do guarda-chuva a cobre parcialmente, e então digo:
— Você se arrependerá se ficar no meu caminho, Ema.
Ela me encara desafiadoramente no exato momento que um relâmpago surge nos céus e diz:
— Isso é o que veremos. Tente a sorte.
A intensidade do confronto é quase palpável, cada palavra carregada de determinação e desafio. Fico aqui por um momento, encarando esses olhos verdes que me desafiam sem medo.
Nunca me senti tão impotente diante de uma negociação. Sinto a raiva fervendo dentro de mim, mas também uma estranha admiração pela força e pela coragem dessa menina.
— Muito bem, Ema Martins — digo, dando um passo atrás. — Mas saiba que não recuarei facilmente. O jogo está apenas começando.
Ela mantém o olhar fixo em mim, inabalável. Sem mais uma palavra, viro-me e caminho de volta para meu carro, os seguranças apressando-se para me acompanhar.
Ao entrar no carro, uma última olhada pelo espelho retrovisor mostra Ema de pé, firme, encarando meu carro. A chuva continua a cair, mas a chama em seus olhos não se apaga.
Enquanto o carro se afasta, percebo que esta batalha será diferente de todas as que já enfrentei. Ema não é apenas uma proprietária de terras; ela parece uma guardiã de um legado. Para conquistar o que desejo, terei que enfrentar mais do que sua simples resistência.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
🌹
Ema é menina corajosa.
2024-08-25
2
Nadja
gostei da Ema
2024-08-13
1
Jucelia Oliveira
parabéns autora estou gostando muito
2024-07-14
3