(13) "Visões na Floresta"

Ema

Estava concentrada em atender os clientes, sempre sentindo os olhares de Mark em minha direção. Assim que ele comprou a geleia e saiu, manteve-se nas proximidades da nossa barraca, mas ele não vai me intimidar.

Foi então que eu a vi novamente. Como das outras vezes, ouço o apito, o som de uma flauta, passarinhos cantando. A garotinha do cocar corre por entre as crianças, me olha e sai em disparada, afastando-se da multidão. Aproveito que Lucas e Tere estão distraídos atendendo as pessoas e corro atrás dessa garotinha.

Preciso entender quem é ela, por que sempre a vejo? Enquanto corro atrás dela, a brisa da tarde agita meus cabelos, mas não paro.

— Ei, espere! — grito, correndo e me desviando das pessoas.

Ela olha para trás, mas apenas continua correndo, e eu a sigo. Vejo a garotinha alcançar a floresta densa que circunda a cidade. Antes de adentrar, ela se vira para mim e estica sua mão, me chamando.

Meu coração acelera, e assim que ela entra, corro atrás dela, adentrando a floresta. A luz do sol filtrada pelas copas das árvores cria um ambiente mágico e misterioso. O som da feira desaparece rapidamente, substituído pelo silêncio da floresta, quebrado apenas pelo som das folhas secas sob meus pés e pelo canto distante dos pássaros.

— Espere! — grito novamente, ofegante, mas determinada.

A garotinha se move agilmente entre as árvores, como se conhecesse cada centímetro deste lugar. Tento acompanhar, mas meus passos são pesados e desajeitados em comparação. No entanto, a determinação de entender quem ela é e por que me chama me mantém em movimento.

De repente, chego a uma pequena clareira e paro abruptamente. A garotinha está lá, no centro, olhando diretamente para mim. Seus olhos parecem brilhar com uma sabedoria antiga e misteriosa.

— Quem é você? — pergunto, minha voz ecoando na clareira.

Ela não responde, mas um sorriso suave se forma em seus lábios. Aproxima-se de mim lentamente, estendendo a mão novamente. Sem saber exatamente por que, mas sentindo uma profunda necessidade de confiar nela, dou um passo à frente e estendo minha mão para encontrar a dela.

No momento em que nossas mãos se tocam, sinto uma onda de energia percorrer meu corpo. Fecho os olhos por um segundo, e quando os abro novamente, me vejo em uma cena caótica no centro de uma floresta com árvores enormes e vegetação densa, envolta em uma neblina.

— Corre, Ema, eles estão aqui — uma voz diz.

Olho para meu lado e não vejo a garotinha; vejo muitas pessoas correndo, pessoas gritando.

— O que está acontecendo? — digo desesperada, olhando em volta, como se a floresta estivesse rodando diante dos meus olhos.

— Corre, precisamos chegar até a tribo — a voz diz novamente.

É então que vejo o que se desenrola diante de mim. São indígenas, inúmeros deles, sendo caçados por homens de chapéus. Meu coração parece um tambor no peito. Começo a correr sem rumo, escuto um som estranho, barulho de tambores.

— Meu Deus, socorro! — digo quase sem fôlego.

Enquanto corro, olho para o lado e vejo o que parece ser uma família indígena. O pai e a mãe correm com as crianças, mas os caçadores estão logo atrás deles. Então vejo a garotinha do cocar. Ela corre junto com eles, e então a indígena que julgo ser sua mãe me olha.

O olhar dela é de pura dor. Sinto no meu âmago o desespero, o sofrimento, a certeza de que serão pegos. Lágrimas escorrem dos meus olhos, turvando minha visão. De repente, vejo inúmeros indígenas se reunindo. São guerreiros.

A mãe da garotinha tira o que parece ser um arco de suas costas e, junto com o pai da garotinha, se junta aos guerreiros. Eles gritam; o som reverbera em mim, causando arrepios, como se fosse um chamado para lutarem por suas vidas, suas terras.

A mãe assente para a garotinha do cocar, que corre com as outras crianças, mas uma a uma as crianças são derrubadas, e só sobra ela correndo. Seus olhos se encontram com os meus. Lágrimas escorrem por eles. Ela parece querer voltar para ajudar as outras crianças.

— Não! Não pare de correr — grito desesperada.

Ela, chorando, aumenta seus passos. Mas os caçadores são muitos e velozes. Ela me olha uma última vez e faz uma curva para o lado de uma árvore, subindo na mesma rapidamente.

Paro, cansada, observando como ela se agarra ao tronco da árvore no alto e fica ali, tentando passar despercebida. Mas então dois homens se aproximam da árvore; um deles olha para cima e aponta para o outro.

Corro em direção a eles, tentando chamar suas atenções, mas percebo que eles não me veem. Pareço estar invisível aos seus olhos.

Um deles diz:

— Pegue-a, leve-a. Eles irão matá-la.

O outro homem pega a garotinha, que chora, tentando resistir. Corro tentando impedir, mas minhas mãos atravessam por eles.

— Estou sonhando? — digo confusa, olhando para minhas mãos.

Mas então o grito da garotinha me tira dos pensamentos, e sigo-a enquanto é levada por aquele homem. Ele anda muito rápido, carregando-a e olhando para os lados, como se estivesse com medo de ser descoberto.

Ele se distancia muito da mata e logo chega a uma propriedade com uma casa ampla. Vejo uma mulher correndo em sua direção, juntamente com um garoto.

— O que é isso, pai? — pergunta o garoto, olhando para a garotinha nos braços do pai.

— É uma das nativas, filho — diz ele, segurando a garotinha.

— É isso que você anda fazendo? Está caçando eles? — pergunta a mulher.

— Não me perturbe, mulher. Vamos entrar. Ela ficará aqui. Se ela sair, irão matá-la — diz ele.

Mas não consigo entender por que ele a está ajudando. E como se me ouvisse, a mulher pergunta:

— Mas se você estava os caçando, por que está trazendo essa menina para nossa casa? Por que está fazendo isso?

O homem olha para a mulher com uma expressão cansada e dolorosa.

— Eu não sei mulher, eu sinceramente não sei. Mas não posso deixá-la morrer. Vou protegê-la, mas isso fica entre nós. Ninguém pode saber, ou estaremos todos em perigo.

A mulher, ainda perplexa, assente lentamente.

— Está bem, mas isso é arriscado demais. Se alguém descobrir...

— Eu sei — interrompe ele. — Mas é um risco que estou disposto a correr.

Ele leva a garotinha para dentro da casa. Sigo-os, ainda invisível, tentando entender tudo o que está acontecendo. A garotinha está assustada, mas os olhos dela encontram os meus por um momento, e sinto uma conexão profunda, como se ela soubesse que eu estou aqui para ajudá-la.

De repente, a visão começa a se dissipar, e sinto a onda de energia me puxar de volta. Abro os olhos e estou de volta à clareira na floresta moderna, ofegante e confusa.

— O que foi isso? — pergunto a mim mesma, tentando entender essa experiência surreal.

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Comments

cleo Oliveira

cleo Oliveira

ja li livros assim livros espíritas e muito bom eu gosto muitos tenho varios

2025-01-15

1

🌹

🌹

visão de uma outra vida?

2024-08-25

1

Nadja

Nadja

caramba estou confusa com essa história

2024-08-14

1

Ver todos
Capítulos
1 (1) "A Jornada"
2 (2) "O Desafio"
3 (3) "Raízes de Resistência"
4 (4) "Desejo e Conflito"
5 (5) "Manhã no Rancho"
6 (6) "Encontro de Forças"
7 (7) "O Jantar"
8 (8) "Corte de Emoções"
9 (9) "Tempestade Interior"
10 (10) "Conversas ao Amanhecer"
11 (11) "Vestido de Coragem"
12 (12) "Encontro na Feira"
13 (13) "Visões na Floresta"
14 (14) "Visões e Perigos na Clareira"
15 (15) "Encarando o Instinto"
16 (16) "Despertar Sob o Céu Estrelado"
17 (17) "Renovação ao Amanhecer"
18 (18) "Raízes na Terra: A Primeira Lição"
19 (19) "Lições no Campo"
20 (20) "Tensões à Mesa"
21 (21) "Conquistando Confiança"
22 (22) "Renovação e Liberdade"
23 (23) "Tempestade de Coragem"
24 (24) "Resgate Sob a Chuva"
25 (25) "Entre Presenças e Conforto"
26 (26) "Sob a Chuva: Conexões Profundas"
27 (27) "Espíritos Antigos"
28 (28) "Visões e Mistérios"
29 (29) "Jornada na Floresta"
30 (30) "Despedida e Esperança"
31 (31) "Refúgio da Alma"
32 (32) "Entre Sombras e Estrelas"
33 (33) "Em Seus Braços"
34 (34) "Primeira Vez de Alma e Corpo"
35 (35) "Promessas ao Amanhecer"
36 (36) "Retorno ao Rancho: Revelações e Reconciliação"
37 (37) "Desafios Iminente"
38 (38) "Conexões"
39 (39) "Entre Momentos e Conversas Profundas"
40 (40) "Perseverança"
41 (41) "Incertezas do Futuro"
42 (42) "Entre Sentenças e Possibilidades"
43 (43) "A Busca do Eu"
44 (44) "Incertezas e Confiança"
45 (45) "Amor de Deus"
46 (46) "Nosso Felizes Para Sempre"
47 NOTA DA AUTORA
Capítulos

Atualizado até capítulo 47

1
(1) "A Jornada"
2
(2) "O Desafio"
3
(3) "Raízes de Resistência"
4
(4) "Desejo e Conflito"
5
(5) "Manhã no Rancho"
6
(6) "Encontro de Forças"
7
(7) "O Jantar"
8
(8) "Corte de Emoções"
9
(9) "Tempestade Interior"
10
(10) "Conversas ao Amanhecer"
11
(11) "Vestido de Coragem"
12
(12) "Encontro na Feira"
13
(13) "Visões na Floresta"
14
(14) "Visões e Perigos na Clareira"
15
(15) "Encarando o Instinto"
16
(16) "Despertar Sob o Céu Estrelado"
17
(17) "Renovação ao Amanhecer"
18
(18) "Raízes na Terra: A Primeira Lição"
19
(19) "Lições no Campo"
20
(20) "Tensões à Mesa"
21
(21) "Conquistando Confiança"
22
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24
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27
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29
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32
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35
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36
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37
(37) "Desafios Iminente"
38
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39
(39) "Entre Momentos e Conversas Profundas"
40
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41
(41) "Incertezas do Futuro"
42
(42) "Entre Sentenças e Possibilidades"
43
(43) "A Busca do Eu"
44
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(46) "Nosso Felizes Para Sempre"
47
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